Sábado, 17 de Fevereiro de 2024

................

 
 
 
Lido por aí e Surripiado porque é verdade 🙂
 
"Ficamos sozinhos quando somos exigentes. Ficamos sozinhos quando não mentimos. Ficamos sozinhos quando defendemos as nossas convicções. É um preço que estou disposto a pagar. E há, digamos, dez pessoas de quem gosto, dez pessoas sobre quem não me enganei, e dez pessoas é um mundo".
 
 
Pedro Mexia
 
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Ou é da chuva ou é do mau feitio. Cai-me cá dentro uma vontade de dizer umas coisas que me deixa sem necessidade de tempero na salada do almoço. Tenho o forno em temperatura alta, a fugir do convencional. Cheira bem ... Almoço e depois logo vejo como fico. Pode ser que esta sensação seja da hora....
 
ACCB
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A porcaria da publicidade em qualquer clip que se quer ver e que não se pode saltar... irrita-me. É uma forma de condicionar a minha liberdade a aceder de imediato ao que quero ver.

ACCB
 
_______________________


 
escrito no papiro por ACCB às 13:06
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Onde

Onde será esta hora em que o Sol caminha pelo tempo e se esconde das horas do outro lado da Vida?
ACCB
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Alguém respondeu : "Ao acender das candeias" -

Hermengarda Valle de Frias

 

escrito no papiro por ACCB às 12:55
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2024

Que fazem elas, as gaivotas?

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Que fazem elas, as gaivotas?
Chocam o ar em gritos
rasgam a tarde em voos alterados
Vêm lá do fundo Este para pousar ao pôr do sol a Oeste
Sobressaltadas talvez pela Paz que julgam encontrar no fim do dia.
Não há paz no fim do dia. Só à sexta,... e dura pouco... Dura só o momento de pensar que vai haver paz porque vai começar aquilo a que chamam fim,.. fim da semana,... da semana que passou, que nos deu cabo da cabeça,... que nos roubou o tempo e os dias... e a paciência.
Elas reunem-se para fazer o resumo da vida que levaram durante o dia.
Também nunca percebi porque vêm todas do mesmo lado, para o mesmo lado, e param todas no mesmo lado.
Andam em bando, são provocadoras, barulhentas, desalinhadas, fazem tempestades em terra, têm mais asas que barriga,...
Mas são livres... ... ...
......
Há quem diga que também são ladras...
e assassinas de pombos...já não bastava os humanos assassinarem os pombos,... envenenarem os pombos...
Dizem que são modas....
Eu lembro-me de ser pequena e ir dar milho aos pombos do Rossio,... assim como que num ritual... com dia marcado e tudo. E havia muitos e as pessoas até lhes achavam graça....
São modas ....
As gaivotas eram livres
Os pombos eram livres
Agora as gaivotas são assassinas e porcas e os pombos são uma praga.
Não há Paz no fim do dia.
ACCB
(foto ACCB)
escrito no papiro por ACCB às 01:20
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2024

A Alma e o Corpo

 

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Às vezes… quando acordo muito cedo de manhã,… depois de me ter deitado tarde…( não é o caso hoje), … parece que a alma ainda não voltou para o corpo….

Credo! Para quando a semana de 4 dias? … Com pausa às quartas …também?!

…….

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:28
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Quem és tu

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Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

escrito no papiro por ACCB às 22:25
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"Senta te aí.

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"Senta te aí.
 
Como dizer te que não tem nada que ver com isso? A gente prolonga se através deles e se partem levam nos tudo,... com eles.
 
Não te sei dizer... é como quando nascem... não há palavras. É amor à primeira vista, uma paixão de alma de que não há cor para definir ... Não há adjectivo que superlativo ou comparativo defina o sentir.
Se partem...também é assim.
Confusão de sentir ... Um vazio... sem cor ...sem som...definitivo. Mortal.
 
Mas se não tê-los (sabes?), é como diz o poeta: "como sabê-los"?!
Senta te aí e não digas nada. Pensa que o silêncio fala melhor nestas situações.
 
Pensa assim:
É como quando são adolescentes e barafustamos com regras barulhentas.... Eles não ouvem.
Como quando vão de viagem e te calas ao lado deles à espera do avião. Partias com eles... mas vão felizes sozinhos e esperas que regressem felizes. Essa é a tua felicidade, o reencontro e o brilho nos olhos deles.
 
Senta te aí....
Não há palavras, nem cor, nem adjectivo superlativo ou comparativo.
Cada partida é diferente. Umas têm regresso outras aguardam-te num tempo sem tempo.
Senta te aí."
 

