Terça-feira, 4 de Junho de 2019

Agora é no Porto Venha daí

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escrito no papiro por ACCB às 16:13
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Xiuu

 

escrito no papiro por ACCB às 15:52
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Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

3-6-2019

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"O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo."

Agustina Bessa Luís

 

Foi de madrugada, assim como quem vê nascer o dia.
Não sei qual é a melhor hora mas acho que as horas, se existem, já estão escolhidas

Lembro-a como alguém que nos olha com perspicácia mas bondade, que nos diz ou escreve as coisas com sentido afiado da razão mas com a suavidade do perdão e do saber esperar só por esperança.

Estas almas não partem, têm sorte de ficar vivas no que escrevem

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:34
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

Sai um livro para a mesa do canto

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escrito no papiro por ACCB às 12:50
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Naquele tempo

 

.............................

Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado

sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se

aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:

 

Em verdade vos digo,

 

-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

 -Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

-Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...

 

Pedro interrompeu:

- Temos que aprender isso de cor?

 

André disse:

- Temos que copiá-lo para o papiro?

 

Simão perguntou:

- Vamos ter teste sobre isso?

 

Tiago, o Menor queixou-se:

- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada!

 

Tiago, o Maior gritou:

- Cala-te queixinhas!

 

Filipe lamentou-se:

- Esqueci-me do papiro-diário.

 

Bartolomeu quis saber:

- Temos de tirar apontamentos?

 

João levantou a mão:

- Posso ir à casa de banho?

 

Judas Iscariotes exclamou:

(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de

outro Mestre)

- Para que é que serve isto tudo?

 

Tomé inquietou-se:

- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?

 

Judas Tadeu reclamou:

- Podemos ao menos usar o ábaco ?

 

Mateus queixou-se:

- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!

 

Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma

multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele,

dizendo:

Onde está a tua planificação?

Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica

mediatizada?

E a avaliação diagnóstica?

E a avaliação institucional?

Quais são as tuas expectativas de sucesso?

Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o

acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da

transmissão?

Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos

conhecimentos prévios?

Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a

assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?

Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?

E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?

Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções

transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e

cooperativos das áreas concomitantes?

Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que

respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico

constituídos pelos núcleos generativos disciplinares,

transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

 

 

Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e

reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus

discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino

de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás

notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas

alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de

nomeação definitiva!

( desconheço a autoria)

escrito no papiro por ACCB às 12:17
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Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

MÃE, EU QUERO IR-ME EMBORA`

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"Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar."

__Maria Do Rosário Pedreira

escrito no papiro por ACCB às 10:27
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Há sempre alguém que resiste

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     Imagem - AZlanMAMO

Repete-se a Vida nos dias numa incessante mas cansativa caminhada, num percurso tão estranho de escolhos e escolhas...

As horas sucedem-se em catadupa ou a um ritmo estranho de cadências cansadas

 Não  sei de onde chega a sensação de repetição ou de perda

 Talvez haja dias em que tudo se ganha  ou talvez a perda seja apenas uma sensação obtusa de contrariedade
 Nada  nos sobressalta já como se nada de novo houvesse para nos espantar

 Vive-se da espera do espanto, dorme-se porque o cansaço da repetição  nos puxa as pápebras para dentro

Acorda-se porque os sons nos despertam ... também eles repetitivos, sempre iguais, alucinantes...
Valerá a pena dizer  bom dia se daqui a pouco será de novo noite e tudo ficará na mesma cor, com tonalidades esbatidas

e mais um dia caminhará para o cansaço dos olhos que nos puxa as pálpebras para dentro?

