Quinta-feira, 5 de Março de 2026

António Lobo Antunes 1942-2026

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Era o meu prémio Nobel, o homem que olhava a vida e a dizia com palavras, num emaranhado de ideias e sensações que só quem escreve naturalmente consegue combinar e entrelaçar.
 
Era a voz dos sentidos, das emoções reais, desfiava os dias, que lhe entravam pelos olhos, em papel, como quem dá vida ao que os outros não vêem mas está logo ali, a entrar-nos pelos sentidos dentro.
 
Já tinha percebido que o António não falaria mais do que via e percepcionava,… já tinha percebido que a escrita se lhe secara, já tinha sentido a perda em Vida ……

 
Hoje é quinta feira, dia 5, não 3.3, nem a noite do eclipse lunar que tingiu a lua de vermelho …
Hoje é Março antes de chegar a Primavera, partiu no Inverno oficial já com as amendoeiras em flor…
Hoje é o dia da confirmação do que já adivinhava …do ano de 2026.
 
Resta-nos nos livros que escreveu, fica-nos em tudo o que nos descreve pelos seus olhos que viram a vida… como uma memória de elefante ….
Hoje deixou-nos a última crónica, resta relê-lo para estar com ele.
 
ACCB
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escrito no papiro por ACCB às 09:00
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Quarta-feira, 4 de Março de 2026

Declaração de Interesses

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Não escrevam nada , nem digam nada sobre mim depois de eu morrer, que eu gostasse de ler e ouvir.
 
Tenham lá em conta que não sei bem como será depois, nem sei se, caso continue a minha existência, poderei ter energia para vos ler ou voltar a ouvir.
 
Digam-no já, no dia dos meus anos ou noutro dia qualquer, pode ser no Natal ou no Verão quando os dias são longos e há muito tempo para dizer...
 
Mas façam-no em tempo e com tempo e durante a existência palpável, visível e compreensível para que não haja nada que se perca e tudo se transforme.
 
 
 
 
E lido o seu depoimento, retifica, ratifica e assina
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 00:52
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1 Março 2026/3.3.26

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Os discursos de firmeza bélica e ameaça nuclear nem em francês têm piada.

Sinceramente como se pode falar em utilização de arsenal nuclear em defesa de interesses vitais?

Que jogos são estes de o meu arsenal é maior que o teu?

E andam alguns preocupados com quem é que decide virar à esquerda ou à direita, entrar numa loja ou noutra, usar saia curta ou comprida, ser mais ou ser menos, ter mais do que, e conseguir melhor.......

O que fazer para o jantar....

Haverá jantar?

ACC

escrito no papiro por ACCB às 00:23
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Segunda-feira, 2 de Março de 2026

Inutilidades

 
As mulheres vão às compras
Os homens ao Futebol
As mulheres têm os filhos,...cuidam e protegem a Família
..............
Os homens.... vão à Guerra ..... morrer e matar.
Inutilidades
 
 
ACCB
 
 
Foto de Fernando Correa dos Santos
 

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escrito no papiro por ACCB às 00:26
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Domingo, 1 de Março de 2026

Tropeço

 
 
 
 
Subitamente tropeço em mim. Acontece-me muitas vezes este tropeçar súbito. No voltar de folha de um livro, na afirmação de um amigo, no poema que rabiscaram no papel...
 
Tropeço e fico me a pensar no que significo, como é estranho nunca ter dado por mim naquela forma, naquele estado ou naquela circunstância. Mas sim, o que ali está sou eu, como é possível nunca ter dado por isso antes?...
 
Será que já me conheciam ou limitaram se a escrever um passado que de súbito se materializa em presente?...ou tinham descoberto antes de mim que eu era assim ou eram afinal como eu, iguais a mim,....
 
 

E quando isto acontece, tenho pena de que não tenha acontecido antes, no tempo em que nem dava por mim...tudo era novo e eu ali, sem saber que o que realmente me faltava era tropeçar em mim.
Bom almoço

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 22:38
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Como o Sol a Pôr-se

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Os homens sábios têm, antes de o ser, o rosto sereno, bem delineado, olhos frontais e vivos, sorrisos calmos e pensativos, mãos reflexivas e passos seguros.-

Depois, com o tempo, tornam-se sábios e caem as sobrancelhas para cima do nariz, curvam-se os lábios sobre o sorriso e os olhos vivos e frontais tornam-se profundamente perscrutadores das almas...

Reparei que os cabelos também mudam de tom e ficam enluarados muito mais cedo.

Os homens sábios têm uma forma de entardecer que me ilumina e me deixa numa contemplação longa do tempo.... como se o sol esta tarde não passasse nunca mais a linha do horizonte e o momento em que o dia adormece se tornasse infinito...

...Multiplicam-me os segundos e aceleram-me o metabolismo...

Fico sempre à espera de sentir os meus olhos ( um dia ) como  perscrutadores de almas...

espero  enquanto as minhas sobrancelhas não caem para o nariz e as minhas mãos em reflexão contemplam o pôr do sol.....

22 de Janeiro de 2012

 ACCB 

escrito no papiro por ACCB às 18:25
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

ÍTACA

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Ilha de Ítaca, na Grécia, destino na Odisseia de Homero.

 

ÍTACA

Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestregónios, e mais monstros,
um Poseidon irado – não os temas,
jamais encontrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestregónios, e outros monstros,
Poseidon em fúria – nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.

Deves orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colónias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes subtis de toda a espécie:
compra desses perfumes quanto possas.
E vai ver as cidades do Egipto,
para aprenderes com os que sabem muito.

Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apresses nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
rico do que foi teu pelo caminho,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.

Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca, não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.

Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.

Konstantínos Kaváfis
Tradução de Jorge de Sena

 

escrito no papiro por ACCB às 13:26
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026

Mote e Glosa

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Mudam-se os ventos e a maré está vazia
 
 
 
Dizem que às vezes a maré é chã
deixa nervuras na areia, cristalinas e finas, pela manhã ...
Nas conchas, quando escutas
Mudam-se os ventos
Achas que gritam e assobiam
descalça sentes melhor os passos que dás
 
descobririas oceanos não fora o medo
Perguntam se queres ir....
E desculpas-te:- A Maré está vazia......
 
