
Disseram-me que “Ele” já não escreve, disseram-me que já não vale a pena esperar textos novos, novos ou velhos pensamentos escritos e iguais aos nossos ou como nós… … .
Eu nunca escrevi nada, não sei escrever como manda a literatura, mas até gosto de escrever ainda que não o faça na perfeição e, fico feliz quando lêem e gostam do que eu escrevo… … .
O que não sabem é o medo que eu tenho de deixar de o fazer por alguma razão destas, por alguma razão que, até é previsível mas, nunca razoável.
E não tive tempo de aperfeiçoar nada
Começou tudo com uma brincadeira ou uma obrigação de estudo
Mas o tempo que eu quero para escrever e escrever melhor, pode ser escasso ou até nunca vir a existir.
E depois é bem verdade que não se escreve porque se quer, escrevesse porque se sente necessidade, impulso, vontade,… há “coisas” para deitar fora… a que dar voz ou forma.
Coisas que pensamos, que vivem dentro de nós ou gostávamos que vivessem … e que podem morrer dentro de nós ou connosco sem lhes darmos existência.
Tenho medo… … tantos medos …
Medo de deixar de pensar, de tentar entender, de não entender, de deixar de ter necessidade de contar, de escrever, de vos dizer ou dizer-me apenas o que me faz isto ou aquilo sentir ou pensar.
E sabem… dói muito saber que ele não escreve mais… é como se a alma se ausentasse ou ficasse presa no corpo … .
Como se as palavras não tivessem mais por onde existir ou como gritar ou como dizer… .
Não que façam falta todas as palavras mas, as dele, dão-nos vida, e forma, falam da nossa existência ….
Tenho tanta falta da escrita dele que vou reler tudo e ler ainda o que não li para que o possa sentir sempre como antes era.