Sábado, 27 de Outubro de 2018

Vale muito a pena

 Inteligente e Viva! Vale muito a pena ver ouvir e seguir :-)

escrito no papiro por ACCB às 09:59
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

Lento com mar ao fundo

 

escrito no papiro por ACCB às 23:55
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

Poder Soberano Comunicação

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Parece que é o momento em que me levanto e digo umas palavras
É hora de fazer os agradecimentos...
Mas as pessoas da Justiça não vivem sem culpados , a Justiça não vive sem descobrir as culpas ( é um pouco como os jornalistas), e neste caso há que mencionar os culpados de estarmos aqui hoje
Poderão dizer que sou a autora material mas há os autores morais...Há várias culpas aqui reunidas hoje à volta deste lançamento

Na verdade tudo começou com uma 1ª e Principal culpada
A Drª Rosa Vasconcelos
é a primeira culpada.
Desafiou-me para o mestrado na Universidade Nova Um mestrado que segundo ela me iria encher as medidas - Comunicação Media e Justiça ... Já que eu gostava tanto destes temas....
E eu, que nunca tinha pensado em fazer um mestrado.... fui pelo tema e pela companhia....

O Professor Hermenegildo Borges e o Dr Conde Fernandes fazem parte do grupo dos culpados também. Receberam-me na Faculdade de Ciencias Socias e Humanas e na Faculdade de Direito e juntamente com outros professores, censuraram-me ensinaram-me questionaram-me e tive o prazer de voltar aos bancos da Faculdade e poder desconstruir conceitos....

Há um outro culpado que também está sentado nesta sala e que pela forma como deu a formação na altura em que fiz o curso de Juiza no CEJ, me despertou para a Comunicação de Dentro para Fora e me ensinou que o Juiz não é só o técnico do Direito e que a Justiça será tão mais justa quanto mais se fizer entender.

É o Dr Laborinho..... Será sempre o meu encenador preferido

Mas há mais..... Há quem aqui esteja que entende que até nem escrevo mal, que até posso publicar o que escrevo, .... que até pode ser lido o que escrevo... que porque não ? Que sim, tem de ser... Tens de publicar! e abre-me o caminho para a Editora...
Tem de publicar diz-me outro alguém ... Ah mas eu tenho e rever o texto, eu nem tenho tempo de o fazer.. Ah mas eu faço-o... eu faço a revisão...
De certo que o José Luís Outono sabe de quem falo... e o José Carlos de Oliveira também sabe..
E perdi o medo de escrever fora dos processos para um Auditório Universal.

E o golpe final de culpa é dado pela Drª Teresa Adão que acha que a sua Editora pode ter um livro como este numa coleção Jurídica....
E eu confesso que cedi... e junto a minha culpa à deles
Estamos aqui hoje à volta não de uma tese de mestrado mas de uma reflexão que passei ao papel....
Urge saber comunicar
É algo que se vem afirmando desde que iniciei a minha carreira de juíza
Urge que o poder Judicial entenda que tem de ser entendido

Que perceba que
1. Abrir as portas à comunicação não basta.
2.Respeitar o dever de reserva não é suficiente e é limitativo.
3.Ir mais longe e repensar as normas e a organização geográfica do judiciário não é o caminho final a percorrer.
4. É preciso repensar as mentalidades e mudar os comportamentos acompanhar o
tempo e a vertiginosa mudança de costumes
5. Velhas desconfianças, medos e sobrancerias não são bons conselheiros num Estado de Direito
6. Não basta ser rigorosamente técnico é preciso ser absolutamente humano e abrir-se ao Outro por muito diferente que nos pareça.

Agradeço a todos os que me quiserem julgar e concordar com o que aqui escrevi ou discordar veementemente do que aqui afirmei...
Provavelmente em muitos pontos já nem eu concordo comigo...

Agradeço a todos os culpados deste trajecto. Muito.
Um obrigada muito grande pela vossa presença, pela vontade de estarem aqui....
se me lerem... depois, digam-me de Vossa Justiça .
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 20:30
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

Papel em branco.....

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Isto até parece o Jorge Palma a gastar cigarros e whisky velho. Deve ser do velho...para ter sempre inspiração...
Papel em Branco e Relógio implacável às voltas. Ainda me hão-de explicar como é que ele, o relógio, consegue puxar o Sol para baixo , como se fosse uma cortina chinesa só para deixar a Lua à vista.


O papel continua em branco.... agora até ía um cigarro nem que fosse só para lhe observar as espirais de fumo,...podia ser que a imaginação se enovelasse nelas...


Whisky não que não bebo.


Esferográfica?... Não... demasiado prática e plástica. Caneta, tem de ser a caneta ... com aparo elegante... comprido, nem muito grosso nem muito fino... daqueles macios que deixam a letra com ar de antiga e bonita,... que isto de escrever no teclado estraga a caligrafia.

Hum... queixo na mão, papel em branco... cortina corrida, chuva lá fora... Ainda se ao menos caísse uma trovoada.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:13
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.........e os papéis velhos.........

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Olha, estou assim, numa pasmaceira com o cotovelo fincado na secretária.
Tanto papel. Tenho uns muito velhos para ler.

Lembrei-me de que gosto de fotografias velhas, não é antigas, é mesmo velhas. Têm um aroma característico. Já reparaste? Não não é tom é mesmo aroma. Algumas cheiram aqueles bombons com recheio embrulhados em pratinha fina,... lembras-te? Deve ser da caixa.

