Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Ler Devagar.....

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Adelina  Barradas de Oliveira está em Bankok, Samut Sakhon, Thailand.

Ler devagar...
Ler devagar lembra-me sempre uma janela e uma cadeira onde posso descansar o peso todo dos dias.

Ler devagar faz-me saltar para a escrita e incentiva-me a ignorar os relógios...

Depois, tenho sempre um cigarro imaginário que eu acho que me vem sempre do semicerrar dos olhos que já me chega da vista cansada.

Cansada e sem óculos porque tem dias que vejo melhor que outros.... não vos acontece?

É... se leio devagar no dia seguinte vejo melhor. E vejo melhor tudo,...O dia, as letras, as pessoas, as notícias...
E depois escrevo...

Nunca tenho o tal cigarro imaginário mas chego ao fim do dia com os olhos cemicerrados de cansaço do fumo dos dias, do fim dos dias, da repetição dos tempos e das gentes e dos erros e dos sobressaltos...e de escrever para voltar a ler... devagar.

Mas há um afastamento de tudo como um ler devagar as almas e as pessoas ...E é tão fácil lê-las....

Um espaço de observação que me protege de leituras rápidas e de leituras imprevisíveis ....
Ler devagar é assim como descobrir e analisar, reflectir e ganhar defesas...

Não liguem,... está a fazer me falta o tal cigarro imaginário ....

escrito no papiro por ACCB às 12:08
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Domingo, 24 de Março de 2019

segunda feira

Lá se foi o Domingo... Foi de manhã que o encarei , bem junto ao rio onde já se choca com o mar.
Soube-me que nem ginjas !
Amanhã levanto-me cedo. Tenho de trabalhar já que o fim de semana não deu para isso.
Mas tenho desculpa, estava Lua cheia e Sol e, quando estes dois astros cruzam os céus, na terra não há tempo para deveres.
Portanto boa noite
Devia ser Domingo amanhã novamente....

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:28
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Domingo, 17 de Março de 2019

Às vezes é preciso

 

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Desce da escrita e vem sentar-te por aqui... Não importa onde... senta-te apenas

Abandona o corpo

 É o fim de mais um dia no relógio da noite

Ainda que os teus olhos tenham o mar dentro 

deixa que o pôr do sol fique lá atrás na beira da maré


Sabes? 


Às vezes é preciso dormir

 descansar o dia cansado que te pesa nos ombros

Às vezes é preciso dormir para não desistir

 Ouve música e  senta-te

 lê e senta-te

fecha os olhos, senta-te

 mas abandona as horas que já passaram...

 Amanhã rejuvenesce o dia

é  Primavera  não tarda

Às vezes é preciso dormir para não desistir...

 Deixa-te estar... e dorme.

A Primavera vem já a seguir

 Fecha-se o Inverno na Curva da manhã e a Vida vai acontecer

 Acontece sempre

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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Always Remember Us This Way

 

Always Remember Us This Way

That Arizona sky
Burnin' in your eyes
You look at me and, babe, I wanna catch on fire
It’s buried in my soul
Like California gold
You found the light in me that I couldn’t find

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Lovers in the night
Poets tryin' to write
We don't know how to rhyme but, damn, we try
But all I really know
You're where I wanna go
The part of me that's you will never die

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Oh, yeah
I don't wanna be just a memory, baby, yeah

Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way
Way, yeah

When you look at me
And the whole world fades
I'll always remember us this way

escrito no papiro por ACCB às 23:33
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019

Japan

 

escrito no papiro por ACCB às 23:08
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Às seis da tarde

 


Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
Chorar na condução 
 
Marina Colasanti
Nasceu a 26 Setembro 1937
(Asmara, Eritreia)
 
é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritreia.
Viveu sua infância na Líbia e então voltou à Itália onde viveu onze anos.
 
escrito no papiro por ACCB às 23:30
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Domingo, 10 de Março de 2019

Devia ...........

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Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
 
 
José Gomes Ferreira
Nasceu a 09 Junho 1900
(Porto, Portugal)
Morreu em 08 Fevereiro 1985
............................................... foi um escritor e poeta português, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira e pai do arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas Ferreira.
escrito no papiro por ACCB às 18:34
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EU SEI, MAS NÃO DEVIA

S. João Novo 177960421178187_n.jpg

 


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
 
Marina Colasanti
escrito no papiro por ACCB às 18:30
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Sábado, 9 de Março de 2019

Viu este filme? Veja

 

escrito no papiro por ACCB às 23:07
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Quarta-feira, 6 de Março de 2019

A las 5 de la tarde

 

escrito no papiro por ACCB às 19:02
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Iremos Juntos Sozinhos pela Areia


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Foto de ACCB _ praia da areia branca 


Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.