 

escrito no papiro por ACCB às 17:42
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2024

Sabes

Sabes?
Às vezes é preciso dormir
descansar o dia cansado que te pesa nos ombros
Às vezes é preciso dormir para não desistir
 
Ouve música e senta-te
lê e senta-te
fecha os olhos, senta-te
mas abandona as horas que já passaram...
Amanhã rejuvenesce o dia
é Primavera não tarda
 
Às vezes é preciso dormir para não desistir...
Deixa-te estar... e dorme.
 
A Primavera vem já a seguir
Fecha-se o Inverno na Curva da manhã e a Vida vai acontecer
Acontece sempre
 
ACCB

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escrito no papiro por ACCB às 19:42
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2024

Escala do Frio

 

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 🌡
+24°C Na Amareleja já põem um cobertor para dormir.
+19°C Na Madeira ligam o aquecimento e começam a guardar víveres para o caso de ficarem isolados.
+8°C Os carros italianos já não pegam.
0°C A água congela.
-1°C Abres a boca e o bafo parece fumo.
Os de Montalegre estão nas esplanadas a comer gelados ou a beber finos...
-4 °C O gato enfia se na tua cama.
A CMTV vai às Penhas da Saúde entrevistar turistas porque a estrada para a Torre está fechada (o primeiro que entrevistam é sempre brasileiro)
-10 °C Os carros franceses já não arrancam.
-12°C A TVI diz q é o fim do mundo e mostra imagens de camiões tombados na berma da estrada.
-15°C Os carros alemães já não pegam.
-24°C O gato mete se na tua cama, dentro das tuas calças do pijama.
-29 °C Os carros japoneses já não arrancam.
-30 °C Já porra de carro nenhum normal arranca.
-36 °C Os carros russos não arrancam.
-39 °C Os de Montalegre apertam os botões da camisa.
-50 °C Um carro italiano mete se na tua cama.
-60 °C Os russos estão congelados. Os de Montalegre começam a apertar os casacos.
-70°C O Inferno está congelado.
-120°C Todo o álcool congela. Os russos começam a ficar nervosos.
-273 °C Zero absoluto! As moléculas deixam de mexer.
Os russos começam a lamber vodka congelada.
Os de Montalegre levantam se das esplanadas e vão para dentro das tascas... ...

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 14:44
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Domingo, 14 de Janeiro de 2024

Gostava

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arte de ANDREW FEREZ
 
 
―“Gostava mais quando conseguia imaginar grandeza nos outros, mesmo que nem sempre houvesse.”
 
 
―Charles Bukowski
 
 
escrito no papiro por ACCB às 19:24
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A Trança de Inês

 

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“Conforta-me pensar que a vida não começa nem acaba aqui. Um dia regressaremos ao lugar de onde viemos, um lugar de repouso e de paz, um lugar livre de mágoas. Mas quantos lugares de dor teremos de atravessar para alcançá-lo? Quanta tristeza, quanto sofrimento, quanta crueldade no destino do Homem!
 
E se o mundo é repleto de maravilhas é só para não perdermos de vista a morada original, que nos aguarda ao fim dos nossos doze trabalhos de Hércules, e a que os poetas e os místicos chamam paraíso e eu chamo, simplesmente, amor. As guerras fazem-se para alcançar a paz, ensinaram-nos durante séculos.
 
(...)O sofrimento serve para alcançar a bem-aventurança, invento eu, para não morrer de desespero.”
 
 
 
― Rosa Lobato de Faria, A Trança de Inês
escrito no papiro por ACCB às 19:13
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Sábado, 13 de Janeiro de 2024

O texto.........

 

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Era tão Feliz e não sabia
 
 
Ele há daqueles dias sem chuva, mas com frio.
Sacudo as ideias e viro as costas ao que se diz como se a indiferença me fosse preciosa.
Mas não consigo, não tem nada de indiferente esta minha forma de analisar a causa das coisas.
Tenho um texto para acabar e dormir devia ser a solução.... eu que até durmo pouco podia dormir muitas horas e nem acabar o texto.
 
 
O relógio não se cala e teima em avançar pela noite fora
Não tarda é outro dia, diz ele... pois que seja que bem preciso.
E se eu não acabar o texto?
 
 
E se eu não dormir?
Quanto falta para ser outro dia?
 
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 19:19
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2024

Sucata

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( Foto de ACCB)
 
Sucata
o que levam das nossas vidas
as coisas velhas que deitamos fora porque
as casas são pequenas e os objectos
envelhecem agora mais depressa
do que nós
nas velhas casas
os lençóis de linho e as arcas de cânfora
e os serviços de chá onde se via
uma chinesa no fundo das chávenas
que um tio avô
tinha trazido de Cantão
sobreviviam sempre a todos os mortos
e passavam de cama para cama
e de sala para sala
e de mesa para mesa
e eram sempre os mesmos
e nós tão outros
mas agora tudo é feito
para morrer depressa e
sem deixar mágoa nem vestígio
e que fazem dentro das nossas vidas
gravadores de fita máquinas de escrever
cassettes onde aprisionámos
histórias momentos e rostos
que julgávamos eternos
e que pensávamos rever
a vida inteira
--o senhor da sucata estava feliz
agradeceu muitas vezes
enquanto amontoava tudo
deixando aquela casa
subitamente maior
(ou muito mais pequena
conforme o ponto de vista)"
 
