
Olhos gastos, das notas de rodapé, das insónias, das noites perdidas, das viagens sem descanso, das esperas caladas, do fio do horizonte, dos prados que secam, das lonjuras, das perplexidades, das flores que morrem, dos amores que se perdem, das vidas adiadas...
Coutinho Ribeiro
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Tenho os olhos gastos meu amor
Gastos das noites acordadas pelas memórias
que me ficaram de ti e de nós...
A luz cansada do meu quarto...
gasta-me os olhos
na procura do teu rosto
Talvez dos contornos do teu corpo
Tenho os olhos gastos meu amor....
De tentar descobrir a razão da tua ausência
A causa do meu afastamento.
Tão gastos meu amor
que nem a chuva que bate lá fora nos vidros cansados de esperar
Lava a dor que a tua falta lhes deixou
Tão gastos meu amor
Que me perco na solidão dos adiamentos
na perplexidade de não te poder olhar.
Lininhacbo
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Gastei os olhos pelo nada, que afinal era o que havia, tudo o mais foi inventado. Por mim. Até o rosto e os contornos do corpo, até o cinzel com que te desbravei as arestas. Sim, meu amor, aventura de guerreiro que vinha da solidão, perdido nessa sua solidão, em delírios azuis. Ausência? Não, nunca a tua ausência me gastou os olhos. Não é ausente o que não houve. gastei os olhos no nada.
Coutinho Ribeiro
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Tenho os olhos gastos, meu amor....
Cansaram-se de tanto caminhar nas linhas das cartas que escreveste. Sabes, guardo-as todas.
Até ao mais pequeno bilhete, daqueles que deixavas na mesa da cozinha ao lado da caneca do café para eu ler quando acordava e tu já não estavas.
Tenho saudades das tuas cartas, meu amor.
De sentir a poesia da tua escrita e de imaginar os teus dedos a
navegar as folhas de papel com a mesma ternura que afagavas os meus cabelos e a linha do meu pescoço.
Perdemos a poesia, amor.
Deixámos-nos envolver no turbilhão e perdemo-nos.
Perdi-me.
E perdi-te.
Gastei os olhos também aí e as palavras.
Essas guardo-as agora no fundo dos meus olhos cansados na espera permanente de te ter de volta.
Eva Garcia
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"Tenho os olhos gastos… de procurar por ti…
De procurar pelos meus sonhos
Aqueles meus sonhos de menina…
Encontrei-os por fim, naquele cruzamento de vida onde te conheci…
Jaziam lá… inertes, sem vida, e eu sem saber…
Ainda não tive coragem de os enterrar…
estão ali, varridos num canto de mim, à espera que faça o seu luto.
Faltam-me as forças…
Nos olhos, nas mãos, no peito…
Faltam-me as forças para te dizer…
Que tenho os olhos gastos, meu anjo;
Gastos de te esperar no meu futuro.
( Amiga identificada :-) )
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Sonhei teus olhos d'empréstimo
que meus são gastos. Traziam
o tom dos prados
em cristal de mar
(saltitam como aves de voar)...
e sem o traço de medo:
só o segredo
de onde pára o arco-iris.
Pela manhã restam os meus
(cansados e ateus)
que já só respiram
cinzento
na ajuda da noite.
(AM)
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"...a distância do nosso amor fica na distância do nosso olhar, na distância do nosso toque, na distância das gotas de suor dos nosso corpos quando fazem amor... a distância do nosso amor fica na distância do teu respirar junto ao meu peito ou no beijo que deposito nos teus lábios... a distância do nosso amor fica na ânsia de nos voltarmos a encontrar e sentirmos que amar não é só ser e estar mas também o desespero do ter de ir e não poder ficar... a distância do nosso amor fica na distância dos dedos quando se entrelaçam e os corpos se abraçam e ao som de uma doce melodia, os corpos juntos num só, levemente sobre si mesmo rodopia... a distância do nosso amor fica na distância das pequenas distâncias dos pequenos nadas a que damos tanta importância... a distância do nosso amor fica apenas a um simples passo da nossa própria distância..."
Lobices
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Tenho os olhos gastos pela tua ausência. Gastos de serem abertos no escuro. De esperarem despertos pela tua descida à terra. De percorrerem a memória do teu rosto sem uma imagem fixa que os console. Tenho os olhos gastos, como vastos os teus afluentes me irrigam. Tenho só os olhos teus, e me bastam.
Porfírio
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No Fio do horizonte, entre lapides, encontramos o silencio.
Para lá dos muros, vislumbramos a vida.
Para lá dos muros não havia paragem.
As viagens fizeram se sem descanso.
Procurava mos, na insónia, os corpos das noites perdidas....
Os corpos que secaram, como prados, na nossa memória.
As palavras procuravam realizar as vidas adiadas,
As Palavras desenhavam, em paginas brancas, os amores que se perdem.
No fio do horizonte,
para lá dos muros,
em viagens pelos corpos que secam,
adiavamos a vida
em palavras que se perdem.
E aqui sob a terra, o corpo descansa,
em espera calada, nos dias que se sucedem,
por uma mão.
A tua mão.
A mão que deixou saudosas flores.
Flores que morrem, há muito, sobre nós
Afinal somos apenas uma nota de rodapé,
de uma vida adiada, no amor que se perdeu,
na lonjura do horizonte, para lá dos muros.
E para sempre,
no fio do horizonte,
descanso
meus olhos gastos
Pedro Cabeça
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As palavras...secam-se
E os mares inundam o meu sentir
Neste balbuciar diálogo maresia e alma.
Descanso apenas na poeira do olhar...
E bebo um pouco das minhas lágrimas
Nesta sede de não ouvir-te...
Hoje...talvez tenha vivido para lá do eu
Amanhã...quem sabe o sol, tardará em acordar
E a cabeça será um nó de dúvidas soltas...imensas!
Escrevo-te...em tinta invisível...
Como a transparência deste amar estúpido
Mas fiel de abraços ...
Logo...mais logo...direi apenas
Conhecer-te...no restante do amor
Que deixaste...naquela gota de chuva...
Ainda enleio...ou carícia da tempestade
Nuvem opaca e vento traição
Ah! e esboças sorrir deste apelar...
Entende...mesmo que não entendas
Que amar é o outro lado da montanha
Chamada "felicidade"...familiar do rio esperança!
by OUTONO - in MOMENTOS - 2008
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Com um grande obrigada e um grande abraço a todos os que aceitaram o desafio
e gostam de escrever, por escrever
e de sentir, porque sim .
ACCB
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