Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

O poeta não sabe

 

 

O poeta não diz:- Eu sei escrever poesia
O poeta não sabe que sabe escrever poesias, nem sabe que o escreve é poesia.
Sabe isso quem lê o que ele escreve.
O poeta não diz: Eu sou poeta
Ele não sabe que é poeta.
É quem o lê que o faz poeta.
O poeta escreve porque sente E vai falando do que sente
O poeta não fala do que sabe
É muito mais aquilo de que fala. ...
O poeta não diz :- Eu sei escrever poesia.
O poeta só sabe que para sobreviver tem de escrever o que vai pensando e sentindo...
Desenganem-se os que acham que sabem escrever poesia. Não passam de aprendizes de feiticeiro.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:39
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Interrogação ao Tempo

 

 

 

Passa-te o tempo
E passa-te a Vida
Passa o espanto pelo que ainda é novo
Depois passa o olhar
E passa tanta coisa
................
E abrem-se rugas na memória
que no entanto continua jovem
Passa-te o tempo ressequido
A VIda
............
O Olhar pela pela memória do Tempo
E ficam as rugas que a tristeza
e a revolta te deixam nas mãos abertas

ACCB

 ( Foto de José Luís Outono)

escrito no papiro por ACCB às 19:05
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Como deve ler-se poesia?

 

Como deve ler-se poesia?
Veste o casaco
Senta-te e fecha os olhos

Depois,...depois pega no livro.
Puxa as mangas do casaco. Para cima.
E abre o livro.
Não abras os olhos.
Abre o casaco.
Qual a abertura certa de um casaco.
Fecha o livro
Abre os olhos
Escreve...
Poesia


ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 01:18
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

esboço


  

Deixar cair o traço do bico do lápis a carvão grafitado

Na procura da palavra certa

Que desenhe o sentir que disponha as letras

Que esclareça a mente...

que esboce a necessidade de escrever

só para lavar a alma confusa

na procura da noção De perda

 

ou na confusa sensação

resultado da falta de entendimento das coisas


Deixar cair o risco grafitado

Na ponta do lápis

Na ponta dos sentidos.

ACCB
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

Os Poetas e a Escrita

 

Os poetas têm no gesto

aquele traço lento da escrita

Como se dançassem nas letras

Ou pendurassem os pensamentos no olhar das palavras

 

Não sabem o que vão escrever

Mas escrevem

As mãos pegam nas palavras e escrevem

 

Os olhos ficam em espera

Como se o pensamento nem ditasse a forma

 

Os poetas têm aquele gesto lento

De quem guarda um segredo que não sabe

 

O gesto lento de quem espera

Mesmo que a espera seja já ali

ou só na eternidade.

ACCB

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escrito no papiro por ACCB às 23:36
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Desafio com Mote e Imagem

Esgota-se o tempo de cada vez que te espero na esquina mais escura de mim
Esgota-se o tempo esgota-se-me a vontade

esgota-se-me essa verdade que não sai da minha boca


E é apenas uma saudade doída gemida e louca

 que se atreve a esperar ainda por ti
mesmo quando todos os silêncios já se foram

e todas as lágrimas já secaram!...


 - São Reis

 

 

 

Esgota-se o tempo a imaginar se as tuas lágrimas secaram

Se os tempos já se foram dos teus dedos

Dos gestos que não fizeste

Das palavras que não disseste


Cola-se-me a mão ao queixo

Pendurados no olhar que se prende no que foi

 Ou não foi porque não tinha de ser


Esgota-se o tempo na esquina da minha mão com o meu pensamento

Na elipse que o teu olhar

Faz sobre o tempo
Mesmo quando todos os silêncios parecem ter ido

E as lágrimas nunca existiram

 


ACCB

escrito no papiro por ACCB às 03:55
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

Olha...

 

 

 


 

Olha,

deixa-me escorrer-te o dedo pelo canto da boca

talvez tenhas palavras escondidas

e no canto da lágrima

deixa-me espreitar o cristal da tua memória


Deixa-me descansar os olhos nos teus olhos

quem sabe... encontro os navios que partiram

do cais nunca antes navegado


Olha,

que faço eu sentada à beira mar

na espera da maré que não traz a Lua cheia

de marés por navegar....


Despi-me de sonhos e

guardei-os debaixo do tapete da entrada da alma

deixa-me ficar sentada no beiral

como a ave que partiria

no início do Inverno se nevasse...


