
O poeta não diz:- Eu sei escrever poesia
O poeta não sabe que sabe escrever poesias, nem sabe que o escreve é poesia.
Sabe isso quem lê o que ele escreve.
O poeta não diz: Eu sou poeta
Ele não sabe que é poeta.
É quem o lê que o faz poeta.
O poeta escreve porque sente E vai falando do que sente
O poeta não fala do que sabe
É muito mais aquilo de que fala. ...
O poeta não diz :- Eu sei escrever poesia.
O poeta só sabe que para sobreviver tem de escrever o que vai pensando e sentindo...
Desenganem-se os que acham que sabem escrever poesia. Não passam de aprendizes de feiticeiro.
ACCB
E de repente apercebes-te de que não és só. Há mais por aí. Gente determinada e disposta a tudo se os limites do aceitável são ultrapassados. E não há limites quando se passam os limites, não há medos quando o medo é a imposição, e não há desistências quando já se faz tarde.
E vejo mulheres que eram aparentemente flores vestirem-se de espinhos, mulheres doces e serenas tornarem-se feras, e vejo-as iniciarem uma cruzada contra a violência, contra a hipocrisia e contra os silêncios.
Há uma hora para tudo e esta é a hora de Ser inteira. Sente-se isso nos tempos...
Há uma forma de fazer as coisas no feminino que não é melhor, nem pior, é diferente.
Acautelem-se os que acham que somos flores.
ACCB

A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;
a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;
a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.
Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"
Passa-te o tempo
E passa-te a Vida
Passa o espanto pelo que ainda é novo
Depois passa o olhar
E passa tanta coisa
................
E abrem-se rugas na memória
que no entanto continua jovem
Passa-te o tempo ressequido
A VIda
............
O Olhar pela pela memória do Tempo
E ficam as rugas que a tristeza
e a revolta te deixam nas mãos abertas
ACCB
( Foto de José Luís Outono)
Como tu dirias, não estarei, não tenho que estar, mas é como se estivesse.
E estarão muitos amigos teus, que te foram muito queridos e para quem serás sempre muito querido.
E de repente mesmo os conhecidos descobriram que eras um homem pela Cidadania, pelo Direito e pelo Ser, mais que pelo dever ser.
E descobriram todos que, da ponta da tua caneta, ou do teu rascunho a lápis, ou do teu teclado saía sempre o exercício da cidadania.
É por isso que nalgumas pessoas Jornalismo e Direito casam tão bem, porque ambos denunciam, apesar de só um censurar, as atrocidades que se cruzam connosco ou andam por aí.
E soubeste cumprir aquele mandamento em que dizias não acreditar :- Ama o Próximo como a ti mesmo.
E mais importante que tudo isso, deixaste o exemplo e a vontade de fazermos igual.
E é por isso que não estarei, não tenho que estar mas é como se estivesse...( ou talvez porque me vou habituando à tua forma de estar ausente que é agora a realidade).
Um Bom Dia. Se não for pedir muito que haja Sol quando disserem o teu nome.
( Faltou dizer que este pedacinho de imagem estava no Blog da Patricia
Apetecia-me entrar num museu,... assim,... de noite, sem som nos passos.
Descobrir as mentiras nos olhos fechados mas abertos por debaixo das pálpebras, as tramas nos lábios e, o assobio de respirar profundo ou em apneia em forma de calúnia sussurrada.
Talvez cortar-lhes o indicador até ao metatarso e, quem sabe, tirar-lhes todos os degraus das escadas em queda,... como se de noite todos os gatos não fossem pardos e os candeeiros das ruas fossem apenas o reflexo de um farol apressado nas horas.
Entrar num museu e descobrir por detrás dos silêncios as estórias tristes de cada um.
Descerrar-lhes as próprias lápides e acordá-los subitamente sob sons de mil cristais em queda aparatosa num chão de granito.
Como se faz acontecer um pesadelo em que se apaga alguém?
ACCB

Como deve ler-se poesia?
Veste o casaco
Senta-te e fecha os olhos
Depois,...depois pega no livro.
Puxa as mangas do casaco. Para cima.
E abre o livro.
Não abras os olhos.
Abre o casaco.
Qual a abertura certa de um casaco.
Fecha o livro
Abre os olhos
Escreve...
Poesia
ACCB
"Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não.
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.
Para Hoje e todos os outros dias!!"
-
Encontrado na parede de 1 dormitório de crianças do campo de extermínio nazi de Auschwitz