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 08:42
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As pessoas antigas

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Há uma nostalgia nas "pessoas antigas" que nos faz parar entre o que somos e o espaço de imaginar como seremos.
Há nas palavras que nos dizem um percurso feito a sonho realizado ou perdido,.... vá-se lá saber porque filosofia estranha.
Há as que acreditam que podem e realizam, as que realizam e as que genericamente acham que a realização não passa de uma ilusão bonita e enganadora, cheia de perguntas sobre de onde viemos, para onde vamos, o que somos....
Todas sonham,...todas querem, todas vivem para perceber o porquê deste percurso ou, vá-se lá saber porquê, apenas para o realizar.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 08:30
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Sábado, 18 de Maio de 2019

Mulheres com o mar nos olhos

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Foto ACCB Praia da areia  branca 

 

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma 
 
 
ACCB ( escrito em 2 de Julho de 2009 )
 
 

Já se sabe ( e eu sem saber )

O Poema engana académicos

A César o que é de César

Cleopatramoon 2 de Julho de 2009

Afinal foi há 10 anos. E estava posta em sossego quando descobre o enorme desassossego provocado com o seu escrito. Mas como tudo na Vida e no Direito a César só o que é de César

 

escrito no papiro por ACCB às 21:42
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17Maio2019-78anos

 

 

 

 

RETROSPECTIVA

 

É, o invólucro envelhece, tira-nos a mobilidade, a agilidade às vezes tira-nos tudo. Na maior parte dos casos fica a memória, a voz , enquanto  o olhar esse esconde-se por detrás de um invólucro que se  enruga.
 A voz é a mesma neste caso e as memórias são as dos dias em que  se ouvia, ouvia, ouvia ao lado dos Beatles, ao lado dos Bee Gees do Sinatra e do Azanavour.......

 Não cantou as 600 canções que compôs até hoje mas encantou e é sempre boa a sensação de ver  e ouvir ao vivo alguém que se ouviu uma vida inteira sem saber porquê, que acompanhou sensações, pensamentos, sentimentos, perdas, desilusões e paixões nossas e dos 78 anos dele.

Atravessou a ditadura militar disfarçadamente mandando "tudo para o inferno", falando do proibido fumar e parando na contramão, deixando tudo para lá da política e em rumo inverso ao da política. Gostar de...tudo o que se faz... e fazer. Ele é o tal ...

 E para terminar, como aquele amante à moda antiga,... 12 dúzias de rosas............

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 11:56
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Good night

 

escrito no papiro por ACCB às 23:10
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traço_________________

 

 

Recorrer num ápice à escrita, só para acabar o dia que está quente lá fora e na praia não há lugar para horas...

mas ,... o fio fica preso nos deveres e para os terminar há o risco do traço da libertação súbita na escrita
 Nem que seja a penas para dizer : NADA.

escrito no papiro por ACCB às 18:49
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Estrela da tarde

 

escrito no papiro por ACCB às 18:42
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

Ler Devagar.....

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Adelina  Barradas de Oliveira está em Bankok, Samut Sakhon, Thailand.

Ler devagar...
Ler devagar lembra-me sempre uma janela e uma cadeira onde posso descansar o peso todo dos dias.

Ler devagar faz-me saltar para a escrita e incentiva-me a ignorar os relógios...

Depois, tenho sempre um cigarro imaginário que eu acho que me vem sempre do semicerrar dos olhos que já me chega da vista cansada.

Cansada e sem óculos porque tem dias que vejo melhor que outros.... não vos acontece?

É... se leio devagar no dia seguinte vejo melhor. E vejo melhor tudo,...O dia, as letras, as pessoas, as notícias...
E depois escrevo...

Nunca tenho o tal cigarro imaginário mas chego ao fim do dia com os olhos cemicerrados de cansaço do fumo dos dias, do fim dos dias, da repetição dos tempos e das gentes e dos erros e dos sobressaltos...e de escrever para voltar a ler... devagar.

Mas há um afastamento de tudo como um ler devagar as almas e as pessoas ...E é tão fácil lê-las....

Um espaço de observação que me protege de leituras rápidas e de leituras imprevisíveis ....
Ler devagar é assim como descobrir e analisar, reflectir e ganhar defesas...