Não olhes.....



ACCB
escrito no papiro por ACCB às 21:56
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Terça-feira, 17 de Julho de 2012

Como os loucos de Lisboa....

 


 
Calor desenhado na calçada
pelos degraus as colunas e a maré
descanso na cadeira da esplanada
Porque  na Vida nada parece  o que é

Uma gaivota traça o céu em correria
... Há um risco de viagem lá em cima
O que eu queria era espaço todo o dia
Pra escrever, ler e fazer rima

Tenho nos olhos a sombra fresca da manhã
espero na tarde que à frente se há-de pôr
e vejo o sol caminhar em esperança vã
De que encontrará logo à noite o seu amor

Será a Lua que depois despertará
Será o dia que cansado fecha os olhos
Deitar-me-ei a sonhar com amanhã
Em que a maré descerá de novos os sonhos


ACCB
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

As fadas ditam as letras

 

 

- Que achas? - perguntou-me.
- O que eu acho? Acho lindo.... tão bonito que não sei dizê-lo. Acho que há seres que nos arrancam de nós e isso é raro.
  Acho que poucas têm a hipótese de viver esses flashes, esses momentos em que os duendes descem... e as fadas ditam as letras...
  Acho que tenho lágrimas nos olhos.

 

 

                      ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Sábado, 2 de Junho de 2012

MOTE -

«De que país regressas?
De que mar ou regaço

onde o desejo respira devagar?
Fala, diz ainda a palavra

que faça do silêncio a casa
  ou erga a coroa do lume
  à altura do olhar.»
 
   Eugénio de Andrade
 
Mote dado pela Ni


 

 

 

Que palavra faria do Silêncio a casa?
Ainda sabes inventar palavras que desenrolam sonhos 
Que trazem ventos e desenlaçam asas?
Ainda sabes o roteiro da volta das marés
E usas o astrolábio para encontrar as estrelas nos meus olhos?
...
Sabes de cor o Norte do meu riso
E tens a bússula do meu segredo?
 
De que país regressas que trazes nos cabelos o cheiro da canela
Na pele o aroma da seda
E nos dedos o toque liso do marfim?

Vens das noites de tormentas
desfeitas em cabos e velas pandas de descobertas
trazes nos olhos os sonhos de marinheiros
que ficaram pelas vagas das insónias
perdidos na Ilha dos amores

Que palavra faria do silêncio da tua ausência 
a coroa do lume à altura do olhar
Que  estrelas se descobrem acima do horizonte
num astrolábio que se perdeu no mar....
Fala, diz ainda a palavra que faça do silêncio a casa
onde o desejo respira devagar.....

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 00:10
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Domingo, 11 de Setembro de 2011

Mote:- Se fosse pintor inventava as tintas

 

 

 

 

Inventar a tinta que escorre da tua voz quando me falas baixinho
ou a cor da tua mão na minha
..........
Perguntei ao vento a cor da saudade
disse-me que era a mesma que a tua voz tem

Procurei no tempo a tonalidade
disse-me que estava guardada numa caixa antiga com pincéis velhos
que teria de a encontrar
talvez na próxima Lua cheia
numa noite em que o Luar iluminasse a maré baixa
e que era a mesma da tua mão na minha

Se eu fosse pintor
preparava essas tintas em godés paralelos às manhãs, às noites, aos crepúsculos, às linhas do horizonte ao fundo da memória....

Se eu fosse pintor inventava uma paleta de cores  cristalinas e transparentes em mudanças de tonalidades e rios de sons quentes e púrpura,...

..... não precisava de esperar a Lua cheia na maré baixa,  nem a magia da imaginação.

 

ACCB

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Domingo, 31 de Julho de 2011

a mais inútil sonata.................

 

 

 

Não sei porque havia de haver um piano ou um banco suspensos sobre o mar

e eu sentada à deriva...


não sei porque a maré estava chã...não há maré que seja chã...
os pescadores de sonhos sabem isso.
Apetecia-me que chovessem notas , ou pautas, ou jazz ao piano
..........
só para a maré deixar de ser chã
ou eu deixar de estar à deriva
ou o piano deixar de estar suspenso
ou quem sabe

para um pianista vindo não sei de que maré alta

 se sentar no banco e tocar a sonata de Verão mais inútil que houvesse. 

