Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

O poeta não sabe

 

 

O poeta não diz:- Eu sei escrever poesia
O poeta não sabe que sabe escrever poesias, nem sabe que o escreve é poesia.
Sabe isso quem lê o que ele escreve.
O poeta não diz: Eu sou poeta
Ele não sabe que é poeta.
É quem o lê que o faz poeta.
O poeta escreve porque sente E vai falando do que sente
O poeta não fala do que sabe
É muito mais aquilo de que fala. ...
O poeta não diz :- Eu sei escrever poesia.
O poeta só sabe que para sobreviver tem de escrever o que vai pensando e sentindo...
Desenganem-se os que acham que sabem escrever poesia. Não passam de aprendizes de feiticeiro.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:39
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Flores

 

 

 

 

 

E de repente apercebes-te de que não és só. Há mais por aí. Gente determinada e disposta a tudo se os limites do aceitável são ultrapassados. E não há limites quando se passam os limites, não há medos quando o medo é a imposição, e não há desistências quando já se faz tarde.
E vejo mulheres que eram aparentemente flores vestirem-se de espinhos, mulheres doces e serenas tornarem-se feras, e vejo-as iniciarem uma cruzada contra a violência, contra a hipocrisia e contra os silêncios.
Há uma hora para tudo e esta é a hora de Ser inteira. Sente-se isso nos tempos...
Há uma forma de fazer as coisas no feminino que não é melhor, nem pior, é diferente.
Acautelem-se os que acham que somos flores.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:19
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

A Vida

 


 A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

escrito no papiro por ACCB às 16:28
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Interrogação ao Tempo

 

 

 

Passa-te o tempo
E passa-te a Vida
Passa o espanto pelo que ainda é novo
Depois passa o olhar
E passa tanta coisa
................
E abrem-se rugas na memória
que no entanto continua jovem
Passa-te o tempo ressequido
A VIda
............
O Olhar pela pela memória do Tempo
E ficam as rugas que a tristeza
e a revolta te deixam nas mãos abertas

ACCB

 ( Foto de José Luís Outono)

escrito no papiro por ACCB às 19:05
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Homenagem

 

 

 

 

 

 

Como tu dirias, não estarei, não tenho que estar, mas é como se estivesse.
E estarão muitos amigos teus, que te foram muito queridos e para quem serás sempre muito querido.
E de repente mesmo os conhecidos descobriram que eras um homem pela Cidadania, pelo Direito e pelo Ser, mais que pelo dever ser.
E descobriram todos que, da ponta da tua caneta, ou do teu rascunho a lápis, ou do teu teclado saía sempre o exercício da cidadania.
É por isso que nalgumas pessoas Jornalismo e Direito casam tão bem, porque ambos denunciam, apesar de só um censurar, as atrocidades que se cruzam connosco ou andam por aí.
E soubeste cumprir aquele mandamento em que dizias não acreditar :- Ama o Próximo como a ti mesmo.
E mais importante que tudo isso, deixaste o exemplo e a vontade de fazermos igual.
E é por isso que não estarei, não tenho que estar mas é como se estivesse...( ou talvez porque me vou habituando à tua forma de estar ausente que é agora a realidade).

Um Bom Dia. Se não for pedir muito que haja Sol quando disserem o teu nome.

( Faltou dizer que este pedacinho de imagem estava no Blog da Patricia 

escrito no papiro por ACCB às 16:40
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Apagar, riscar, apagar...


Apetecia-me entrar num museu,... assim,... de noite, sem som nos passos.

Descobrir as mentiras nos olhos fechados mas abertos por debaixo das pálpebras, as tramas nos lábios e, o assobio de respirar profundo ou em apneia em forma de calúnia sussurrada.
Talvez cortar-lhes o indicador até ao metatarso e, quem sabe, tirar-lhes todos os degraus das escadas em queda,... como se de noite todos os gatos nã
o fossem pardos e os candeeiros das ruas fossem apenas o reflexo de um farol apressado nas horas.
Entrar num museu e descobrir por detrás dos silêncios as estórias tristes de cada um. 
Descerrar-lhes as próprias lápides e acordá-los subitamente sob sons de mil cristais em queda aparatosa num chão de granito.
Como se faz acontecer um pesadelo em que se apaga alguém?