 
Alice Vieira, "Olha-me Como Quem Chove".
escrito no papiro por ACCB às 09:17
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2024

Pequenas palavras

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agua
De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
 
 
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
 
 
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
 
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
 
 
Rosa Lobato de Faria
escrito no papiro por ACCB às 19:04
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GUARDEI NA GAVETA DE BAIXO

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Guardei na gaveta de baixo
a flor que trazia nos dedos
à hora de adivinhar-te.
Primeiro
foste apenas uma ideia
que me segurou na porta
da cozinha quando ia
meter numa garrafa verde
um malmequer amarelo.
Fiquei ali
à espera que te transformasses
em certeza ou em música.
Lembro-me que havia um sol bonito
a enquadrar a cesta dos pimentos
Lembro-me do chiar mansinho
da panela da sopa
Lembro-me do gato.
Olhou-me
e li nos seus olhos feiticeiros
o recado que os teus
ainda não podiam dar-me.
Soube que tinhas sido
arremessado à praia do meu corpo
pela espuma desfeita
das vagas de Setembro.
Como um grão de areia
uma pepita de ouro
um búzio.
Pude então mover-me andar
sorrir de novo
abrir a gaveta de baixo
guardar a flor do meu segredo.
 
 
ROSA LOBATO DE FARIA, in A GAVETA DE BAIXO (ASA, 1999);
in A NOITE INTEIRA JÁ NÃO CHEGA - POESIA - 1983-2010 (Guimarães Editora, 2012)

 

escrito no papiro por ACCB às 18:59
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Se eu morrer de manhã

Se eu morrer de manhã
Abre a janela devagar
E olha com rigor o dia que não tenho
Não me lamentes. Eu não me entristeço:
Ter tido a noite é mais do que mereço
Se nem conheço a noite de que venho.
Deixa entrar pela casa um pouco de ar
E um pedaço de céu
O único que sei.


Talvez um pássaro me estenda a asa
Que não saber voar
Foi sempre a minha lei.
Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que não tenho
E do mistério nada te direi.


Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
Pois não estar é da morte quanto sei.


Rosa Lobato de Faria

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escrito no papiro por ACCB às 18:49
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E de novo

E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
 
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
 
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
 
 
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.


Rosa Lobato de Faria

escrito no papiro por ACCB às 18:48
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CHAMAR A MÚSICA

 
Esta noite vou ficar assim
Prisioneira desse olhar
De mel pousado em mim
Vou chamar a música
Pôr à prova a minha voz
Numa trova só pra nós
Esta noite vou beber licor
Como um filtro redentor
De amor, amor, amor
Vou chamar a música
Vou pegar na tua mão
Vou compor uma canção
Chamar a música
Música
Tê-la aqui tão perto
Como o vento no deserto
Acordado em mim
Chamar a música
Música
Musa dos meus temas
Nesta noite de açucenas
Abraçar-te apenas
É chamar a música
Esta noite não quero a TV
Nem a folha do jornal
Banal que ninguém lê
Vou chamar a música
Murmurar um madrigal
Inventar um ritual
Esta noite vou servir um chá
Feito de ervas e jasmim
E aromas que não há
Vou chamar a música
Encontrar à flor de mim
Um poema de cetim
Chamar a música
Música
Tê-la aqui tão perto
Como o vento no deserto
Acordado em mim
Chamar a música
Música
Musa dos meus temas
Nesta noite de açucenas
Abraçar-te apenas
É chamar a música

Rosa Lobato de Faria
escrito no papiro por ACCB às 18:45
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2024

09-01-2017/24

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Há os dias, os tais das memórias que ainda doem, mas há os outros, os dias das memórias que nos trazem os risos, as histórias, os poemas declamados do alto de uma cadeira no meio de uma sala em que todo o público eras tu mas havia muita luz, muito palco e muitos aplausos…
 
E há os dias dos medos em que só a tua voz me acalmava e dava força , como se puxasses uma cortina e todo o sol do Mundo me inundasse cheio de coragem…
Faz 7 anos… Para mim as datas marcantes têm sempre algo de inesquecível, relacionam-se com outras datas e ganham significado e força …
Faz hoje 7 anos que fisicamente partiu o teu corpo,… faz 1 ano que algo aconteceu e marcou um momento bom e bonito para a tua neta,… vão fazer 7 anos que nasceu o teu primeiro neto…
O mês que levou a tua presença física trouxe duas continuações tuas… dois netos meus, do teu neto, uma a 3 outro a 30…
Os números e eu!…
 
Mas do que sinto falta por vezes é dessa tua força e da confiança que me incutias.
Há pessoas assim, que desvanecem os medos…
Faz 7 anos e hoje está nevoeiro, frio, ainda nem vi o mar…
 
 
Prometo que assim que o sol rasgar os medos vamos até lá.
Bjs Mãe … é uma palavra que também visto e acho que me fica bem.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 12:21
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Domingo, 7 de Janeiro de 2024

Se eu morrer antes do meu cão

SE EU MORRER ANTES DO MEU CÃO...
 