Não liguem,... está a fazer me falta o tal cigarro imaginário ....

escrito no papiro por ACCB às 12:08
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Domingo, 24 de Março de 2019

segunda feira

Lá se foi o Domingo... Foi de manhã que o encarei , bem junto ao rio onde já se choca com o mar.
Soube-me que nem ginjas !
Amanhã levanto-me cedo. Tenho de trabalhar já que o fim de semana não deu para isso.
Mas tenho desculpa, estava Lua cheia e Sol e, quando estes dois astros cruzam os céus, na terra não há tempo para deveres.
Portanto boa noite
Devia ser Domingo amanhã novamente....

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:28
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Domingo, 17 de Março de 2019

Às vezes é preciso

 

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Desce da escrita e vem sentar-te por aqui... Não importa onde... senta-te apenas

Abandona o corpo

 É o fim de mais um dia no relógio da noite

Ainda que os teus olhos tenham o mar dentro 

deixa que o pôr do sol fique lá atrás na beira da maré


Sabes? 


Às vezes é preciso dormir

 descansar o dia cansado que te pesa nos ombros

Às vezes é preciso dormir para não desistir

 Ouve música e  senta-te

 lê e senta-te

fecha os olhos, senta-te

 mas abandona as horas que já passaram...

 Amanhã rejuvenesce o dia

é  Primavera  não tarda

Às vezes é preciso dormir para não desistir...

 Deixa-te estar... e dorme.

A Primavera vem já a seguir

 Fecha-se o Inverno na Curva da manhã e a Vida vai acontecer

 Acontece sempre

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 23:41
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Always Remember Us This Way

 

Always Remember Us This Way

That Arizona sky
Burnin' in your eyes
You look at me and, babe, I wanna catch on fire
It’s buried in my soul
Like California gold
You found the light in me that I couldn’t find

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Lovers in the night
Poets tryin' to write
We don't know how to rhyme but, damn, we try
But all I really know
You're where I wanna go
The part of me that's you will never die

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way

Oh, yeah
I don't wanna be just a memory, baby, yeah

Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh
Ooh oh, oooh oh, oh, oh

So when I'm all choked up and I can't find the words
Every time we say goodbye, baby, it hurts
When the sun goes down
And the band won't play
I'll always remember us this way
Way, yeah

When you look at me
And the whole world fades
I'll always remember us this way

escrito no papiro por ACCB às 23:33
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019

Japan

 

escrito no papiro por ACCB às 23:08
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

Às seis da tarde

 


Ás seis da tarde
as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom
e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante
o dia se punha
porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
Chorar na condução 
 
Marina Colasanti
Nasceu a 26 Setembro 1937
(Asmara, Eritreia)
 
é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritreia.
Viveu sua infância na Líbia e então voltou à Itália onde viveu onze anos.
 
escrito no papiro por ACCB às 23:30
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Domingo, 10 de Março de 2019

Devia ...........

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Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
 
 
José Gomes Ferreira
Nasceu a 09 Junho 1900
(Porto, Portugal)
Morreu em 08 Fevereiro 1985
............................................... foi um escritor e poeta português, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira e pai do arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas Ferreira.
escrito no papiro por ACCB às 18:34
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EU SEI, MAS NÃO DEVIA

S. João Novo 177960421178187_n.jpg

 


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
 
Marina Colasanti
escrito no papiro por ACCB às 18:30
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Sábado, 9 de Março de 2019

Viu este filme? Veja

 

escrito no papiro por ACCB às 23:07
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Quarta-feira, 6 de Março de 2019

A las 5 de la tarde

 

escrito no papiro por ACCB às 19:02
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Iremos Juntos Sozinhos pela Areia


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Foto de ACCB _ praia da areia branca 


Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.



Sophia de Mello Breyner Andresen | "No tempo dividido", 1954
escrito no papiro por ACCB às 16:11
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SÊ PACIENTE; ESPERA

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Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
 
Eugénio de Andrade
escrito no papiro por ACCB às 12:03
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Domingo, 3 de Março de 2019

Se minto....

 

 

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“Se minto?

Quantas vezes.

Mas em palavras.

Não nos meus olhos castanhos portugueses.

 

Se minto?

Minto pois.