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:22
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Como deve ler-se poesia?

 

Como deve ler-se poesia?
Veste o casaco
Senta-te e fecha os olhos

Depois,...depois pega no livro.
Puxa as mangas do casaco. Para cima.
E abre o livro.
Não abras os olhos.
Abre o casaco.
Qual a abertura certa de um casaco.
Fecha o livro
Abre os olhos
Escreve...
Poesia


ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 01:18
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Domingo, 1 de Junho de 2014

Amanhã Hoje é dia da Criança

"Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não. 
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.
Para Hoje e todos os outros dias!!"

-
Encontrado na parede de 1 dormitório de crianças do campo de extermínio nazi de Auschwitz

 

 

sinto-me: pensativa
escrito no papiro por ACCB às 22:43
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

A Hora de Noa




Quando o conheci foi com esta imagem.
Escrevia no Anónimo. Um blog provocador e desafiador como a foto em amostra.  
Naquela altura só quem era atrevido tinha blog e muitos de nós apareciamos com pseudónimos.
Alguns bem estranhos e disfarça...dos.
 
Tempos depois, eramos um grupo que soltava a escrita, encadeava as palavras , inventava cenários e desatava a escrever como se fosse um autêntico vício.  
Às vezes provocávamos politicamente um temporal. Sabiamos, como sabemos, que eramos lidos... mas a barreira do virtual parecia quebrar todos os medos.  
 
Conhecemo-nos ao vivo numa festa de aniversário... já lá vão uns valentes 10 anos.... Lembro-me que na primera impressão o achei MUITO!alto!!! Enorme.... e com um gesto curvado sobre a vida, ... um cigarro aceso sobre as ideias... sempre aceso... sempre presente.   Depois partilhamos tantas ideias, tantas criticas....tantas coisas engraçadas e tristes...  
 
Não deviamos conhecer tão bem os amigos. Levam-nos com eles quando partem.
 
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro Advogado Jornalista? Poeta nas horas vagas... Um amigo a tempo inteiro Meio século de existência


ACCB
escrito no papiro por ACCB às 15:00
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Terça-feira, 4 de Março de 2014

Um Espaço de um Salto

Um salto ao Cleopatra Moon

 

por J.M. Coutinho Ribeiro, em  13.07.09
Foto tirada em 2009 - S. Pedro do Estoril numa tarde de Sol com um grupo de Amigos à volta
ACCB-
--

Apesar de eu andar relapso - muito relapso, ó vida louca... -, nem por isso se esqueceu o Pedro Correia de me vir recordar que é a minha vez de indicar o blogue da semana. Opto pelo Cleopatra Moon.

 

É o blogue de uma querida amiga, que conheci precisamente na blogosfera, onde a discussão de assuntos sérios, com tendência para o Direito, se mistura com deliciosos apontamentos do dia-a-dia de quem vive a vida com prazer.

Umas vezes mordaz, outras vezes suave, mas sempre inteligente, a autora é uma magistrada dum tribunal superior que não teme dar opinião mesmo quando os temas fervem.


_______________________________

Dia 4 Março de 2014  -
Meu querido amigo, não te digo até já porque,

tal como tu, não tenho pressa.

escrito no papiro por ACCB às 18:00
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Domingo, 12 de Janeiro de 2014

Tentação



Eu não resistirei à tentação, 
não quero que de mim possas perder-te, 
que só na fonte fria da razão 
renasça a minha sede de beber-te. 

Eu não resistirei à tentação 
de quanto adivinhei nesta amargura: 
um sim que só assalta quem diz não, 
um corpo que entrevi na selva escura. 

Resistirei a te chamar paixão, 
a te perder nos versos, nas palavras: 
mas não resistirei à tentação 
de te dizer que o céu é o que rasa 

a luz que nos teus olhos eu perdi 
e que na terra toda não mais vi. 

Luis Filipe Castro Mendes, in "Os Amantes Obscuros"

escrito no papiro por ACCB às 19:54
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

Dia de Reis 6.1.2014

 

AQUI

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Sábado, 30 de Novembro de 2013

30.11

escrito no papiro por ACCB às 11:30
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

e os espelhos de onde.............