Apesar de eu andar relapso - muito relapso, ó vida louca... -, nem por isso se esqueceu o Pedro Correia de me vir recordar que é a minha vez de indicar o blogue da semana. Opto pelo Cleopatra Moon.
É o blogue de uma querida amiga, que conheci precisamente na blogosfera, onde a discussão de assuntos sérios, com tendência para o Direito, se mistura com deliciosos apontamentos do dia-a-dia de quem vive a vida com prazer.
Umas vezes mordaz, outras vezes suave, mas sempre inteligente, a autora é uma magistrada dum tribunal superior que não teme dar opinião mesmo quando os temas fervem.
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Dia 4 Março de 2014 -
Meu querido amigo, não te digo até já porque,
tal como tu, não tenho pressa.
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Eu não resistirei à tentação,
não quero que de mim possas perder-te,
que só na fonte fria da razão
renasça a minha sede de beber-te.
Eu não resistirei à tentação
de quanto adivinhei nesta amargura:
um sim que só assalta quem diz não,
um corpo que entrevi na selva escura.
Resistirei a te chamar paixão,
a te perder nos versos, nas palavras:
mas não resistirei à tentação
de te dizer que o céu é o que rasa
a luz que nos teus olhos eu perdi
e que na terra toda não mais vi.
Luis Filipe Castro Mendes, in "Os Amantes Obscuros"

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar
e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios
Alice Vieira | 'Dois corpos tombando na água'

Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa. É a chuva lá fora que me deixa assim nostálgica.
Depois de cumprir deveres cívicos de que não abdico, cai a noite e o rodado dos carros salpica a estrada que me faz lembrar que hoje ainda é domingo e as pausas são curtas.
São tão curtas as pausas... como são longas as reticências.
Já reparaste que as reticências são cheias de imaginação e silêncios? Como podem ambos ( imaginação e silêncio), conjugar-se em três pontinhos de nada? Tenho coisas para reler... ... Não me apetece nada... ... Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa, só para arrumar os pensamentos e soltar as ideias,... sem as arrumar, sem as ordenar... Precisam de espaço as ideias. É a chuva que me deixa assim nostálgica e nem é que eu saiba o que iria escrever... Às vezes tenho a sensação de que vou pensando conforme escrevo e as ideias surgem conforme surgem as letras. Não há nada construído, tudo vai ganhando forma conforme as palavras se vão ordenando e colocando no texto... não havia nada antes...umas provocam as outras e as sensações...ou estas as palavras... Olha que me sentava aqui agora ...e escrevia-te qualquer coisa... .
ACCB
Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
-Miguel Torga
Não tinha nada. Nada a não ser o por do sol a desfalecer nos olhos, a dar-lhe a ilusão dos sonhos que não tinham passado disso.
Na inquieta posição do sonhador que procura nas palavras a verdade que nunca viu de frente, tremem-lhe os dedos entre os cigarros que sufocam o cinzeiro até à exaustão.
Cruza e descruza as palavras mas elas não lhe obedecem.
Há um cansaço antigo que o inunda, uma angustia funda que lhe pesa nas pálpebras.
Não é da maré a morrer na Foz, nem do dia a cair para lá do horizonte, ali mesmo na linha entre a vida e a morte.
É o regressar às palavras que se fecharam, aos sonhos que não viveu, aos cigarros que finge fumar, ao cruzar e descruzar das pernas das letras que não se entendem, das palavras que nunca foram ditas...
E há o rumor das vozes que o espreitam como dedos fundos que lhe entram no peito....
É a saudade, diz uma velha...
Vem ver o mar, diz uma mulher...
E adormece enovelado na noite.
ACCB
.

Escrevo te de longe, de um tempo em que o tempo não vive fechado num espaço redondo e repetitivo.
Digo te coisas que não escrevo não vá a realidade entrar e ficar a saber o que te digo.
Deixa ficar assim,...neste espaço que nem teu é ou sequer nosso.
Escrevo te daqui tudo o que te quero dizer Assim nada se perde nem se transforma. Bjs
ACCB

