Sábado, 13 de Julho de 2019

Bullying Digital

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DADO RUVIC/ REUTERS

 

És gordo e feio?! És gordo e feio?! E o pessoal acha que isto é bullying?!
Gordo e feio e o pessoal entra em parafuso?
E não responde com uma resposta à altura?
E somos gordos e feitos? E o maluco ou a maluca que se lembrou de vir dizer que somos gordos e feios é o quê?

 

E em vez de bloquear a criatura para que nunca mais tenha a oportunidade de nos dizer que somos gordos e feios ou de lhe denunciar o perfil por não gostar de gordos nem de feios e muito menos de gordos feios,... entramos em parafuso??

 

E que tal responder ao tipo que fica nervoso com os gordos e feios que ele é absolutamente idiota e imprestável, que nem teve imaginação para nos chamar outra coisa qualquer mais forte que gordo e feio, para termos oportunidade de o deixar esticar-se e mover-lhe um processo?!

 

É que quem anda por aí à solta a chamar nomes aos outros pode candidatar-se a um processo de injúrias ou difamação ainda que a coberto d hum aparelho com teclas e ecrã que parece um escudo invísivel??

Ai que saudades dos tempos em que as raparigas resolviam isto com um ar de troça e chamavam de volta : Pirosa!! Ou com um ar de superioridade: Vai-te catar, ou... na escola respondíamos " quem diz é quem é"!

Gordo e feio?! ?! ??
Pirosa! Ridícula! Não tens que fazer ou criatura ? Olha-me para esse casaco! Ridícula!

Pim!

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:13
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Não chuviscou

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O dia inteiro a ver a cidade,.... sapato baixo e aberto, caminhando rente ao chão... passeia aqui, parando ali,.. escutando e olhando acolá.... tanto rosto, tanto passo, tanta forma de passar.... Come um gelado miúda que isso passa. Subindo a rua e descendo a rua, olhando as montras , horas pela tarde como Chiado cheio de gente que vai e volta... que ri, que tira foto,.. que canta... e que mais corajosa, até dança...
Descontraída, ainda não totalmente, passei a tarde na cidade, com o céu cheio de água pendurado sobre a cabeça...
E não é que nem chuviscou?

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:01
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Sexta-feira, 12 de Julho de 2019

Pode ser.......

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Pode ser uma feira medieval, pode até ser só uma feira, com muitas cores e muitos panos cozidos uns aos outros com ponto de outra cor e largo ou cruzado, com remendos lavados de restos de saias e blusas antigas que as mulheres vestiram....

 

Também pode ser um livro velho com as arestas das páginas esfarrapadas e amarelecidas por dedos que fumaram enquanto liam...

 

Pode ser apenas uma loja de antiquário desordenada para eu passar os olhos peça a peça, observar cada uma até que uma chama por mim. E vou querer tê-la porque fala comigo, não sei de que fala mas fala como se irresistivelmente me pedisse para a trazer ou para a levar.....

 

Pode ser tudo desde que seja um espaço fora daqui, deste círculo que às vezes se aperta e me limita, faz-me olheiras que caem até ao queixo e cansam-me os cantos da boca.

 

Pode ser tudo, até só uma linha de areia branca com o mar à volta cheio de marés de horas por acabar e um pôr de Sol em remate no canto da paisagem a dizer que amanhã é mais um dia... ou menos um.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:59
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Terça-feira, 2 de Julho de 2019

O Mar dos olhos das Portuguesas

 

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Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

 

 

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

 

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma......

 

ACCB


___________________________

Há 10 anos neste dia eu escrevia isto
Escrevia-o pela coincidência do dia da morte de Sophia com o dia do nascimento da minha filha e porque há mulheres, como as mulheres portuguesas, que trazem há séculos o Mar nos olhos,.... pela coragem,... pela luta,... pela imaginação e por conseguirem ver mais além da linha do horizonte... e por recomeçarem sempre e sempre e sempre....

