Terça-feira, 26 de Outubro de 2021

Os Dias Escuros

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Não gosto de dias escuros, são assim como fotos a preto e branco com retoques de sépia mas de imagens colhidas em locais frios e húmidos com gente triste dentro. Triste de fome, de falta de vida, triste de só, sem trabalho, sem dinheiro, sem comida,... sem vida,... como os livros de Emile Zola ou os Miseráveis de Victor Hugo.
 
Não gosto de dias escuros... fazem-me lembrar os quartos dos amantes onde de tristeza não se abriram as janelas... Não que se guarde dos olhos do dia o amor ou a paixão, antes se esconde o frio de uma cama vazia, já feita e que não se desfez e todo o sol preso do lado de fora que nem as frestas das janelas de tinta estalada deixam entrar.
 
São como uma foto de Tarkovsky... Têm tudo dentro e, no entanto, se olharmos cai-nos a tristeza em cima.
 
Arrepia-nos a alma e deixa-nos pensativos a ver se percebemos porque não se deixa entrar o Sol. Esmaga-nos o peito... até os ombros dos homens não têm Sol...
 
Não gosto de dias escuros, chuvosos, lentos peganhentos, que se arrastam pelas paredes, pelos campos... como um cão que permanece ao pé do dono e não entende se ele já está morto se apenas desistiu de se mover.
 
Não gosto.... e gosto.... Olho o ar em volta como se houvesse uma história por contar em cada neblina, em cada som envolto em nevoeiro, em cada nuvem que teima em pendurar-se dentro de mim como um morcego sonolento...
 
Nos dias escuros há paredes bafientas e janelas de tinta estalada, há homens de ombros caídos e sinto-lhes no rosto aqueles que os fizeram infelizes... e vejo-lhes os olhos que só enxergam o chão e não olham de frente... quietos, sonâmbulos, ...como uma cama vazia, já feita e que não se desfez e todo o sol preso do lado de fora que nem as frestas das janelas de tinta estalada deixam entrar.
 
25.10.2015
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 01:32
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021

Cansaço sobretudo cansaço

8 de outubro de 2012
Tombaria a cabeça sobre a mão, ou o queixo e mergulharia no sono das pálpebras...
Perguntaria por mim num sobressalto de segundos em que um filme longo duraria isso mesmo...
Os papéis acordam-me,...as pessoas dentro deles não dormem... o sobressalto é constante...o impulso é doloroso... o caminho vai-se fazendo.....faz-se.
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 11:37
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2021

Como é um alentejano?

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Como é um alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho...
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão:
-Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
-dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
-dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
-dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
-dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
-dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
-dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus: nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso!
escrito no papiro por ACCB às 20:31
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Viva

Se quiser viver muito, viva.
Se quiser sorrir muito e muito alto, faça-o.
Se quiser cantar alto cante ainda que desafinado ou desafinada, "pois os desafinados também têm coração."
Se lhe apetecer abraçar abrace .......e andar descalça ande...
E apetece-lhe vinho do Porto em Lisboa, beba,... embriague-se de vontade de ser livre e feliz...
Que se dane a regra, a norma, o preconceito..
Tem vontade de gritar lá do fundo da alma alto e bom som mas é de noite e todos dormem?... Apague a luz, abra a janela e grite! Pode ser que o Sol se acenda.
E se lhe apetecer não dormir não durma...
E se morrer de sono morra o tempo necessário para acordar bem disposta ou bem disposto e querer viver muito.
Aí Viva!
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 20:29
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021

O peso e rapidez das horas

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Correm tão súbitas as horas

Cheias de rostos fechados

 mais fechados ainda agora depois de estarem fechados

 De vozes caladas

 mais sem voz ainda depois de estarem em silêncio

 

 E tanto ruído à volta dos pensamentos

 Uma vertigem de ruídos e de pensamentos.

 E lá fora não há nada que apele ao som 

Nada que apele a inverter o movimento dos dias e das horas

 

 Correm tão  súbitas as horas

 Nos silêncios súbitos

 dos fechos dos rostos e da indiferença do olhar

 Como se todos fossem culpados de tudo por nada.....