 

ACCB    

escrito no papiro por ACCB às 00:32
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

A Lua............

 

 

 

 

Anoiteceu (me) assim o dia
raiou a noite Lá ao fundo
adormeço aqui tonta pela luz das letras e das ideias
creio que verei a aurora pela manhã
ou quem sabe o crepúsculo escondida por detrás da Lua.


-

---

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

É Tempo.......

 

 

 

 

 

Tempo de passar os dedos pelo  Tempo.
É tempo de passar os olhos só por mim.
Tempo…Tempo de rever o pensamento.
Tempo de me esquecer ou lembrar de ti.

Das águas claras, ou azuis, em que invento
O mar imenso, o Sol ou o infinito…enfim…
Do querer eternizar cada momento
De elipse…Sol  ao pôr-se…ou outro aroma assim…

Tempo de apagar ou me perder nos medos.
Deste meu querer e não querer…Do sinto.
Guardar  o som de um beijo agarrado aos dedos.

No olhar com que te prendo e não te minto.
É Tempo…de nos perdermos em segredos
Ou deixar o Tempo preso ao Infinito.

Adelina Barradas de Oliveira
Do livro “ Na Floresta não há só borboletas”

escrito no papiro por ACCB às 00:45
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

MOTE "Foi o sorriso que abriu a porta"

  

 

Foto - Dulce João - S. Pedro de Moel

  

  

  

Ainda era dia e o caminho passava pelo mar. 

 

Na ultima curva havia uma ponte sobre um lençol de água

  

Dispus-me a atravessá-la porque a outra margem era logo ali

 

E prometia riscos vermelhos no horizonte

 

 

    

Sentei-me nos ultimos raios de Sol e deixei passar as horas

  

Ao lado por onde a noite caminhava já ao encontro do dia

  

Havia uma porta , não a tinha visto

  

parecera-me um placar onde o velho lobo do mar

 

pendurava os avisos aos banhistas no Verão

 

 

 Abriu-se e tinha os riscos vermelhos do Sol 

 

ao pôr-se na alma das gentes

 

Os olhos tinham o verde do dia que adormecia lá atrás

  

e uma elipse num sorriso branco

  

Perguntou-me as horas e reparei que não sabia do Tempo

  

Disse-me que viera de longe e trouxera a chave

 

  

Mas penso que foi o sorriso

 

 

 o sorriso foi quem abriu a porta

 

 

 

 

 

 

ACCB

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

De costas para o Mar...

 

( foto - Bafureira - Fernando Santos)

 

De costas para o Mar....fora sempre assim que olhara a estranheza da Vida. Nunca as marés lhe deixaram saudades ou manhãs claras e tardes calmas.
Todo o dia se sentava de costas para o mar.
Mas olhava as Vidas que desaguavam na praia e as que se espraiavam nas suas mãos.
Nunca a maré lhe levara nenhuma, talvez porque se sentava de costas para o mar...
Via o pôr do-sol reflectido nos olhos dos velhos e  o nascer do Sol, esse, encontrava-o todos os dias nos olhos das crianças.
 Naquele dia de Inverno frio, procurou a praia onde o Sol fazia concha e olhou na beira da maré a cadeira onde se sentaria sempre, de costas para o mar,...
para que a maré não lhe levasse os sonhos...
 

 ACCB

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 22:22
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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Entre uma extra sístole e outra

 

Não me digas :- Escreve-me

 

Assim de repente... como num sonho ou num sobressalto...

entre uma extra sístole e outra....

 

Não me apetece....

Não quero.

gastei as palavras

 

Afinal as palavras gastam-se

Ou será que as perdi?

 

Talvez as tenha perdido, assim de repente,...como num sonho

Num sobressalto

Ou naquele espaço que fica entre a morte e a Vida

Entre uma extra sístole e outra

 

Estou inabalávelmente decidida a não escrever

NADA.

 

Não rogues uma única sílaba.

O Sol já se esconde entre traços brancos da tarde

Não fui ver o mar

 e não gosto de não ir ver o mar

 

Estou cansada....

Acho que perdi as palavras

num espaço qualquer que abriste

 

 

 

Nem sei onde,...porque também o perdi.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 16:45
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011

A minha casa...