A mulher portuguesa foi sempre corajosa, resistente, lutadora e paciente mesmo quando perdia os seus filhos numa guerra infrutífera, mesmo quando muitos séculos antes os perdeu para o mar que os levou em busca de novos mares e novas gentes.

Portugal é um país cheio de mulheres com o Mar nos olhos...
Não pela cor mas pela espera....
Não pelas lágrimas mas pela coragem....
Não pela observação passiva mas pela observação esperançada no amanhã... pela força do recomeçar sempre...

É por isso que quando muitas de nós morrermos, havemos de voltar para buscar os momentos que não vivemos junto ao mar como dizia Sophia...

Portugal é um País de gente que é Mar

Há quem chegue a a garantir que Sophia escreveu o poema no Miradouro da Graça, na capital portuguesa, como relata o Público. Tudo porque a poeta ia com frequência ao dito Miradouro em busca de “inspiração para os seus poemas” e terá sido numa dessas visitas que Sophia escreveu o poema que, afinal, não lhe pertence.

Não foi..... foi escrito no dia 9 de julho de 2009 entre folhas de processos, num repente, no ecrã de um computador, .... assim... de repente como quem precisa de mar e desce à praia para voltar e recomeçar sempre.....
Foi escrito por alguém que um dia, quando morrer voltará para buscar os momentos junto ao mar como se a maré nunca a levasse da praia/ lugar/ família/ momentos em que foi feliz.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 02:47
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2019

Então queres ser escritor?

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.
e nunca houve.

 

Charles Bukowski.

 

Tradução: Manuel A. Domingos

escrito no papiro por ACCB às 23:25
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Hamadríade

 

cd97e7bd7d08daf78cbff839eb69a9ca.jpg(Sculptur de Debra Bernier)

 

 

Libertar os olhos, as costas, os pés a cabeça, a nuca e os dedos,...
soltá-los da secretária e do teclado
 Como fugir às obrigações. É tão mais difícil que fugir às tentações...

Só que aquelas não são pecado.... E se fossem quem dera  poder dizer : - Não voltarei a pecar.

Só me ocorrer dizer - Não nos deixeis, Senhor, cair em obrigação.

Horas são algemas e prazos são tiranias que nada resolvem. 

....................................

 Estou para aqui em divagações revoltadas só para suspender a escrita das obrigações por minutos, como que a ganhar forças ou a vir respirar para  submergir de novo 
 Ajudai-nos senhor a voltar a cair em tentação..........é preferível que este rol de obrigações.

Estou atada à  secretária como se tivesse criado raízes e as minhas omoplatas fossem ramos e os dedos folhas... Se fico muito tempo transformo-me numa hamadríade,.... com tanto tempo aqui passado  até penso que já o sou.
Para piorar, a cadeira é de madeira e entrelaça-se em mim,... crescem-me os dedos e esticam-se até ao texto... Pensam que não devem escrever o que escrevem e olham para mim, os dedos, a perguntar se é mesmo para confirmar a condenação....

Escuto um grito e vejo que enfiei o dedo no coração de alguém que tinha um nome no ecrã.........foi na ferida,... foi no ecrã... é para confirmar a decisão de condenação?! -pergunta-me alguém que acho que sou eu própria ...

Há um som longínquo que repete a prova toda e as alegações, e o recurso, e a fundamentação......As pernas tornaram-se leves,.... soltei-me da cadeira e da secretária ou fazemos parte umas das outras?

 Já falta pouco e alguém me diz : Coragem!... Penso que ainda vou ganhar asas em vez de ramos,... sinto que me doem as omoplatas,... devem ser as asas. Sussurram o meu nome e acho que foram os seres que vivem dentro da minha decisão...

Acordo sobressaltada,... tenho os tornozelos dormentes e estou sem asas. 
Enovelo-me de novo na secretária e enrosco-me na cadeira. Encolho os dedos que se tornaram compridos e rápidos, e escrevo.
Deito o olhar aos seres que vivem no papel e a tudo o que disseram e foi dito....