 

 

 

 

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

Alice Vieira | 'Dois corpos tombando na água'

escrito no papiro por ACCB às 23:26
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Domingo, 29 de Setembro de 2013

won't you?

 
- And you'll always love me won't you?
- Yes
- And the rain won't make any difference?
  - No.

escrito no papiro por ACCB às 22:26
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Olha que te escrevia qualquer coisa... agora

 

 

Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa. É a chuva lá fora que me deixa assim nostálgica.
Depois de cumprir deveres cívicos de que não abdico, cai a noite e o rodado dos carros salpica a estrada que me faz lembrar que hoje ainda é domingo e as pausas são curtas.
São tão curtas as pausas... como são longas as reticências.
Já reparaste que as reticências são cheias de imaginação e silêncios? Como podem ambos ( imaginação e silêncio), conjugar-se em três pontinhos de nada? Tenho coisas para reler... ... Não me apetece nada... ... Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa, só para arrumar os pensamentos e soltar as ideias,... sem as arrumar, sem as ordenar... Precisam de espaço as ideias. É a chuva que me deixa assim nostálgica e nem é que eu saiba o que iria escrever... Às vezes tenho a sensação de que vou pensando conforme escrevo e as ideias surgem conforme surgem as letras. Não há nada construído, tudo vai ganhando forma conforme as palavras se vão ordenando e colocando no texto... não havia nada antes...umas provocam as outras e as sensações...ou estas as palavras... Olha que me sentava aqui agora ...e escrevia-te qualquer coisa... .

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 19:59
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2013

Recomeça

 

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

-Miguel Torga

escrito no papiro por ACCB às 09:43
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013

Mote: Fecham-se-me os olhos ao por do sol

 

 

 

 

 

Não tinha nada. Nada a não ser o por do sol a desfalecer nos olhos, a dar-lhe a ilusão dos sonhos que não tinham passado disso.
Na inquieta posição do sonhador que procura nas palavras a verdade que nunca viu de frente, tremem-lhe os dedos entre os cig
arros que sufocam o cinzeiro até à exaustão.
Cruza e descruza as palavras mas elas não lhe obedecem.
Há um cansaço antigo que o inunda, uma angustia funda que lhe pesa nas pálpebras.
Não é da maré a morrer na Foz, nem do dia a cair para lá do horizonte, ali mesmo na linha entre a vida e a morte.
É o regressar às palavras que se fecharam, aos sonhos que não viveu, aos cigarros que finge fumar, ao cruzar e descruzar das pernas das letras que não se entendem, das palavras que nunca foram ditas...
E há o rumor das vozes que o espreitam como dedos fundos que lhe entram no peito....
É a saudade, diz uma velha...
Vem ver o mar, diz uma mulher...
E adormece enovelado na noite.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:33
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Terça-feira, 30 de Julho de 2013

Passar uma tarde........

escrito no papiro por ACCB às 12:26
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Domingo, 23 de Junho de 2013

Lua Cheia

.

escrito no papiro por ACCB às 00:51
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Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

Carta em 3 linhas

 

 

 

 

Escrevo te de longe, de um tempo em que o tempo não vive fechado num espaço redondo e repetitivo. 
Digo te coisas que não escrevo não vá a realidade entrar e ficar a saber o que te digo.
Deixa ficar assim,...neste espaço que nem teu é ou sequer nosso.
Escrevo te daqui tudo o que te quero dizer Assim nada se perde nem se transforma. Bjs

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 17:46
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013

I've Got A Crush On You

escrito no papiro por ACCB às 13:31
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Terça-feira, 28 de Maio de 2013

No cais quando chove

 

Gosto de estar no cais quando chove
A chuva transporta sabores e odores
Que quando misturados com o mar

Transformam a atmosfera

Num ambiente de caldo

Que me faz flutuar. Gosto de estar no cais quando chove

Porque gosto de partir

Para onde os sonhos são realidade

E é sempre melhor partir quando chove.
Gosto de estar no cais quando chove

Porque o navio só parte

Quando a chuva acaba

E assim encontro razão para não partir

Porque só me apetece partir quando chove

Porque fico sempre e talvez para sempre

E porque a realidade nunca é o que se sonha.