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"Se eu morrer antes do meu cão, permita que ele veja meu corpo.
Ele compreende a morte;
se sentir minha ausência, poderá chorar por mim. Caso não me veja novamente, pensará que o abandonei e continuará aguardando meu retorno. Se eu partir antes de meu companheiro, permita que ele se despeça de mim.
Os cães representam uma amizade infindável, um amigo leal, uma parte da vida e uma razão para existir!' ❤️🐾"
 
Texto: Autor Desconhecido
escrito no papiro por ACCB às 09:39
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2024

Restos de Natal

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Ficou o que resta de mais um Natal na esperança do próximo
Até lá muito tempo pelo meio feito de 4 estações e 12 meses, movimentos de rotação e translação, notícias convenientes em catadupa, medos, e outros que tais, tomarão lugar nos nossos dias.
 
Ressoam passos na praça enorme onde dizem que mora ao fundo, a caminho do Tejo, a Ribeira das Naus.
O silêncio da noite, se ouvido com atenção, ainda nos fala de revoluções, assassinatos e terramotos.
 
Fico a ver e ouvir… deixo os pensamentos e escuto.
Só o Tejo sobe os degraus do cais das colunas com a maré, e volta atrás,… num balancear, … como quem canta uma canção de embalar.
 
A História adormeceu,… terá sido esquecida?
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 20:01
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2023

A Tristeza

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Ah a Tristeza!... é contagiosa mas,

primeiro é gelatinosa, sinuosa,...

espalha-se, enrola-se , quebra-te os sorrisos, dá cabo dos teus pensamentos,

tira-te todo o espaço para seres 

apaga-te qualquer carisma

 

E às vezes, a tristeza  nem é tua,

é um estado de alma qualquer, de um outro qualquer

 Um estado de teatro triste

 que não suporta os teus sorrisos 

A tua forma de ser alegre 

 que te deixa sem saber como fazer

 

Ah a tristeza alheia...

Sempre pronta a estragar-te o dia

E depois,... depois fugir e abrir-se em sorrisos soltos.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 21:36
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Ser indiferente

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Ah! Ser indiferente!
 
É do alto do poder da sua indiferença
Que os chefes dos chefes dominam o mundo.
 
Ser alheio até a si mesmo!
 
É do alto do sentir desse alheamento
Que os mestres dos santos dominam o mundo.
 
Ser esquecido de que se existe!
 
É do alto do pensar desse esquecer
Que os deuses dos deuses dominam o mundo.
 
(Não ouvi o que dizias...
Ouvi só a música, e nem a essa ouvi...
Tocavas e falavas ao mesmo tempo?
Sim, creio que tocavas e falavas ao mesmo tempo...
Com quem?
Com alguém em quem tudo acabava no dormir do mundo...)
 
 
EM - POESIA - ÁLVARO DE CAMPOS - ASSÍRIO & ALVIM
Pois é... mas eu não consigo. 
escrito no papiro por ACCB às 19:10
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As Fotografias

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( começar como se fosse uma redação)

As Fotografias
 
 
 
 
As Fotografias antigas guardam as pessoas como elas eram no tempo em que o tempo não passava por elas.
 
Às vezes olhamos para dentro das fotografias e percebemos que fomos bonitas, tínhamos um ar sereno e por viver, alegre de tudo por saber e (sem dificuldade), éramos muito magrinhas.
 
Depois, com o tempo acumulámos gorduras e traços como quem acumula fotografias mas essas, ficaram lá atrás num momento, planas, estáticas no papel mas falantes, gritando que já fomos assim, no pretérito perfeito.
 
Era preciso chegar ao presente para nós vermos quando éramos, quando fomos, e tudo estava por saber e viver, acontecer.
Começámos com uma sobrancelha levantada, um toque de sorriso sempre puxando os lábios para cima, um olhar ausente ou perspicaz, observador ou apenas vivo mas, sempre vazio de sobressaltos.
 
 
As Fotografias são caixas de memórias que nos perguntam o que foi que passou por nós, o que foi que nos fez ceder à gravidade do planeta e dos seres, o que foi que nos desenhou outro rosto, outros cantos da boca e outra arcada supraciliar....
.....
 