Não é  para confirmar a decisão ou,...vírgula?...

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 13:13
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Receita de Mulher

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As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

 

 Vinicius de Morais 

escrito no papiro por ACCB às 11:45
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Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

De Passagem

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Quando vens a Lisboa?
Que sim, viagens por aqui e por ali, a trabalho umas, a sol a pôr-se outras, mas sempre com os olhos no amanhecer que a Vida é curta e há que aproveitar .
Estar parado é um estado de inércia que não combina com a Vida, só quando a alma precisa olhar à volta e beber ar.
E depois há o Sol, o mar, as gentes por conhecer e sorrir, e falar e ouvir...
É,... há almas que precisam disto para viver....
Quando vens a Lisboa?
Quando a alma precisar de ar para beber. Prometo que dou nota.
Fico à espera que cumpras.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 11:48
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

Engolir o Universo ( Fractal )

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( Fractal) 

 

 
O que é isso do Universo? Já acho o Mundo tão grande que não consigo abarcar o que seja o Universo....é como ganhar o euro milhões,... um enorme euro milhões... nunca saberia contar tanto dinheiro.
 
 
E no entanto, por vezes, sinto-me cheia de cansaços, os todos que há no Mundo, cansaços passados, presentes e o peso dos futuros, como se o Universo se tivesse encostado todo à minha nuca e eu estivesse prestes a desitir da posição de o perceber, olhando atentamente para baixo quando afinal ele está todo por cima e à volta.
 
 
E se eu fosse mesmo feita de pedações de estrelas?... Juro-vos que acredito que sou. Que fraqueza.... apenas pedacinhos de estrelas, pedacinhos incompletos. E que fazer? Seguir sempre a estrada que o caminho faz-se caminhando, repetindo gestos, ideias, ideias felizes, súbitas mas por isso mesmo felizes... e depois voltar ao razoável, à rotina, ao que tem de ser para além do Universo e num espaço ínfimo nele.
 
E seu eu engolisse o Universo como Cronos , engolia os filhos? Cronos e o Tempo engolem o que geram...
 
Mas eu nem gerei o Universo,... só virando-me do avesso e abarcando-o todo como um espaço que aumenta ao virar o direito para dentro e o interior para fora....mas entretanto o tempo já me devorou.
 
Ao virar o Direito para dentro... e reparo quantos séculos de humanidade, quantas lutas e quantas perdas, quantas guerras e quantas mortes nesta palavra.
 
Quantos pedacinhos de estrela se estilhaçaram para que a palavra Direito que me levou a esta evasão de contemplar o Universo pudesse existir?
 
Direito não envolve autoridade ou será que envolve? Envolve luta, sangue suor e lágrimas e é por isso que todos querem lutar, ser livre ou morrer por ele. E é por isso que existem as convenções, as cartas de direitos, os diplomas legais....para que tudo não se repita....e repete.
 
Há anos que faço “isto”, há anos que visto a beca, há anos que empunho a espada... e que teria acontecido se eu não tivesse aceite a espada?
 
O Universo continuaria a existir, os movimentos de rotação e traslação da Terra continuariam a existir,... as estrelas planetas e cometas continuariam sobre a minha nuca todas as noites que tento proteger direitos e o Direito.... como é assim e agora e será sempre. Ámen.
 
Será que algum dia aceitei a Espada ou apenas a resgatei e empunhei?
Então, engulo o Universo e sigo em frente, como quem engole um sapo, como quem percebe que tudo continuará encostado à nuca, como quem sabe que entre a espada e a parede, escolherá sempre a Espada.
escrito no papiro por ACCB às 23:02
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Tons

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Uma tonalidade tem tom e cor, gesto e vontade, inércia e cinemática.
Uma tonalidade pode ser vermelha e em dó maior ou branca e em fá mas, se for em sol, será sempre dourada e de alegria, conquista e energia.
Ter um tom ou uma tonalidade pode ser a mesma coisa porque um Lá é sempre verde quer pela escala crescente que já percorreu, quer pela vontade de atingir o último dó.