 

 

 

A minha casa à noite, fica um pouco mais acima do Pôr-do-sol.
Quando me levanto, fica entre a maré baixa e o sol nascente.
Pela tarde, quando o Sol vai alto, puxo a cortina do meio dia para baixo e fico a ver os minutos passarem.
Não demoram mais de uma hora porque, depois, tenho de voltar ao lugar onde a minha casa mora.

Quando chove,... fica um bocadinho à esquerda do arco-íris....
 
ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 23:29
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Mote - As palavras que te envio são interditas

 

 

As palavras que te envio são interditas.

Estão em código.

Um código só decifrável por quem ama

Não têm acordo ortográfico

 

Apanha-as antes que o acordo lhes roube sílabas,...sussurros...

Esconde-as do Mundo

Dos olhos mesquinhos que te levam com os dias

Que te escondem nas noites silenciosas e frias

Na amargura do teu sentir

 

As palavras que te envio são interditas

Talvez nem tu as entendas

 

Perdeste o código

nas tardes vazias

No alvorocer de manhãs sem tempo

 em que, de tempos a tempos consultavas as regras

....

Em cada 20 palavras havia um beijo

em cada duas vírgulas, um amo-te

Depois, nos pontos finais passava-te os dedos pelos cabelos

Lembro-me,...(lembras?!), que nas reticências te beijava..

 

 

As palavras que te envio são interditas

Fecharam-nas no relógio do tempo

Dizem que cairam ao mar, para lá do Pôr-do-sol...

Procuraste algum dia na maré?

 

Pode ser que numa tarde vazia

os teus olhos as encontrem encharcadas de saudade à beira mar..................

 

ou:- Os teus olhos encharcados de saudade as encontrem.

 

ACCB

 

Dia 30-1 - Dia da Saudade

 

escrito no papiro por ACCB às 15:43
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

Poema

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Sábado, 22 de Janeiro de 2011

hoje está frio...........

 

 

 

 

Poema em branco

 

Não tinha mais para escrever que nada

A página  cheia de espaços olhava-me silenciosa

Penso que nem silêncio tinha

Seria porque o Inverno caíra no meu tinteiro?

 

ACCB

 

 

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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Mote

"Hoje tens o gosto da chuva,
dos ventos e
da tempestade"

 

 

 

Não dizes nada.
Chegas com os cabelos despentados pela chuva
porque esqueceste no carro o chapéu que te ofereci
Também deixaste a gabardina esquecida
Vens à intempérie
de saudade aberta nos olhos
Trazes a zanga da ausência
Mimos de nada que te não disse
Não me falas e olhas-me com a censura pendurada nas mãos
tens nos lábios cansaços e lágrimas que não choras
Não sei onde te perdeste
 se na chuva ou na maré alta que bate na muralha
pareces um fantasma de tempos em que o Inverno
se pendurava nas pontas dos raios de sol
Não há nada alegre em ti
A mágoa tomou conta do teu sorriso
Sei que há palavras por dizer
talvez memórias para contar
Quem sabe  lágrimas para partilhar
mas silencias a alma e guardas no bolso o ontem e o amanhã
sais e levas o hoje contigo.
Ainda me olhas quando desces a rua e eu penso:
 - Dizes-me ou calas?

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 22:00
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Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Fernando Pessoa 30.11

 

( Norberto Nunes pinta Pessoa -"Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou"

 

 

Acordo de noite subitamente.
E o meu relógio ocupa a noite toda.
(...)

O meu quarto é uma coisa escura com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.


E esta pequena coisa de engrenagens que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco a pensar o que isto significa,


Mas estaco, e sinto-me sorrir na noite com os cantos da boca,
Porque a única coisa que o meu relógio simboliza ou significa
É a curiosa sensação de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...

Fernando Pessoa

 

 

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888Lisboa, 30 de Novembro de 1935), mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português.

É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões.

 

 

escrito no papiro por ACCB às 18:00
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Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Matilde Rosa Araújo

 

 

" E a menina ri. Senta-se de novo debaixo de uma laranjeira.

 Tem ainda uma grinalda de flores brancas nos cabelos negros.

E o livro está fechado sobre o avental de flores.

O livro de poemas."

 

Matilde Rosa Araújo

 

....

-

escrito no papiro por ACCB às 22:39
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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

MOTE:- Tenho os olhos gastos

 

Olhos gastos, das notas de rodapé, das insónias, das noites perdidas, das viagens sem descanso, das esperas caladas, do fio do horizonte, dos prados que secam, das lonjuras, das perplexidades, das flores que morrem, dos amores que se perdem, das vidas adiadas...

