Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

MOTE:- Tenho os olhos gastos

 

Olhos gastos, das notas de rodapé, das insónias, das noites perdidas, das viagens sem descanso, das esperas caladas, do fio do horizonte, dos prados que secam, das lonjuras, das perplexidades, das flores que morrem, dos amores que se perdem, das vidas adiadas...

Coutinho Ribeiro
_____________

 

Tenho os olhos gastos meu amor
Gastos das noites acordadas pelas memórias
que me ficaram de ti e de nós...

A luz cansada do meu quarto...
gasta-me os olhos
na procura do teu rosto
Talvez dos contornos do teu corpo

Tenho os olhos gastos meu amor....
De tentar descobrir a razão da tua ausência
A causa do meu afastamento.

Tão gastos meu amor
que nem a chuva que bate lá fora nos vidros cansados de esperar
Lava a dor que a tua falta lhes deixou


Tão gastos meu amor
Que me perco na solidão dos adiamentos
na perplexidade de não te poder olhar.

Lininhacbo
_____________

 

Gastei os olhos pelo nada, que afinal era o que havia, tudo o mais foi inventado. Por mim. Até o rosto e os contornos do corpo, até o cinzel com que te desbravei as arestas. Sim, meu amor, aventura de guerreiro que vinha da solidão, perdido nessa sua solidão, em delírios azuis. Ausência? Não, nunca a tua ausência me gastou os olhos. Não é ausente o que não houve. gastei os olhos no nada.

Coutinho Ribeiro
________________

Tenho os olhos gastos, meu amor....
Cansaram-se de tanto caminhar nas linhas das cartas que escreveste. Sabes, guardo-as todas.
Até ao mais pequeno bilhete, daqueles que deixavas na mesa da cozinha ao lado da caneca do café para eu ler quando acordava e tu já não estavas.
Tenho saudades das tuas cartas, meu amor.
De sentir a poesia da tua escrita e de imaginar os teus dedos a
navegar as folhas de papel com a mesma ternura que afagavas os meus cabelos e a linha do meu pescoço.
Perdemos a poesia, amor.
Deixámos-nos envolver no turbilhão e perdemo-nos.
Perdi-me.
E perdi-te.
Gastei os olhos também aí e as palavras.
Essas guardo-as agora no fundo dos meus olhos cansados na espera permanente de te ter de volta.

Eva Garcia

_______________________


"Tenho os olhos gastos… de procurar por ti…
De procurar pelos meus sonhos
Aqueles meus sonhos de menina…
Encontrei-os por fim, naquele cruzamento de vida onde te conheci…
Jaziam lá… inertes, sem vida, e eu sem saber…
Ainda não tive coragem de os enterrar…
estão ali, varridos num canto de mim, à espera que faça o seu luto.
Faltam-me as forças…
Nos olhos, nas mãos, no peito…
Faltam-me as forças para te dizer…
Que tenho os olhos gastos, meu anjo;
Gastos de te esperar no meu futuro.

( Amiga identificada :-) )

__________________


Sonhei teus olhos d'empréstimo
que meus são gastos. Traziam
o tom dos prados
em cristal de mar
(saltitam como aves de voar)...
e sem o traço de medo:
só o segredo
de onde pára o arco-iris.
Pela manhã restam os meus
(cansados e ateus)
que já só respiram
cinzento
na ajuda da noite.


(AM)


_________________________


"...a distância do nosso amor fica na distância do nosso olhar, na distância do nosso toque, na distância das gotas de suor dos nosso corpos quando fazem amor... a distância do nosso amor fica na distância do teu respirar junto ao meu peito ou no beijo que deposito nos teus lábios... a distância do nosso amor fica na ânsia de nos voltarmos a encontrar e sentirmos que amar não é só ser e estar mas também o desespero do ter de ir e não poder ficar... a distância do nosso amor fica na distância dos dedos quando se entrelaçam e os corpos se abraçam e ao som de uma doce melodia, os corpos juntos num só, levemente sobre si mesmo rodopia... a distância do nosso amor fica na distância das pequenas distâncias dos pequenos nadas a que damos tanta importância... a distância do nosso amor fica apenas a um simples passo da nossa própria distância..."

