Passo os olhos pelas notícias, depois por alguns perfis das redes sociais,... assim como quem passa os olhos pelo veludo azul escuro,... cansados, os olhos, e amorfo o veludo.
Tudo junto dá uma tinta pastosa triste, sem parágrafos, sem nada que apele ao sol que hoje decidiu não estar por aqui onde me aquece as costas, a alma e a imaginação.
A imaginação ...
Salva-se o dia porque decidiu chover. Na verdade a envolvência da tarde numa espécie de nevoeiro cinzento apesar do calor, dá um certo brilho ao veludo por onde deixo escorrer o olhar.
Nada de novo por aí... a torrente das opiniões não tem fulgor,.. pensam todos da mesma forma e ou gritam uma coisa aqui e outra ali, mas gritam todos a mesma coisa.
Como se os cérebros não tivessem opinião,... talvez não tenham olhos..........
A alguns já os conheço pelo modo como escrevem, sempre no mesmo tom, uns mais moralistas, outros mais morais, outros despidos de moral... .
É por isso que tudo junto dá um tom triste de tinta a óleo, sem parágrafos, sem fulgor,... que apenas escorre......
Falta uma Ágora em que as palavras batam nas paredes e façam ecos que firam os tímpanos, sem medos e sem polimentos, sem rebanhos,... sem acenar de cabeças num politicamente correto oportunista e bafiento, ou numa maré de modas descabidas e cegas.
Sentava-me agora e ficava a ouvir chover. Vou ler.