Até há por aí quem devolva as arcadas supraciliares, quem puxe os cantos da boca como quem puxa o pano da boca de cena, até há quem leia as fotos e apague alguns traços... mas, apagar o que os desenhou não há.
 
As Fotografias são umas delatoras como o espelho mágico da madrasta da Branca de Neve, alçapões destinados à cena para que tudo vá correndo bem na ribalta.
 
Senhor contra-regra batam-se as 7 pancadas de Moliére.
Sentemo-nos na arquibancada.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 18:51
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2023

LER...é o quê?

 
 

Neste exato instante em que seus olhos passam por estas linhas, está ocorrendo um pequeno milagre da tecnologia. Não, não estou falando do computador nem da transmissão de dados pela internet, mas da boa e velha leitura, inventada pela primeira vez cerca de 5.500 anos atrás.

 

Para nós, leitores experimentados, ela parece a coisa mais natural do mundo, mas isso não passa de uma ilusão. Ler não apenas não é natural como ainda envolve cooptar uma complexa rede de processos neurológicos que surgiram para outras finalidades.

 

Acho que dá até para argumentar que a escrita é a mais fundamental criação da humanidade. Ela nos permitiu ampliar nossa memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito daquele experimentado por nossos ancestrais do Neolítico.

 

A importância da leitura e a relativa clandestinidade neurológica em que ela ocorre justificam um exame mais acurado. E, neste caso, um dos melhores guias é o matemático e neurocientista francês Stanislas Dehaene, autor de "Os Neurônios da Leitura", que ganhou este ano uma edição brasileira.

 

Dehaene começa sua obra descrevendo o que chama de paradoxo da leitura. Está mais do que claro que nosso cérebro não passaram por um processo de seleção natural que os habilitasse a ler. A primeira escrita, vale lembrar, tem poucos milhares de anos, tempo insuficiente para que tenha deixado marcas mais profundas em nossos genes.

 

Apesar disso, quando enfiamos seres humanos em máquinas de ressonância magnética funcional que escrutinam seu cérebro enquanto leem um texto, verificamos que existem mecanismos corticais bastante especializados nessa atividade. São mais ou menos as mesmas áreas do cérebro que se iluminam em cada fase do processo, independentemente de quem leia o texto e de qual seja o sistema de escrita utilizado.

 

A conclusão é que, de alguma forma, conseguimos adaptar nosso cérebro de primatas para lidar com a escrita. Para Dehaene, operou aqui o fenômeno da reciclagem neuronal, pelo qual processos que surgiram para outras funções foram recrutados para a leitura. A coisa funcionou tão bem que nos tornamos capazes de ler com proficiência e rapidez, obtendo a façanha de absorver a linguagem através da visão, algo para o que nosso corpose mente não foram desenhados.

Antes de continuar, é preciso qualificar um pouco melhor esse "funcionou tão bem". É claro que funcionou, tanto que me comunico agora com você, leitor, através desse código especial. Mas, se você puxar pela memória, vai se lembrar de que teve de aprender a ler, um processo que, na maioria esmagadora dos casos, exigiu instrução formal e vários anos de treinamento até atingir a presente eficiência.

Enquanto a aquisição da linguagem oral ocorre, esta sim, naturalmente e sem esforço (basta jogar uma criança pequena numa comunidade linguística qualquer que ela "ganha" o idioma), a escrita/leitura precisa ser ensinada e praticada.

 

Estudos de neuroimagem conduzidos por Dehaene mostram que existe uma área na região occipitotemporal ventral do hemisfério esquerdo que se especializou em identificar caracteres da escrita, sejam eles alfabéticos ou ideográficos, como no caso do chinês. O neurocientista a batizou de "caixa de letras".

 

A partir daí as coisas só se complicam. O impulso visual é trabalhado por diversas populações de neurônios de forma paralela, ganhando cada vez mais invariância. Nós provavelmente percebemos as palavras a partir de pares de letras, percebidos por neurônios especializados que "gritam" à medida que são ativados. É literalmente um pandemônio neuronal.

 

Outras regiões do cérebro também entram na jogada. Enquanto o pandemônio ocorre, áreas ligadas ao processamento fonológico, ao córtex auditivo e motor, além, é claro, da cognição, que dá sentido aos signos, também são acionadas. Ler é integrar tudo isso através da criação de novas sinapses, que brotam criando avenidas entre as áreas relevantes do cérebro. Não é uma surpresa que exija bastante treino.

O esforço, porém, compensa. Adultos experientes utilizam ao mesmo tempo duas vias de leitura, a fonológica, que se guia pelos sons, e a léxica, que vai diretamente das letras para o sentido.

