Olhas de olhos pensativos...
O tempo é tão escasso e ainda por cima chove lá fora
Apetece-me uma manta nos joelhos, como quando somos velhos e temos um gato e uma lareira
Apetece o aconchego de uma chávena quente com qualquer coisa doce lá dentro
Em vez das teclas frenéticas e do ecrã luminoso, em vez dos pensamentos rápidos e das decisões urgentes...
O tempo é tão escasso e perde-se no emaranhado dos dias
Às vezes em inutilidades afiadas e sem sentido, em raivas de frenesim que são chuva ácida no coração molhado
Olhas de olhos pensativos...
Num espaço à tua frente, à espera dos teus dedos no teclado,
podes ter a tal manta nos joelhos ( como quando somos velhos), procura um gato ( dão-nos sempre atenção e não perdem nada do tempo), aproveita o espaço e o tempo
Quando parar de chover sai para o Mundo mesmo que digam que está em guerra
O que eles querem é que não tenhas os olhos pensativos
Querem que não enxergues a libertação das almas
Querem que sigas todas as regras
Que não questiones a regularidade das coisas
Não há forma de o fazerem
Isso é para quando somos velhos, e essa altura é nossa, não é de quando o dizem que deve ser...
Voltamos lá e regressamos as vezes que quisermos....
Agora e sem inutilidades afiadas e chuvas ácidas,... deixa que chova lá fora porque as tempestades fazem parte dos dias
e é bom estar do lado de dentro da Vida e ver chover.