Lobices

_____________

 

Tenho os olhos gastos pela tua ausência. Gastos de serem abertos no escuro. De esperarem despertos pela tua descida à terra. De percorrerem a memória do teu rosto sem uma imagem fixa que os console. Tenho os olhos gastos, como vastos os teus afluentes me irrigam. Tenho só os olhos teus, e me bastam.

Porfírio

__________


No Fio do horizonte, entre lapides, encontramos o silencio.
Para lá dos muros, vislumbramos a vida.
Para lá dos muros não havia paragem.
As viagens fizeram se sem descanso.
Procurava mos, na insónia, os corpos das noites perdidas....
Os corpos que secaram, como prados, na nossa memória.
As palavras procuravam realizar as vidas adiadas,
As Palavras desenhavam, em paginas brancas, os amores que se perdem.
No fio do horizonte,
para lá dos muros,
em viagens pelos corpos que secam,
adiavamos a vida
em palavras que se perdem.

E aqui sob a terra, o corpo descansa,
em espera calada, nos dias que se sucedem,
por uma mão.
A tua mão.
A mão que deixou saudosas flores.
Flores que morrem, há muito, sobre nós
Afinal somos apenas uma nota de rodapé,
de uma vida adiada, no amor que se perdeu,
na lonjura do horizonte, para lá dos muros.

E para sempre,
no fio do horizonte,
descanso
meus olhos gastos

Pedro Cabeça
___________________


As palavras...secam-se
E os mares inundam o meu sentir
Neste balbuciar diálogo maresia e alma.

Descanso apenas na poeira do olhar...
E bebo um pouco das minhas lágrimas
Nesta sede de não ouvir-te...

Hoje...talvez tenha vivido para lá do eu
Amanhã...quem sabe o sol, tardará em acordar
E a cabeça será um nó de dúvidas soltas...imensas!

Escrevo-te...em tinta invisível...
Como a transparência deste amar estúpido
Mas fiel de abraços ...

Logo...mais logo...direi apenas
Conhecer-te...no restante do amor
Que deixaste...naquela gota de chuva...

Ainda enleio...ou carícia da tempestade
Nuvem opaca e vento traição
Ah! e esboças sorrir deste apelar...

Entende...mesmo que não entendas
Que amar é o outro lado da montanha
Chamada "felicidade"...familiar do rio esperança!

by OUTONO - in MOMENTOS - 2008
__________________________________________

 

Com um grande obrigada e um grande abraço a todos os que aceitaram o desafio

 e gostam de escrever, por escrever

e de sentir, porque sim .

 

ACCB

 

-

 