Já com crianças a coisa é um pouco diferente. De um modo geral, a neurociência ainda não é uma ciência madura o bastante para que dela possamos extrair prescrições para a vida prática. Os meios pelos quais os dados são obtidos ainda são muito grosseiros e a grande variabilidade individual sabota os esforços generalizantes. Mas o que já foi descoberto sobre a leitura é suficiente para afirmar com pouca margem a dúvidas que qualquer bom método de alfabetização precisa ensinar explicitamente o código fonológico. É só quando a criança o compreende e o domina que consegue ler, primeiro pela via sonora e, mais tarde, após gerar muitas sinapses, também pela léxica. É só aí que temos a impressão de ler "naturalmente".

 

Embora estejamos apenas tateando no conhecimento dos processos neurológicos envolvidos na leitura, Dehaene já expõe uma impressionante quantidade de dados e, melhor, uma teoria coerente para explicá-los. Provavelmente, muita coisa ainda vai mudar, mas o que temos já dá margem para "insights" valiosos, tanto para aperfeiçoar nossos métodos de alfabetização e tratamento de dislexias, como para especular sobre a natureza humana.

 

Aprender a ler modifica nosso cérebro. Gerar novas sinapses que integram áreas do cérebro que, no mundo pré-histórico, provavelmente quase não se falavam. Nós começamos desenvolvendo sistemas de escrita que se adaptavam a nosso cérebro, mas, uma vez que a mágica da leitura se disseminou, ela deixou suas marcas em nossas mentes. E marcas bastante profundas. Vários estudos mostram que o cérebro de pessoas que sabem ler funciona de forma diferente do de analfabetos. Especialmente a memória ganha muito com a alfabetização.

 

Embora a turma que cultue a decadência dos tempos não o admita, ao longo das últimas décadas, a inteligência média da humanidade, medida em termos de QI, aumentou bastante. É o chamado Efeito Flynn, que já foi testado e confirmado em 30 países. Se um humano mediano da década de 1910 (que, por definição tinha um QI de 100) fosse trazido para os dias de hoje, sua pontuação seria de apenas 70, no limite do retardo mental. Como os testes de QI são calibrados para que a mediana seja sempre 100, esses ganhos históricos não ficam tão evidentes.Uma possibilidade, totalmente especulativa e que avanço por minha conta e risco, é que a alfabetização em massa, que teve lugar no século 20, pode fazer parte do "blend" que está deixando os seres humanos mais espertos. Seria interessante uma análise estatística que procurasse elucidar esse mistério.

 

De toda maneira, mesmo que a leitura não tenha nos tornado mais inteligentes, é inegável que ela, através das ciências, imprimiu muito mais eficácia às nossas sociedades e, ao mesmo tempo, multiplicou nossas possibilidades de flertar com a transcendência, na forma de filosofia, poesia etc. Mais ainda, ela cria verdadeiras passagens intergeracionais, que integram a humanidade. É a escrita, como diz Dehaene, que nos permite conversar com os mortos com os nossos olhos.

 

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Hélio Schwartsman é bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve na versão impressa da Página A2 às terças, quartas, sextas, sábados e domingos e às quintas no site da .

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escrito no papiro por ACCB às 23:27
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Sábado, 17 de Junho de 2023

a imagem e a ideia

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Há dias a propósito de uma partilha do José Francisco, de um pensamento budista: "Quando sua determinação muda, tudo o mais começa a mover se em direção ao seu desejo".
 
Respondi-lhe :
Tudo é como dançar. Ninguém dança bem com os pés presos ao chão, nem em movimentos acabados. Mal poisam voltam a levantar para novo salto, nova figura, novo estilo. Nem chegam a poisar verdadeiramente, apenas tocam levemente, em novo impulso sem que o passo se chegue a concretizar. Cada passo vale pela preparação do seguinte. Ainda antes de ser alguma coisa, é já outra coisa qualquer.
Na altura faltou-me encontar a imagem que ilustrasse a ideia. Esta, hoje, pareceu-me bem.
 
 
(Texto Surripiado do mural da Filomena Lima )
escrito no papiro por ACCB às 19:09
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2023

A vocação da natureza:

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Tudo começou com o medo de que estivesse deprimida.
E estar deprimida era não aceitar o que os outros achavam normal , era ser diferente e reagir de outra forma, ter olhos diferentes e leituras diferentes, diferenciadas,... mil e uma possíveis mas todas possíveis.
 
Nome completo, idade, profissão, razão...
Razão? A minha a dos outros,... razões. razão? Não sei. Uma sensação de diferença.
 
Vai tomar notas?
Que a traz cá?
 
Vai tomar notas? Não vale a pena. No fim, tudo lhe parecerá um rascunho e precisará de reler e reler. Não vai entender nada. Sei bem que não percebe nada de mim. Pois se nem eu percebo.
 