Dar o tom é vinculativo mas, não impede que se possa divergir de azul para anil de colcheia em colcheia ou de semínima em semínima.

Ter tom é fantástico, é ter melodia ritmo e plateia mesmo que não tenhamos orquestra. Podemos sempre ter apenas um quarteto de cordas que não implica não ter tom....
Ter tonalidade é existir numa escala que pode iniciar se com uma clave que, já que é fim de semana, seja de Sol.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 19:54
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019

Moçambique

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TRADUTOR DE CHUVAS

Um lenço branco 

apaga o céu.

 

A fala da asa

vai traduzindo chuvas:

não há adeus 

no idioma das aves.

 

O mundo voa

E apenas o poeta

Faz companhia ao chão.

 

                              Mia Couto

 

Em Moçambique  podia acontecer muita coisa, bombardeamentos, queda de aviões e sobreviventes portugueses, ou mortos, ou mutilados, ou traumatizados.....

 Em Moçambique a natureza tem as mesmas regras que tem no resto planeta, nenhumas.

As chuvas vieram como na Índia e alagaram todas as esperanças

 Pergunto-me se a costa do murmúrios  não era aquilo tudo mas mais contido, algo que destruía  quase tudo mas que não perturbava a regata do clube náutico que estava marcada.

 

 Só faltava a linha do horizonte cheia de flamingos que de tão inocentes não percebiam que ao lado alguns já tinham sido abatidos.

 

Faltava o som do Jazz para amenizar a desgraça. Os temporais não eram todos pelo fim da tarde quando a terra pedia paz ao calor implacável do dia.



Tudo andava alterado dizia a avó que ficara e viera de Portugal. É assim porque os homens não percebem das regras da natureza  e não sabem viver com pouco.

E não sabem.

Vivem em guerras e competições como se as almas lhes pedissem confronto constante e nada mais houvesse para fazer em dias de sol ou de chuva, de fome ou doença, de triunfos e descobertas, nada mais que não fosse lutar com os outros e com a sua própria espécie.

 

 Perguntava-se muitas vezes onde ía ela buscar a sabedoria para saber dos homens  esses seres soturnos e fechados sem nada para contar, ela que  tudo dirigia e que lia as almas com os olhos.

 

Lembrava-se que todas as mulheres lhe perguntavam como fazer e vinham passar tardes a sua casa para falarem delas e das lágrimas que lhes corriam pelos olhos às vezes horas a fio e em silêncios de sala com uma chávena de chá em frente. Levavam os bolinhos que ela tinha feito de manhã, era para aconchegar a alma dizia a avó.

 

Os homens queimam os barcos para aumentarem o preço do petróleo, matam os outros homens para venderem as armas, escondem fórmulas em laboratórios e não entregam a cura para os males do corpo, para venderem medicamentos ... ...


Lembra-se de à noite a ouvir rezar, todos os dias ainda que sobre a casa se abatesse a maior canícula ou o mais aterrador silêncio. Termina tudo com um Ámen como se depois de formular a prece se conformasse com tudo forte e silenciosa, sempre com a solução nos olhos.

 

 Um dia perguntei-lhe porque rezava tanto, se era só ali que o fazia, se sempre o fizera.

 Respondeu-me que sempre o fizera, nada havia de diferente ali que em  Moçambique  como no Sudão, a natureza tem as mesmas regras que tem no resto planeta, nenhumas.

E os homens eram iguais em todo o planeta, nada percebiam das regras da natureza e só queriam possuir tudo e ser possuidores, lutar....morrer,...matar.

 

Pensei muitas vezes que ...talvez não pertencessem à natureza....ou a natureza os estivesse a perder para as regras dos homens.