Sophia de Mello Breyner Andresen | "No tempo dividido", 1954
escrito no papiro por ACCB às 16:11
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SÊ PACIENTE; ESPERA

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Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
 
Eugénio de Andrade
escrito no papiro por ACCB às 12:03
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Domingo, 3 de Março de 2019

Se minto....

 

 

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“Se minto?

Quantas vezes.

Mas em palavras.

Não nos meus olhos castanhos portugueses.

 

Se minto?

Minto pois.

Mas nas orais palavras que vos digo,

não nas que estão a sós comigo e

em que enfim deixo de ser dois:”

 

 José Régio

escrito no papiro por ACCB às 20:53
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Sábado, 2 de Março de 2019

É p'rá manhã

caminho-de-volta. Téta barbosa jpg.jpgO caminho de volta – Téta Barbosa

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

Estamos sempre adiar para amanhã. Podia ter sido hoje , mas é assim, julgamos que vamos ter o tempo todo do Mundo e quando vamos ver, já era.
É assim, passou, ardeu, foi-se... tudo. O momento, a hora, a ideia não se concretiza. Fim.

 

Dizia o Ricardo Araújo Pereira há dias que passamos pela Vida como o condenado pelo corredor da morte. Acharíamos estranho se o condenado se ri-se... Mas continuamos em frente até ...à morte  sempre a rir . Era qualquer coisa como isto, ... mas a ideia era seguramente esta.

E é verdade. Que fazer se não rir? Ou então viver o corredor da melhor forma, torná-lo mais largo, com mais luz, derrubar-lhe umas paredes,  provocar umas manobras de diversão durante o percurso para o demorar e  tornar mais longa a travessia... Ou mais agradável, mais ilusória...

A vida é tão curta dizemos nós quando já passámos uns anos valentes a encurtá-la, a desejar atingir um ponto que nem sabemos qual é. Saltamos de data em data, vamos "abatendo" a distância entre o que queremos realizar e, nem nos apercebemos que estamos a abater a vida.

 Vivemos en função das férias de Verão, das férias da Páscoa que nos levam para paragens distantes, dos aniversários, do natal... dos feriados e curiosamente do Carnaval... Há uma canção que diz que a Vida é um carnaval... Pois que sim,.. deve ser isso mesmo.

Então qual é a próxima etapa??!! As férias pois claro. Trabalhamos que nem uns escravos para garantir 15 dias de férias ou um mês a ver os dias passar.

 Já não sei se não estão certos os jovens que partem por esse Mundo fora, à descoberta e que vão ficando aqui e ali, ganhando dinheiro aqui e acolá, autênticos nómadas cheios de vida, de conhecimento, de experiência.

 Ensinaram-me na minha geração que segura era a casa, a família, o país... E o Mundo é tão grande que quem não viaja não vive.

Cada um devia,  sem apegos, sem remorsos, sem prisões, sem medos, fazer este corredor, inventar as manobras de diversão possíveis e imaginárias e viver pelo caminho.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 21:45
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

........tudo em branco

 

 

Estranho é quando se quer escrever ou se tem de escrever e nada se escreve

 Nem o desenho dos pensamentos porque nem pensamentos há

 É o vazio

A página em branco de que fala o Jorge Palma

 E eu que nem um cigarro tenho para fumar... porque nem fumo

 

 Estas coisas de escrever

só acontecem quando elas querem

 Não temos nada preparado e surgem

queremos preparar e não existem

 

Estou nisto por teimosia

 vou tratar de escrever outras coisas

que daqui nem uma nota, nem um tom, nem uma letra

Chama-se inspiração

 desce não sei de onde

mas só quando quer....

tudo em branco... é exactamente como diz o Jorge Palma.

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:23
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

E se fôr em Março?

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FOTO - ACCB

...............

Tinham-lhe dito que tinha jeito, até tinham tirado cópias do escrito. Jeito, jeito para os distrair uns minutos a ler umas linhas. Umas coisas escritas a correr porque escrever lava a alma e deixa o dia mais leve e a noite mais sossegada.
Mas publicar um livro exigia páginas, talvez forçar-se a escrever o que não lhe vinha à ideia. Ou implicaria apenas juntar uma montanha de escritos antigos e novos e mandá-los para o Editor qualquer que os quisesse alinhar em folhas brancas?
Já falara disso várias vezes, até já projectara alguns escritos que dormiam em gavetas e agora já em Cds, discos rígidos, etc. Alguns tinham-se perdido por aí, ou andavam por aí, em algum espaço de alguém que talvez os tivesse guardado e nunca mais os tivesse lido, ou talvez ainda tivesse vontade de os ler mas não o fizesse por medo.

Acordar memórias é o mesmo que uma sessão de exorcismo, só que não exorciza nada, fica tudo bem mais endemoninhado e, os demónios antigos, crescem como nos filmes de terror porque engolem os mais recentes.