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 23:42
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Impressão Minha

Pode ser arte

 

 

É impressão minha ( que não sei nada de Finanças), ou Trump e os EUA estão a começar a ficar isolados no cenário mundial e o Mundo está inclinado à China, ou a China já circula no Mundo enquanto Putin ganha terreno.......

Deve ser impressão minha ou "golpe dos MEDIA".

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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O Gato Preto e o Branco

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E cuidei que não me viam, afinal eu estava de costas...
Até na fuga dava sempre as costas.
Nem o reflexo dos meus olhos, nem as minhas orelhas atentas
Afinal tinham a porta entreaberta, era sempre para eu entrar?....
E se eu fosse? Eu ía sempre....
OU era para eu sair?
Cá fora o dia estava demasiado branco
O reflexo da luz ofusca qualquer um... e cuidei que não me viam
O som estava na sesta
e eu estava metade na claridade, metade na sombra
Não me viam de certeza!
Nem à minha curiosidade, nem à sede que já sentia
Entro? Não entro? E lá dentro? Fujo? Como? Escuto?
Cheira sempre a mentol e baunilha, flor de laranjeira, caril......
Há gargalhadas e sedas a passar...
É tudo tão branco e eu até estou de costas
O som dorme e a claridade cose-se com a sombra....
Há um som de água cristalina,... tenho sede.
Entro sempre. Afinal é tudo tão branco que não dão por mim.
Tenho ciúmes é o que é.
Desde que as crianças começaram a nascer o meu espaço ficou mais pequeno...
Na verdade não quero que me vejam Entro e fujo...
Afinal é tudo tão branco que a minha dona nem dá por mim...


ACCB
escrito no papiro por ACCB às 23:32
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026

Para ser feliz

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Uma linha entre dois azuis
para cá mar, para lá infinito
 
Sol por cima do ombro
para não toldar os olhos
 
Uma temperatura temperada de 28 graus
Um livro ao lado
para o que der e vier
um Lápis... e uma folha de papel
 
 
Preciso de inverter o compasso do relógio
Talvez pará-lo
Não lhe dar corda nem pilha....
Esquecê-lo.... ignorá-lo....
 
 
Ah! E uma garrafa de água.... nunca fria.
óculos escuros e um café bem tirado.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 19:56
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O Tempo

Quarta feira....é o dia de arrumar a casa e, surpreendentemente é o dia de recomeçar a arrumar a casa. Entrega-se o trabalho de uma semana recomeça o trabalho de uma semana... E pelo meio, os livros, os filhos, os escritos, os amigos, a mãe... a mãe e o tempo que foge nela... a falta de tempo.. o tempo... O Tempo é tão jovem e vive tão pouco...
 
E às vezes é tão antigo e cai dos nossos olhos...
 
E cai dos nossos joelhos e não temos como o segurar... Foge-nos e inquietantemente marca-nos...
O tempo é.... tão súbito e à quarta feira é mais súbito ainda.
 
Se eu tivesse um mecanismo qualquer onde o pudesse travar...suspender quando me desse jeito e olhá-lo nos olhos...perguntar-lhe pelo futuro, pelos livros que ainda não li e quero ler... pelo tempo que quero ter... e não tenho...
 
E falar-lhe do passado, torná-lo vivo... e tocar as mãos dos que já partiram... ouvir-lhes as vozes em 3 dimensões e não só na dimensão da memória...
O tempo é tão súbito à quarta feira e precipita-se a semana inteira..............
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 18:59
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026

DAVOS

 

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No dia 20 de janeiro de 2026, em Davos, na Suíça, Mark Carney, primeiro-ministro canadiano, proferiu um discurso que ficará para a história, marcando uma nova era do poder geopolítico global.

Segue o texto integral do discurso traduzido.

 

"É um prazer – e um dever – estar convosco neste momento decisivo para o Canadá e para o mundo.

 

Hoje, falarei da rutura na ordem mundial, do fim de uma bela história e do início de uma realidade brutal onde a geopolítica entre as grandes potências não está sujeita a quaisquer restrições.

Mas também vos afirmo que outros países, particularmente as potências médias como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados.

 

O poder dos menos poderosos começa com a honestidade.

Todos os dias somos recordados de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências. De que a ordem baseada em regras está a desaparecer. De que os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem.

Este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável – a lógica natural das relações internacionais a reafirmar-se. E perante esta lógica, existe uma forte tendência para...” Países que se conformam para manter a harmonia. Para se acomodarem. Para evitar problemas. Para esperar que a conformidade lhes garanta segurança.”

Não garante.

 

Então, quais são as nossas opções?

Em 1978, o dissidente checo Václav Havel escreveu um ensaio intitulado "O Poder dos Sem Poder". Nele, colocou uma simples questão: como se sustentava o sistema comunista?

A sua resposta começa com um vendedor de legumes. Todas as manhãs, este comerciante coloca um cartaz na montra: "Trabalhadores do mundo, uni-vos!". Ele não acredita nisso. Ninguém acredita. Mas coloca a placa na mesma – para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para manter a harmonia. E como todos os comerciantes de todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.

Não apenas pela violência, mas pela participação de pessoas comuns em rituais que sabem, em particular, serem falsos.

 

Havel chamou-lhe "viver dentro de uma mentira". O poder do sistema não provém da sua verdade, mas da disposição de todos para agir como se fosse verdade. E a sua fragilidade provém da mesma fonte: quando mesmo uma única pessoa deixa de agir — quando o vendedor de legumes retira a sua placa — a ilusão começa a ruir.

Está na hora de as empresas e os países retirarem as suas placas.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos uma ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, enaltecemos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Podíamos prosseguir políticas externas baseadas em valores sob a sua proteção.

Sabíamos que a história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa. Que os mais fortes se isentariam quando lhes conviesse. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variável consoante a identidade do arguido ou da vítima.

Esta ficção era útil e a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança conectiva e apoio a estruturas de resolução de litígios.

Por isso, colocámos a placa na montra. Participamos nos rituais. E, em grande parte, evitou-se apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade.

Este acordo já não funciona.

 

 

Deixem-me ser direto: estamos no meio de uma rutura, não de uma transição.

Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas áreas das finanças, da saúde, da energia e da geopolítica expuseram os riscos da integração global extrema.

Mais recentemente, as grandes potências começaram a utilizar a integração económica como arma. Tarifas como alavanca. Infraestrutura financeira como coerção. Cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a explorar.