Gosto de estar no cais quando chove
A chuva transporta sabores e odores
Que quando misturados com o mar
Transformam a atmosfera
Num ambiente de caldo
Que me faz flutuar. Gosto de estar no cais quando chove
Porque gosto de partir
Para onde os sonhos são realidade
E é sempre melhor partir quando chove.
Gosto de estar no cais quando chove
Porque o navio só parte
Quando a chuva acaba
E assim encontro razão para não partir
Porque só me apetece partir quando chove
Porque fico sempre e talvez para sempre
E porque a realidade nunca é o que se sonha.
Sophia de Mello Breyner Andersen, "Dia do Mar no Ar". fotografia: Christophe Jacrot
Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Peço ao gato "xiu" para não me denunciar
Toca o relógio sem cuco
Dá horas à cusquice das vizinhas e eu
Confesso às paredes de quem gosto
Elas conhecem-te bem
Aconhego-me nesta cumplicidade
Deixo-me ir nos trilhos traçados
Pela saudade de te encontrar
Ainda onde te deixei
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra e voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que me sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha
A dança do teu ombro...
E nesse instante em que o silêncio
É o bater do coração
Fecha-se a porta
Pára o relógio
As vizinhas recolhem
Tu olhas-me...
Tu olhas-me...
Trago-te o beijo prometido
Sei o teu cheiro, mergulho no teu tocar
Abraças a guitarra e voas para além da lua
Amarro o beijo que se quer soltar
Espero que me sintas para me entregar
A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha
A dança do teu ombro...
E, nesse instante em que o silêncio
É o bater do coração
Fecha-se a porta
Pára o relógio
As vizinhas recolhem
Tu olhas-me...
Tu olhas-me...
Espreito por uma porta encostada
Sigo as pegadas de luz
Esgota-se o tempo de cada vez que te espero na esquina mais escura de mim
Esgota-se o tempo esgota-se-me a vontade
esgota-se-me essa verdade que não sai da minha boca
E é apenas uma saudade doída gemida e louca
que se atreve a esperar ainda por ti
mesmo quando todos os silêncios já se foram
e todas as lágrimas já secaram!...
- São Reis
Esgota-se o tempo a imaginar se as tuas lágrimas secaram
Se os tempos já se foram dos teus dedos
Dos gestos que não fizeste
Das palavras que não disseste
Cola-se-me a mão ao queixo
Pendurados no olhar que se prende no que foi
Ou não foi porque não tinha de ser
Esgota-se o tempo na esquina da minha mão com o meu pensamento
Na elipse que o teu olhar
Faz sobre o tempo
Mesmo quando todos os silêncios parecem ter ido
E as lágrimas nunca existiram
ACCB

"março. supunha que tinha nascido por ali. provavelmente logo no primeiro dia. 1 de Março é o primeiro dia da primavera.
estranho. não havia explicação plausível para o ostracismo devotado aos equinócios. uma questão de comodidade, diziam alguns. daí o fazer coincidir as estações do ano com inícios e fins de meses. a primavera a começar em 1 de março, o verão a 1 de junho, o outono a 1 de setembro e o inverno a 1 de dezembro.
depois lá aparecia pelo meio desta calendarística distribuição, o 24 de junho. e toda a tradição pagã saía à rua transportada pelas pessoas. cumprindo-se celebrações onde o fogo, os cantares, as danças, as coroas de flores nas mulheres de cabelos louros e olhos azuis. todos azuis. tantos azuis. como se todas fossem pintadas por Deus no mesmo dia.
perfeitas. lindas. lagos pequeninos nos olhos das faces brancas, ainda cobertas de neve. o dia onde a noite é tão curta que as árvores não adormecem e os sonhos não saem dos livros dos poetas. o alquimista das palavras acreditava que tinha nascido por ali. a 1 de março de um ano tão distante que não se via no deserto do tempo plantado na memória. por ali, a 1 de março, ou talvez a 29 de fevereiro de um ano bissexto qualquer.
e assim o deserto do tempo comia-lhe a contagem dos anos. só se lembrava de contar a idade de quatro em quatro anos. as palavras aperaltavam-se naquele dia. também elas acreditavam que ele tinha nascido no primeiro dia de primavera. falavam-lhe ao ouvido, as palavras, e deixavam mel a adocicar-lhe a memória. a solidão azedava-lhe a existência. e a pele, e as lágrimas que escorriam mais depressa naquele dia. lágrimas amargas que deixavam marcas de noite na camisa que vestia. não tinha a certeza se era um aniversário, mas as palavras em correrias tudo faziam para que ele acreditasse. mas ele queria Laura. queria tanto Laura.
e aquele querer era enorme, bastando fechar os olhos para a ver ali chegar. para a ver a afagar-lhe o cabelo. ouvir a sua voz ondulante, num corpo ondulante. um mar de mulher que lhe salgava a pele com gotículas de maré-cheia. fazia-lhe tanta falta. Laura. gostava de lhe beijar as mãos. sentir-lhe os dedos elegantes. percorrê-los com os seus. dedos dados em mãos dadas. e depois deixava que ela se sentasse no seu colo e contava-lhe histórias cheias de palavras que brincavam por todo o corpo de Laura. às vezes achava aquele amor impossível. como se pertencessem, cada um deles, a histórias diferentes. de escritores diferentes. estilos diferentes.
tempos diferentes. como se o seu encontro com Laura resultasse do desmancho de livros diferentes cujas páginas se intercalaram, como o destino intercala o futuro com o passado. ele, página 7 de um conto medieval. ela, página 77 de um romance moderno. ele velho, sem idade. ela frágil, com idade de princesa. ele, perdido. ela num processo de se encontrar. ele, sem vida para entreter. ela, com tudo para acontecer. ele com vontade de morrer. ela cheia de desejos de viver. que faziam ali os dois, num balançar de corpos, que só os olhos fechados dele faziam suceder?
e o amor era tão grande. e a dor era tão grande. e o desejo impossível de a ter crescia desmesuradamente, afundando os pequenos restos do barco a que ele chamou esperança. o alquimista das palavras abriu os olhos e Laura fugiu para dentro dele.
ocupou-lhe outra vez o coração. constava que era o seu aniversário, logo no primeiro dia da primavera e o que ele mais queria era Laura."
Belíssimo texto de Nuno Guimarães, in "Metropolis":
MOTE :_ "Dói-me a alma… Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe…
um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti…"
Triste tédio que se esfuma com o traço
e não faz senão pensar em ti,
e não vive se não pensar em ti.
Dói-me a alma penso eu,
não é senão desculpa para culpar o tédio
e continuar a pensar em ti porque não quero pensar.
Dói-me a alma que se esfuma
Que tédio não querer pensar em ti...
Lá longe inquieto o tédio dói-me a alma
Esfuma-se o não querer pensar
E em traço lento
penso em ti.
ACCB