E os álbuns de fotografias com a folhinha de papel vegetal a separar e os cantos transparentes que as seguram nas páginas?
Lembras-te?!

Estou assim, pasmada em cima da secretária, sentada nos pensamentos e com os olhos ao fundo, em fotografias com margens picotadinhas de branco.
E tenho ali uns papéis muito velhos para ler....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:09
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sílaba súbita

 

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Sílaba súbita? Sim é súbita a sílaba, o gesto, o pedacinho da imagem que salta à vista e marca.

Ando com as sílabas todas desarrumadas e tenho de escrever para perceber o sitio delas.

Assim, de súbito, como se acabassem todas amanhã.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:05
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2018

É nos olhos....

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É nos olhos, acho que é nos olhos ou no sorriso dos olhos. É aí que se mantém o tempo da infância e da juventude.
Tudo o mais é passagem.


Encontramos os amigos e eles estão dentro dos olhos deles connosco e com as recordações, as marcas da vida que deixámos por lá e as saudades que ficam de tudo o que vivemos juntos.


Os amigos não "envelhecem" eles vivem connosco dentro do sorriso dos olhos.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 10:23
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Domingo, 30 de Setembro de 2018

Observar sem olhar

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Que o cão se chama Affair e diz que o traz numa mochila normal, à frente, no carro....
Penso que é uma cadela, viva e simpática e podia bem ter outro nome, um que não fosse memórias,... por exemplo.
Comprou-o pela versatilidade, é fácil de transportar não pesa muito, cabe em todo o lado,... Cabe mesmo, até a empregada do bar sem querer a pisa.


O homem tem o cão porque pouca gente lhe deve aturar tantas memórias. A mulher à mesa com ele é uma memória curta mas pretende mesmo ser memória.

 

O dia avança pelo mar dentro até ao outro lado. De repente apercebo-me de que a terra roda para trás porque estou sentada de frente para o pôr do sol como se estivesse numa montanha russa


Afasto a ideia e como as amêijoas. Estão boas e sabem a horas sem marcação de tempo.

É a hora que mais gosto esta do final do dia que promete o amanhã
Mergulha o sol no mar e eu na bebida fermentada. Dizem que os celtas sabem destas coisas...

Foi um sábado de trabalho mas as duas horas que me dispensei em frente ao mar e ao render da guarda do planeta, souberam-me a Vida.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 11:52
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

O som

Para ser perfeito tinha de ter qualquer coisa de filme francês mas falado em italiano.... Um toque assim de ruas íngremes e empedrado irregular, estreitas e a fechar o dia à frente num canal que desaguasse no mar.

Para ser perfeito tinha de não ter relógio ou aquela noção judaica de tempo como uma castração da vida, tinha de não ter hora, apenas dia com ou sem luz, e depois... dormir era perfeito só quando os olhos não pudessem mais suportar tudo o que querem aprender

Para ser perfeito tinha de ser mágico e isso significa nada para precisar, nem sequer comer... uma levitação da Vida pelos cantos e pelos pontos mais altos e depois mais à beira da risca da maré, da espuma do pôr do sol, salpicada de peixes que chegam à praia apenas para ver como é ser humano.... mas! voltam e mergulham nos sonhos.

Para ser perfeito mesmo, podia ter Sol de 24 horas e noites com todo o cansaço exorcizado em menos de um suspiro que a Vida é curta para perder a dormir.

Para ser perfeito tinha mesmo de ser falado em italiano e ter um toque de cinema francês, um genérico de Woody Allen,... e ser exibido todo o tempo... no início, durante e no fim, seria um genérico extraordinário....infinito.

E (no fim,..), naquela parte em que passam os nomes dos actores e das actrizes, tocaria até não haver mais nomes... ou seja, uma eternidade, num opening credit sem fim, envolvente, definitivo e definidor ..... só para ser perfeito.

 

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 13:29
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018

A gente morre mesmo

 

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Imagem :- ARTISTA E SURFISTA, O HAVAIANO SEAN YORO

 

É uma gaita! A gente morre mesmo! E envelhece, raios parta!
E passa quase 300 dias a trabalhar disparatadamente para fazer umas férias que encolhem a fugir em menos de 30 dias.
E tenta fazer tudo direitinho e estar em 10 lugares ao mesmo tempo. Ser boa em tudo e competente em tudo e ainda colmatar a falta de competência e de vontade e a negligência de alguns... em tudo.
É uma gaita
A gente morre e passa a Vida a saber disso mas a acelerar a aproximação do fim..
É, hoje estou sorumbática e uma chata que nem a mim me suporto.
"Voumazétrabalhar" pode ser que me passe.

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 12:38
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018

Neruda

 

escrito no papiro por ACCB às 01:02
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Domingo, 22 de Julho de 2018

memória do homem só

 

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Era um homem, daqueles homens muito sós. Tinha o texto de um amigo por baixo quando o olhei de costas. Não, não era o texto, era um poema. Um poema do homem ou sobre o homem. Escrevia e a caligrafia perdia-se na imagem... Mas aquele homem era tão jovem e tinha um turbilhão de medos por dentro.

Não precisava olhar-me nos olhos para que lhe visse a alma.

Do alto da sua aparente segurança morriam-lhe as mãos a medo,... e com medo,... e por medo.