Não há nada como os demónios antigos, ganharam resistência com o tempo e, se vivem adormecidos, uma vez acordados é como aquela canção antiga que diz que Paixão antiga não morre de vez.
É por isso que alguns escritos não são relidos.

- Mas podia escrever, que tal sentar-se e começar?
Pseudónimo?!


3 de Fevereiro de 2015

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 17:27
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019

Sabem aquela cor........

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Sabem aquela cor que o Sol pinta na tarde ao fim do dia, cheia de aguarelas vermelhas e azuis? Hoje encontrei-me com essa arte que ele tem de pintar o céu...

Depois, à noite, perante uma Lua que é ou minguante se for C ou crescente se for D, tento lembrar-me de como era o céu nas férias de Verão , lá pela casa da avó, com toda a gente a dormir e só eu e os primos acordados na proibição do momento.

Faço o balanço do dia e noto que acordei com o Sol, percorri a cidade ( diz o meu conta Kms pessoal que andei 8Km 460 metros...), foi longo o percurso e nem dei por isso... Em Lisboa a calçada tem Kms mas os pés nem notam se não levarem saltos altos...

Pelo meio do dia notícias de vidas que ficaram interrompidas... Vidas que deram tudo e que se interromperam a sós, sem perturbar ninguém...

Penso na idade em que poderei fazer tudo o que quiser... e penso que não quero que chegue, mas podia chegar, podia ser agora, comprava uma viagem para o outro lado do mundo e ía à descoberta...
.....vasculhava nas agências de viagens mil percursos... e dou comigo a viajar. Há sempre um prazer inexplicável no projectar férias, momentos, espaços... realiza-los também é bom só que termina depressa.
A antecipação das férias é sempre mais saborosa... E antecipo.

Sabem aquela cor que o Sol pinta na tarde ao fim do dia, cheia de aguarelas vermelhas e azuis? Depois de observada dá isto.

13 janeiro 2016 - 21h44

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:41
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

9.1.2019

 

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"Deixei de ouvir-te. E sei que sou mais triste com o teu silêncio. Preferia pensar que só adormeceste; mas se encostar ao teu pulso o meu ouvido, não escutarei senão a minha dor. Deus precisou de ti, bem sei. E eu não vejo como censurá-lo ... ou perdoar-lhe".

Maria Do Rosário Pedreira

escrito no papiro por ACCB às 11:45
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2019

RECOMEÇAR

 

Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.

 

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…

 

Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…

 

Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…

 

Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.

 

Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.

Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos
desafios.
Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho
de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida

para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…

 

” Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura.”

Carlos Drummond de Andrade.

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escrito no papiro por ACCB às 21:18
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A MINHA TARDE

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Do vento disponho do sol disponho da árvore
arranjo pássaros arranjo crianças
tenho mesmo à minha disposição o mar
talvez com tudo isto possa formar uma tarde
uma tarde azul e calma onde me possa refugiar
Mas e as ideias as doutrinas os problemas?
Se nem resolvi ainda o problema da unha do dedo mínimo
como pretender ter resolvido o mínimo problema?
E as ideias, que só servem para dividir?
As ideias têm úmeros inúmeros
e é difícil caminhar no meio da multidão
Podia dizer (mas não me deixa descansado):
Sou novo. Tenho por isso a razão pelo meu lado
Deixai os pássaros cantar as crianças brincar
o tempo não urge o coração não arde
Quem sou eu? Eu só e minha tarde
As crianças com as suas vozes brancas
riscam alegremente o céu azul
passam as aves em seu voo rasante
desde Sá de Miranda até Jorge de sena
E o tempo passa assim. Sou eu e o passado
Era novo. Não tenho a razão pelo meu lado

Ruy Belo

escrito no papiro por ACCB às 21:13
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Inquietação

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Deixa-me que te escreva sem ser a sério... Quem sabe alguma coisa de jeito se há-de ler.
Eu sei que é apenas tentação de me perder entre palavras e portas entreabertas de pensamentos inacabados. Não há que resistir e, no entanto, tenho resistido tanto a este cair em frases e pensamentos, letras e aconchegos de ideias que ainda não existem, já existem,... mas não conheço...


Não que não tenha muito para escrever, tanto para questionar,... mas não é nada disso, nem daquilo que costumo escrever.


É um desvario de me perder no que nem sei onde pára,...onde começa ou onde existe.
Ideias loucas,...inquietação,... palavras soltas,... todas juntas num ficar-se longe para ficar tão perto.


Escrever por escrever...pode ser que se leia alguma coisa de jeito.
Inquietação,.. inquietação...
Ainda hoje,... ao lado do cinza bege do rio que corria pela margem logo ao virar do olhar, pensei quantas imagens trazia ele,...o rio...