LUMINOSA SOMBRA FOTOGRAFIA
Acho que adormeci...
Havia uma casa caída dentro do lago
O lago não era lago era uma poça de chuva
Não sei se choveu
A janela estava virada do avesso
E no chão tinha o céu
Acho que adormeci...
ACCB

Começou ontem pelo fim da tarde.
Abriam-se às portas à nossa passagem por artes de vendavais citadinos.
A chuva essa, teimava em salpicar apenas as primeiras horas da noite.
Despiu-se o vento e foi para a rua, toda a noite, gritar aos quatro mares de barbas longas e cabelos desgrenhados farto dos Homens, farto do Mundo que lhe impede a passagem pelas orlas marítimas.
Desvairado arrancou árvores... e derrubou ferros e alturas.
Diz quem viu que tinha nos olhos o relampejar dos trovões.
A chuva, essa .... passou-lhe entre os dedos como que a desafiá-lo e falou-lhe em tempos idos... de Verões largos e de mares infinitos.
Esta manhã, o vento, cansado e de alma rasgada, acoitou-se perto do mar que se agita à sua presença.
Ninguém sabe se voltará a enlouquecer mais logo quando a noite acordar.
ACCB
Manhã na Marginal. Domingo? Talvez domingo no calendário dele. Solidão... chapéu como os velhos que o cabelo é nenhum e algibeiras de uma gabardina que já deixa passar a chuva. Nada para salvar, nada para sentir. Sonhos leves e longínquos de dias felizes disfarçados por dias sem ser feliz. Bancos à espera de momentos e de pensamentos sentados....mar bravio sem dar lugar a reflexões. Vai onda , vem onda, maré cheia de ilusões a saltar a estrada. Manhã de domingo de ano novo... velho por dentro da alma só e escangalhada. Nada para guardar. Nada para salvar. Iphone no bolso, já encharcado que nem se atreve a espreitar com medo de perder o contacto com o resto do Mundo. Calças arregaçadas pelas meias que a maré subiu os sapatos.
Nada para salvar.... Sinal de mensagem no bolso...gola puxada ao queixo que o vento e o mar teimam em entrar dentro dele...mensagem....mensagem.... espreitou de costas para o vento... Nada. Nada para guardar. Nada para salvar...talvez a árvore esguia que se ergue à esquerda...tão alta como o orgulho da sua alma e a tristeza dos seus olhos. "Salvar"!, teima o iphone.... e as duas mãos seguram a solidão contra o vento como se fosse uma bandeira....uma árvore em luta com o tempo.
ACCB
Fruto do mato

Inverno não é 'inda mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Poeta distraído, cão sem dono
Até na própria cama em que me deito
Inverno não é 'inda mas Outono
Na sonata que bate no meu peito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito
Mesmo eu de mim próprio me abandono
Se o rigor que me devo não respeito
Acordar é a forma de ter sono
No presente e no pretérito imperfeito
Morro de pé
Mas morro devagar
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser
Não me deixo ficar
Não pode ser
Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar
Pois viver é também acontecer
A vida é afinal o meu lugar
E só acaba quando eu quiser
José Carlos Ary Dos Santos
Faria 75 anos

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
As palavras Interditas
Eugénio de Andrade
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
MOVIMENTO DE INTERVENÇÃO E CIDADANIA
Diga não à erotização infantil
Há sempre um livro à nossa espera
Musicas aviação e outras tretas
Olhar Direito ( Ando Por Aqui)
Porto Croft ( Muito prazer por andar por aqui)
PSICOLOGIA CENTRAL de psicologia
Ré em Causa Própria ( Também ando por aqui )
Porosidade etérea ( sobre Poesia)
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Presidente da Comissão Europeia
Media, Strategy and Intelligence