  

Era um homem daqueles homens muito jovens e muito sós.. Com uma vida inteira de solidão pela frente.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:20
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2018

Blogs Bloggers

Influenciar...

 Um Blog é bom se influencia, se dita regras, se dita comportamentos ou modas, gostos ou costumes...

E eu que gostava tanto que um Blog fosse bom por fazer pensar, lançar a confusão e por deixar uma enorme margem de manobra para construir e desconstruir, pensar, rever, reviver, remodelar e MUDAR.

 

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escrito no papiro por ACCB às 19:57
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Ler ou Ler-se

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Às vezes lês a biografia dos escritores e pensas que começaram a escrever todos na idade madura, que alguns já escreviam há muitos anos mas que só foram conhecidos mais tarde.


A escrita é assim como que uma coisa notada quando fala de nós, de nós leitores. Na verdade, o que se lê, que é afinal o que se escreve, o que alguém escreveu, é lido com mais ou menos avidez se fala de nós, ou seja, se nos revemos no que está escrito.

Deve ser por isso que alguns se destacam,... conhecem o ser humano, a alma humana, as fraquezas humanas,... ou, muito provavelmente já tiveram tempo para as viver.

 

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 19:53
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Sábado, 14 de Julho de 2018

Oh Pá,.. a sério??!!

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Oh pá a sério??!!

 

Fotos do local de trabalho todo geométricamente organizado em cima da secretária??

A sério??

Sem canetas nas chávenas e chávenas em duplicado com chá, sem chá e de café?

Sem água, garrafas de água vazias e livros entrelaçados com folhas de papel??

A sério??

E sem gato??!!

 

escrito no papiro por ACCB às 23:57
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Democracia / Humanidades

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Limoeiro - CEJ - foto de ACCB 

 

Martha Nussbaum  Uma crise planetária da educação


"Atravessamos actualmente uma crise de grande amplitude e de grande envergadura internacional. Não falo da crise económica mundial iniciada em 2008; falo da que, apesar de passar despercebida, se arrisca a ser muito mais pre­judicial para o futuro da democracia: a crise planetária da educação.

Estão a produzir-se profundas alterações naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos jovens e ainda não lhe afe­rimos o alcance. Ávidos de sucesso económico, os países e os seus sistemas educati­vos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência das democracias. Se esta tendência persistir, em breve vão produzir-se pelo mundo inteiro gerações de máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações dos outros.

De que alterações estamos a falar? As Humanidades e as Artes perdem terreno sem cessar, tanto no ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Considera­das pelos políticos acessórios inúteis, nu­ma época em que os países têm de desfazer – se do supérfluo para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, estas disciplinas desaparecem em grande ve­locidade dos programas lectivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças Aquilo a que poderíamos chamar os aspectos humanistas da ciência e das ciências sociais está igualmente em retrocesso, preferindo os países o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas, adaptadas a esse objectivo.

Procuramos bens que nos protegem, satisfazem e consolam — aquilo a que [o escritor c pensador indiano] Rabindranath Tagore chamava o nosso «invólucro» material. Mas parecemos esquecer as faculdades de pensamento e imaginação que fazem de nós humanos e das nossas interacções relações empáticas e não simplesmente utilitárias Quando estabelecemos contactos sociais, se não aprendermos a ver no outro um outro nós, imagi­nando-lhe faculdades internas de pensa­mento e emoção, então a democracia é vo­tada ao malogro, porque assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que pressupõem que os encaremos como seres humanos e não como simples objectos.

Hoje mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os pro­blemas que temos de resolver – sejam de ordem económica, ecológica, religiosa ou política – têm envergadura planetária. Nenhum de nós escapa a esta interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm, por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: culti­var nos estudantes a capacidade de se considerarem membros de uma nação heterogénea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais heterogéneo, bem como uma noção da história dos dife­rentes grupos que o povoam.

Capacidade de referenciar culturas

Se o saber não é a uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? 0 indivíduo necessita certamente de muitos co­nhecimentos factuais que os estudantes podem adquirir sem formação humanista – memorizando, nomeadamente, os factos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros). Contudo, para ser um cidadão responsável necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de manipular os princípios económicos e exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das grandes religiões do mundo. Dispor de uma série de factos sem ser capaz de os avaliar, pouco mais é que ignorância. Ser capaz de se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas interacções, isso é que permite às democracias abordar de forma responsável os problemas com os quais se vêem actualmente confrontadas. A capacidade – que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor grau – de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias, ultrapassando as múltiplas clivagens que existem em todas as sociedades modernas.

«Uma vida que não se questiona não vale a pena ser vivida», afirmava Sócrates. Céptico em relação à argumentação sofista e aos discursos inflamados, pagou com a vida a sua fixação neste ideal de questionamento crítico.

Hoje, o seu exemplo é o fulcro da teo­ria e prática do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e ideias similares estão na base do mesmo ensino na Índia e noutras culturas. Se insistirmos em dispensar a todos os estudantes do primeiro ciclo uma série de ensinamentos da área das Humanidades, é porque pensamos que es­sas matérias os estimularão a pensar e a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em qualquer sociedade democrática. É-o particularmente nas sociedades multiétnicas e multiconfessionais. A ideia de que cada um possa pensar por si próprio e relacio­nar-se com os outros num espírito de respeito mútuo é essencial à resolução pacífica das diferenças, tanto no seio de uma nação como num mundo cada vez mais dividido por conflitos étnicos e religiosos.