Quantas histórias tinha para contar de tão veloz...para onde ía?...Como se a escrita fosse assim como uma maré...que não sabe onde é a foz mas vai... desvairada e tudo faz sentido ou não...Ou apenas começa a fazer sentido quando o caudal se olha ao longe e é só um... muitas margens e só um leito de água...
Não tinha barcos,... nem pontes o rio. O nevoeiro roubara a ponte como quem apaga o que acabámos de escrever...desassossego...
E o céu era da cor do caudal que abria o rumo de uma não sei que imaginada foz que nunca existiria... Inquietação...inquietação...

Não fora o nevoeiro roubar a ponte e eu sabia agora o que escrever.
Vou aquietar-me.

( 8 de Janeiro de 2014 )

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 20:13
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Vale muito a pena

 Inteligente e Viva! Vale muito a pena ver ouvir e seguir :-)

escrito no papiro por ACCB às 09:59
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

Lento com mar ao fundo

 

escrito no papiro por ACCB às 23:55
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

Poder Soberano Comunicação

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Parece que é o momento em que me levanto e digo umas palavras
É hora de fazer os agradecimentos...
Mas as pessoas da Justiça não vivem sem culpados , a Justiça não vive sem descobrir as culpas ( é um pouco como os jornalistas), e neste caso há que mencionar os culpados de estarmos aqui hoje
Poderão dizer que sou a autora material mas há os autores morais...Há várias culpas aqui reunidas hoje à volta deste lançamento

Na verdade tudo começou com uma 1ª e Principal culpada
A Drª Rosa Vasconcelos
é a primeira culpada.
Desafiou-me para o mestrado na Universidade Nova Um mestrado que segundo ela me iria encher as medidas - Comunicação Media e Justiça ... Já que eu gostava tanto destes temas....
E eu, que nunca tinha pensado em fazer um mestrado.... fui pelo tema e pela companhia....

O Professor Hermenegildo Borges e o Dr Conde Fernandes fazem parte do grupo dos culpados também. Receberam-me na Faculdade de Ciencias Socias e Humanas e na Faculdade de Direito e juntamente com outros professores, censuraram-me ensinaram-me questionaram-me e tive o prazer de voltar aos bancos da Faculdade e poder desconstruir conceitos....

Há um outro culpado que também está sentado nesta sala e que pela forma como deu a formação na altura em que fiz o curso de Juiza no CEJ, me despertou para a Comunicação de Dentro para Fora e me ensinou que o Juiz não é só o técnico do Direito e que a Justiça será tão mais justa quanto mais se fizer entender.

É o Dr Laborinho..... Será sempre o meu encenador preferido

Mas há mais..... Há quem aqui esteja que entende que até nem escrevo mal, que até posso publicar o que escrevo, .... que até pode ser lido o que escrevo... que porque não ? Que sim, tem de ser... Tens de publicar! e abre-me o caminho para a Editora...
Tem de publicar diz-me outro alguém ... Ah mas eu tenho e rever o texto, eu nem tenho tempo de o fazer.. Ah mas eu faço-o... eu faço a revisão...
De certo que o José Luís Outono sabe de quem falo... e o José Carlos de Oliveira também sabe..
E perdi o medo de escrever fora dos processos para um Auditório Universal.

E o golpe final de culpa é dado pela Drª Teresa Adão que acha que a sua Editora pode ter um livro como este numa coleção Jurídica....
E eu confesso que cedi... e junto a minha culpa à deles
Estamos aqui hoje à volta não de uma tese de mestrado mas de uma reflexão que passei ao papel....
Urge saber comunicar
É algo que se vem afirmando desde que iniciei a minha carreira de juíza
Urge que o poder Judicial entenda que tem de ser entendido

Que perceba que
1. Abrir as portas à comunicação não basta.
2.Respeitar o dever de reserva não é suficiente e é limitativo.
3.Ir mais longe e repensar as normas e a organização geográfica do judiciário não é o caminho final a percorrer.
4. É preciso repensar as mentalidades e mudar os comportamentos acompanhar o
tempo e a vertiginosa mudança de costumes
5. Velhas desconfianças, medos e sobrancerias não são bons conselheiros num Estado de Direito
6. Não basta ser rigorosamente técnico é preciso ser absolutamente humano e abrir-se ao Outro por muito diferente que nos pareça.

Agradeço a todos os que me quiserem julgar e concordar com o que aqui escrevi ou discordar veementemente do que aqui afirmei...
Provavelmente em muitos pontos já nem eu concordo comigo...

Agradeço a todos os culpados deste trajecto. Muito.
Um obrigada muito grande pela vossa presença, pela vontade de estarem aqui....
se me lerem... depois, digam-me de Vossa Justiça .
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 20:30
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

Papel em branco.....