Não se pode “viver na mentira” do benefício mútuo através da integração quando esta se torna a fonte da sua subordinação.

As instituições multilaterais em que as potências médias se apoiavam — a OMC, a ONU, a COP — a arquitetura da resolução coletiva de problemas — estão bastante enfraquecidas.

Como resultado, muitos países estão a chegar às mesmas conclusões. Devem desenvolver maior autonomia estratégica: na energia, nos alimentos, nos minerais críticos, nas finanças e nas cadeias de abastecimento.

Este impulso é compreensível. Um país que não consegue alimentar-se, abastecer-se ou defender-se tem poucas alternativas. Opções. Quando as regras deixam de te proteger, precisas de te proteger.

 

Mas sejamos realistas quanto às consequências disso. Um mundo de fortalezas será mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a pretensão de regras e valores em prol da busca desenfreada de poder e interesses, os ganhos do "transaccionalismo" tornar-se-ão mais difíceis de replicar. As potências hegemónicas não podem rentabilizar os seus relacionamentos continuamente.

Os aliados diversificar-se-ão para se protegerem da incerteza. Contratarão seguros. Aumentarão as opções. Isto reconstrói a soberania – soberana.

A segurança, que antes se baseava em regras, estará cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

Como disse, esta gestão clássica do risco tem um preço, mas este custo da autonomia estratégica, da soberania, também pode ser partilhado. Os investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que cada um construir a sua própria fortaleza. Os padrões partilhados reduzem a fragmentação. As complementaridades são um resultado positivo.

A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se se devem adaptar a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos – ou se podemos fazer algo mais ambicioso.

O Canadá foi dos primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a mudar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a nossa antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e as nossas participações em alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

 

A nossa nova abordagem baseia-se naquilo a que Alexander Stubb chamou “realismo baseado em valores” – ou, dito de outra forma, procuramos ser pautados por princípios e pragmáticos.

 

Comprometidos com princípios fundamentais: soberania e integridade territorial, proibição do uso da força, exceto quando compatível com a Carta da ONU, e respeito pelos direitos humanos.

 

Pragmáticos ao reconhecer que o progresso é muitas vezes gradual, que os interesses divergem e que nem todos os parceiros partilham os nossos valores. Estamos a envolver-nos de forma ampla, estratégica e com plena consciência. Enfrentamos o mundo tal como ele é, sem esperar por um mundo idealizado.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a sua profundidade reflita os nossos valores. Privilegiamos um amplo envolvimento para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que representa e as consequências para o futuro.

 

Já não nos apoiamos apenas na força dos nossos valores, mas também no valor da nossa força.

 

Estamos a construir essa força internamente.

Desde que o meu governo assumiu o poder, reduzimos os impostos sobre o rendimento, as mais-valias e os investimentos empresariais, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar um bilião de dólares em investimentos em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais.

Estamos a duplicar os nossos gastos com a defesa até 2030 e a fazê-lo de forma a fortalecer as nossas indústrias nacionais.

Estamos a diversificar rapidamente as nossas operações no exterior. Estabelecemos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE, o acordo europeu de aquisição de defesa.

Nos últimos seis meses, assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes.

Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Qatar.

Estamos a negociar acordos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

Para ajudar a resolver problemas globais, procuramos uma geometria variável — diferentes coligações para diferentes questões, baseadas em valores e interesses.

 

Em relação à Ucrânia, somos um membro central da Coligação dos Dispostos e um dos maiores contribuintes per capita para a sua defesa e segurança.

Sobre a soberania do Árctico, apoiamos firmemente a Gronelândia e a Dinamarca e defendemos integralmente o seu direito singular de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5 é inabalável.

 

Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os oito países nórdicos e bálticos) para reforçar ainda mais as fronteiras norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes do Canadá em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas terrestres. O Canadá opõe-se veementemente às tarifas sobre a Gronelândia e defende negociações focadas para alcançar objetivos comuns de segurança e prosperidade para o Árctico.

Sobre o comércio plurilateral, estamos a defender os esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1,5 mil milhões de pessoas.

Sobre os minerais críticos, estamos a formar clubes de compradores ancorados no G7 para que o mundo possa diversificar as suas fontes de fornecimento, reduzindo a concentração da oferta.

Em relação à IA, estamos a cooperar com democracias que partilham os mesmos ideais para garantir que, no final do dia, não somos forçados a escolher entre hegemonias e hiperescaladores.

 

Isto não é multilateralismo ingénuo. Nem se trata de depender de instituições fragilizadas. Trata-se de construir coligações que funcionem, questão a questão, com parceiros que partilhem pontos em comum suficientes para agirem em conjunto. Em alguns casos, esta será a grande maioria das nações.

E trata-se de criar uma densa rede de ligações em comércio, investimento e cultura, da qual nos podemos socorrer para futuros desafios e oportunidades.

As potências médias devem agir em conjunto porque, se não está à mesa, está no menu.

 

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm a dimensão do mercado, a capacidade militar e a influência para ditar as regras. As potências médias não. Mas quando negociamos apenas bilateralmente com uma hegemonia, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos entre nós para sermos os mais complacentes.

Isto não é soberania. É o exercício da soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países intermédios têm uma escolha: competir entre si por favores ou unir-se para criar um terceiro caminho com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder coercivo nos impeça de ver que o poder da legitimidade, da integridade e das regras se manterá forte — se optarmos por exercê-lo em conjunto.

O que me leva de volta a Havel.

O que significaria para as potências médias “viver na verdade”?

 

Significa nomear a realidade. Pare de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse como anunciado. Chame-se o sistema pelo que ele é: um período de intensificação da rivalidade entre grandes potências, onde as mais poderosas perseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir de forma consistente. Aplique os mesmos padrões aos aliados e rivais. Quando as potências médias criticam a intimidação económica vinda de uma direção, mas se calam quando ela vem de outra, estamos a ignorar o aviso.

Significa construir aquilo em que afirmamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, devemos criar instituições e acordos que funcionem como planeado.

 

E significa reduzir a influência que permite a coação. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de qualquer governo. A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é a base material para uma política externa honesta. Os países conquistam o direito de adotar posições baseadas em princípios ao reduzirem a sua vulnerabilidade a represálias.