 

Escrito num Junho de 2019  a seguir às chuvas em Moçambique, e ao ataque de Abril no Sudão

 

 Adelina Barradas de Oliveira

escrito no papiro por ACCB às 16:30
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Lido por aí

sexta-feira, 17 de outubro de 2014





Adoro o desequilíbro mental de quando se está cansado



 



Estou a meter a loiça na máquina, olho para a prateleira de cima, vejo a tampa preta de um tupperware e penso "m****, meti o iPad na máquina de lavar".

 

 




escrito no papiro por ACCB às 16:19
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Terça-feira, 4 de Junho de 2019

Agora é no Porto Venha daí

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escrito no papiro por ACCB às 16:13
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Xiuu

 

escrito no papiro por ACCB às 15:52
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

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"O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo."

Agustina Bessa Luís

 

Foi de madrugada, assim como quem vê nascer o dia.
Não sei qual é a melhor hora mas acho que as horas, se existem, já estão escolhidas

Lembro-a como alguém que nos olha com perspicácia mas bondade, que nos diz ou escreve as coisas com sentido afiado da razão mas com a suavidade do perdão e do saber esperar só por esperança.

Estas almas não partem, têm sorte de ficar vivas no que escrevem

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:34
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

Sai um livro para a mesa do canto

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escrito no papiro por ACCB às 12:50
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Naquele tempo

 

.............................

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado

sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se

aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

 

Em verdade vos digo,

 

-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

 -Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

-Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...

 

Pedro interrompeu:

- Temos que aprender isso de cor?

 

André disse:

- Temos que copiá-lo para o papiro?

 

Simão perguntou:

- Vamos ter teste sobre isso?

 

Tiago, o Menor queixou-se:

- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!

 

Tiago, o Maior gritou:

- Cala-te queixinhas!

 

Filipe lamentou-se:

- Esqueci-me do papiro-diário.

 

Bartolomeu quis saber:

- Temos de tirar apontamentos?

 

João levantou a mão:

- Posso ir à casa de banho?

 

Judas Iscariotes exclamou:

(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de

outro Mestre)

- Para que é que serve isto tudo?

 

Tomé inquietou-se:

- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?

 

Judas Tadeu reclamou:

- Podemos ao menos usar o ábaco ?

 

Mateus queixou-se:

- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!

 

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma

multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele,

dizendo:

Onde está a tua planificação?

Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica

mediatizada?

E a avaliação diagnóstica?

E a avaliação institucional?

Quais são as tuas expectativas de sucesso?

Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o

acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da

transmissão?

Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos

conhecimentos prévios?

Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a

assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?

Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?

E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?

Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções

transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e

cooperativos das áreas concomitantes?

Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que

respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico

constituídos pelos núcleos generativos disciplinares,

transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

 

 

Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e

reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus

discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino

de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás

notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas

alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de

nomeação definitiva!

( desconheço a autoria)

escrito no papiro por ACCB às 12:17
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

MÃE, EU QUERO IR-ME EMBORA`

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"Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar."

__Maria Do Rosário Pedreira

escrito no papiro por ACCB às 10:27
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Há sempre alguém que resiste

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     Imagem - AZlanMAMO

Repete-se a Vida nos dias numa incessante mas cansativa caminhada, num percurso tão estranho de escolhos e escolhas...

As horas sucedem-se em catadupa ou a um ritmo estranho de cadências cansadas

 Não  sei de onde chega a sensação de repetição ou de perda

 Talvez haja dias em que tudo se ganha  ou talvez a perda seja apenas uma sensação obtusa de contrariedade
 Nada  nos sobressalta já como se nada de novo houvesse para nos espantar

 Vive-se da espera do espanto, dorme-se porque o cansaço da repetição  nos puxa as pápebras para dentro

Acorda-se porque os sons nos despertam ... também eles repetitivos, sempre iguais, alucinantes...
Valerá a pena dizer  bom dia se daqui a pouco será de novo noite e tudo ficará na mesma cor, com tonalidades esbatidas

e mais um dia caminhará para o cansaço dos olhos que nos puxa as pálpebras para dentro?