Coutinho Ribeiro
_____________

 

Tenho os olhos gastos meu amor
Gastos das noites acordadas pelas memórias
que me ficaram de ti e de nós...

A luz cansada do meu quarto...
gasta-me os olhos
na procura do teu rosto
Talvez dos contornos do teu corpo

Tenho os olhos gastos meu amor....
De tentar descobrir a razão da tua ausência
A causa do meu afastamento.

Tão gastos meu amor
que nem a chuva que bate lá fora nos vidros cansados de esperar
Lava a dor que a tua falta lhes deixou


Tão gastos meu amor
Que me perco na solidão dos adiamentos
na perplexidade de não te poder olhar.

Lininhacbo
_____________

 

Gastei os olhos pelo nada, que afinal era o que havia, tudo o mais foi inventado. Por mim. Até o rosto e os contornos do corpo, até o cinzel com que te desbravei as arestas. Sim, meu amor, aventura de guerreiro que vinha da solidão, perdido nessa sua solidão, em delírios azuis. Ausência? Não, nunca a tua ausência me gastou os olhos. Não é ausente o que não houve. gastei os olhos no nada.

Coutinho Ribeiro
________________

Tenho os olhos gastos, meu amor....
Cansaram-se de tanto caminhar nas linhas das cartas que escreveste. Sabes, guardo-as todas.
Até ao mais pequeno bilhete, daqueles que deixavas na mesa da cozinha ao lado da caneca do café para eu ler quando acordava e tu já não estavas.
Tenho saudades das tuas cartas, meu amor.
De sentir a poesia da tua escrita e de imaginar os teus dedos a
navegar as folhas de papel com a mesma ternura que afagavas os meus cabelos e a linha do meu pescoço.
Perdemos a poesia, amor.
Deixámos-nos envolver no turbilhão e perdemo-nos.
Perdi-me.
E perdi-te.
Gastei os olhos também aí e as palavras.
Essas guardo-as agora no fundo dos meus olhos cansados na espera permanente de te ter de volta.

Eva Garcia

_______________________


"Tenho os olhos gastos… de procurar por ti…
De procurar pelos meus sonhos
Aqueles meus sonhos de menina…
Encontrei-os por fim, naquele cruzamento de vida onde te conheci…
Jaziam lá… inertes, sem vida, e eu sem saber…
Ainda não tive coragem de os enterrar…
estão ali, varridos num canto de mim, à espera que faça o seu luto.
Faltam-me as forças…
Nos olhos, nas mãos, no peito…
Faltam-me as forças para te dizer…
Que tenho os olhos gastos, meu anjo;
Gastos de te esperar no meu futuro.

( Amiga identificada :-) )

__________________


Sonhei teus olhos d'empréstimo
que meus são gastos. Traziam
o tom dos prados
em cristal de mar
(saltitam como aves de voar)...
e sem o traço de medo:
só o segredo
de onde pára o arco-iris.
Pela manhã restam os meus
(cansados e ateus)
que já só respiram
cinzento
na ajuda da noite.


(AM)


_________________________


"...a distância do nosso amor fica na distância do nosso olhar, na distância do nosso toque, na distância das gotas de suor dos nosso corpos quando fazem amor... a distância do nosso amor fica na distância do teu respirar junto ao meu peito ou no beijo que deposito nos teus lábios... a distância do nosso amor fica na ânsia de nos voltarmos a encontrar e sentirmos que amar não é só ser e estar mas também o desespero do ter de ir e não poder ficar... a distância do nosso amor fica na distância dos dedos quando se entrelaçam e os corpos se abraçam e ao som de uma doce melodia, os corpos juntos num só, levemente sobre si mesmo rodopia... a distância do nosso amor fica na distância das pequenas distâncias dos pequenos nadas a que damos tanta importância... a distância do nosso amor fica apenas a um simples passo da nossa própria distância..."

Lobices

_____________

 

Tenho os olhos gastos pela tua ausência. Gastos de serem abertos no escuro. De esperarem despertos pela tua descida à terra. De percorrerem a memória do teu rosto sem uma imagem fixa que os console. Tenho os olhos gastos, como vastos os teus afluentes me irrigam. Tenho só os olhos teus, e me bastam.