 

 Correm súbitas as horas e mais súbita a Vida

 

 ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 23:38
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Sábado, 2 de Outubro de 2021

Sevilla Tiene una cosa..............

 

escrito no papiro por ACCB às 01:11
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2021

ESTOU CANSADO

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ESTOU CANSADO
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
 
Álvaro de Campos
escrito no papiro por ACCB às 22:27
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021

A Flor

É assim a simplicidade das almas puras
 

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Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!
 
Almada Negreiros – “A Flor”
 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 22:24
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021

Outono

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Dizem que é Outono desde dia 23 mas,
o que é certo, é que a esta hora o Verão esta lá fora
e passeia-se pela calçada de mãos nos bolsos.
 
Devem ter feito mal as contas
com esta mania, que têm os seres humanos,
de que as estações calham sempre na mesma plataforma
e têm de se encaixar no mesmo mês.
 
Já não é como queremos é como fazemos.
E esqueçam que não chove em Agosto, é engano.
Ou que não há perna sem meia em fins de Setembro,... é panaceia.
 
Havia de haver mar ali ao fundo
e eu descia e molhava os pés na maré.
Aposto que a esta hora a maré recuou pela Lua
e não há som que a denuncie na praia,....a não ser mesmo na orla da espuma.
 
Há-de nascer o Sol e dizem que vai andar por aí, o dia todo, como faz no Verão pelos dias longos que agora já começaram a recolher-se mais cedo.
..................
É o único sinal de Outono,
o pôr do sol à hora que eu deveria descer à praia em vez de regressar a casa.
 
Diz-me o sono que me começam a pesar as pestanas penduradas nas pálpebras,...
mas, esta coisa do Verão teimar em caminhar lá fora de mãos nos bolsos faz-me pensar em café.
 
Ao menos podia sentar-se e fumar um cigarro.......
 
 
27 de setembro de 2019 
 
ACCB
 
escrito no papiro por ACCB às 11:34
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Domingo, 26 de Setembro de 2021

Jardim Suspenso

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          Jardim Suspenso idealizado por Gerda Steiner y Jörg Lenzlinger para a Bienal de Veneza - 2003

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Sábado, 25 de Setembro de 2021

O Poder Oculto da Arte

A arte exerce um poder oculto sobre nós... como a Lua.

 Se estamos dispertos a fascinação surge como a força das marés.

 Ou será a imaginação que nos inunda?

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Escultura em bronze de Eléonore de Moffarts, 2009. 

escrito no papiro por ACCB às 07:27
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2021

Fala-me…

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Fala-me do tempo e das intrigas,
E dessas coisas que dizemos por falar…
Diz-me prosápias das modestas raparigas
Que fazem renda numa casa à beira-mar…

Diz-me essa história proibida de dizer,
Arrecadada no cacifo dos segredos…
Conta-me um verso, daqueles que dão prazer,
Quando as vagas fazem rimas nos rochedos…

Canta-me um fado, com a tua voz castiça,
Denunciando os infortúnios da miséria…
Fala do povo, do divino, e da justiça,
Com essa crença que a justeza faz etérea…

Diz-me um olá… no meu ouvido encortiçado
Pelo silêncio das palavras mais esquivas…
Fala do conto que não foi sequer narrado
No nobre esboço do condão das narrativas…

António Prates
 

escrito no papiro por ACCB às 07:05
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021

Eugénio de Andrade

escrito no papiro por ACCB às 15:43
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A cabeça noutro lado

Aqui às aranhas com processos

 A passar os olhos e a cabeça por leis e doutrinas, jurisprudência e coisas dessas

 E a lutar contra a enorme vontade de me sentar a "escrever mas é"

 De me descalçar por aí numa praia qualquer

 de me ir embora daqui

 

Às aranhas  com obrigações

 em luta com a vontade imensa de me entregar a devoções

 E os dias passam numa cruz de decisões

 e a cabeça que só quer  sair daqui

 e  como diz uma canção que

 por aí anda , dizem em voga,  com uma voz maravilhosa

e um clip assim assim, que, a meus olhos,  nem Portugal retrata com rigor:

"Eu quero tirar os pés do chão
Quero voar daqui p'ra fora e ir embora de avião".........