Sophia de Mello Breyner Andersen, "Dia do Mar no Ar". fotografia: Christophe Jacrot

 

escrito no papiro por ACCB às 01:21
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Le Métèque

 

Et nous ferons de chaque jour

Toute une éternité d'amour

Que nous vivrons  à en mourir

 


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/le-meteque=f809136#ixzz2U9tgFg3i

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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Kurasov

escrito no papiro por ACCB às 23:05
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Sábado, 13 de Abril de 2013

Dia Mundial do beijo...................


 Espreito por uma porta encostada

Sigo as pegadas de luz

Peço ao gato "xiu" para não me denunciar

Toca o relógio sem cuco

 Dá horas à cusquice das vizinhas e eu

 Confesso às paredes de quem gosto

Elas conhecem-te bem

Aconhego-me nesta cumplicidade

 Deixo-me ir nos trilhos traçados

Pela saudade de te encontrar

 Ainda onde te deixei

 Trago-te o beijo prometido

 Sei o teu cheiro mergulho no teu tocar

 Abraças a guitarra e voas para além da lua

Amarro o beijo que se quer soltar

Espero que me sintas para me entregar

A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha

A dança do teu ombro...

 E nesse instante em que o silêncio

É o bater do coração

Fecha-se a porta

Pára o relógio

As vizinhas recolhem

Tu olhas-me...

Tu olhas-me...

Trago-te o beijo prometido

Sei o teu cheiro, mergulho no teu tocar

Abraças a guitarra e voas para além da lua

Amarro o beijo que se quer soltar

Espero que me sintas para me entregar

A cadeira, as costas, o cabelo e a cigarrilha

 A dança do teu ombro...

 E, nesse instante em que o silêncio

 É o bater do coração

Fecha-se a porta

Pára o relógio

As vizinhas recolhem

 Tu olhas-me...

Tu olhas-me...

Espreito por uma porta encostada

Sigo as pegadas de luz

 

 

escrito no papiro por ACCB às 16:07
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Desafio com Mote e Imagem

Esgota-se o tempo de cada vez que te espero na esquina mais escura de mim
Esgota-se o tempo esgota-se-me a vontade

esgota-se-me essa verdade que não sai da minha boca


E é apenas uma saudade doída gemida e louca

 que se atreve a esperar ainda por ti
mesmo quando todos os silêncios já se foram

e todas as lágrimas já secaram!...


 - São Reis

 

 

 

Esgota-se o tempo a imaginar se as tuas lágrimas secaram

Se os tempos já se foram dos teus dedos

Dos gestos que não fizeste

Das palavras que não disseste


Cola-se-me a mão ao queixo

Pendurados no olhar que se prende no que foi

 Ou não foi porque não tinha de ser


Esgota-se o tempo na esquina da minha mão com o meu pensamento

Na elipse que o teu olhar

Faz sobre o tempo
Mesmo quando todos os silêncios parecem ter ido

E as lágrimas nunca existiram

 


ACCB

escrito no papiro por ACCB às 03:55
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Terça-feira, 5 de Março de 2013

Março





"março. supunha que tinha nascido por ali. provavelmente logo no primeiro dia. 1 de Março é o primeiro dia da primavera.

 

 estranho. não havia explicação plausível para o ostracismo devotado aos equinócios. uma questão de comodidade, diziam alguns. daí o fazer coincidir as estações do ano com inícios e fins de meses. a primavera a começar em 1 de março, o verão a 1 de junho, o outono a 1 de setembro e o inverno a 1 de dezembro.

depois lá aparecia pelo meio desta calendarística distribuição, o 24 de junho. e toda a tradição pagã saía à rua transportada pelas pessoas. cumprindo-se celebrações onde o fogo, os cantares, as danças, as coroas de flores nas mulheres de cabelos louros e olhos azuis. todos azuis. tantos azuis. como se todas fossem pintadas por Deus no mesmo dia.

perfeitas. lindas. lagos pequeninos nos olhos das faces brancas, ainda cobertas de neve. o dia onde a noite é tão curta que as árvores não adormecem e os sonhos não saem dos livros dos poetas. o alquimista das palavras acreditava que tinha nascido por ali. a 1 de março de um ano tão distante que não se via no deserto do tempo plantado na memória. por ali, a 1 de março, ou talvez a 29 de fevereiro de um ano bissexto qualquer.