O Canadá tem o que o mundo deseja. Somos uma superpotência energética. Possuímos vastas reservas de minerais críticos. Temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um governo com imensa capacidade fiscal para agir com decisão.

E temos os valores a que muitos outros aspiram.

 

O Canadá é uma sociedade pluralista que funciona. A nossa esfera pública é vibrante, diversa e livre. Os canadianos continuam comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e de confiança — num mundo que é tudo menos isso — um parceiro que constrói e valoriza relações de longo prazo. O Canadá tem algo mais: o reconhecimento do que está a acontecer e a determinação em agir em conformidade.

Entendemos que esta rutura exige mais do que adaptação. Exige honestidade sobre o mundo tal como ele é.

Estamos a tirar a placa da janela.

A velha ordem não voltará. Não devemos lamentá-la. A nostalgia não é estratégia.

Mas, a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo.

Esta é a tarefa das potências médias, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.

Os poderosos têm o seu poder. Mas nós também temos algo – a capacidade de parar de fingir, de nomear a realidade, de construir a nossa força internamente e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo abertamente e com confiança.

E é um caminho escancarado para qualquer país disposto a trilhá-lo connosco.

 

Mark Carney, primeiro-ministro canadiano

escrito no papiro por ACCB às 20:43
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"Cortem-lhe a cabeça!"

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( Foto de José Luis Outono)
 
 
Descabeçadas... é o que elas estão, as ondas políticas ali para o lado
em que o Sol se põe e nos deixa no horizonte o sonho com o amanhã....

Sem norte, e sem sul, só com braços agitados e gritos de aço estão elas...


Mas há sempre alguém
alguém que vigia as marés e os dias
Há sempre uma luz que não se apaga ,... alguém que pensa por si...

Dizem uns que se chama Coragem...
Outros, que não sabem se tem nome....
Outros que se chama Esperança... essa nunca morre.

Quiseram roubar-lhe a Independência, a vontade, o sentir,...
O Norte.... mas ela continua lá ainda que só
E dá luz.... e aquece.... e pode ser que ilumine.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 17:17
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026

Estar do lado de Dentro da Vida

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Olhas de olhos pensativos...
O tempo é tão escasso e ainda por cima chove lá fora
Apetece-me uma manta nos joelhos, como quando somos velhos e temos um gato e uma lareira
Apetece o aconchego de uma chávena quente com qualquer coisa doce lá dentro
 
 
Em vez das teclas frenéticas e do ecrã luminoso, em vez dos pensamentos rápidos e das decisões urgentes...
O tempo é tão escasso e perde-se no emaranhado dos dias
Às vezes em inutilidades afiadas e sem sentido, em raivas de frenesim que são chuva ácida no coração molhado
 
 
Olhas de olhos pensativos...
Num espaço à tua frente, à espera dos teus dedos no teclado,
podes ter a tal manta nos joelhos ( como quando somos velhos), procura um gato ( dão-nos sempre atenção e não perdem nada do tempo), aproveita o espaço e o tempo
Quando parar de chover sai para o Mundo mesmo que digam que está em guerra
 
 
O que eles querem é que não tenhas os olhos pensativos
Querem que não enxergues a libertação das almas
Querem que sigas todas as regras
Que não questiones a regularidade das coisas
 
 
Não há forma de o fazerem
Isso é para quando somos velhos, e essa altura é nossa, não é de quando o dizem que deve ser...
Voltamos lá e regressamos as vezes que quisermos....
Agora e sem inutilidades afiadas e chuvas ácidas,... deixa que chova lá fora porque as tempestades fazem parte dos dias
e é bom estar do lado de dentro da Vida e ver chover.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 17:41
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026

Pensamento do dia!

 
"Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante.
 
Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido.
No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso.
 
Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos."
 
Liev Tolstói
escrito no papiro por ACCB às 13:48
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Sábado, 17 de Janeiro de 2026

A VERDADE



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«Quantas coisas, que temos por certas ou justas, não são mais que os vestígios dos nossos sonhos, o sonambulismo da nossa incompreensão! Sabe acaso alguém o que é certo ou justo? Quantas coisas, que temos por belas, não são mais que o uso da época, a ficção do lugar e da hora? Quantas coisas, que temos por nossas, não são mais que aquilo de que somos perfeitos espelhos, ou invólucros transparentes, alheios no sangue à raça da sua natureza!
Quanto mais medito na capacidade, que temos, de nos enganar mais se me esvai entre os dedos lassos a areia fina das certezas desfeitas. (…)
Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de porque se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e o outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão.
Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.»
 
Fernando Pessoa [Bernardo Soares], Livro do Desassossego.
escrito no papiro por ACCB às 00:36
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2025

Dezembro por aqui

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É Lisboa, o balão da “LANALGO” e o casaquinho abotoado até ao pescoço
com a gola e os punhos de veludo

 verde.

É o Chiado rua acima, calçada abaixo,
montras de vidro com


brinquedos

É a escolha dentro das luvas e dentro do bolso
A ideia que não vem sobre


o presente embrulhado em fita

É o velho deitado na rua agora que cresceste
Tem um cão ao lado, tão inativo quanto ele
Aos dois basta a comida suficiente para não morrer


na noite fria

É o Mundo que não tem todo o mesmo verde
os mesmos brinquedos
o mesmo presente embrulhado em fita
Mas tem todo a mesma noite fria

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2025

Salto Alto

 

 

 

 

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Era o salto, o toque do salto no chão, …..

O mesmo som de sempre ainda que a pose tivesse mais 7 kg de leveza ou mais uns tantos anos de vivência.
Mas era o mesmo toque do salto e o mesmo diâmetro de capa com o mesmo ritmo, inconfundível.

Nem viraram a cabeça , sabiam quem era, iria chegar parar e dizer: Bom dia!!! Teria o mesmo sorriso e o mesmo olhar com mais traços a carvão de desenho da vida, mas era a mesma.

Depois subiria a escadaria, sempre com o apoio na ponta do pé e o salto em destaque mas suspenso.
De leveza….
A linha recta até ao cabelo já não era a mesma de tantos anos à secretária, mas era a mesma afirmação, ainda, no andar.

Tinha dito à melhor amiga: quando morrer já sabes, vou de saltos altos, confirma! Prometes?!