Porfírio

__________


No Fio do horizonte, entre lapides, encontramos o silencio.
Para lá dos muros, vislumbramos a vida.
Para lá dos muros não havia paragem.
As viagens fizeram se sem descanso.
Procurava mos, na insónia, os corpos das noites perdidas....
Os corpos que secaram, como prados, na nossa memória.
As palavras procuravam realizar as vidas adiadas,
As Palavras desenhavam, em paginas brancas, os amores que se perdem.
No fio do horizonte,
para lá dos muros,
em viagens pelos corpos que secam,
adiavamos a vida
em palavras que se perdem.

E aqui sob a terra, o corpo descansa,
em espera calada, nos dias que se sucedem,
por uma mão.
A tua mão.
A mão que deixou saudosas flores.
Flores que morrem, há muito, sobre nós
Afinal somos apenas uma nota de rodapé,
de uma vida adiada, no amor que se perdeu,
na lonjura do horizonte, para lá dos muros.

E para sempre,
no fio do horizonte,
descanso
meus olhos gastos

Pedro Cabeça
___________________


As palavras...secam-se
E os mares inundam o meu sentir
Neste balbuciar diálogo maresia e alma.

Descanso apenas na poeira do olhar...
E bebo um pouco das minhas lágrimas
Nesta sede de não ouvir-te...

Hoje...talvez tenha vivido para lá do eu
Amanhã...quem sabe o sol, tardará em acordar
E a cabeça será um nó de dúvidas soltas...imensas!

Escrevo-te...em tinta invisível...
Como a transparência deste amar estúpido
Mas fiel de abraços ...

Logo...mais logo...direi apenas
Conhecer-te...no restante do amor
Que deixaste...naquela gota de chuva...

Ainda enleio...ou carícia da tempestade
Nuvem opaca e vento traição
Ah! e esboças sorrir deste apelar...

Entende...mesmo que não entendas
Que amar é o outro lado da montanha
Chamada "felicidade"...familiar do rio esperança!

by OUTONO - in MOMENTOS - 2008
__________________________________________

 

Com um grande obrigada e um grande abraço a todos os que aceitaram o desafio

 e gostam de escrever, por escrever

e de sentir, porque sim .

 

ACCB

 

-

 

escrito no papiro por ACCB às 23:51
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Domingo, 9 de Maio de 2010

Desafio

 

 

Mote:- Mas forte e mais serena e livre e descuidada"

 

 

 

Houve um tempo em que eu tecia as palavras nos teus lábios.

Era o tempo das cerejeiras crescentes em Lua cheia.

Houve um tempo em que cada toque teu

deslumbrava o luar no brilho dos meus olhos

e o meu sorriso tinha o som dos dias com sol até anoitecer.

 

Houve um tempo em que existiamos nós e

eu não queria outro Mundo nem outro estar.

 

Mas os tempos dão lugar aos tempos e

as pessoas não são o que fazemos delas,

 mas o que são realmente.

 

Houve um tempo, em que de menina se fez mulher e cresceu,

soltou a candura pelas ruas e

aprendeu que ser mulher tem nuances sempre nunca vistas.

 

Houve um tempo em que todo o tempo era meu,

e com ele construí castelos que ainda estão de pé,...

houve um tempo em que fizeste de mim a mulher que sou,

"mais forte e mais serena e livre e descuidada"

Obrigada.

 

ACCB

 

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escrito no papiro por ACCB às 01:36
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Fora eu

 

 

 

 

 

Fora eu metáfora e seria

a noite de fogo

que a tua voz procura no meu olhar.

 

Fora eu metáfora e

Deitava-me contigo

Como a maré se deita com o mar.

 

 

ACCB

                           
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

MOTE - Desafio

 

    Desafio de Angela Pieruccini e de Júlia Moura Lopes

 

 

"Nunca ouviste passar o vento
O vento só fala do vento
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti".

 

O nevoeiro escorre   pelos candeeiros

Juras-me que está vento.

Repara nas sombras…

Movem-se?

Não me fales do vento

Tu nunca ouviste passar o vento

Teria despenteado os cabelos da noite

 

Não sentiste o vento? - Sussuras-me …

Não ouviste passar o vento. Acorda.

Nunca, quando está nevoeiro está vento.

Já tinhas reparado?

 

Para que queres vento

enquanto os meus passos

ecoam na calçada fria?