 

e assim o deserto do tempo comia-lhe a contagem dos anos. só se lembrava de contar a idade de quatro em quatro anos. as palavras aperaltavam-se naquele dia. também elas acreditavam que ele tinha nascido no primeiro dia de primavera. falavam-lhe ao ouvido, as palavras, e deixavam mel a adocicar-lhe a memória. a solidão azedava-lhe a existência. e a pele, e as lágrimas que escorriam mais depressa naquele dia. lágrimas amargas que deixavam marcas de noite na camisa que vestia.  não tinha a certeza se era um aniversário, mas as palavras em correrias tudo faziam para que ele acreditasse. mas ele queria Laura. queria tanto Laura.

 

e aquele querer era enorme, bastando fechar os olhos para a ver ali chegar. para a ver a afagar-lhe o cabelo. ouvir a sua voz ondulante, num corpo ondulante. um mar de mulher que lhe salgava a pele com gotículas de maré-cheia. fazia-lhe tanta falta. Laura. gostava de lhe beijar as mãos. sentir-lhe os dedos elegantes. percorrê-los com os seus. dedos dados em mãos dadas. e depois deixava que ela se sentasse no seu colo e contava-lhe histórias cheias de palavras que brincavam por todo o corpo de Laura. às vezes achava aquele amor impossível. como se pertencessem, cada um deles, a histórias diferentes. de escritores diferentes. estilos diferentes.

 

tempos diferentes. como se o seu encontro com Laura resultasse do desmancho de livros diferentes cujas páginas se intercalaram, como o destino intercala o futuro com o passado. ele, página 7 de um conto medieval. ela, página 77 de um romance moderno. ele velho, sem idade. ela frágil, com idade de princesa. ele, perdido. ela num processo de se encontrar. ele, sem vida para entreter. ela, com tudo para acontecer. ele com vontade de morrer. ela cheia de desejos de viver. que faziam ali os dois, num balançar de corpos, que só os olhos fechados dele faziam suceder?

 

 e o amor era tão grande. e a dor era tão grande. e o desejo impossível de a ter crescia desmesuradamente, afundando os pequenos restos do barco a que ele chamou esperança. o alquimista das palavras abriu os olhos e Laura fugiu para dentro dele.

 

ocupou-lhe outra vez o coração. constava que era o seu aniversário, logo no primeiro dia da primavera e o que ele mais queria era Laura."

 

Belíssimo texto de Nuno Guimarães, in "Metropolis":

 

escrito no papiro por ACCB às 01:02
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Desafio

 

 

 

MOTE :_ "Dói-me a alma… Um traço lento de fumo ergue-se e dispersa-se lá longe…

um tédio inquieto faz-me não pensar mais em ti…"

 

 Triste tédio que se esfuma com o traço

 e não faz senão pensar em ti,

e não vive se não pensar em ti.

 

 Dói-me a alma penso eu,

 não é senão desculpa para culpar o tédio

e continuar a pensar em ti porque não quero pensar.

 

 Dói-me a alma que se esfuma

 Que tédio não querer pensar em ti...

 

 Lá longe inquieto o tédio dói-me a alma

 Esfuma-se o não querer pensar

 E em traço lento

 penso em ti.

 

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:56
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2013

Saudade

 
 
 
 
Não temos saudades, é a saudade que nos tem.
Eduardo Lourenço
 
 
 
-

 
É a saudade que nos possui
que nos massacra
que nos engole
Que nos acende os sentimentos
Que só morre se morrer
a ausência
se o buraco que abre na alma se desvanecer...
ACCB
 
 
-
escrito no papiro por ACCB às 10:28
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

Adormeci ou choveu?

 LUMINOSA SOMBRA FOTOGRAFIA

 

Acho que adormeci...
Havia uma casa caída dentro do lago
O lago não era lago  era uma poça de chuva

Não sei se choveu
A janela estava virada do avesso
E no chão tinha o céu

Acho que adormeci...