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 08:42
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As pessoas antigas

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Há uma nostalgia nas "pessoas antigas" que nos faz parar entre o que somos e o espaço de imaginar como seremos.
Há nas palavras que nos dizem um percurso feito a sonho realizado ou perdido,.... vá-se lá saber porque filosofia estranha.
Há as que acreditam que podem e realizam, as que realizam e as que genericamente acham que a realização não passa de uma ilusão bonita e enganadora, cheia de perguntas sobre de onde viemos, para onde vamos, o que somos....
Todas sonham,...todas querem, todas vivem para perceber o porquê deste percurso ou, vá-se lá saber porquê, apenas para o realizar.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 08:30
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Sábado, 18 de Maio de 2019

Mulheres com o mar nos olhos

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Foto ACCB Praia da areia  branca 

 

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma 
 
 
ACCB ( escrito em 2 de Julho de 2009 )
 
 

Já se sabe ( e eu sem saber )

O Poema engana académicos

A César o que é de César

Cleopatramoon 2 de Julho de 2009

Afinal foi há 10 anos. E estava posta em sossego quando descobre o enorme desassossego provocado com o seu escrito. Mas como tudo na Vida e no Direito a César só o que é de César

 

escrito no papiro por ACCB às 21:42
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17Maio2019-78anos

 

 

 

 

RETROSPECTIVA

 

É, o invólucro envelhece, tira-nos a mobilidade, a agilidade às vezes tira-nos tudo. Na maior parte dos casos fica a memória, a voz , enquanto  o olhar esse esconde-se por detrás de um invólucro que se  enruga.
 A voz é a mesma neste caso e as memórias são as dos dias em que  se ouvia, ouvia, ouvia ao lado dos Beatles, ao lado dos Bee Gees do Sinatra e do Azanavour.......

 Não cantou as 600 canções que compôs até hoje mas encantou e é sempre boa a sensação de ver  e ouvir ao vivo alguém que se ouviu uma vida inteira sem saber porquê, que acompanhou sensações, pensamentos, sentimentos, perdas, desilusões e paixões nossas e dos 78 anos dele.

Atravessou a ditadura militar disfarçadamente mandando "tudo para o inferno", falando do proibido fumar e parando na contramão, deixando tudo para lá da política e em rumo inverso ao da política. Gostar de...tudo o que se faz... e fazer. Ele é o tal ...

 E para terminar, como aquele amante à moda antiga,... 12 dúzias de rosas............

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 11:56
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Good night

 

escrito no papiro por ACCB às 23:10
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traço_________________

 

 

Recorrer num ápice à escrita, só para acabar o dia que está quente lá fora e na praia não há lugar para horas...

mas ,... o fio fica preso nos deveres e para os terminar há o risco do traço da libertação súbita na escrita
 Nem que seja a penas para dizer : NADA.

escrito no papiro por ACCB às 18:49
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Estrela da tarde

 

escrito no papiro por ACCB às 18:42
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Ler Devagar.....

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Adelina  Barradas de Oliveira está em Bankok, Samut Sakhon, Thailand.

Ler devagar...
Ler devagar lembra-me sempre uma janela e uma cadeira onde posso descansar o peso todo dos dias.

Ler devagar faz-me saltar para a escrita e incentiva-me a ignorar os relógios...

Depois, tenho sempre um cigarro imaginário que eu acho que me vem sempre do semicerrar dos olhos que já me chega da vista cansada.

Cansada e sem óculos porque tem dias que vejo melhor que outros.... não vos acontece?

É... se leio devagar no dia seguinte vejo melhor. E vejo melhor tudo,...O dia, as letras, as pessoas, as notícias...
E depois escrevo...