O ideal socrático está hoje submetido a uma rude prova, porque queremos promover a qualquer custo o crescimento económico. A capacidade de pensar e ar­gumentar por si não parece indispensável para os que visam resultados quantificáveis.

(…)

Para compreenderem efectivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes conhecimentos factuais nem de lógica. Necessitam de um terceiro elemento, estreitamente ligado a esses dois, a que poderia chamar-se imaginação narrativa. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro, de ser um leitor inteligente da história dessa pessoa, de compreender as emoções, os dese­jos e os sentimentos que ela pode sentir. Essa cultura da empatia está no centro das melhores concepções modernas de educação democrática, tanto nos países ociden­tais como nos demais. Isso deve fazer-se em grande parte no seio familiar, nas escolas, e mesmo as universidades desempenham também um papel importan­te. Para preenchê-lo correctamente, de­vem atribuir um espaço nos seus programas para as Humanidades e as Artes, visto que melhoram a capacidade de ver o mundo através dos olhos do outro – capa­cidade que as crianças desenvolvem por meio de jogos de imaginação.

(…)

Devemos cultivar os «olhares interio­res» dos estudantes. As artes têm um du­plo papel na escola e na universidade: enriquecer a capacidade de jogo e de empatia, de uma maneira geral, e agir sobre os pontos cegos, em especial.

Esta cultura da imaginação está estrei­tamente ligada à capacidade socrática de criticar as tradições mortas ou inadaptadas, e fornece-lhe um apoio essencial. Não se pode tratar a posição intelectual do outro com respeito sem ter pelo menos tentado compreender a concepção de vida e as experiências que lhe estão subjacentes. Mas as artes contribuem também para outra coisa. Gerando o prazer associado a actos de compreensão, subversão e reflexão, as Artes produzem um diálogo suportável e até atraente com os preconceitos do passado, e não um diálogo caracte­rizado pelo medo e pela desconfiança. Era o que Ellison queria dizer quando qualifi­cava o seu Homem invisível como «janga­da de sensibilidade, de esperança e de di­vertimento».

(…)

As Artes, diz-se, custam demasiado di­nheiro. Não temos meios, em período de dificuldades económicas. E, no entanto, as Artes não são necessariamente tão caras como se diz. A literatura, a música e a dança, o desenho e o teatro são poderosos vectores de prazer e de expressão para todos, e não requerem muito dinheiro para os fa­vorecer. Diria mesmo que um tipo de educação que solicita a reflexão e a imaginação dos estudantes e dos professores reduz efectivamente os custos, reduzindo a delinquência e a perda de tempo induzidas pela ausência de investimento pessoal.

Como se apresenta a educação para a ci­dadania democrática no mundo actual? Bas­tante mal, temo eu. Ainda se porta relativamente bem no lugar onde a estudei, nomea­damente nas disciplinas de cultura geral dos currículos universitários norte-ameri­canos. Esta faixa curricular, em estabeleci­mentos coma o meu [a Universidade de Chicago], beneficia ainda de um apoio ge­neroso de filantropos. Pode-se mesmo dizer que é uma faixa curricular que trabalha melhor hoje para a cidadania democrática do que há 50 anos, época em que os estu­dantes não aprendiam muito sobre o mun­do fora da Europa e da América do Norte, ou sobre as minorias do seu próprio país. Os novos domínios de estudo integrados no tronco comum aumentaram a sua compreensão de países não ocidentais, de eco­nomia mundial, de relações intracomunitárias, de dinâmica de género, de história das migrações e de combates de novos gru­pos para o reconhecimento e a igualdade. Após um primeiro ciclo universitário, os jovens de hoje são, no seu conjunto, menos ignorantes do mundo não ocidental que os estudantes da minha geração. O ensino da literatura e das artes conheceu uma evolução similar: os estudantes são confronta­dos com um leque de textos claramente mais vasto.

Não podemos, contudo, afrouxar a vigilância A crise económica levou numero­sas universidades a cortar nas Humanida­des e nas Artes. Não são, certamente as únicas disciplinas abrangidas pelos cortes. Mas sendo as Humanidades consideradas supérfluas por muitos, não se vê inconve­nientes em amputá-las ou em suprimir to­talmente certos departamentos. Na Euro­pa, a situação é ainda mais grave. A pressão do crescimento económico levou mui­tos dirigentes políticos a reorientarem todo o sistema universitário – o ensino e a investigação, em simultâneo — numa óptica de crescimento.

(…)

Numa época em que as pessoas começaram a reclamar democracia, a educação foi repensada no mundo inteiro, para produzir o tipo de estudante que corresponde a essa forma de governação exigente: não se pretendia um gentleman culto, impregnado da sabedoria dos tempos, mas um membro activo, critico, ponderado e empático numa comunidade de iguais, ca­paz de trocar ideias, respeitando e compreendendo as pessoas procedentes dos mais diversos azimutes. Hoje continuamos a afirmar que queremos a democracia e também a liberdade de expressão, o respeito pela diferença e a compreensão dos outros. Pronunciamo-nos a favor destes valores, mas não nos detemos a reflectir no que temos de fazer para os transmitir à geração seguinte e assegurar a sua sobrevivência."