Não me venha com enquadramentos feitos...olhe não vale a pena, não tome notas:
Vou pagar-lhe as notas que vai tomar e nem à colher todos os dias, uma de manhã e outra ao deitar, o vão ajudar a perceber o que nem eu percebo:
O Sr Doutor sabe definir loucura? E diferença?
E já pensou o que será a imaginação?
Se eu pedisse ao senhor doutor que desenhasse a imaginação que desenhava?
A mentira ou um pássaro? Pois é aí que está a diferença ....
Quando as crianças imaginam dizem que elas mentem.
Se for um poeta,... são pássaros.
Quando um adulto mente não é pássaro nem imaginação,... é mentira.
Eu pago a consulta ao sair, mas não tome notas nem às colheres... uma de manhã e outra à noite.

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 19:04
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2023

Os textos

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É assim que se cosem os textos pela tarde quente de trovoada
 
É a quebra dos sentidos e a mistura das ideias
 
O passar pelo sono numa fração de segundos e pensar que se está noutra dimensão, quem sabe de uma outra vida, tudo misturado, mais leve e mais criativo
 
Quando abres de repente os olhos num súbito sobressalto, ainda estás sentada na secretária mas nada tem que ver com o que te passava pelos olhos enquanto, numa fração de segundos, mergulhavas noutro espaço....
 
É isto que nos fazem as tardes quentes à espera de trovoada, com feriado lá fora e trabalho aqui dentro.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 19:07
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Terça-feira, 13 de Junho de 2023

As datas

 
 
 

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Apercebi-me de repente que perdi o hábito de pôr a data nos textos
 
que escrevinho em papéis soltos ou num assomo súbito de ideias que me parecem boas ou profundas, ou poéticas.
 
 
É um erro. Todo o texto e toda a palavra têm um contexto único de que fazem parte o local, a hora , o dia em que nasceram.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 18:25
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Sábado, 3 de Junho de 2023

Paraíso..............

HOTEL HACIENDA

 

 

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escrito no papiro por ACCB às 17:49
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2023

Rimas por aí

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Há a magia do não saber

 O sobressalto do intuir

E depois há o querer perceber

O não arranjar maneira de o conseguir

 Quebra-se a magia até que tudo seja claridade

 Uma pura e ofuscante verdade

 Quem nunca?

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 16:32
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2023

Tempo de Bifurcação

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  • Qualquer caminho é apenas um caminho, 
  • e não há ofensa para si ou para outros em abandoná-lo se é
  • isto que o seu coração diz a você…
  • Olhe para cada caminho, bem de perto, estudando-o
  • cuidadosamente. Experimente-o quantas vezes você
  • achar necessário. Então pergunte a você mesmo, e
  • somente a você mesmo uma questão …Esse
  • Caminho tem um coração?
  • Se ele tem, é um bom caminho; se não tem, é inútil.
  • (D. Juan, “brujo” Yaqui, orientador de Carlos Castaneda)
  • ___________________

 

Há um tempo de bifurcação em todas as vidas

 

 Não para retroceder mas para decidir como ou para onde avançar

 

 E  estou certa que na parte final da nossa caminhada há uma parte dela que não sabemos como vai ser, mas até podemos intuir as várias formas de o ser, e temos de optar pela vereda mais "praserosa", mais florida, com mais sorrisos com mais livros, e mais música, e mais arte,  com mais amigos e mãos dadas, mais viagens para fazer na descoberta do Todo e do Tudo.

 

 A sensação é a de que não se fizeram todos os caminhos e de que, o que mais se caminhou não vai ficar completo.

Abandonamos o percurso  antes do final porque já nada conseguimos terminar ou, já nada queremos ver

que nos mostre o fundo da rua da Vida

 

Há um tempo de bifurcação em todas as vidas,...

eu escolho a que tem mais Sol e mais descoberda e portanto, a que terá mais desconhecido.

 

ACCB

__________


escrito no papiro por ACCB às 12:02
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2023

As pessoas ...

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Há uma nostalgia nas "pessoas antigas" que nos faz parar entre o que somos e o espaço de imaginar como seremos.
Há nas palavras que nos dizem um percurso feito a sonho realizado ou perdido,.... vá-se lá saber porque filosofia estranha.
Há as que acreditam que podem e realizam, as que realizam e as que genericamente acham que a realização não passa de uma ilusão bonita e enganadora, cheia de perguntas sobre de onde viemos, para onde vamos, o que somos....
Todas sonham,...todas querem, todas vivem para perceber o porquê deste percurso ou, vá-se lá saber porquê, apenas para o realizar.
 