Mas nas orais palavras que vos digo,

não nas que estão a sós comigo e

em que enfim deixo de ser dois:”

 

 José Régio

escrito no papiro por ACCB às 20:53
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Sábado, 2 de Março de 2019

É p'rá manhã

caminho-de-volta. Téta barbosa jpg.jpgO caminho de volta – Téta Barbosa

Cortar o tempo

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

Estamos sempre adiar para amanhã. Podia ter sido hoje , mas é assim, julgamos que vamos ter o tempo todo do Mundo e quando vamos ver, já era.
É assim, passou, ardeu, foi-se... tudo. O momento, a hora, a ideia não se concretiza. Fim.

 

Dizia o Ricardo Araújo Pereira há dias que passamos pela Vida como o condenado pelo corredor da morte. Acharíamos estranho se o condenado se ri-se... Mas continuamos em frente até ...à morte  sempre a rir . Era qualquer coisa como isto, ... mas a ideia era seguramente esta.

E é verdade. Que fazer se não rir? Ou então viver o corredor da melhor forma, torná-lo mais largo, com mais luz, derrubar-lhe umas paredes,  provocar umas manobras de diversão durante o percurso para o demorar e  tornar mais longa a travessia... Ou mais agradável, mais ilusória...

A vida é tão curta dizemos nós quando já passámos uns anos valentes a encurtá-la, a desejar atingir um ponto que nem sabemos qual é. Saltamos de data em data, vamos "abatendo" a distância entre o que queremos realizar e, nem nos apercebemos que estamos a abater a vida.

 Vivemos en função das férias de Verão, das férias da Páscoa que nos levam para paragens distantes, dos aniversários, do natal... dos feriados e curiosamente do Carnaval... Há uma canção que diz que a Vida é um carnaval... Pois que sim,.. deve ser isso mesmo.

Então qual é a próxima etapa??!! As férias pois claro. Trabalhamos que nem uns escravos para garantir 15 dias de férias ou um mês a ver os dias passar.

 Já não sei se não estão certos os jovens que partem por esse Mundo fora, à descoberta e que vão ficando aqui e ali, ganhando dinheiro aqui e acolá, autênticos nómadas cheios de vida, de conhecimento, de experiência.

 Ensinaram-me na minha geração que segura era a casa, a família, o país... E o Mundo é tão grande que quem não viaja não vive.

Cada um devia,  sem apegos, sem remorsos, sem prisões, sem medos, fazer este corredor, inventar as manobras de diversão possíveis e imaginárias e viver pelo caminho.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 21:45
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019

........tudo em branco

 

 

Estranho é quando se quer escrever ou se tem de escrever e nada se escreve

 Nem o desenho dos pensamentos porque nem pensamentos há

 É o vazio

A página em branco de que fala o Jorge Palma

 E eu que nem um cigarro tenho para fumar... porque nem fumo

 

 Estas coisas de escrever

só acontecem quando elas querem

 Não temos nada preparado e surgem

queremos preparar e não existem

 

Estou nisto por teimosia

 vou tratar de escrever outras coisas

que daqui nem uma nota, nem um tom, nem uma letra

Chama-se inspiração

 desce não sei de onde

mas só quando quer....

tudo em branco... é exactamente como diz o Jorge Palma.

ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:23
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019

E se fôr em Março?

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FOTO - ACCB

...............

Tinham-lhe dito que tinha jeito, até tinham tirado cópias do escrito. Jeito, jeito para os distrair uns minutos a ler umas linhas. Umas coisas escritas a correr porque escrever lava a alma e deixa o dia mais leve e a noite mais sossegada.
Mas publicar um livro exigia páginas, talvez forçar-se a escrever o que não lhe vinha à ideia. Ou implicaria apenas juntar uma montanha de escritos antigos e novos e mandá-los para o Editor qualquer que os quisesse alinhar em folhas brancas?
Já falara disso várias vezes, até já projectara alguns escritos que dormiam em gavetas e agora já em Cds, discos rígidos, etc. Alguns tinham-se perdido por aí, ou andavam por aí, em algum espaço de alguém que talvez os tivesse guardado e nunca mais os tivesse lido, ou talvez ainda tivesse vontade de os ler mas não o fizesse por medo.