Excertos do texto publicado no Courrier Internacional, n.º 175,
Setembro de 2010 (ed. portuguesa), com Trad. de Ana Cardoso Pires 

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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Sábado, 7 de Julho de 2018

Quando fico até tarde

 

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Às vezes quando fico a trabalhar até muito tarde ( não foi o caso hoje) , vêm os pássaros lembrar-me que o Sol começa a despontar na linha do horizonte, ali,...naquele lado em que nascem todos os sonhos e realidades.


Fico então indecisa em acompanhá-lo na sua caminhada diária ou fechar os olhos e dormir enquanto ele se arruma no céu.

 

Quando acordo já me pendurou as pestanas por cima da realidade e diz-me que fiz bem dormir mas que podia muito bem ter resistido e vê-lo vender o jornal de sonhos do dia pelas ruas da cidade.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 09:07
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Sábado, 30 de Junho de 2018

As Mulheres com Genica

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Há uma espécie de mulheres que é inconfundível, elas têm genica, garra, sangue na guelra, ânimo, chama, brilho no olhar, gargalhada franca.

Elas não têm tempo a perder com birras, intriguinhas( gostam de uma boa intriga mas com substância), não dão ouvidos nem espaço à inveja, à vulgaridade, à brejeirice, não contribuem para que ( uma mulher só que seja), seja vitima de algum sentimento menos alegre, digno ou frutuoso.

 

Não dividem, não criam clivagens, não enfraquecem ninguém.

 

Elas tem um je ne sais quoi inegualável, inevitável e inigualável.

 

São raras? Não não são. Este estado de alma é de algumas, não poucas mulheres.

Perigoso é quando deixam que se aproximem delas os que fingem admirar isso tudo e no fundo só querem enfraquecer o que não podem igualar.

 

Attention please! Há sempre um olhar desconhecido que espera por si....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 15:38
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

MY Sweet Lord

 

escrito no papiro por ACCB às 15:14
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Tiraram o Quaresma....

 

 

Pois tiraram! Tiraram o Quaresma porque ele já tinha marcado e andava a fazer "marcações".
O Mundial vai no início e um cartão amarelo a mais ao Quaresma era o Diabo. Assim acalma no banco... Sim que esta coisa do Mundial é obra... .

 

 

Já viram o penalti que o Ronaldo falhou hoje? Sabem que eu tenho para mim que o Ronaldo é daquelas pessoas que é grande em momentos críticos? E aquele momento não era crítico, se fosse ele marcava... A diferença era entre jogar no sábado ou no domingo e, para nosso mal vamos jogar no Sábado com o Uruguai,... Ai!

 

 

 

 Mas pronto, vamos lá jogar no Sábado com unhas e dentes que estes venceram o gelo ou seja, a Rússia. Pode ser que nos calhe um árbitro que não veja tanto o vídeo árbitro e não pense tanto se sim é para cartão amarelo ou não, não é ou, se sim é penalti e pronto, lá se vai o 1º  lugar na ordem.

 

 

O Mundo vibra com isto! Até os Mexicanos  desconhecem a esta distância o que acontece às suas crianças na fronteira .... O que interessa é o Mundial. Ainda não vi um jogo fazer um minuto de silêncio para censurar o que se passa no Mundo contra os Direitos Humanos. ....


E sim, gostava muito de ver.

 

 

 O Futebol serve para unir sim, para censurar sim, para modificar sim... O Desporto é isso mesmo como dizia a Nelly Furtado num hino : "Como uma Força que ninguém pode parar".

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 00:23
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Just!

 

escrito no papiro por ACCB às 00:20
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

Metade de um sopro

 

Olhas e contas o tempo, tens para ti menos de metade do que já viveste
Já pensaste nisso?

E se recordas atrás é muito mas, é pouco se pensas que já passou.

Foram tantos dias e meses e anos que não voltam ... e tantas viagens que não queres repetir porque há outras tantas para fazeres.

 

Olhas para trás e tudo foi um sopro, temes que tudo seja um sopro... 

Como num desafio o vento sopra-te o rosto e sentes que mais vezes o fará
Nada está na tua mão, nem o tempo, nem os dias, nem o sopro do vento no rosto...
Mas sentes

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escrito no papiro por ACCB às 18:20
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Com sol ao fundo

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Havia uma paisagem agreste....
Havia uma paisagem agreste é um bom tema para um bom texto e se lhe acrescentarmos um movimento ou um estar de alguém, o texto torna-se história.

 Algo como isto...

Estavas sentado 

Lembro-me que só tinhas o perfil recortado no fundo do dia
 A tarde teria algumas horas  de início e prometia outras tantas até cair para lá do fio da linha do horizonte
 Amena era a tarde

 

 Estavas sentado, não perdias tempo com nada nem com gestos
 lembro-me de que nem o cigarro tinhas... .

Era só o movimento dos sílios em frente ao mar

Do lado esquerdo as rochas que suportavam o encher da maré

Cheiravam a manhã mas era tarde

 

Na vida há momentos assim
Em que nos sentamos em frente ao mar e deixamos correr a tarde

Como um lavar de alma ou um sentir de momentos que não voltam

 

Estavas sentado e havia uma paisagem agreste à tua esquerda
 Fiquei-me pelo recorte do teu perfil com Sol ao fundo
 Em breve tudo seria poente.

 

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 17:50
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Cair da tarde junto ao mar

 

 

escrito no papiro por ACCB às 17:46
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

..... e havia uma paisagem agreste

 

Estavas sentado e havia uma paisagem agreste
nos teus olhos: as nuvens a prometerem chuva,
os espinheiros agitados com a erosão as dunas,
um mar picado, capaz de todos os naufrágios.