ACCB
Num dia de chuva e frio

escrito no papiro por ACCB às 17:51
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2025

Cansaço

 

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Passo os olhos pelas notícias, depois por alguns perfis das redes sociais,... assim como quem passa os olhos pelo veludo azul escuro,... cansados, os olhos, e amorfo o veludo.
Tudo junto dá uma tinta pastosa triste, sem parágrafos, sem nada que apele ao sol que hoje decidiu não estar por aqui onde me aquece as costas, a alma e a imaginação.
A imaginação ...
 
Salva-se o dia porque decidiu chover. Na verdade a envolvência da tarde numa espécie de nevoeiro cinzento apesar do calor, dá um certo brilho ao veludo por onde deixo escorrer o olhar.
Nada de novo por aí... a torrente das opiniões não tem fulgor,.. pensam todos da mesma forma e ou gritam uma coisa aqui e outra ali, mas gritam todos a mesma coisa.
Como se os cérebros não tivessem opinião,... talvez não tenham olhos..........
 
 
A alguns já os conheço pelo modo como escrevem, sempre no mesmo tom, uns mais moralistas, outros mais morais, outros despidos de moral... .
É por isso que tudo junto dá um tom triste de tinta a óleo, sem parágrafos, sem fulgor,... que apenas escorre......
 
 
Falta uma Ágora em que as palavras batam nas paredes e façam ecos que firam os tímpanos, sem medos e sem polimentos, sem rebanhos,... sem acenar de cabeças num politicamente correto oportunista e bafiento, ou numa maré de modas descabidas e cegas.
Sentava-me agora e ficava a ouvir chover. Vou ler.
 
ACCB
 
 
escrito no papiro por ACCB às 09:04
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2025

30.09.25

escrito no papiro por ACCB às 10:15
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Domingo, 28 de Setembro de 2025

17% / 80%

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“Vemos estes refugiados, esta pobre gente que escapa da guerra, da fome, mas essa é a ponta do icebergue.

Porque debaixo dele, está a causa; e a causa é um sistema socioeconómico mau e injusto, porque dentro de um sistema económico, dentro de tudo, dentro do mundo - falando do problema ecológico, dentro da sociedade socioeconómica, dentro da política, o centro tem de ser sempre a pessoa.

E o sistema económico dominante, hoje em dia, descentrou a pessoa, colocando no centro o deus dinheiro, que é o ídolo da moda. Ou seja, há estatísticas, não me recordo bem (isto não é exacto e posso equivocar-me), mas 17% da população mundial detém 80% das riquezas”.


Francisco
escrito no papiro por ACCB às 18:36
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Cansaço, ... eu também


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Obra de Solve Sundsbo (fotógrafo norueguês).

Estou cansada...
Cansada de não ter o mar nos pés há mais de um mês
Cansada do Sol que se passeia lá fora e eu,...
eu na secretária
Dormente de papéis feitos e por fazer
Alguns sem princípio nem fim
Papéis, apenas papéis que nem resolvem nada
Estou cansada da vontade de me ausentar daqui
Do ter de ficar porque tem de ser
E do não valer a pena continuar a fingir
que se resolve o que não tem solução

Não é o cansaço desalentado do Álvaro de Campos
Nem o abandono do poeta
É o cansaço agarrado à cadeira da secretária
e à secretária que se ri e vomita papéis
E o ecrã do Pc que mistura letras
E os olhos que pesam toneladas de sonhos lá fora...
Acho que adormeci a seguir ao almoço...
Devo estar cansada...


ACCB
escrito no papiro por ACCB às 18:12
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As rugas

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É nos olhos....


É nos olhos, acho que é nos olhos ou no sorriso dos olhos.
É aí que se mantém o tempo da infância e da juventude.

Tudo o mais é passagem.

Encontramos os amigos e eles estão dentro dos olhos deles connosco e com as recordações,
as marcas da vida que deixámos por lá
e as saudades que ficam de tudo o que vivemos juntos.

Os amigos não "envelhecem"
eles vivem connosco dentro do sorriso dos olhos.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 18:08
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2025

Ao William ( faz anos.........)

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 Partiste com o Nascer do Sol. Deve ter um significado qualquer que não vislumbro, partir a esta hora.
Talvez porque nunca partirás....
Ninguém vai quando está a chegar... Ou vai? Mais tarde ou mais cedo todos vamos.... alguns permanecem... outros,
nunca ficaram nem ficarão por cá.

leva um beijo
Uma recordação de momentos só nossos, amigo Gargalhadas sinceras e partilhas de verdade.............mãos abertas para nós em horas difíceis
Presenças sempre certas
Na Vida como na morte há uma simbologia que nem todos sabem ver....
É só para as almas puras.
A tua deixa um sorriso largo e sincero no ar e a certeza de que há sentimentos eternos.

(Ao William um sempre)

Domingo, 24 de Setembro de 2006

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escrito no papiro por ACCB às 16:19
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2025

Orelhas de Gato

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Festinhas de gato
Comeste tudo
Não deixaste nada para mim........

Vem-me à memória uma lenga lenga batida ... mas não vem porque hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.
Não vem porque a vida não é resto nunca... é Vida.
È a Vida sempre a existir-se, a criar-se, a ganhar e mudar de forma.


Li há dias que um astronauta que observou a terra do espaço ( não me lembro o nome dele, que raio, ando a esquecer-me de nomes!... Mas ja me esquecia antes), chegou á conclusão que não temos a noção de como somos todos UM, no sentido de que somos todos o Universo e não formas independentes. A existência de cada um, de cada planeta, de cada estrela, depende do equilíbrio comum, e mais, enquanto nao entendermos isto, a Guerra, os conflitos, os confrontos, nunca acabarão.


Orelhas de gato,.... uma fotografia a preto e branco da Licínia Quitério que me lembra um ser maravilhoso que viveu comigo 14 anos, um ser que acabou por fazer parte de mim como ambas fazemos parte do Universo.
Creio que é assim,.... nesta vivência materializada e na outra, fazemos parte de Um Universo, um Todo.
Quando deixaremos de ferir as restantes partes? Quando os orgãos entram em falência o corpo esvai-se, enfraquece, adoece...

Orelhas de gato ....
.......a preto e branco.


O que uma fotografia pode fazer ao pensamento.

