Das cartas que escreves faço barcos de papel

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mário Quintana
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Das cartas que me escreves
Faço barcos de papel...
De cada letra tua a bússula para chegar ( aí )
De cada palavra o rumo
do mar navegado em que me afundo..
Faço barcos de papel das cartas que me escreves
Espero que a maré me leve
até à praia onde adormeces todas as manhãs
tens um saber dormir ao sol
durante o dia
Acordas o sonho
à noite e dizes:- Já é dia!
Das cartas que me escreves faço barcos de papel,
certa de que as viagens soltas
que navegarão na praia do tempo
que não vai nem volta,...
Te levarão
saudades dos barcos que navegam em cartas escritas
em barcos de papel.
ACCB
A propósito de barcos de papel
Escrevo-te esta carta Amor
porque não tenho mais voz para falar contigo.
No mais fundo de mim eu sei que destruí tudo.
Destruí aquilo em que acreditaste,
o sonho que sonhamos juntos,
o que eramos um para o outro.
Fiz dela um barco de papel à chuva do dia e da recordação de ti.
Lá fora chove
Uma trovoada incandescente cai sobre o mar.
O meu barco de papel chegará ao seu destino ainda que se afunde no final da viagem
Escrevo-te esta carta meu amor porque,
os dedos já nem conseguem dedilhar na tua pele
o quanto te quero .
Tu foste sem uma palavra, sem um gesto
Ou com gestos largos e presos no tempo?
Escrevo-te uma carta amor. Faz dela um barco de papel mas, deixa-a navegar
e ancorar onde a tua lembrança ainda a encontre.
Escrito num dia de chuva a uma janela virada para o mar.
Meu amor, ainda me sabes ler?
Então sabes que sem voz e sem olhar,
mudo e cego eu ainda te sinto.
Meu amor de olhos infinitos lê esta carta e sussurra-me letra a letra o teu amor.
-
PTM
De
ACCB a 10 de Maio de 2009
Obrigada pela participação.
Bonito como sempre. :-)
De Paulo Artur a 9 de Maio de 2009
"(...) à noite e dizes:- Já é dia!"
The Night We Called It A Day
http://www.youtube.com/watch?v=Zb8JZOs-39A
http://www.youtube.com/watch?v=9j9ZKasu5RY
De
ACCB a 10 de Maio de 2009
Estive a ouvir. Gosto muito do primeiro. :-)
De
outono a 10 de Maio de 2009
Um dia escrevi...já lá vão uns anos...
Alterei apenas o mote, que não revelo.
Do teu desafio...confio-te o resto poema que em luz asiática esculpi, perto do templo de A- Má.
Das cartas que me escreves
guardo-as no abraço do sonho
e respondo-te na maresia
da nossa saudade...
Na maré enchente da tua cintura.
Das cartas que me escreves
durmo com elas no leito
do nosso "pecado"...
e beijo-te no virtual
aceno do nosso ancorar.
Das cartas que me escreves
sinto dor, dos teus lábios ausentes...
e aconchego-te no vazio murmúrio
em suspiros doces
até à vontade de te escrever em rima corporal!
Outono- 1999
De
ACCB a 10 de Maio de 2009
Estava a ver que não correspondias ao desafio!!
Sempre à flor da pele! Linda a tua escrita.
De PC a 11 de Maio de 2009
Evolvem por sobre as ondas
do mar que nos separa
Por momentos minutos breves
das palavras fez-se a espuma
que enodoava o papel
Cada carta que me escreves
é de sonhos meu batel
Fossem vagas as palavras
nessas vagas diluídas
Mas não Li-as sentidas
Eram doces e não estafadas
E como em quadro a pastel
das cartas que me escreves
faço barcos de papel
De
ACCB a 11 de Maio de 2009
Obrigada PC
Gostei da métrica da leveza da história e do sorriso que as palavras contêm. Gostei! Obrigada.
escreva no papiro