Estende a mão e sente o muro frio do nevoeiro.

Vês?

Também não existe.

Apenas te deu  a mentira do vento

Como se te trouxesse a ilusão

 De que os meus passos caminham para ti.

 

Tu não ouviste passar o vento.

O vento fala do vento

E o nevoeiro

Do que te fala é de mim.

 

 

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 01:05
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Mote - Alberto Caeiro

DSC05893Medium.jpg Sincelo - S. Mamede image by actioman2006

 

"Nunca ouviste passar o vento
O vento só fala do vento
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti".

 

Alberto Caeiro

__________________________

Nunca ouviste passar o vento

 

Que ilusão mais triste a tua.

Não há vento senão dentro do que és e guardas em ti.

O vento levanta-se mas na tua imagem

Naquela que realizas ao pensar que há vento.

 

Mentira

Mentiu-te

Nunca ouviste passar o vento

O vento não passa

Repara no nevoeiro lá fora

Fica lúcido como se nunca tivesses pensado

Estende a mão e toca-lhe

Não existe

É um muro de uma imagem

que te retribuiu a ideia de que

tinha passado o vento

O vento fala

 do que a tua mentira de conta

E não passou

Porque nunca o ouviste passar

 

ACCB

 

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escrito no papiro por ACCB às 00:06
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

16º Lisboa - Chuva e trovoada

 

 

Das cartas que me escreves

Faço barcos de papel...

De cada letra tua a bússula para chegar  ( aí )

De  cada palavra o rumo

do mar navegado em que me afundo..

 

Faço barcos de papel das cartas que me escreves

Espero que a maré  me leve

até à praia onde adormeces todas as manhãs

tens um saber dormir ao sol

durante o dia

Acordas o sonho

à noite e dizes:- Já é dia!

 

Das cartas que me escreves faço barcos de papel,

certa de que as viagens soltas

que navegarão na praia do tempo

que não vai nem volta,...

Te levarão

saudades dos barcos que navegam em cartas escritas

em barcos de papel.

 

ACCB ( 9 Maio de 2009 )

 

escrito no papiro por ACCB às 02:06
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Con este poema non farás la revolucion, dice

escrito no papiro por ACCB às 00:22
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Era Londres.....

aqui :- Era Londres e não parecia.........

 

 

Sir William Orpen, “Café royal, Londres”, (1912)

 

 

Sentava-se todos os dias
à janela de metade da Vida
 
Imaginava-o sereno,…com jornal à frente
e chávena de café sob os lábios aguardando
o arrefecimento do aroma quente
 
Os olhos
tinham flores de sorrisos espalhados
no ar da manhã, na neblina as noticias
ficavam penduradas da torrada quente
 
era a brancura do ar que
em redor poderia ser
o som de uma guitarra portuguesa
 
Era um homem doce e calado…
mas por dentro.
 
…bebia então o café
mergulhando na chávena,
bem no fundo da cor escura,
os sonhos que a vida lhe deixara para realizar…
 
A torrada esfriava nas notícias do dia…
Havia sol
Era Londres
E não parecia.
 
 
 

 
[ACCB]

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 22:40
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Os meus dedos são cegos...............

Photobucket

 

 

Deitas a mão  nos meus dedos...........

é a perda que o teu coração abre na memória

como um poço sem fundo

ou uma cisterna com eco........

 

Do outro lado ao fundo

Está o meu olhar à tua espera...

Espelha o que diz o teu...

 

Oiço-te  o silêncio

Sei que pensas o que os teus lábios calam

 

Não fales...

Os meus dedos são cegos e lêem a tua voz......

 

 

ACCB

 

 

-_____________
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escrito no papiro por ACCB às 00:45
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Chuva de meteoritos (11.12.8.09 )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

( Imagem - Hadaeno )

 

 

Se te escorre a tinta por entre as palavras

 não é porque não oiça o que me vais dizendo

O teu rosto cola-se ao meu

Mas não é para me beijares que o fazes

É um desabafo em rio que te escorre pelas veias

Há uma torrente de palavras

 que te nasce da alma

 

 Estava lá escondida como o sol atrás do verde

ao cair da tarde

Inundas-me o pensamento das tuas ideias...

como o mar lá em baixo empurra a maré para a praia

E serenas depois como por magia

Porque disseste tudo

O que podias

e querias

 

Calas a voz

Como se ela se pusesse com o sol

que cai no horizonte atrás de ti

antes que chovam estrelas.....