escrito no papiro por ACCB às 23:51
link | Escreva no Papiro | juntar aos escribas
8 escribas:
De Dulce a 12 de Junho de 2010
Gostei muito! Estão todos de parabéns! :)
De ACCB a 12 de Junho de 2010
Faltastu Dulce. Aind vais a tempo.
De ACCB a 12 de Junho de 2010
Faltas tu Dulce. Ainda vais a tempo :-)))
De Dulce a 12 de Junho de 2010
Tenho os olhos gastos pelos anos que voaram,
Num olhar maior, que os meus próprios passos.
Tenho os olhos gastos, pelas batalhas e derrotas,
Pelos gritos, choros e decoros,
Perseguições, conjurações, comparações
Tenho os olhos gastos, pelos trilhos e fogos cruzados,
Que me agridem a vista.
Tenho os olhos gastos de amores maiores,
Que esta alma enlaça,
De abraçar um mundo, que não me abarca.
Tenho os olhos gastos de verdades inconfessadas,
De promessas, esperas e esperanças.
Tenho os olhos gastos pela luz multicolor,
De sabores salgados e agridoces,
Duma alma treslouca.
Tenho os olhos gastos, cansados, tristes,
Pela dor que persiste, numa alma sofrida,
Por tanto amar.
De Frank a 12 de Junho de 2010
Gostei do que li.
Ohh que pena eu tenho de não conseguir expressar assim o que me vai na alma.
Mas consola-me o facto de poder ler e ... Gostar.
De ACCB a 12 de Junho de 2010
Nem sempre é o que vai na alma Frank. É mais nas "ganas de escrever" por tudo, por nada, porque sim :-)
De António Gramaxo a 29 de Outubro de 2010
TENHO OS OLHOS GASTOS .....
Andava de trás para a frente esperando o sinal que ambos haviam combinado. Tinham-se cruzado várias vezes, mas nunca como naquela manhã primaveril, onde o sol, ameaçando já com os seus raios um dia calorento, lhe havia transmitido uma estranha sensação de calor que não sabia explicar. Atravessara ruas e avenidas, calcorreou vezes sem fim o mesmo trajecto, olhou em todos os sentidos, mas qualquer coisa no seu íntimo, lhe dizia que algo não batia certo. Hesitou ao ver uma figura tão bela como a que esperava, mas depressa reparara que estava errado. Não, não era ela. Ela nunca se vestiria daquela maneira. Firmou melhor o olhar, elevou-se na soleira de uma porta, mas um reflexo luminoso na vidraça, deixou-o momentaneamente sem entender o que se passava à sua frente. Que diabo será isto? Pensou. Nada, foi apenas uma visão. Uma má visão. Percebera então que não era realmente quem esperava. Voltou-se novamente para o outro lado da rua, chegou-se novamente à esquina de onde partira, olhou para todos os lados e sentidos, mas novamente a estranha sensação de vazio o percorreu. Virou-se, percorreu em sentido inverso a avenida, distraído, embateu num homem parado a ver uma montra que nem sequer vira, sombras assaltaram-no, gritos interiores começaram a martelar-lhe a cabeça, pensava continuamente no que não encontrava, sobressaltou-se de novo, parou, tentou descortinar um vulto ao longe, mas dela nem sinal. Nada, rigorosamente nada. Olhou para o relógio, e nem viu as horas. Aquele gesto maquinal servira-lhe muitas vezes para confirmar que estava próximo o encontro. Mas naquele dia compreendera que não serviu para nada querer saber as horas. Estaria atrasado? Não, não podia ser. Ah, já sei, cheguei muito antes do tempo! O homem dos jornais ainda estava parado no seu lugar habitual, caso contrário já se teria ido embora. Pensou comprar o jornal da manhã que trazia uma notícia apregoada bem alto, que devia ser sensacional, mas nem conseguiu pedir o que queria. Maquinalmente, tentou ver se tinha umas moedas, mas nem atinava com o bolso. E ela não aparecia. Começou a ficar preocupado. Sentiu uma moeda maior no bolso, ia gritar para comprar o jornal, mas não viu o ardina. Não viu e isso apavorou-o. Parou, lembrou-se dos momentos em que a pontualidade lhes era tão grata, mas naquele dia tudo estava estranhamente diferente. Até que finalmente um vulto lhe surgiu apressadamente, correndo ao seu encontro, com o seu sorriso habitual que o fascinara desde sempre e atirando-se a ele, murmurou-lhe ao ouvido: Meu amor, há quanto tempo esperava por ti. Atrasei-me ligeiramente, desculpa, mas hoje tive um dia horrível. Estou tremendamente cansada, o escritório arrasa-me e confesso-te, nunca pensei que chegaria a tempo. Ainda bem que aí estás. Nem sonhas como tenho os olhos gastos de tanto olhar e nem te ver. Vamos?
De ACCB a 29 de Outubro de 2010
Gostei. :-) Obrigada. E que tal lá no face Na Nota?

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