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 03:29
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Sábado, 19 de Janeiro de 2013

Alerta vermelho - Vento forte

 

 

Começou ontem pelo fim da tarde.

 

 Abriam-se às portas à nossa passagem por artes de vendavais citadinos.

A chuva essa, teimava em salpicar apenas as primeiras horas da noite.

Despiu-se o vento e foi para a rua, toda a noite, gritar aos quatro mares de barbas longas e cabelos desgrenhados farto dos Homens, farto do Mundo que lhe impede a passagem pelas orlas marítimas.

Desvairado arrancou árvores... e derrubou ferros e alturas.

Diz quem viu que tinha nos olhos o relampejar dos trovões.

A chuva, essa .... passou-lhe entre os dedos como que a desafiá-lo e falou-lhe em tempos idos... de Verões largos e de mares infinitos.

Esta manhã, o vento, cansado e de alma rasgada, acoitou-se perto do mar que se agita à sua presença.

Ninguém sabe se voltará a enlouquecer mais logo quando a noite acordar.

 

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 18:01
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013

Legenda de foto

 

 

Manhã na Marginal. Domingo? Talvez domingo no calendário dele. Solidão... chapéu como os velhos que o cabelo é nenhum e algibeiras de uma gabardina que já deixa passar a chuva. Nada para salvar, nada para sentir. Sonhos leves e longínquos de dias felizes disfarçados por dias sem ser feliz. Bancos à espera de momentos e de pensamentos sentados....mar bravio sem dar lugar a reflexões. Vai onda , vem onda, maré cheia de ilusões a saltar a estrada. Manhã de domingo de ano novo... velho por dentro da alma só e escangalhada. Nada para guardar. Nada para salvar. Iphone no bolso, já encharcado que nem se atreve a espreitar com medo de perder o contacto com o resto do Mundo. Calças arregaçadas pelas meias que a maré subiu os sapatos.

Nada para salvar.... Sinal de mensagem no bolso...gola puxada ao queixo que o vento e o mar teimam em entrar dentro dele...mensagem....mensagem.... espreitou de costas para o vento... Nada. Nada para guardar. Nada para salvar...talvez a árvore esguia que se ergue à esquerda...tão alta como o orgulho da sua alma e a tristeza dos seus olhos. "Salvar"!,  teima o iphone.... e as duas mãos seguram a solidão contra o vento como se fosse uma bandeira....uma árvore em luta com o tempo.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:45
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Domingo, 6 de Janeiro de 2013

so many things I could say

escrito no papiro por ACCB às 18:45
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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012

Desejo a Você

 

 

 

 

 

Fruto do mato

Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu. -
.
Carlos Drummond de Andrade


* Até para o ano!
escrito no papiro por ACCB às 19:31
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012

Natal é quando um Homem quiser

escrito no papiro por ACCB às 19:45
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Sábado, 8 de Dezembro de 2012

Nossa casa tinha Lua....................

escrito no papiro por ACCB às 08:08
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Bom fim de Semana :-)

escrito no papiro por ACCB às 01:06
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

SONATA DE OUTONO

Inverno não é 'inda mas Outono

Na sonata que bate no meu peito

Poeta distraído, cão sem dono

Até na própria cama em que me deito

Inverno não é 'inda mas Outono

Na sonata que bate no meu peito

Acordar é a forma de ter sono

No presente e no pretérito imperfeito

Mesmo eu de mim próprio me abandono

Se o rigor que me devo não respeito

Acordar é a forma de ter sono

No presente e no pretérito imperfeito

Morro de pé

Mas morro devagar

A vida é afinal o meu lugar

E só acaba quando eu quiser

Não me deixo ficar

Não pode ser

Peço meças ao Sol, ao céu, ao mar

Pois viver é também acontecer

A vida é afinal o meu lugar

E só acaba quando eu quiser

 

José Carlos Ary Dos Santos

Faria 75 anos

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

:-)) Bonito

 

Um pássaro e um navio são a mesma coisa

quando te procuro de rosto cravado na luz.

 Eu sei que há diferenças,

mas não quando se ama,

 

 

As palavras Interditas


Eugénio de Andrade

escrito no papiro por ACCB às 19:06
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De Perfil

Sobre mim

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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