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 15:38
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021

O Outono chega hoje.

 

 

 

 

 

 

BALADA DE OUTONO

 

 

 

 

 

Hoje celebra-se, uma vez mais, o Equinócio do Outono. Segundo a Mitologia Clássica a Deusa Perséfone viaja para o reino do Hades (submundo) e com isso a Natureza morre (Outono), daqui por 6 meses, ela voltará para junto de sua Mãe, Deméter e a Natureza renascerá (Primavera).
escrito no papiro por ACCB às 19:21
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2021

O Mar dos meus olhos

 

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Seeing with the Sea

 

There are women who carry the sea in their eyes

Not because of the color

But because of the vastness of their souls

 

And they hold poetry in their fingers and smiles

Remaining beyond time

As if the tide could never carry them away

From a beach where they were happy

 

There are women who carry the sea in their eyes

By the greatness and the immensity of their souls

By the way they embrace the things of this world and men…

There are women who are like the tides on a dark afternoon…

so calm

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:01
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A miúda o olhar e o gelado

 

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( Foto de Alexandre Costa)

 
 
Quero um gelado
Queres de quê?
Um gelado, igual ao daquele menino...
Está certo, baunilha ? Chocolate?
Pode ser. Só quero um gelado.
E como pagas?
Não tenho dinheiro. Só tenho vontade de comer um gelado
Está certo. Baunilha e chocolate. Assim como assim, já estiveste a lambuzar-te com quê garota?
Com nada senhor. Foi ontem ao jantar. A minha mãe trouxe para casa um feijão que cozeu com carne.
E a cara, não lavaste a cara?
Não senhor. Para quê se queria comer um gelado de chocolate ?
Alegra os olhos miúda. Deixa o senhor da foto que só quer ser mais um fotógrafo famoso e roubar-te o momento .
Ele não come senhor?
Não. Para ele não há doces. Só o teu olhar.
 
 
ACCB
21 Setembro de 2014
escrito no papiro por ACCB às 19:23
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Em Mitos Urbanos e Boatos

 
 

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Susana André refere o discurso do padre Flyinn no púlpito que prova brilhantemente o carácter irreversível do boato.
 
Segundo o mesmo, uma mulher resolve falar mal de um indivíduo, mas à posteriori sente um estranho sentimento de culpa. Dirige-se a um padre perguntando-lhe se um boato é um pecado.
 
Este lançou-lhe umdesafio: «Quero que vás para casa, agarres numa almofada, a leves para o telhado, a abrascom uma faca e que depois voltes aqui!»
 
A mulher assim o fez, regressou ao padre, e este perguntou-lhe qual foi o resultado, e ela:
«Penas por todo o lado, Padre!» e o padre
 
«Agora, quero que voltes lá e juntes todas as penasque voaram com o vento»
«“isso não é possível. Não sei para onde foram. O vento espalhou-as por todo o lado.” E isso”,disse o padre O’Rourke, “é o boato!”[...]» (Shanley)
_____
Os boatos estão confortavelmente instalados na vida das instituições, nas práticas governamentais e nas competições eleitorais.
___________________________
In - Dissertação de Mestrado - E-RUMORES POLÍTICOS Impacto do Rumor na era digital -
Diana Mendes
Licenciada em Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real.; Aluna de 1º ano de mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação
escrito no papiro por ACCB às 19:21
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Cry me a river

 

 

 

RIVER

escrito no papiro por ACCB às 15:34
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2021

Para o Serão

 

escrito no papiro por ACCB às 22:09
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Arte e natureza a simbiose

Escultura de Jerzy Kedziora Alpes Suíços
 Aigle-Leysin-Les Mosses, prto do  Lago Léman.
 

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escrito no papiro por ACCB às 11:23
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.......tanta coisa.........

 

 

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Eu não escrevo nada

Não tenho nada escrito

devo ter por aí uns poemitas riscados ou  a preencher dias pelo Blog

E depois, junto tudo, e ainda assim apago muito

e chego ao fim com um resultado de tanto.

 

 Como é possível tanta coisa escrita...

 Por onde andei a encontrar tanta letra tanta palavra tanto sentido das coisas

Falo de tudo e de nada

 Junto as palavras dão frases que eu não esperava encontrar

 Se releio agora  penso como foi possível escrevê-lo

 ao sentido das coisas em mim.