 

ACCB

 

__________________

escrito no papiro por ACCB às 02:10
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Não pela cor

Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos

Ficam para além do tempo

Como se a maré nunca as levasse

Da praia onde foram felizes

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos

pela grandeza da imensidão da alma

pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...

Há mulheres que são maré em noites de tardes.. 

e calma

 

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 02:53
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Espelho com música dentro

 

 

Evgeny Kissin - Rachmaninov Piano Concerto No.3[Part 1 of 5]

 

Afinal eu vivia dentro de um espelho

E ele olhava de fora

Como que a espreitar,... de mão no bolso

os bolsos que eu não tinha

 

Afinal eu vivia dentro de um espelho

Provocava um reflexo qualquer

Num Mundo que desconheço

A tragédia era o vidro....

 

Afinal eu não sabia

E o Meu mundo era do outro lado

Do lado de lá do reflexo..

E ele espreitava o tempo todo

Olhava o tempo inteiro

E deixava-se ficar,...

 Como se os bolsos fossem um privilégio..

 

Descansava as mãos e a vontade dentro deles

E deixava morrer os olhos para além do vidro....

A tragédia que o separava do meu Mundo

com cor, com vida, com música................

Do outro lado do espelho.

 

...............................................................................

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 18:19
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

a horas mortas de calor...........

 

 

E salto de imprudência em imprudência pelas pedras do caminho.

Já a tinta não escorre a poesia dos olhos.

Não há ventos que sopram do norte de Àfrica

E eu fico estática no tempo......

As palavras já não têm o sobressalto do susto do imprevisto...

 

Eram os meus olhos que se reflectiam nos teus mas  mudos não contavam

o que não sabiam que querias ouvir

 

Verdes, castanhos,...profundos como tempestades de fim de Maio

que se desenham à beira do Verão

E qualquer coisa acontece no mais alto dos céus

e fica pendurada ao canto de um sorriso

 

Será o Verão...à beira da maré?

Uma cruz de sonho pela cortina do tempo?....

 

E dela é toda esta imensa agitação..
 

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 01:27
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Sábado, 9 de Maio de 2009

Mote:

Das cartas que escreves faço barcos de papel

 

 

 

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana

 

______________________________________________________

 

Das cartas que me escreves

Faço barcos de papel...

De cada letra tua a bússula para chegar  ( aí )

De  cada palavra o rumo

do mar navegado em que me afundo..

 

Faço barcos de papel das cartas que me escreves

Espero que a maré  me leve

até à praia onde adormeces todas as manhãs

tens um saber dormir ao sol

durante o dia

Acordas o sonho

à noite e dizes:- Já é dia!

 

Das cartas que me escreves faço barcos de papel,

certa de que as viagens soltas

que navegarão na praia do tempo

que não vai nem volta,...

Te levarão

saudades dos barcos que navegam em cartas escritas

em barcos de papel.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 02:25
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Nem tempo nem falta ...nada mais

 
 
 
 
 
 
 
Fez-nos falta tempo?
Para dançar na praia?
Caminhar de mãos dadas à chuva?
Fez-nos falta tempo
para te convenceres que era eu a tua vida inteira
fez -nos falta tempo?
Muito tempo, um pouco mais
 
fez-nos falta tempo?
Para aprenderes um bolero
ou um tango
 um passo, um gesto
 
fez-nos falta tanto  tempo
Para aprenderes a viver..
E agora
Não há tempo nem falta
Tudo menos
nada mais...
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 02:15
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Sábado, 11 de Abril de 2009

?- "Bruma"

  

Pré incubado

Técnica - Óleo sobre tela     Dimensões - 65 x 50 cm  RUI RODRIGUES

 

Que perfil é aquele lá longe
Recortado entre a espuma e o areal
Vestido de silêncio e saudade
Que um dia me trouxe de longe
Pedaços de coral?
 
Um poeta perdido na bruma
Uma pincelada de um quadro prometido
A alegria apagada no olhar
Um acorde de voz já tangido
 
Agora que não se aproxima
Que nem sequer  desnudar
Só me faltava que o perfil
caisse a meus  pés a chorar...
 
Cleopatra
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escrito no papiro por ACCB às 22:46
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De Perfil

Sobre mim

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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