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Isto até parece o Jorge Palma a gastar cigarros e whisky velho. Deve ser do velho...para ter sempre inspiração...
Papel em Branco e Relógio implacável às voltas. Ainda me hão-de explicar como é que ele, o relógio, consegue puxar o Sol para baixo , como se fosse uma cortina chinesa só para deixar a Lua à vista.


O papel continua em branco.... agora até ía um cigarro nem que fosse só para lhe observar as espirais de fumo,...podia ser que a imaginação se enovelasse nelas...


Whisky não que não bebo.


Esferográfica?... Não... demasiado prática e plástica. Caneta, tem de ser a caneta ... com aparo elegante... comprido, nem muito grosso nem muito fino... daqueles macios que deixam a letra com ar de antiga e bonita,... que isto de escrever no teclado estraga a caligrafia.

Hum... queixo na mão, papel em branco... cortina corrida, chuva lá fora... Ainda se ao menos caísse uma trovoada.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:13
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.........e os papéis velhos.........

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Olha, estou assim, numa pasmaceira com o cotovelo fincado na secretária.
Tanto papel. Tenho uns muito velhos para ler.

Lembrei-me de que gosto de fotografias velhas, não é antigas, é mesmo velhas. Têm um aroma característico. Já reparaste? Não não é tom é mesmo aroma. Algumas cheiram aqueles bombons com recheio embrulhados em pratinha fina,... lembras-te? Deve ser da caixa.

E os álbuns de fotografias com a folhinha de papel vegetal a separar e os cantos transparentes que as seguram nas páginas?
Lembras-te?!

Estou assim, pasmada em cima da secretária, sentada nos pensamentos e com os olhos ao fundo, em fotografias com margens picotadinhas de branco.
E tenho ali uns papéis muito velhos para ler....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:09
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sílaba súbita

 

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Sílaba súbita? Sim é súbita a sílaba, o gesto, o pedacinho da imagem que salta à vista e marca.

Ando com as sílabas todas desarrumadas e tenho de escrever para perceber o sitio delas.

Assim, de súbito, como se acabassem todas amanhã.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:05
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2018

É nos olhos....

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É nos olhos, acho que é nos olhos ou no sorriso dos olhos. É aí que se mantém o tempo da infância e da juventude.
Tudo o mais é passagem.


Encontramos os amigos e eles estão dentro dos olhos deles connosco e com as recordações, as marcas da vida que deixámos por lá e as saudades que ficam de tudo o que vivemos juntos.


Os amigos não "envelhecem" eles vivem connosco dentro do sorriso dos olhos.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 10:23
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Domingo, 30 de Setembro de 2018

Observar sem olhar

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Que o cão se chama Affair e diz que o traz numa mochila normal, à frente, no carro....
Penso que é uma cadela, viva e simpática e podia bem ter outro nome, um que não fosse memórias,... por exemplo.
Comprou-o pela versatilidade, é fácil de transportar não pesa muito, cabe em todo o lado,... Cabe mesmo, até a empregada do bar sem querer a pisa.


O homem tem o cão porque pouca gente lhe deve aturar tantas memórias. A mulher à mesa com ele é uma memória curta mas pretende mesmo ser memória.

 

O dia avança pelo mar dentro até ao outro lado. De repente apercebo-me de que a terra roda para trás porque estou sentada de frente para o pôr do sol como se estivesse numa montanha russa


Afasto a ideia e como as amêijoas. Estão boas e sabem a horas sem marcação de tempo.

É a hora que mais gosto esta do final do dia que promete o amanhã
Mergulha o sol no mar e eu na bebida fermentada. Dizem que os celtas sabem destas coisas...

Foi um sábado de trabalho mas as duas horas que me dispensei em frente ao mar e ao render da guarda do planeta, souberam-me a Vida.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 11:52
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

O som

Para ser perfeito tinha de ter qualquer coisa de filme francês mas falado em italiano.... Um toque assim de ruas íngremes e empedrado irregular, estreitas e a fechar o dia à frente num canal que desaguasse no mar.

Para ser perfeito tinha de não ter relógio ou aquela noção judaica de tempo como uma castração da vida, tinha de não ter hora, apenas dia com ou sem luz, e depois... dormir era perfeito só quando os olhos não pudessem mais suportar tudo o que querem aprender

Para ser perfeito tinha de ser mágico e isso significa nada para precisar, nem sequer comer... uma levitação da Vida pelos cantos e pelos pontos mais altos e depois mais à beira da risca da maré, da espuma do pôr do sol, salpicada de peixes que chegam à praia apenas para ver como é ser humano.... mas! voltam e mergulham nos sonhos.

Para ser perfeito mesmo, podia ter Sol de 24 horas e noites com todo o cansaço exorcizado em menos de um suspiro que a Vida é curta para perder a dormir.