 Lembro-me de todos os momentos em que escrevi

 De todos os porquês, de todas as causas

 Acho que nunca  houve consequências.

 

....Tanta coisa escrita....

 

 ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 11:00
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Domingo, 19 de Setembro de 2021

Limites

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( Foto de jared Tyler)

________

Zangada com o Mundo

 O pequeno Mundo em redor

 Sem espaço para o Mundo maior

 Limitada pelas horas do dia a dia

 os deveres e as obrigações

É uma prisão

 Angustia apesar de não ter grades

 Tens tanta coisa para fazer 

que as horas do dia não cabem na tua liberdade

 Há pensamentos a mais para tão pouco espaço

 O Limite não é o céu

 O limite são os outros.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 12:20
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Telefona quando quiseres

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Telefona quando quiseres
_______
Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como não há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica.
Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada.
Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar.
Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa.
Não tenho o
direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa evidência me matar agora.
E morro, mas não morro.
Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste?
Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
 
 
José Lúis Peixoto
 

 

escrito no papiro por ACCB às 12:19
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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2021

Adeus - outro do mesmo O'Neill

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É simples a separação.
Adeus.


Desenlaçado o último abraço, uma pressa de dar contas um ao outro.
Já não há gestos. O derradeiro (impossível) seria não desfazer o abraço.


Pressa de cada um retomar o outro na teia lenta da remembrança.
Não desfazer o abraço. Ficar face encostada ao niagara dos cabelos.


Sobram fotografias, voz no gravador, um bilhete na caixa do correio. Sobra o telefone.
Tensão - telefone. Experimentada. Sofrida.
Tensão - telefone. Possibilidade de voz não póstuma.
No gravador, voz de ontem, de anteontem. De há anos.
Sobra o telefone. Mudo.
Retininte?


Sobrarão as cartas. Sobra a espera.
Na teia lenta da remembrança, retomo-te em memória recente:
na praia de ternura onde nos enrolámos e desenrolámos desesperados de separação.
Sobra a separação.

 

Alexandre O'Neill

escrito no papiro por ACCB às 01:22
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2021

O PÁSSARO MORREU

 

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O pássaro morreu. Finou-se
em pleno voo. Foi um mal
que lhe deu. E foi-se.

As asas não cairam primeiro.
Pois primeiro caiu o silêncio
nos olhos da tarde. Derradeiro
foi o seu esgar. O Sol, afinal,
desconhecedor, apenas arde.

Uma profunda tristeza tomou
conta do vasto azul celestial.
Não deu para distinguir a sua
cor. Estonteado pelo dia, viu a lua
nos seus ímpetos espertos de pardal.
E depois o seu corpo de penas assomou
o verde da terra e amalgamou-se.

Ninguém escreveu a notícia.
Ninguém se importou.
Mas a verdade
é que neste fim de tarde
um pássaro morreu. Finou-se.
E o Sol, desconhecedor,
apenas arde.

 

José António Gonçalves

PS: Nunca deveríamos deixar morrer os nossos pássaros.
escrito no papiro por ACCB às 01:16
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2021

VÓMITO!

 

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 "Odeio os caroços nas frutas.

Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim.

Não como fruta se tiver de a descascar e uvas só sem grainhas"

escrito no papiro por ACCB às 15:48
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Pensamento do dia

 
escrito no papiro por ACCB às 15:40
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021

Amanhã 11 Setembro

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escrito no papiro por ACCB às 15:06
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Era aqui que eu estava bem.....mas não .....

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escrito no papiro por ACCB às 09:50
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O declínio...

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"Que princípio social se pode erigir em fundamental? Todos e nenhum, conforme a habilidade do argumentador. Há períodos de ordem que o são de estagnação, como a longa vida morta de Bizâncio. Há-os que são «de actividade intelectual, como os da Antiga Monarquia francesa.
 
 
Há períodos de desordem que são a ruína intelectual dos países em que se dão, como o Império Romano em declínio, ou a época da Revolução Francesa, propriamente dita. Há períodos de desordem fecundos em produção intelectual, como o da Renascença nas repúblicas italianas, como o que abrange o tempo de Isabel e de Cromwell em Inglaterra."
 