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 23:27
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Passei a Fronteira

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Há um espaço de tempo misturado com um espaço de cadeira em que olhamos o teclado e pensamos que já não há forma de continuar.
Então chegamo-nos para trás e lemos 3 vezes as mesmas frases... e há uma dor que se enfia no ombro esquerdo e um peso de cristal de chumbo no olhar que teima em puxar as palpebras para dentro dos olhos...
É aquela hora em que ou passamos a fronteira...ou...vamos dormir.
______
Mergulho os olhos ao fundo, no mar.
Tem arestas de prata e é tão profundo quanto a noite.
Tiro do papel os ultimos acordes de decisões necessárias, trabalhadas a ferro e fogo pela noite dentro.
Não há aragem porque fechei a janela... nem passos.
Há um fio ténue entre o acordar e o escrever.... Passei a fronteira. Escrevo.
 
 
24 Maio de 2022
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 23:25
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2023

Os Ombros Suportam o Mundo

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( Ombros de Pedra Vitor Morais)

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Carlos Drummond de Andrade 

escrito no papiro por ACCB às 15:33
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Carta

 

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Carta
 
Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu caminho, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias:
"Deus te abençoe", e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
 
 
Carlos Drummond de Andrade
In "Lição de Coisas" 1964
escrito no papiro por ACCB às 15:09
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2023

Necrológio dos Desiludidos do Amor

 

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Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.

Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

escrito no papiro por ACCB às 15:25
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2023

Joaquim Pessoa 17 Abril 2023

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Amei Demais

Madruguei demais. Fumei demais. Foram demais
todas as coisas que na vida eu emprenhei.
Vejo-as agora grávidas. Redondas. Coisas tais,
como as tais coisas nas quais nunca pensei.

Demais foram as sombras. Mais e mais.
Cada vez mais ardentes as sombras que tirei
do imenso mar de sol, sem praia ou cais,
de onde parti sem saber por que embarquei.

Amei demais. Sempre demais. E o que dei
está espalhado pelos sítios onde vais
e pelos anos longos, longos, que passei

à procura de ti. De mim. De ninguém mais.
E os milhares de versos que rasguei
antes de ti, eram perfeitos. Mas banais.

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' Joaquim Pessoa _ Abril 2023
escrito no papiro por ACCB às 12:57
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Quinta-feira, 16 de Março de 2023

Até eu me estranho

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Cruzo-me comigo por aí
Nas palavras que são minhas
E até eu me estranho
porque me visto umas vezes de mim
outras vezes de mim mesma
 
 
Não há em mim muitas
Porque todos somos muitos
ou mais que um
se nos sentarmos connosco.
Temos em nós quantos sonhos?
E quanto Mundo?
 
 
Cansaço seria sermos só um
Aquele que se levanta todos os dias sem horas
Esta que se deita com pressa de dormir e acordar para devorar o tempo
Cruzo-me por aí comigo
todos os dias
E com os comigos de mim
Como o poeta
E até eu me estranho
 
Bom dia.


ACCB
escrito no papiro por ACCB às 00:02
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Sábado, 4 de Março de 2023

Fotografia

"Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida! "
 
FP

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( foto ACCB) - 15 Dezembro 2022
escrito no papiro por ACCB às 18:49
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Horários tardios

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Só às 3 da manhã apaguei a luz
Era uma paz justissima a que se ouvia na rua, só tocada pelo cantar de um rouxinol que tornava tudo mais inclinado,...a minha ida com o cão à rua e o regresso depois de um curto passeio.
Pensei que nunca saboreava aquele som e o que era estar ouvi-lo, precioso como o do rouxinol da Florbela Espanca. E pensei que chegava a casa e iniciava a escrita de um livro, era agora ou nunca, como se o canto do pássaro no silêncio quieto da noite me dissesse que deveria saborear a minha paz e escrever sobre a guerra
Uma guerra a milhares de kms mas no mesmo planeta, com seres da mesma espécie, sangue nas veias e nas guelras....na guelra,...era na guelra....
 
 
Uma imagem de carnificina veio-me à ideia e o silêncio da noite com pássaro ao fundo chamou-me de novo
Sabia que se não começasse o livro agora, já não o faria Eram sempre assim os meus adiamentos ....
E ficava sempre para depois, como o Antonio que queria ir a Gôa antes de morrer mas morreu, sem dar por isso, ...sentado ...num sábado à noite...com tantos escritos na gaveta ....
 
 
Olhei o relógio
Já devia dormir... dormir com as ideias em sobressalto e as notícias a chegarem no tm, lá de longe do frio ..da morte, ..da coragem...do teatro de marionetes....
Frágeis, todos frágeis , mortos a tiro ou de sono, todos frágeis....um laboratório perfeito rasgado em segundos por estilhaços ... para nada.
 
 
Sabia que fecharia os olhos derrotada pelo cansaço e de repente seria dia...
O pássaro teria ido dormir e eu levantar-me-ía formiguinha incansável com alma de cigarra ...
Já me habituara à rotina que contornava com Dead lines, ....Seca!!!!


ACCB O Livro- 2022
escrito no papiro por ACCB às 18:31
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