Nunca tenho o tal cigarro imaginário mas chego ao fim do dia com os olhos cemicerrados de cansaço do fumo dos dias, do fim dos dias, da repetição dos tempos e das gentes e dos erros e dos sobressaltos...e de escrever para voltar a ler... devagar.

Mas há um afastamento de tudo como um ler devagar as almas e as pessoas ...E é tão fácil lê-las....

Um espaço de observação que me protege de leituras rápidas e de leituras imprevisíveis ....
Ler devagar é assim como descobrir e analisar, reflectir e ganhar defesas...

Não liguem,... está a fazer me falta o tal cigarro imaginário ....

escrito no papiro por ACCB às 12:08
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Domingo, 24 de Março de 2019

segunda feira

Lá se foi o Domingo... Foi de manhã que o encarei , bem junto ao rio onde já se choca com o mar.
Soube-me que nem ginjas !
Amanhã levanto-me cedo. Tenho de trabalhar já que o fim de semana não deu para isso.
Mas tenho desculpa, estava Lua cheia e Sol e, quando estes dois astros cruzam os céus, na terra não há tempo para deveres.
Portanto boa noite
Devia ser Domingo amanhã novamente....

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:28
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Domingo, 17 de Março de 2019

Às vezes é preciso

 

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Desce da escrita e vem sentar-te por aqui... Não importa onde... senta-te apenas

Abandona o corpo

 É o fim de mais um dia no relógio da noite

Ainda que os teus olhos tenham o mar dentro 

deixa que o pôr do sol fique lá atrás na beira da maré


Sabes? 


Às vezes é preciso dormir

 descansar o dia cansado que te pesa nos ombros

Às vezes é preciso dormir para não desistir

 Ouve música e  senta-te

 lê e senta-te

fecha os olhos, senta-te

 mas abandona as horas que já passaram...

 Amanhã rejuvenesce o dia

é  Primavera  não tarda

Às vezes é preciso dormir para não desistir...

 Deixa-te estar... e dorme.

A Primavera vem já a seguir

 Fecha-se o Inverno na Curva da manhã e a Vida vai acontecer

 Acontece sempre

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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Always Remember Us This Way

 

Always Remember Us This Way

That Arizona sky
Burnin' in your eyes
You look at me and, babe, I wanna catch on fire
It’s buried in my soul
Like California gold
You found the light in me that I couldn’t find

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Lovers in the night
Poets tryin' to write
We don't know how to rhyme but, damn, we try
But all I really know
You're where I wanna go
The part of me that's you will never die

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Oh, yeah
I don't wanna be just a memory, baby, yeah

Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way
Way, yeah

When you look at me
And the whole world fades
I'll always remember us this way

escrito no papiro por ACCB às 23:33
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019

Japan

 

escrito no papiro por ACCB às 23:08
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Às seis da tarde

 


Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
Chorar na condução 
 
Marina Colasanti
Nasceu a 26 Setembro 1937
(Asmara, Eritreia)
 
é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritreia.
Viveu sua infância na Líbia e então voltou à Itália onde viveu onze anos.
 
escrito no papiro por ACCB às 23:30
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Domingo, 10 de Março de 2019

Devia ...........

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Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
 
 
José Gomes Ferreira
Nasceu a 09 Junho 1900
(Porto, Portugal)
Morreu em 08 Fevereiro 1985
............................................... foi um escritor e poeta português, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira e pai do arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas Ferreira.
escrito no papiro por ACCB às 18:34
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EU SEI, MAS NÃO DEVIA

S. João Novo 177960421178187_n.jpg

 


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
 
Marina Colasanti
escrito no papiro por ACCB às 18:30
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Sábado, 9 de Março de 2019

Viu este filme? Veja

 

escrito no papiro por ACCB às 23:07
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Quarta-feira, 6 de Março de 2019

A las 5 de la tarde

 

escrito no papiro por ACCB às 19:02
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Iremos Juntos Sozinhos pela Areia


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Foto de ACCB _ praia da areia branca 


Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.



