Às vezes baralho-me entre marés e livros, não sei onde me perca primeiro…
Os livros fazem pilhas por todo o lado nesta casa, preciso sempre de os ter à mão. Na mesinha de cabeceira, tenho 3 ou 4 com lápis dentro a marcar as páginas porque, quando leio gosto de sublinhar e interrogar… e leio sempre mais que um, lembro de que alguns não acabo mas, hei-de acabar … é como se já soubesse o fim.
Estou sedenta de tempo e tenho tanto medo de que o tempo acabe.
Meti na cabeça que quando temos projetos não acaba o tempo porque o tempo não pode acabar sem os projetos completos.
E tenho projetos para um escrito sobre os tempos que vivemos aqui, de longe, como se tudo fosse um filme, simplesmente porque não deviam ser realidade.
Não queremos acreditar que seja… .
Um escrito sem análises políticas ou económicas, só sentires e direitos … como compete a quem aplica a lei, é mulher, tem filhos e netos e tem medos… .
Hoje andei a pendurar quadros, como quem decora as paredes para inventar a vida a cores, texturas e ângulos rectos… nunca fico satisfeita, … preciso sempre de mais paredes …
Paredes… mar… livros… marés… leituras… infinito … tempo … não sei onde me perca primeiro… .