 
Fernando Pessoa, de “Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação”. Fernando Pessoa. (Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1966. – 74.
escrito no papiro por ACCB às 00:04
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2021

A Casa

 

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Sei dos filhos
pelo modo como ocupam a casa:
uns buscam os recantos,
outros existem à janela.
A uns satisfaz uma sombra,
a outros nem o mundo basta.
Uns batem com a porta,
outros hesitam como se não houvesse saída.
Raras vezes sou pai.
Sou sempre todos os meus filhos,
sou a mão indecisa no fecho,
sou a noite passada entre relógio e escuro.
Em mim ecoa a voz
que, à entrada, se anuncia: cheguei!
E eu sorrio, de resposta: chegou?
Mas se nunca ninguém partiu…
E tanto em mim
demoram as esperas
que me fui trocando por soalho
e me converti em sonolenta janela.
Agora, eu mesmo sou a casa,
casa infatigável casa
a que meus filhos
eternamente regressam. 
 
Mia Couto  “Tradutor de chuvas”✍
escrito no papiro por ACCB às 12:04
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Quarta-feira, 8 de Setembro de 2021

Lobo Antunes

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"Há tempos, na última ocasião em que fui buscar livros ao Correio, pus-me a ver os que ali estavam como eu, de papelinho na mão, à espera. Mulheres, homens, gente de toda a espécie: pareceram-me vazios, lentos, cansados, gastos pela desilusão dos dias.
 
As mulheres, sobretudo, a quem os sonhos falhados tiraram o brilho, a quem a desesperança maltratou. O horror dos casamentos, a pequena tirania quotidiana dos maridos, a quem só pedem que as entendam sem necessidade de palavras.
 
O manso desespero das funcionárias atrás do balcão, os sorrisos delas desprovidos de luz.
Sol lá fora, nas árvores. Aqui lâmpadas. Envelhecem entre lâmpadas acesas, com sol lá fora.
 
Os psiquiatras engordam à custa das lâmpadas acesas, eles que não vivem melhor. Vendem conformação em lugar de alegria. Adapte-se ao mundo, não peça ao mundo que se adapte a si."
 
 
António Lobo Antunes — Terceiro Livro de Crónicas.
escrito no papiro por ACCB às 18:30
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2021

Estou para aqui a escrever....

— António Lobo Antunes

‎”Escrever é sobretudo uma questão de trabalho. (…) É tudo conquistado penosamente.
Aliás, quando está a sair com facilidade, eu desconfio logo.
 Aquilo que vem muito depressa não pode ser bom.”

 

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Estou para aqui a ver se arranjo sono, sono ou um peso qualquer nas pálpebras que me faça desistir de estar acordada, pelo menos por hoje  que amanhã tenho de me levantar cedo.

 

 Olho o relógio digital e ele diz-me que amanhã já é hoje e faz-me pensar que pouco tenho para dormir até às 8h00 da manhã.
Lá fora há um vento rápido a anunciar chuva, dizem que chove esta semana...Tanto se me dá a mim que tenho muito trabalho sentado à secretária, muitas vidas para decidir... Algumas nem se importam com elas mesmas, não querem saber, é só desatinos que dão penas de prisão e moem a cabeça a quem julga. Vá se lá saber porque me ralo com eles...

 

Do que eu tenho medo é de deixar de ver... às vezes penso nisso quando leio os articulados longos e aborrecidos, sem vida, sem alma e com tanta gente dentro,... como se estivessem mortos e, por isso, tivessem morrido outra vez... e sinto os olhos cansados e as letras como que ficam dentro de água... tenho de desenhar rugas nos cantos dos olhos para as ver.

 Concluo que tenho de arranjar tempo para ir ao oftalmologista.., credo! que coisa tão comprida e embrulhada... não admira que seja especilista dos olhos  de quem vê mal... ou lês oftalmologista e escreves direito o-ftal-mo-lo-gis-ta, ou precisas de óculos e mais nada.