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 12:16
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2025

100 anos de Natália

Qual o poema dela que gostas mais?
Não sei
Não posso gostar mais só de um poema.
Eu gosto de poemas e quando leio um de que goste, preciso ler outro e outro e outro…E, depois, eu gosto da Natália … porque gosto da escrita dela e dela pela liberdade que respirava e usava como entendia.
Há sempre uma marca do ou da poeta no que escreve… .
Há sempre a alma deles no que escrevem, por isso é que escrevem poesia
Escorrem para o papel e pelo papel, enovelam-se nas pequenas conversas, ou nas grandes, com gente calma, com gente intelectualmente rica, desfiam-se em imaginações incontroláveis…sós ou com audiência ou a sós com o papel e o silêncio
As coisas do Mundo só os prendem se estão apaixonados ou revoltados, ou tristes, ou indiscritívelmente felizes.
Que tinha Natália em si que se afirmou no seu tempo só por si, pela sua opinião, pela escrita e ainda juntou, a tudo isto, um cigarro, provocador e afirmativo?
Talvez porque «a poetização das coisas não é senão o aperfeiçoamento delas. É para isto que se faz poesia e não para com ela se fazer literatura».
Um poema?
No Mundo da escrita, os grandes têm oceanos de palavras.
ACCB
______

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Senhores juízes sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.
Sou o vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.
Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.
Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.
Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.
Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não verei.
Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.
Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.
Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de paixão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.
Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.


Correia, Natália (1993). O Sol nas Noites e o Luar nos Dias
escrito no papiro por ACCB às 15:11
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Domingo, 7 de Setembro de 2025

Manhã de chuva

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Há uma arrumação da vida no silêncio da manhã de domingo, só porque choveu e às 8 da manhã a maioria ainda dorme.
 
Há um som dos pneus a salpicarem o que resta da chuva que caiu durante a noite.
O ar está límpido, não há sol e já caímos para o fim do Verão…
Mas sabe bem, … o dia tem ainda tantas horas pela frente.
Até o sino da igreja ainda dorme.
 
Aposto que Lisboa, que nunca está parada, se aquieta com esta manhã de chuva noturna.
Às vezes sabe bem ter pássaros lá fora no meio das folhas, sem gente na rua, os telhados, lá ao fundo, molhados, e a janela aberta …
 
Respira.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 07:43
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2025

O Elevador da Glória

“Daquilo que está por baixo
Até ao que fica no alto
Vão dois carris de metal
Na calçada de basalto
Desde este lugar sem história
Até um lugar na história
Vão apenas dois minutos
No elevador da glória
Duma existência banal
Até às luzes da ribalta
Há dois carris de metal
Desde a baixa à vida alta”
______
 
Lisboa tem destas coisas…
 
Uma luz maravilhosa que por vezes esmorece com desgostos grandes
Tanta história nestas ruas, tantas vidas nestas histórias
 
É difícil aceitar quebras numa vida citadina que parece sempre certa e glamorosa, ruas que cheiram só a Verão ou a Natal como se Lisboa não tivesse Primavera nem Outono.
 
Olhos que a procuram, passos que a buscam, e ao fado, e à calçada portuguesa, à luz que o Tejo reflete… .
 
 
Hoje a calçada da Glória desmoronou-se… .
Silêncio.
 
ACCB
 

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escrito no papiro por ACCB às 19:33
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Não escrevas muito

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Não escrevas muito,... ... sabes, afinal o toque é desconhecer o que vais escrever.
 
Basta dizer o que estás a sentir numa linha ou, contar um sentimento … assim:
“Era um dia que dava para o mar”.
 
Sentes tudo o que tem esta afirmação ?! E será uma afirmação ou uma dúvida que ganha forma em ti porque, nem sabes que mar, nem de onde para o mar, nem se dava para o mar em terra firme ou de um navio, ou de uma janela, ou só da memória do mar, ou da memória do dia … que dava para o mar… .
 
Já viste o que tem dentro esse sentimento? Não é um sentimento?
É um dia?
Se era um dia que dava para o mar só pode ter sido um dia feliz … a memória presa no tempo verbal é que soa nostálgica … e o sentimento é de saudade…
 
A saudade não é um sentimento?
 
Mas se me dizes “ era um dia que dava para o mar”, estás inevitavelmente a falar de sentimentos, e de ti, e de quem te deixou essa marca desse dia que dava para o mar.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 18:49
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O Verão

 
 

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Quando o Verão chega...
as longas tardes espalham-se pelo coração e
as palavras não precisam ser ditas....
As tardes trazem todas as palavras...
e as palavras ficam até tarde....
 
 
ACCB
2007
escrito no papiro por ACCB às 18:43
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2025

Os escritores

Morreu o filho de Érico Veríssimo.
 
Assim que lhe ouvi o nome lembrei-me dos Lírios do Campo.
 
Luís Fernando Veríssimo terá um estilo bem diferente do estilo coloquial do pai, ou talvez não.
Um escritor é assim como uma fonte de imaginação, desconcertantemente inesperada e inesgotável a não ser que,... lhe desliguem a "corrente elétrica."... Um escritor diz-nos coisas que já sabemos de uma forma elaborada ou simples que nos atingem independentemente da forma.
 
Parecem seres que já viveram todas as vidas ou que todas as vidas habitam neles.
Têm um olho clínico de tanto pararem em observação e necessidade de entendimento do Outro... sabem tudo e, até se assemelham a oráculos, como se tivessem viajado no tempo, ido ao futuro e voltado.
 
Não sei o que buscamos nos livros mas sei que encontramos a análise de muitas coisas que não conseguimos compreender e nem conseguimos expressar. Eles sabem como e conhecem-nos por dentro.
Sabem dos medos das mulheres e das inseguranças dos homens, sabem da terrível tendência do Mundo para o Poder e para o dramatismo, sabem do tempo e da forma como nos deixamos conduzir por ele, sabem o que sentem as vítimas de crime e conseguem saber o que pensam pessoas que cometem crimes...Sabem de coisas que já pensámos e sentimos e escrevem-nas sossegando-nos a alma.
 
Eles têm muitas vidas dentro deles, só podem viver constantemente outras vidas,... aposto que não dormem, devoram cigarros e encharcam-se em café. Comem?!
 
Creio que eles próprios não sabem dessas proezas que praticam, não se limitam a narrar, eles fazem afirmações e criam pessoas e perfis,... às vezes, fico com a sensação de que são todas as suas personagens... só assim podem conhecê-las tão bem.
 