Acordar memórias é o mesmo que uma sessão de exorcismo, só que não exorciza nada, fica tudo bem mais endemoninhado e, os demónios antigos, crescem como nos filmes de terror porque engolem os mais recentes.

Não há nada como os demónios antigos, ganharam resistência com o tempo e, se vivem adormecidos, uma vez acordados é como aquela canção antiga que diz que Paixão antiga não morre de vez.
É por isso que alguns escritos não são relidos.

- Mas podia escrever, que tal sentar-se e começar?
Pseudónimo?!


3 de Fevereiro de 2015

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 17:27
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019

Sabem aquela cor........

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Sabem aquela cor que o Sol pinta na tarde ao fim do dia, cheia de aguarelas vermelhas e azuis? Hoje encontrei-me com essa arte que ele tem de pintar o céu...

Depois, à noite, perante uma Lua que é ou minguante se for C ou crescente se for D, tento lembrar-me de como era o céu nas férias de Verão , lá pela casa da avó, com toda a gente a dormir e só eu e os primos acordados na proibição do momento.

Faço o balanço do dia e noto que acordei com o Sol, percorri a cidade ( diz o meu conta Kms pessoal que andei 8Km 460 metros...), foi longo o percurso e nem dei por isso... Em Lisboa a calçada tem Kms mas os pés nem notam se não levarem saltos altos...

Pelo meio do dia notícias de vidas que ficaram interrompidas... Vidas que deram tudo e que se interromperam a sós, sem perturbar ninguém...

Penso na idade em que poderei fazer tudo o que quiser... e penso que não quero que chegue, mas podia chegar, podia ser agora, comprava uma viagem para o outro lado do mundo e ía à descoberta...
.....vasculhava nas agências de viagens mil percursos... e dou comigo a viajar. Há sempre um prazer inexplicável no projectar férias, momentos, espaços... realiza-los também é bom só que termina depressa.
A antecipação das férias é sempre mais saborosa... E antecipo.

Sabem aquela cor que o Sol pinta na tarde ao fim do dia, cheia de aguarelas vermelhas e azuis? Depois de observada dá isto.

13 janeiro 2016 - 21h44

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:41
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019

9.1.2019

 

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"Deixei de ouvir-te. E sei que sou mais triste com o teu silêncio. Preferia pensar que só adormeceste; mas se encostar ao teu pulso o meu ouvido, não escutarei senão a minha dor. Deus precisou de ti, bem sei. E eu não vejo como censurá-lo ... ou perdoar-lhe".

Maria Do Rosário Pedreira

escrito no papiro por ACCB às 11:45
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2019

RECOMEÇAR

 

Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.

 

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…

 

Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…

 

Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…

 

Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.

 

Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.

Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos
desafios.
Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho
de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida

para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…

 

” Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura.”

Carlos Drummond de Andrade.

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escrito no papiro por ACCB às 21:18
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A MINHA TARDE

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Do vento disponho do sol disponho da árvore
arranjo pássaros arranjo crianças
tenho mesmo à minha disposição o mar
talvez com tudo isto possa formar uma tarde
uma tarde azul e calma onde me possa refugiar
Mas e as ideias as doutrinas os problemas?
Se nem resolvi ainda o problema da unha do dedo mínimo
como pretender ter resolvido o mínimo problema?
E as ideias, que só servem para dividir?
As ideias têm úmeros inúmeros
e é difícil caminhar no meio da multidão
Podia dizer (mas não me deixa descansado):
Sou novo. Tenho por isso a razão pelo meu lado
Deixai os pássaros cantar as crianças brincar
o tempo não urge o coração não arde
Quem sou eu? Eu só e minha tarde
As crianças com as suas vozes brancas
riscam alegremente o céu azul
passam as aves em seu voo rasante
desde Sá de Miranda até Jorge de sena
E o tempo passa assim. Sou eu e o passado
Era novo. Não tenho a razão pelo meu lado

Ruy Belo

escrito no papiro por ACCB às 21:13
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Inquietação

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Deixa-me que te escreva sem ser a sério... Quem sabe alguma coisa de jeito se há-de ler.
Eu sei que é apenas tentação de me perder entre palavras e portas entreabertas de pensamentos inacabados. Não há que resistir e, no entanto, tenho resistido tanto a este cair em frases e pensamentos, letras e aconchegos de ideias que ainda não existem, já existem,... mas não conheço...