O teu silêncio fez estremecer subitamente a casa ―
era a força do vento contra o corpo do navio; uma
miragem fatal da tempestade; e o medo da tragédia;
a ameaça surda de um trovão que resgatasse a ira
dos deuses com o mundo. Quando te levantaste,
disseste qualquer coisa muito breve que me feriu
de morte como a lâmina de um punhal acabado
de comprar. (Se trovejasse, podia ser um raio
a fracturar a falésia no espelho dos meus olhos.)


Hoje, porém, já não sei que palavras eram essas ―
de um temporal assim recordam-se sobretudo os despojos
que as ondas espalham de madrugada pelas praias.

Maria Do Rosário Pedreira

 

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escrito no papiro por ACCB às 12:31
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

Dois Epigramas

 

O sábio das coisas simples
olhou em torno e disse:
não há profundidade
sem superfície.

É preciso dizer bom dia
quando o dia anoitece
ser exacto todo o dia
envelhece.

Luís Veiga Leitão

escrito no papiro por ACCB às 16:34
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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Partimos cada dia............

 

 

 

"Cada dia é mais evidente que partimos

Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste".

(Sophia de Mello Breyner Andresen, In Antologia-Círculo de Poesia-Moraes Editores-1975)

escrito no papiro por ACCB às 13:09
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Dia 11.11.2017

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Reader. (Dola Sun)

 

 

 


Hoje vesti vermelho mãe
Não é um vermelho vivo mas é forte
Bordeaux como um vinho bom porque faço anos
E faço anos porque tu és minha mãe o que quer dizer que nasci
Não era justo que o luto eterno se estendesse ao aniversário do dia em que faz anos foste mãe pela primeira vez
É isso que celebro hoje contigo mãe
Isso e o fazer parte de ti como tu fazes de mim
Parabéns mãe porque vives em mim
Foi por isso que depois do que tu sabes, hoje voltei a vestir vermelho,... tenho a certeza de que gostas porque tu detestavas preto, luto e falta de Sol ... nisso e no amor pela poesia ( nas pitadas de mau feitio), saio a ti também.
Hoje é um dia só nosso, meu e teu.
Só quando não nos falta a mãe é que achamos que o dia foi feito só para nós.
E sabes, há Sol como deve haver no S. Martinho.

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 02:36
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

A rectidão das linhas

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Tiras 3 linhas rectas do aparo e preenches cada uma de tons azuis semelhantes,... assim a cair para o fim da tarde.... ou até pode ser para um amanhecer de Inverno, aquele Inverno em que os dias se põem sem o vermelho no sol.

Depois traça a escada,... não é por nada é só para que no canto ou no vértice fique o homem...sem poder pôr os pés na terra,... suspenso... Não sei se prefiro que ele fique no canto ou no vértice.... No vértice não se vai equilibrar, às tantas cai no azul ou corta-se nas linhas rectas...

Fica num canto, é melhor um homem num canto que num vértice, e coloca-o de costas para o Mundo, bem de costas e de chapéu para que não veja nada nem tenha reflexos do que se passa em redor.

Quanto mais alta estiver a escada (podes arranjar um prolongamento na parede), mais de costas ele estará para o mundo. É importante que esteja de costas para o Mundo...

Dá-lhe um toque de vencido nos ombros e deixa-o ficar ali, como fica o menino de castigo virado para a parede, ....preso no canto, abafado pelo chapéu..., como fica o empregado de escritório engolido pela secretária todo dia ou a comer à pressa no restaurante porque só tem uma hora de almoço,... como fica uma mulher a quem a vida deu inúmeras tarefas e ela vive dentro delas, abafada no seu canto, como ficamos todos maquinalmente voltados para dentro no cumprimento de horários e estatísticas.......

Afasta-te sem ruído,... não deixes que ele descubra que afinal o canto é um vértice e que o chapéu fugirá com o vento, a escada não irá equilibrar-se e ele poderá ver para além da convergência aparente dos tons ainda que a queda seja dolorosa, ....algo assim como o desmascarar de uma alegoria de um canto em 3 linhas rectas com preenchimento de espaços azuis vazios...uma caverna de enganos e mentiras...

Mas podes sempre traçar as linhas rectas na horizontal... terás uma linha de horizonte,... um infinito, um mar e o universo todo para olhar...um amanhecer de Inverno, aquele Inverno em que os dias se põem sem o vermelho no sol....

E o homem puxará o chapéu para o rosto ao anoitecer e, ao amanhecer, descobrirá que nem canto nem vértice....mas apenas infinito, e não precisará da escada porque a rectidão das linhas lhe tinha sido imposta e a escada apenas servira para o colocar num canto e de costas para o Mundo.

( Imagem - Joseph Beuys escultor desenhista professor de arte )

 

escrito no papiro por ACCB às 19:02
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Domingo, 24 de Setembro de 2017

Para ser Perfeito

 

 

 

 

Para ser perfeito tinha de ter qualquer coisa de filme francês mas falado em italiano.... Um toque assim de ruas íngremes e empedrado irregular, estreitas e a fechar o dia à frente num canal que desaguasse no mar.