Para ser perfeito tinha mesmo de ser falado em italiano e ter um toque de cinema francês, um genérico de Woody Allen,... e ser exibido todo o tempo... no início, durante e no fim, seria um genérico extraordinário....infinito.

E (no fim,..), naquela parte em que passam os nomes dos actores e das actrizes, tocaria até não haver mais nomes... ou seja, uma eternidade, num opening credit sem fim, envolvente, definitivo e definidor ..... só para ser perfeito.

 

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 13:29
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018

A gente morre mesmo

 

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Imagem :- ARTISTA E SURFISTA, O HAVAIANO SEAN YORO

 

É uma gaita! A gente morre mesmo! E envelhece, raios parta!
E passa quase 300 dias a trabalhar disparatadamente para fazer umas férias que encolhem a fugir em menos de 30 dias.
E tenta fazer tudo direitinho e estar em 10 lugares ao mesmo tempo. Ser boa em tudo e competente em tudo e ainda colmatar a falta de competência e de vontade e a negligência de alguns... em tudo.
É uma gaita
A gente morre e passa a Vida a saber disso mas a acelerar a aproximação do fim..
É, hoje estou sorumbática e uma chata que nem a mim me suporto.
"Voumazétrabalhar" pode ser que me passe.

ACCB

 

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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018

Neruda

 

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Domingo, 22 de Julho de 2018

memória do homem só

 

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Era um homem, daqueles homens muito sós. Tinha o texto de um amigo por baixo quando o olhei de costas. Não, não era o texto, era um poema. Um poema do homem ou sobre o homem. Escrevia e a caligrafia perdia-se na imagem... Mas aquele homem era tão jovem e tinha um turbilhão de medos por dentro.

Não precisava olhar-me nos olhos para que lhe visse a alma.

Do alto da sua aparente segurança morriam-lhe as mãos a medo,... e com medo,... e por medo.

  

Era um homem daqueles homens muito jovens e muito sós.. Com uma vida inteira de solidão pela frente.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:20
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Blogs Bloggers

Influenciar...

 Um Blog é bom se influencia, se dita regras, se dita comportamentos ou modas, gostos ou costumes...

E eu que gostava tanto que um Blog fosse bom por fazer pensar, lançar a confusão e por deixar uma enorme margem de manobra para construir e desconstruir, pensar, rever, reviver, remodelar e MUDAR.

 

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escrito no papiro por ACCB às 19:57
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Ler ou Ler-se

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Às vezes lês a biografia dos escritores e pensas que começaram a escrever todos na idade madura, que alguns já escreviam há muitos anos mas que só foram conhecidos mais tarde.


A escrita é assim como que uma coisa notada quando fala de nós, de nós leitores. Na verdade, o que se lê, que é afinal o que se escreve, o que alguém escreveu, é lido com mais ou menos avidez se fala de nós, ou seja, se nos revemos no que está escrito.

Deve ser por isso que alguns se destacam,... conhecem o ser humano, a alma humana, as fraquezas humanas,... ou, muito provavelmente já tiveram tempo para as viver.

 

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 19:53
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Sábado, 14 de Julho de 2018

Oh Pá,.. a sério??!!

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Oh pá a sério??!!

 

Fotos do local de trabalho todo geométricamente organizado em cima da secretária??

A sério??

Sem canetas nas chávenas e chávenas em duplicado com chá, sem chá e de café?

Sem água, garrafas de água vazias e livros entrelaçados com folhas de papel??

A sério??

E sem gato??!!

 

escrito no papiro por ACCB às 23:57
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Democracia / Humanidades

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Limoeiro - CEJ - foto de ACCB 

 

Martha Nussbaum  Uma crise planetária da educação


"Atravessamos actualmente uma crise de grande amplitude e de grande envergadura internacional. Não falo da crise económica mundial iniciada em 2008; falo da que, apesar de passar despercebida, se arrisca a ser muito mais pre­judicial para o futuro da democracia: a crise planetária da educação.

Estão a produzir-se profundas alterações naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos jovens e ainda não lhe afe­rimos o alcance. Ávidos de sucesso económico, os países e os seus sistemas educati­vos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência das democracias. Se esta tendência persistir, em breve vão produzir-se pelo mundo inteiro gerações de máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações dos outros.

De que alterações estamos a falar? As Humanidades e as Artes perdem terreno sem cessar, tanto no ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Considera­das pelos políticos acessórios inúteis, nu­ma época em que os países têm de desfazer – se do supérfluo para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, estas disciplinas desaparecem em grande ve­locidade dos programas lectivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças Aquilo a que poderíamos chamar os aspectos humanistas da ciência e das ciências sociais está igualmente em retrocesso, preferindo os países o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas, adaptadas a esse objectivo.

