
Nem a imagem que apanhei de súbito ao descer ao Camões me aliviou o azedo das sílabas....
Era uma loja de coisas antigas, todas misturadas como quando sonhamos e não percebemos a ideia...
Era um homem que vivera sempre ali, naquela loja e tinha já perto de 70 e muitos anos... Teria aberto a loja há meia hora ou pouco mais e já os pombos do costume ( sim , que pelo descaramento, eram os do costume), lhe saiam pela porta fora em saltos de asas lentas e desobedientes.
Aquele gesto deve fazê-lo todas as manhãs...varre o interior da loja como quem sacode o frio da noite e os pombos que entraram, provavelmente à procura do sítio onde esconde o milho para os trazer ao calor da partilha, vão à frente da vassoura lenta que nada tem para fazer sair para a rua.
Foi o gesto e os pombos, a sua brincadeira matinal cumplice com a vida daquele homem....
Em segundos tudo me passou pela ideia,... a reforma dele, a crise mundial,...o dinheiro para os medicamentos... a manhã em Lisboa e em frente o rio com os traços repetidos do cacilheiro de cá para lá....
E aquela cabeça toda branca, salpicada pela vida... em gestos repetidos de arrumação inútil... e a cumplicidade dos pombos.... e eu dentro do carro com 4º graus lá fora.
E nada................
ACCB
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