Não que não tenha muito para escrever, tanto para questionar,... mas não é nada disso, nem daquilo que costumo escrever.


É um desvario de me perder no que nem sei onde pára,...onde começa ou onde existe.
Ideias loucas,...inquietação,... palavras soltas,... todas juntas num ficar-se longe para ficar tão perto.


Escrever por escrever...pode ser que se leia alguma coisa de jeito.
Inquietação,.. inquietação...
Ainda hoje,... ao lado do cinza bege do rio que corria pela margem logo ao virar do olhar, pensei quantas imagens trazia ele,...o rio...


Quantas histórias tinha para contar de tão veloz...para onde ía?...Como se a escrita fosse assim como uma maré...que não sabe onde é a foz mas vai... desvairada e tudo faz sentido ou não...Ou apenas começa a fazer sentido quando o caudal se olha ao longe e é só um... muitas margens e só um leito de água...
Não tinha barcos,... nem pontes o rio. O nevoeiro roubara a ponte como quem apaga o que acabámos de escrever...desassossego...
E o céu era da cor do caudal que abria o rumo de uma não sei que imaginada foz que nunca existiria... Inquietação...inquietação...

Não fora o nevoeiro roubar a ponte e eu sabia agora o que escrever.
Vou aquietar-me.

( 8 de Janeiro de 2014 )

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 20:13
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Sábado, 27 de Outubro de 2018

Vale muito a pena

 Inteligente e Viva! Vale muito a pena ver ouvir e seguir :-)

escrito no papiro por ACCB às 09:59
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

Lento com mar ao fundo

 

escrito no papiro por ACCB às 23:55
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018

Poder Soberano Comunicação

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Parece que é o momento em que me levanto e digo umas palavras
É hora de fazer os agradecimentos...
Mas as pessoas da Justiça não vivem sem culpados , a Justiça não vive sem descobrir as culpas ( é um pouco como os jornalistas), e neste caso há que mencionar os culpados de estarmos aqui hoje
Poderão dizer que sou a autora material mas há os autores morais...Há várias culpas aqui reunidas hoje à volta deste lançamento

Na verdade tudo começou com uma 1ª e Principal culpada
A Drª Rosa Vasconcelos
é a primeira culpada.
Desafiou-me para o mestrado na Universidade Nova Um mestrado que segundo ela me iria encher as medidas - Comunicação Media e Justiça ... Já que eu gostava tanto destes temas....
E eu, que nunca tinha pensado em fazer um mestrado.... fui pelo tema e pela companhia....

O Professor Hermenegildo Borges e o Dr Conde Fernandes fazem parte do grupo dos culpados também. Receberam-me na Faculdade de Ciencias Socias e Humanas e na Faculdade de Direito e juntamente com outros professores, censuraram-me ensinaram-me questionaram-me e tive o prazer de voltar aos bancos da Faculdade e poder desconstruir conceitos....

Há um outro culpado que também está sentado nesta sala e que pela forma como deu a formação na altura em que fiz o curso de Juiza no CEJ, me despertou para a Comunicação de Dentro para Fora e me ensinou que o Juiz não é só o técnico do Direito e que a Justiça será tão mais justa quanto mais se fizer entender.