Procuramos bens que nos protegem, satisfazem e consolam — aquilo a que [o escritor c pensador indiano] Rabindranath Tagore chamava o nosso «invólucro» material. Mas parecemos esquecer as faculdades de pensamento e imaginação que fazem de nós humanos e das nossas interacções relações empáticas e não simplesmente utilitárias Quando estabelecemos contactos sociais, se não aprendermos a ver no outro um outro nós, imagi­nando-lhe faculdades internas de pensa­mento e emoção, então a democracia é vo­tada ao malogro, porque assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que pressupõem que os encaremos como seres humanos e não como simples objectos.

Hoje mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os pro­blemas que temos de resolver – sejam de ordem económica, ecológica, religiosa ou política – têm envergadura planetária. Nenhum de nós escapa a esta interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm, por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: culti­var nos estudantes a capacidade de se considerarem membros de uma nação heterogénea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais heterogéneo, bem como uma noção da história dos dife­rentes grupos que o povoam.

Capacidade de referenciar culturas

Se o saber não é a uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? 0 indivíduo necessita certamente de muitos co­nhecimentos factuais que os estudantes podem adquirir sem formação humanista – memorizando, nomeadamente, os factos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros). Contudo, para ser um cidadão responsável necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de manipular os princípios económicos e exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das grandes religiões do mundo. Dispor de uma série de factos sem ser capaz de os avaliar, pouco mais é que ignorância. Ser capaz de se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas interacções, isso é que permite às democracias abordar de forma responsável os problemas com os quais se vêem actualmente confrontadas. A capacidade – que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor grau – de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias, ultrapassando as múltiplas clivagens que existem em todas as sociedades modernas.

«Uma vida que não se questiona não vale a pena ser vivida», afirmava Sócrates. Céptico em relação à argumentação sofista e aos discursos inflamados, pagou com a vida a sua fixação neste ideal de questionamento crítico.

Hoje, o seu exemplo é o fulcro da teo­ria e prática do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e ideias similares estão na base do mesmo ensino na Índia e noutras culturas. Se insistirmos em dispensar a todos os estudantes do primeiro ciclo uma série de ensinamentos da área das Humanidades, é porque pensamos que es­sas matérias os estimularão a pensar e a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em qualquer sociedade democrática. É-o particularmente nas sociedades multiétnicas e multiconfessionais. A ideia de que cada um possa pensar por si próprio e relacio­nar-se com os outros num espírito de respeito mútuo é essencial à resolução pacífica das diferenças, tanto no seio de uma nação como num mundo cada vez mais dividido por conflitos étnicos e religiosos.

O ideal socrático está hoje submetido a uma rude prova, porque queremos promover a qualquer custo o crescimento económico. A capacidade de pensar e ar­gumentar por si não parece indispensável para os que visam resultados quantificáveis.

(…)

Para compreenderem efectivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes conhecimentos factuais nem de lógica. Necessitam de um terceiro elemento, estreitamente ligado a esses dois, a que poderia chamar-se imaginação narrativa. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro, de ser um leitor inteligente da história dessa pessoa, de compreender as emoções, os dese­jos e os sentimentos que ela pode sentir. Essa cultura da empatia está no centro das melhores concepções modernas de educação democrática, tanto nos países ociden­tais como nos demais. Isso deve fazer-se em grande parte no seio familiar, nas escolas, e mesmo as universidades desempenham também um papel importan­te. Para preenchê-lo correctamente, de­vem atribuir um espaço nos seus programas para as Humanidades e as Artes, visto que melhoram a capacidade de ver o mundo através dos olhos do outro – capa­cidade que as crianças desenvolvem por meio de jogos de imaginação.

(…)

Devemos cultivar os «olhares interio­res» dos estudantes. As artes têm um du­plo papel na escola e na universidade: enriquecer a capacidade de jogo e de empatia, de uma maneira geral, e agir sobre os pontos cegos, em especial.

Esta cultura da imaginação está estrei­tamente ligada à capacidade socrática de criticar as tradições mortas ou inadaptadas, e fornece-lhe um apoio essencial. Não se pode tratar a posição intelectual do outro com respeito sem ter pelo menos tentado compreender a concepção de vida e as experiências que lhe estão subjacentes. Mas as artes contribuem também para outra coisa. Gerando o prazer associado a actos de compreensão, subversão e reflexão, as Artes produzem um diálogo suportável e até atraente com os preconceitos do passado, e não um diálogo caracte­rizado pelo medo e pela desconfiança. Era o que Ellison queria dizer quando qualifi­cava o seu Homem invisível como «janga­da de sensibilidade, de esperança e de di­vertimento».