 

 Os dias repetem-se a seguir uns aos outros, se não há viagens há trabalho e processos cheios de ginásticas mentais que, dizem, fazem bem,... previnem, evitam o Alzheimer... também tenho medo desse porque tenho medo de me esquecer das pessoas...depois de elas se esquecerem de mim...  Pensando bem,  antes depois... ao menos não me há-de apetecer saber quem são. Ficamos quites.

Já não são horas para reflexões e muito menos destas. Amanhã (hoje), levanto-me pelas 8h00, portanto há que dormir nem que seja só 6 horas. A mim chega-me , sempre me chegou. Ultimamente tenho mais sono mas não é da idade, até porque os jovens é que têm mais sono, nem é de cansaço,... não sei do que é mas, os revolucionários dizem que é das vacinas... 

 

 Pareço uma velha a escrever, bem podia ocupar o tempo noutras coisas...vai chover, aposto que vai chover. Já agora podiam arranjar uma trovoada a ver se este calor peganhento descola.

 

 Vou ler, assim como assim, adormeço.


ACCB

 

 

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 00:08
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2021

Setembro

 

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Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa. É a chuva lá fora que me deixa assim nostálgica.
Depois de cumprir deveres cívicos de que não abdico, cai a noite e o rodado dos carros salpica a estrada que me faz lembrar que hoje ainda é domingo e as pausas são curtas.
São tão curtas as pausas... como são longas as reticências.
Já reparaste que as reticências são cheias de imaginação e silêncios? Como podem ambos ( imaginação e silêncio), conjugar-se em três pontinhos de nada?
Tenho coisas para reler... ...
Não me apetece nada... ...
Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa, só para arrumar os pensamentos e soltar as ideias,... sem as arrumar, sem as ordenar... Precisam de espaço as ideias.
É a chuva que me deixa assim nostálgica e nem é que eu saiba o que iria escrever...
Às vezes tenho a sensação de que vou pensando conforme escrevo e as ideias surgem conforme surgem as letras. Não há nada construído, tudo vai ganhando forma conforme as palavras se vão ordenando e colocando no texto... não havia nada antes...umas provocam as outras e as sensações...ou estas as palavras...
Olha que me sentava aqui agora ...e escrevia-te qualquer coisa... .

............
Todos os Setembros é assim

ACCB (2019)

escrito no papiro por ACCB às 00:32
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Sábado, 4 de Setembro de 2021

Tribunal Constitucional

 

 

 

III. Decisão sobre Apreensão da Correspondência pessoal - Entidade Competente

 

Pelo exposto, o Tribunal decide, com referência ao Decreto n.º 167/XIV da Assembleia da República, publicado no Diário da Assembleia da República, Série II-A, número 177, de 29 de julho de 2021, e enviado ao Presidente da República para promulgação como lei, pronunciar-se pela inconstitucionalidade das normas constantes do seu artigo 5.º, na parte em que altera o artigo 17.º da Lei n.º 109/2009, de 15 de setembro, por violação das normas constantes dos artigos 26.º, n.º 1, 34.º, n.º 1, 35.º, n.ºs 1 e 4, 32.º, n.º 4, e 18.º, n.º 2, da Constituição da República Portuguesa.

Lisboa, 30 de agosto de 2021

escrito no papiro por ACCB às 17:06
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2021

79 Anos de Vida

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escrito no papiro por ACCB às 23:58
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2021

A Vida

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" A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação.
Na dúvida, há um ponto final"
 
 
 
FERNANDO PESSOA
escrito no papiro por ACCB às 18:34
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OBSERVADOR

 

Enquanto dormia…

… os Estados Unidos abandonaram Cabul, 20 anos depois da invasão do Afeganistão. Os últimos cinco aviões militares norte-americanos descolaram do aeroporto ao início da noite.

Ao momento seguiu-se um conjunto de tiros disparados para o ar

em celebração por parte dos talibãs, que, em conferência de imprensa, declararam vitória,

dizendo que agora “o Emirado Islâmico do Afeganistão é uma nação livre e soberana”.

Sara Antunes de Oliveira

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 10:30
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2021

Agosto

30 de agosto de 2013 Alayor, Baleares, Espanha 
 

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I don't care. I love it. Bom jantar.

 

escrito no papiro por ACCB às 18:40
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