Sophia de Mello Breyner Andresen | "No tempo dividido", 1954
escrito no papiro por ACCB às 16:11
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SÊ PACIENTE; ESPERA

jeansebastienmonzani.jpg

 


Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
 
Eugénio de Andrade
escrito no papiro por ACCB às 12:03
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Domingo, 3 de Março de 2019

Se minto....

 

 

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“Se minto?

Quantas vezes.

Mas em palavras.

Não nos meus olhos castanhos portugueses.

 

Se minto?

Minto pois.

Mas nas orais palavras que vos digo,

não nas que estão a sós comigo e

em que enfim deixo de ser dois:”

 

 José Régio

escrito no papiro por ACCB às 20:53
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Sábado, 2 de Março de 2019

É p'rá manhã

caminho-de-volta. Téta barbosa jpg.jpgO caminho de volta – Téta Barbosa

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

Estamos sempre adiar para amanhã. Podia ter sido hoje , mas é assim, julgamos que vamos ter o tempo todo do Mundo e quando vamos ver, já era.
É assim, passou, ardeu, foi-se... tudo. O momento, a hora, a ideia não se concretiza. Fim.

 

Dizia o Ricardo Araújo Pereira há dias que passamos pela Vida como o condenado pelo corredor da morte. Acharíamos estranho se o condenado se ri-se... Mas continuamos em frente até ...à morte  sempre a rir . Era qualquer coisa como isto, ... mas a ideia era seguramente esta.

E é verdade. Que fazer se não rir? Ou então viver o corredor da melhor forma, torná-lo mais largo, com mais luz, derrubar-lhe umas paredes,  provocar umas manobras de diversão durante o percurso para o demorar e  tornar mais longa a travessia... Ou mais agradável, mais ilusória...

A vida é tão curta dizemos nós quando já passámos uns anos valentes a encurtá-la, a desejar atingir um ponto que nem sabemos qual é. Saltamos de data em data, vamos "abatendo" a distância entre o que queremos realizar e, nem nos apercebemos que estamos a abater a vida.

 Vivemos en função das férias de Verão, das férias da Páscoa que nos levam para paragens distantes, dos aniversários, do natal... dos feriados e curiosamente do Carnaval... Há uma canção que diz que a Vida é um carnaval... Pois que sim,.. deve ser isso mesmo.

Então qual é a próxima etapa??!! As férias pois claro. Trabalhamos que nem uns escravos para garantir 15 dias de férias ou um mês a ver os dias passar.

 Já não sei se não estão certos os jovens que partem por esse Mundo fora, à descoberta e que vão ficando aqui e ali, ganhando dinheiro aqui e acolá, autênticos nómadas cheios de vida, de conhecimento, de experiência.

 Ensinaram-me na minha geração que segura era a casa, a família, o país... E o Mundo é tão grande que quem não viaja não vive.

Cada um devia,  sem apegos, sem remorsos, sem prisões, sem medos, fazer este corredor, inventar as manobras de diversão possíveis e imaginárias e viver pelo caminho.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 21:45
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

........tudo em branco

 

 

Estranho é quando se quer escrever ou se tem de escrever e nada se escreve

 Nem o desenho dos pensamentos porque nem pensamentos há

 É o vazio

A página em branco de que fala o Jorge Palma

 E eu que nem um cigarro tenho para fumar... porque nem fumo

 

 Estas coisas de escrever

só acontecem quando elas querem

 Não temos nada preparado e surgem

queremos preparar e não existem

 

Estou nisto por teimosia

 vou tratar de escrever outras coisas

que daqui nem uma nota, nem um tom, nem uma letra

Chama-se inspiração

 desce não sei de onde

mas só quando quer....

tudo em branco... é exactamente como diz o Jorge Palma.

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:23
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