(…)

As Artes, diz-se, custam demasiado di­nheiro. Não temos meios, em período de dificuldades económicas. E, no entanto, as Artes não são necessariamente tão caras como se diz. A literatura, a música e a dança, o desenho e o teatro são poderosos vectores de prazer e de expressão para todos, e não requerem muito dinheiro para os fa­vorecer. Diria mesmo que um tipo de educação que solicita a reflexão e a imaginação dos estudantes e dos professores reduz efectivamente os custos, reduzindo a delinquência e a perda de tempo induzidas pela ausência de investimento pessoal.

Como se apresenta a educação para a ci­dadania democrática no mundo actual? Bas­tante mal, temo eu. Ainda se porta relativamente bem no lugar onde a estudei, nomea­damente nas disciplinas de cultura geral dos currículos universitários norte-ameri­canos. Esta faixa curricular, em estabeleci­mentos coma o meu [a Universidade de Chicago], beneficia ainda de um apoio ge­neroso de filantropos. Pode-se mesmo dizer que é uma faixa curricular que trabalha melhor hoje para a cidadania democrática do que há 50 anos, época em que os estu­dantes não aprendiam muito sobre o mun­do fora da Europa e da América do Norte, ou sobre as minorias do seu próprio país. Os novos domínios de estudo integrados no tronco comum aumentaram a sua compreensão de países não ocidentais, de eco­nomia mundial, de relações intracomunitárias, de dinâmica de género, de história das migrações e de combates de novos gru­pos para o reconhecimento e a igualdade. Após um primeiro ciclo universitário, os jovens de hoje são, no seu conjunto, menos ignorantes do mundo não ocidental que os estudantes da minha geração. O ensino da literatura e das artes conheceu uma evolução similar: os estudantes são confronta­dos com um leque de textos claramente mais vasto.

Não podemos, contudo, afrouxar a vigilância A crise económica levou numero­sas universidades a cortar nas Humanida­des e nas Artes. Não são, certamente as únicas disciplinas abrangidas pelos cortes. Mas sendo as Humanidades consideradas supérfluas por muitos, não se vê inconve­nientes em amputá-las ou em suprimir to­talmente certos departamentos. Na Euro­pa, a situação é ainda mais grave. A pressão do crescimento económico levou mui­tos dirigentes políticos a reorientarem todo o sistema universitário – o ensino e a investigação, em simultâneo — numa óptica de crescimento.

(…)

Numa época em que as pessoas começaram a reclamar democracia, a educação foi repensada no mundo inteiro, para produzir o tipo de estudante que corresponde a essa forma de governação exigente: não se pretendia um gentleman culto, impregnado da sabedoria dos tempos, mas um membro activo, critico, ponderado e empático numa comunidade de iguais, ca­paz de trocar ideias, respeitando e compreendendo as pessoas procedentes dos mais diversos azimutes. Hoje continuamos a afirmar que queremos a democracia e também a liberdade de expressão, o respeito pela diferença e a compreensão dos outros. Pronunciamo-nos a favor destes valores, mas não nos detemos a reflectir no que temos de fazer para os transmitir à geração seguinte e assegurar a sua sobrevivência."

Excertos do texto publicado no Courrier Internacional, n.º 175,
Setembro de 2010 (ed. portuguesa), com Trad. de Ana Cardoso Pires 

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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Sábado, 7 de Julho de 2018

Quando fico até tarde

 

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Às vezes quando fico a trabalhar até muito tarde ( não foi o caso hoje) , vêm os pássaros lembrar-me que o Sol começa a despontar na linha do horizonte, ali,...naquele lado em que nascem todos os sonhos e realidades.


Fico então indecisa em acompanhá-lo na sua caminhada diária ou fechar os olhos e dormir enquanto ele se arruma no céu.

 

Quando acordo já me pendurou as pestanas por cima da realidade e diz-me que fiz bem dormir mas que podia muito bem ter resistido e vê-lo vender o jornal de sonhos do dia pelas ruas da cidade.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 09:07
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Sábado, 30 de Junho de 2018

As Mulheres com Genica

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Há uma espécie de mulheres que é inconfundível, elas têm genica, garra, sangue na guelra, ânimo, chama, brilho no olhar, gargalhada franca.

Elas não têm tempo a perder com birras, intriguinhas( gostam de uma boa intriga mas com substância), não dão ouvidos nem espaço à inveja, à vulgaridade, à brejeirice, não contribuem para que ( uma mulher só que seja), seja vitima de algum sentimento menos alegre, digno ou frutuoso.

 

Não dividem, não criam clivagens, não enfraquecem ninguém.

 

Elas tem um je ne sais quoi inegualável, inevitável e inigualável.

 

São raras? Não não são. Este estado de alma é de algumas, não poucas mulheres.

Perigoso é quando deixam que se aproximem delas os que fingem admirar isso tudo e no fundo só querem enfraquecer o que não podem igualar.

 

Attention please! Há sempre um olhar desconhecido que espera por si....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 15:38
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

MY Sweet Lord

 

escrito no papiro por ACCB às 15:14
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