 

 

Para ser perfeito tinha de não ter relógio ou aquela noção judaica de tempo como uma castração da vida, tinha de não ter hora, apenas dia com ou sem luz, e depois... dormir era perfeito só quando os olhos não pudessem mais suportar tudo o que querem aprender

 

Para ser perfeito tinha de ser mágico e isso significa nada para precisar, nem sequer comer... uma levitação da Vida pelos cantos e pelos pontos mais altos e depois mais à beira da risca da maré, da espuma do pôr do sol, salpicada de peixes que chegam à praia apenas para ver como é ser humano.... mas! voltam e mergulham nos sonhos.

 

Para ser perfeito mesmo, podia ter Sol de 24 horas e noites com todo o cansaço exorcizado em menos de um suspiro que a Vida é curta para perder a dormir.

 

 

Para ser perfeito tinha mesmo de ser falado em italiano e ter um toque de cinema francês, um genérico de Woody Allen,... e ser exibido todo o tempo... no início, durante e no fim, seria um genérico extraordinário....infinito.

E (no fim,..), naquela parte em que passam os nomes dos actores e das actrizes, tocaria até não haver mais nomes... ou seja, uma eternidade, num opening credit sem fim, envolvente, definitivo e definidor ..... só para ser perfeito.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:25
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Miró

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 África, a minha Gata 

escrito no papiro por ACCB às 11:41
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Caminhos

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14 de Julho de 2012 às 23:35 ·
Amanhã ainda não mas depois eu calço o sapato baixos e vejo se tenho as pilhas da máquina fotográfica carregadas.

Verifico o estojo e as duas memórias suplentes.

Os jeans e algo leve, um casaco se esfriar... ai a mochila! Aquela coisa que me dá cabo do ombro squerdo e só dou por isso ao fim do dia.

Caminhos arranjam-se,.... mar é o que mais há.. e Sol, é essencial que haja Sol.

Devia levar comigo um rolo para fotografia nocturna mas a máquina que tenho agora é digital e cheia daquelas peneiras da tecnologia.... Andante que se faz tarde... cada olhar um reflexo e cada reflexo uma foto.

Das viagens as recordações melhores de trazer são os momentos e registados, para mais tarde reviver.
Já tenho saudades de andar sem relógio e de me sentar preguiçosa numa cadeira qualquer ou num muro qualquer ou pela maré de manhã cedo ou tarde já longa.


Preciso daquilo a que se chama vulgarmente férias e eu chamo fazer o que me apetece...
Ouvir silêncios, observar expressões,... contar sons e descobrir contrastes... como se não estivesse cá ou visse um filme numa sala de cinema vazia....
Preciso dessas pausas.... dessas lacunas....desses buracos negros onde deito tudo o que não perco .....
Agora...........vou dormir......ou ler....ou preguiçar.....

escrito no papiro por ACCB às 11:36
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

Paris , o pintor de rua e eu

 

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 Paris Fotografia de Amália Simão

 

Não foi por acaso que parei por ali.
Se eu tivesse dinheiro suficiente comprava-lhe os quadros todos só para olhar demoradamente as expressões que ía pintando. Como se estivessem vivas e tivesse de escrever um livro sobre cada uma delas.
Não sei o que fazia às tintas quando as tocava com os pincéis
e as colocava no sítio na tela... Como sabia o sítio de cada uma delas?
Como tinha aquele homem da tela aquele ar velho e triste, atento à leitura do jornal... e quase que lhe ouvia a leitura do mesmo, o respirar lento de quem já só gasta o tempo com o que lhe dá prazer e não lhe rouba nada.
Sentei-me ali, escondida num chapéu que não era meu, uma gabardina como se fosse Inverno... Mas não era,... até as luvas calçara para que não me vissem e deixassem imaginar os livros todos que podia escrever com cada um dos quadros a que ele ía dando vida....
A pintura é uma literatura com imagem a cores ... não é?...
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:16
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Sábado, 24 de Junho de 2017

O temporal esta noite........Tormenta

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A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem nocturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o vou anelante da ilustro
efemera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.

 

Elvio Romero (Escritor Paraguaio)

escrito no papiro por ACCB às 01:55
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Para ti

 



“Para ti criarei um dia puro

Livre como o vento e repetido

Como... o florir das ondas ordenadas”


Sophia de Mello Breyner

escrito no papiro por ACCB às 01:49
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Engolir o Universo



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O que é isso do Universo? Já acho o Mundo tão grande que não consigo abarcar o que seja o Universo....é como ganhar o euro milhões,... um enorme euro milhões... nunca saberia contar tanto dinheiro.


E no entanto, por vezes, sinto-me cheia de cansaços, os todos que há no Mundo, cansaços passados, presentes e o peso dos futuros, como se o Universo se tivesse encostado todo à minha nuca e eu estivesse prestes a desitir da posição de o perceber, olhando atentamente para baixo quando afinal ele está todo por cima e à volta.


E se eu fosse mesmo feita de pedações de estrelas?... Juro-vos que acredito que sou. Que fraqueza.... apenas pedacinhos de estrelas, pedacinhos incompletos. E que fazer? Seguir sempre a estrada que o caminho faz-se caminhando, repetindo gestos, ideias, ideias felizes, súbitas mas por isso mesmo felizes... e depois voltar ao razoável, à rotina, ao que tem de ser para além do Universo e num espaço ínfimo nele.