E não se preocupam, não trabalham nem fiam, porque o que fazem dias a fio não é trabalhar, é viver em cada nova resma de folhas com gente dentro.
E, no entanto, deixam rasto, deixam saudades, deixam memórias, deixam obra...
Serão como os lírios do campo?
 
 
ACCB
 

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escrito no papiro por ACCB às 18:47
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2025

Agosto não foi um grande 31.

 
Agosto não foi um grande 31.
 
 
Foi sorvido pelos dias no meio de ventos e marés que arrancaram o fundo ao mar já no final do mês.
Já passou (parece a canção da Elsa do Frozen), foi-se muito de repente, num ar que lhe deu.
Nostalgia ou melancolia ou não saber o que se fez de cada dia, é a sensação que fica.
Continuo a sentir que o melhor de todas as férias é o projetar e o guardar recordações .
 
Há uma necessidade tão grande de momentos bons que acabamos por sentir que nos passam pelos dedos, como água, e não se conseguem agarrar... .
 
Não sentiram que o mês correu desalmadamente por entre manhãs de praia, livros, passeios curtos à noite, refeições, cafés ?!...
 
As refeições então, só valem a pena se for para ficar à volta da mesa a contar memórias e a rir de nós mesmos e do que já não se repete ou, a fazer projetos , de viagens de preferência que o tempo é curto e endoideceu,... tão depressa é manhã como já temos de ir dormir de novo......
 
As refeições levam tempo a preparar com amor, com o ritual do pôr a mesa e os objetos nos sítios repetidos mas certos no equilíbrio das coisas, tudo para receber os que se amam e ficarmos por ali comendo... para mim deveria ser mais falando. É isso que nos sacia.
 
Todo este ano passou em frente como um atleta olímpico, uma musa desgrenhada ou o vento, de cabelos para trás, com os olhos já lá à frente ...como uma assimetria do nascimento de Vénus de Botticelli, ou como Mercúrio sempre atarefado... .
 
Ou será que é de nós ? Será que somos nós que vivemos na ânsia do futuro e não encontramos forma de saborear o momento que é engolido pelas horas e nem sequer quase fica nos sentidos?...
É mais um ano de regresso,... um ano que termina em Dezembro como os outros,.... não tarda tenho mais um ano, chega mais um Outono, e de repente é Natal...
 
Agosto devia ser todo o ano.... como Natal deve ser quando quisermos.
Não sei porque diabo foram inventar o Tempo.
 
ACCB
 

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escrito no papiro por ACCB às 18:44
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2025

António

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Disseram-me que “Ele” já não escreve, disseram-me que já não vale a pena esperar textos novos, novos ou velhos pensamentos escritos e iguais aos nossos ou como nós… … .
 
Eu nunca escrevi nada, não sei escrever como manda a literatura, mas até gosto de escrever ainda que não o faça na perfeição e, fico feliz quando lêem e gostam do que eu escrevo… … .
O que não sabem é o medo que eu tenho de deixar de o fazer por alguma razão destas, por alguma razão que, até é previsível mas, nunca razoável.
 
E não tive tempo de aperfeiçoar nada
Começou tudo com uma brincadeira ou uma obrigação de estudo
Mas o tempo que eu quero para escrever e escrever melhor, pode ser escasso ou até nunca vir a existir.
E depois é bem verdade que não se escreve porque se quer, escrevesse porque se sente necessidade, impulso, vontade,… há “coisas” para deitar fora… a que dar voz ou forma.
Coisas que pensamos, que vivem dentro de nós ou gostávamos que vivessem … e que podem morrer dentro de nós ou connosco sem lhes darmos existência.
 
Tenho medo… … tantos medos …
Medo de deixar de pensar, de tentar entender, de não entender, de deixar de ter necessidade de contar, de escrever, de vos dizer ou dizer-me apenas o que me faz isto ou aquilo sentir ou pensar.
É como deixar de viver.
 
E sabem… dói muito saber que ele não escreve mais… é como se a alma se ausentasse ou ficasse presa no corpo … .
Como se as palavras não tivessem mais por onde existir ou como gritar ou como dizer… .
Não que façam falta todas as palavras mas, as dele, dão-nos vida, e forma, falam da nossa existência ….
 
Tenho tanta falta da escrita dele que vou reler tudo e ler ainda o que não li para que o possa sentir sempre como antes era.

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 14:20
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Escrever

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Não tenho escrito com a alma.
Eu sei que não tenho escrito com a alma.
No fundo, é uma forma de ponderar, igual à do CR.
Ponderar se fico ou se vou com as aves....
Apetece-me ir e apetece-me ficar.
Há alturas na vida em que escondemos a alma.
Não sei porquê, acho que nunca o tinha feito...
Mas, esconder a alma será um defeito, uma necessidade, um refúgio ou uma defesa...

Eu não gosto de esconder a alma.
Violenta-me essa forma de estar na Vida.
Esconder a alma é uma fuga.
Um fechar de olhos ao que não queremos que saibam que encaramos, que vemos, que sentimos.

Eu não quero esconder a alma, não quero não voltar a escrever com a alma...
Faz-me falta escrever com ela....É-me vital escrever e ler a alma... Que faço?
Fico ou vou com as aves?

2007
ACCB - in O Mar dos Meus Olhos

escrito no papiro por ACCB às 14:16
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2025

A Saudade Morreu

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A Saudade Morreu

Encontrei-a morta dentro
de um livro de poesia
caído na praia.

Já tinha dado pela morte dela quando a encontrara
em agonia
entre umas cartas que juntas tentavam reanimá-la.

Mas, a saudade morreu.
Já não conseguia
inalar o aroma inconfundível do amor

Já não conhecia o olhar da Paixão, Nem a Voz da ternura,
Nem a chama da cumplicidade.

A saudade morreu
De desgosto
Ainda tentou sobreviver junto ao mar Procurar nas tardes de sol
com cheiro a maresia
o último fio de Vida

Mas nem o pôr-do-sol Conseguiu reanimá-la Morreu diluída em lágrimas
E, quando as lágrimas secaram E se evaporaram no frio Cristalino da manhã

à beira-mar
......
A saudade tinha morrido. -
ACCB - In O Mar dos Meus Olhos - 2007

escrito no papiro por ACCB às 16:30
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6 Agosto

Em 2025, marcam-se os 80 anos do fim do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial
Em 2025 , hoje, marcam-se os 80 anos do lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima
Em 2025 reparamos que não aprendemos nada.