É o Dr Laborinho..... Será sempre o meu encenador preferido

Mas há mais..... Há quem aqui esteja que entende que até nem escrevo mal, que até posso publicar o que escrevo, .... que até pode ser lido o que escrevo... que porque não ? Que sim, tem de ser... Tens de publicar! e abre-me o caminho para a Editora...
Tem de publicar diz-me outro alguém ... Ah mas eu tenho e rever o texto, eu nem tenho tempo de o fazer.. Ah mas eu faço-o... eu faço a revisão...
De certo que o José Luís Outono sabe de quem falo... e o José Carlos de Oliveira também sabe..
E perdi o medo de escrever fora dos processos para um Auditório Universal.

E o golpe final de culpa é dado pela Drª Teresa Adão que acha que a sua Editora pode ter um livro como este numa coleção Jurídica....
E eu confesso que cedi... e junto a minha culpa à deles
Estamos aqui hoje à volta não de uma tese de mestrado mas de uma reflexão que passei ao papel....
Urge saber comunicar
É algo que se vem afirmando desde que iniciei a minha carreira de juíza
Urge que o poder Judicial entenda que tem de ser entendido

Que perceba que
1. Abrir as portas à comunicação não basta.
2.Respeitar o dever de reserva não é suficiente e é limitativo.
3.Ir mais longe e repensar as normas e a organização geográfica do judiciário não é o caminho final a percorrer.
4. É preciso repensar as mentalidades e mudar os comportamentos acompanhar o
tempo e a vertiginosa mudança de costumes
5. Velhas desconfianças, medos e sobrancerias não são bons conselheiros num Estado de Direito
6. Não basta ser rigorosamente técnico é preciso ser absolutamente humano e abrir-se ao Outro por muito diferente que nos pareça.

Agradeço a todos os que me quiserem julgar e concordar com o que aqui escrevi ou discordar veementemente do que aqui afirmei...
Provavelmente em muitos pontos já nem eu concordo comigo...

Agradeço a todos os culpados deste trajecto. Muito.
Um obrigada muito grande pela vossa presença, pela vontade de estarem aqui....
se me lerem... depois, digam-me de Vossa Justiça .
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 20:30
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2018

Papel em branco.....

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Isto até parece o Jorge Palma a gastar cigarros e whisky velho. Deve ser do velho...para ter sempre inspiração...
Papel em Branco e Relógio implacável às voltas. Ainda me hão-de explicar como é que ele, o relógio, consegue puxar o Sol para baixo , como se fosse uma cortina chinesa só para deixar a Lua à vista.


O papel continua em branco.... agora até ía um cigarro nem que fosse só para lhe observar as espirais de fumo,...podia ser que a imaginação se enovelasse nelas...


Whisky não que não bebo.


Esferográfica?... Não... demasiado prática e plástica. Caneta, tem de ser a caneta ... com aparo elegante... comprido, nem muito grosso nem muito fino... daqueles macios que deixam a letra com ar de antiga e bonita,... que isto de escrever no teclado estraga a caligrafia.

Hum... queixo na mão, papel em branco... cortina corrida, chuva lá fora... Ainda se ao menos caísse uma trovoada.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:13
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.........e os papéis velhos.........

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Olha, estou assim, numa pasmaceira com o cotovelo fincado na secretária.
Tanto papel. Tenho uns muito velhos para ler.

Lembrei-me de que gosto de fotografias velhas, não é antigas, é mesmo velhas. Têm um aroma característico. Já reparaste? Não não é tom é mesmo aroma. Algumas cheiram aqueles bombons com recheio embrulhados em pratinha fina,... lembras-te? Deve ser da caixa.

E os álbuns de fotografias com a folhinha de papel vegetal a separar e os cantos transparentes que as seguram nas páginas?
Lembras-te?!

Estou assim, pasmada em cima da secretária, sentada nos pensamentos e com os olhos ao fundo, em fotografias com margens picotadinhas de branco.
E tenho ali uns papéis muito velhos para ler....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:09
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sílaba súbita

 

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Sílaba súbita? Sim é súbita a sílaba, o gesto, o pedacinho da imagem que salta à vista e marca.

Ando com as sílabas todas desarrumadas e tenho de escrever para perceber o sitio delas.

Assim, de súbito, como se acabassem todas amanhã.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:05
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