E seu eu engolisse o Universo como Cronos , engolia os filhos? Cronos e o Tempo engolem o que geram...
Mas eu nem gerei o Universo,... só virando-me do avesso e abarcando-o todo como um espaço que aumenta ao virar o direito para dentro e o interior para fora....mas entretanto o tempo já me devorou.
Ao virar o Direito para dentro... e reparo quantos séculos de humanidade, quantas lutas e quantas perdas, quantas guerras e quantas mortes nesta palavra.

Quantos pedacinhos de estrela se estilhaçaram para que a palavra Direito que me levou a esta evasão de contemplar o Universo pudesse existir?


Direito não envolve autoridade ou será que envolve? Envolve luta, sangue suor e lágrimas e é por isso que todos querem lutar, ser livre ou morrer por ele. E é por isso que existem as convenções, as cartas de direitos, os diplomas legais....para que tudo não se repita....e repete.


Há anos que faço “isto”, há anos que visto a beca, há anos que empunho a espada... e que teria acontecido se eu não tivesse aceite a espada?
O Universo continuaria a existir, os movimentos de rotação e traslação da Terra continuariam a existir,... as estrelas planetas e cometas continuariam sobre a minha nuca todas as noites que tento proteger direitos e o Direito.... como é assim e agora e será sempre. Ámen.


Será que algum dia aceitei a Espada ou apenas a resgatei e empunhei?
Então, engulo o Universo e sigo em frente, como quem engole um sapo, como quem percebe que tudo continuará encostado à nuca, como quem sabe que entre a espada e a parede, escolherá sempre a Espada.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:42
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Segunda-feira, 12 de Junho de 2017

Para o raio que os partisse

( Quem souber ler que leia...)

 

 


Ai o sapatinho,... vá lá, de salto alto, não muito por causa das horas de espera, mas de ponta fina.
A mala,... a mala pode não ser da mesma cor mas tem de fazer pandan com a saia, a meia , o salto, o casaco... enfim... até os brincos, se levares.


Não te esqueças do sorriso, aquele de cerimónias oficiais que tem de ser bem colocado no meio da cara ainda que os olhos digam o contrário. Não entoes mal o "como vai?", principalmente não deixes transparecer que querias que fossem para o raio que os partisse.


É assim, oficialmente, nas cerimónias oficiais todos são amigos, todos são simpáticos , todos se dão bem e todos são cordeais.


Se podes dizer o que pensas realmente?
Podes mas, não estragues a cor do saia e casaco, nem a marca da mala que decidiste usar. Vê lá não pareça mal e não fiquem com outra imagem de ti.
De um momento para o outro podes transformar-te na bruxa da história, melhor, podes parecer a bruxa da história em vez de o seres realmente.


Mas se é para te irritares irrita-te e irrita-te na hora menos esperada, da forma menos esperada, com a fúria toda que possas utilizar e derrubar o que te irrita.
Afinal és a bruxa da história.


Nunca digas que isso pode acontecer, faz com que seja surpresa e simplesmente demolidor.
Se for preciso o tom pérola do tailleur mudar para vermelho rubro, deixa mudar, se o salto do teu sapato passar a ter mais 5 cm, deixa subir,... e se os teus olhos devidamente maquilhados para a ocasião decidirem deitar lume, transforma-te em dragão,... mas ganha a causa.


Se é para te irritares, arrisca tudo, vai a jogo, mas não percas.


ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 21:57
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Sábado, 3 de Junho de 2017

Eu sou a tempestade

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escrito no papiro por ACCB às 18:19
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fotos antigas a 3 de Junho de 2017

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Eu gosto das fotos antigas...

Tinham sempre as calças dos homens vincadas e as mãos das senhoras muito quietas no regaço. Os cabelos nunca tinham vento nem aragem e o baton cabia sempre dentro das linhas dos lábios.
Todos estavam compenetrados e mostravam de si o ar mais airoso e mais perfilado.


Lembro-me das fotos do meu avô com o bigode aparado e um braço descansado na mesa com toalha de renda. Um ar de Eça... era o que eu achava. Tinha uma bengala mas sabíamos que era só para a fotografia ficar com um cabo de prata.


As fotos antigas punham as crianças sentadas no chão, à volta, como se nunca fossem crescer ou se crescessem deixassem de poder usar as saias de folhinhos e rendinhas e os calções de suspensórios impecáveis com que iam à missa no dia de ver a Deus.


Gosto das fotos antigas e de mim nelas. Da família em redor com ar sério e numeroso, ... e gosto principalmente do gato... o gato que me tira a atenção da foto e com quem interajo insistentemente numa dessas fotografias, ... é só o que nela existe, eu e o gato.
Todos estão sérios, pertencem a um Mundo quieto e eficaz, todos estão engravatados e calçaram os melhores sapatos. As senhoras vestiram-se a rigor e foram ao cabeleireiro... para a foto de família...
Tinha eu logo de estragar a foto,... eu e o gato... eu e o vestido de ver a Deus, o gato a pedir festas e eu a dar-lhe todas as festas do Mundo.
A foto mexe-se e vive.... Tudo mais está estático.


E quando escolheram a foto,... a que iria ficar para a posteridade, a minha avó teria dito do seu ar de matriarca:
- Quero esta, tem gente a sério.

 


( PS: deve ser por isso que tenho o nome dela :-) )


ACCB

escrito no papiro por ACCB às 18:15
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

Depus a Máscara

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Depus a Máscara ( Álvaro de Campos )

 


Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

escrito no papiro por ACCB às 18:21
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