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escrito no papiro por ACCB às 14:14
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As Maminhas das Mães

As Maminhas das Mães que trabalham (também fora de casa)
 
Não sei se a censura azulada  me vai cair em cima pelo título se pelo conteúdo.... se pelo sagrado da Imagem.
 
("Censura azulada" faz-me lembrar cianose e, desde logo, a falta de oxigénio... Provavelmente é isso, a censura anda e sempre andou cianosada. Na verdade a censura sempre sofreu de falta de arejamento.)
 
Mas não é isso que me chama aqui, são mesmo as maminhas das mães que também trabalham fora de casa e o facto de elas amamentarem e terem esse direito reconhecido por Lei e, já agora, pela Constituição. Não?!
 
Todas sabemos que o tempo de licença de parto, chamemos-lhe assim, nem sempre é usufruído na totalidade, ou porque não podemos, temos de trabalhar, ou porque não queremos, ou porque temos medo... algumas vezes só da censura.
E, algumas de nós, até sabem que isso se reflete nas classificações de serviço.
 
 
Mas voltemos às maminhas das mães que amamentam, e eu não vou falar muito porque, na verdade nem há muito a dizer.
A Mãe amamenta? A lei diz qual o horário diário a que tem direito caso tenha um filho ou mais e, até diz, quem escolhe o momento ou seja o horário.
As mães não amamentam mas querem o horário? Não é assim...
As mães têm de estar a amamentar e, para confirmarem isso, têm de proceder à apresentação de um atestado de amamentação renovado por um médico.
 
Vamos levantar a questão da falsidade desse atestado?
Pois pode fazê-lo senhora Ministra. E depois?
Esse atestado comprova que a prática de amamentação ainda está em vigor, para além dos 12 meses previstos por Lei, e que a essa mesma Lei concede à mãe a possibilidade de continuar a amamentar o filho ou filha.
 
 
Vamos mudar a Lei? Pois pode Srª Ministra, mas... que fazemos aos direitos das Mães e dos filhos?
 
Pessoalmente até acho muito tempo mas cada mãe é uma mãe e cada filho um filho. Também não gosto de mamocas à mostra a torto e a direito com crianças já bem crescidas penduradas a serem amamentadas a toda a hora em todo o lado... já sei que me vão dizer que esta parte era desnecessária,... mas é uma realidade....
E outra realidade é a de cada uma das mães que amamentam e trabalham também fora de casa.
Talvez ir à raiz da questão, à razão da indicação de um prazo mais alargado de amamentação. A lei quando se faz é discutida e tem um fundamento.
 
Quid Juris Srª Ministra?
As Mães são um empecilho.PIM
Estão proibidas de amamentar para além de 12 meses se trabalham também fora de casa. PAM.
Abaixo as maminhas para amamentação, as crianças que comam brioches! PUM
 
ACCB

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escrito no papiro por ACCB às 14:10
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2025

Monsieur Macron

O Sr Macron disse que decidiu que a França reconhecerá o Estado da Palestina e, sendo assim fará o anúncio formal na Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro.
 
Talvez porque, no meu sentir, esse reconhecimento não é o mais urgente, não estou muito preocupada ou ansiosa por ele e outros Estados estarem a apontar para Setembro, assim como quem chega de férias e agora já pode trabalhar e fazer o que deixou por fazer porque ía de férias.
 
Na verdade Sr Macron, e restantes Senhores, esse reconhecimento e respetiva declaração marcada para Setembro é como uma Lei que sai mas ainda não foi regulamentada, é como uma uma declaração do Tribunal Penal Internacional.
 
Será que me estou a fazer entender?!
 
Na verdade, caríssimos Chefes de Estado, essa declaração ou afirmação que parece corajosa e potencialmente perigosa para quem tem vindo a destruir os que vivem na faixa de Gaza, não vai impedir nada, nem vai mudar nada e nem repor nada.
 
A não ser que, porque a comunidade internacional reconhece que um Estado está a ser atacado, dizimado, torturado e apagado do mapa por outro Estado, este último tenha de sofrer sanções …..E que sanções?!?!
É que o mais urgente é fazer… não é dizer … e nada tem sido feito.
 
E vão passar mais umas tantas semanas até essa declaração, para mim inócua, ser feita.
 
E eu não estou sequer a pensar em atividades pré históricas ou medievais como as intervenções bélicas… pois não estou, não.
 
E só me surge uma questão estúpida:
Como é que Israel passou de agredida a agressora?
E outra questão ainda mais estúpida certamente:
Como é que Israel, que tem o serviço de inteligence melhor do Mundo, deixou passar o atentado de 7 de Outubro num dia de Sabat…deixou “passar” o Hamas…, como?!
E mais estúpido ainda:
Como é que com o serviço de inteligence melhor do Mundo, se negoceiam reféns em poder do Hamas, por milhares de pessoas dentro da faixa de Gaza?! Como se fosse tudo uma espécie de braço de ferro….
Eu não percebo nem acredito em declarações de Setembro, nem reconhecimentos de Estados, só acredito em vontades e estratégias politicas.
Algumas infelizmente não têm lógica, outras são criminosas… mas ninguém tem Leis que punam estas últimas …
 
E entretanto fazem-se declarações aparentemente importantes e aparentemente corajosas
Não são. São só mais uma acha na fogueira das vaidades políticas, de quem acha que vai liderar alguma coisa.
Deveriam os chefes de Estado ser estoicos?!
Não sei. Só sei que Setembro é muito longe e cada dia conta, só sei que há quem possa e saiba pôr um ponto em tudo isto, nos reféns a quem o Hamas manda cavar as próprias sepulturas (rapazes da idade do meu filho), nas mortes a céu aberto nas ruas de Gaza.
 
Estamos a assistir a algo que já está a marcar a história e, um dia, vão dizer-nos que nos limitámos a assistir e nem fizemos perguntas… … e nem nos opusemos… e nem exigimos … … e nem pensámos que os governos só vão até onde os deixam ir.
 
Entretanto Monsieur Macron vous êtes en Provence.
ACCB




escrito no papiro por ACCB às 01:07
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2025

É!

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escrito no papiro por ACCB às 23:41
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