Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Vila Flor... Miranda....Amendoeiras...Portugal

  
 
Vila Flor é Linda Sr. Presidente.
Sabe que quando por lá passei há 28 anos, era eu Juiz por Trás os Montes, Vila Flor tinha um mini jardim zoológico? E sabe que na época das amendoeiras (sabe qual é a época das Amendoeiras Sr. Presidente? ),Vila Flor ficava coberta de neve em flor, perfumada, digna de qualquer princesa árabe ou portuguesa?
 
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E o Vale da Vilariça senhor Presidente... já experimentou comer umas migas com peixe frito do rio? Uma delícia... e as alheiras de Mirandela... E a posta de Carviçais? Já viu a paisagem de Miranda do Douro, forte, agreste, resistente e a desfazer-se lá em baixo no rio... com Espanha mesmo de frente?
 
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Há 28 anos que  escuto  essa canção do rumo para o Futuro... e vejo o meu País a fazer o rumo... e o rumo a ser desviado.
Para quando Sr Presidente.... as cerejas....e as flores de neve perfumadas?

-
 
AccB
escrito no papiro por ACCB às 17:22
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Vinícius de Moraes

 

  

No silêncio morno das coisas do meio-dia

 Eu me esvaio no aniquilamento dos agudíssimos do violino

Que a menina pálida estuda há anos sem compreender.

 

 Eu sinto o letargo das dissonâncias harmônicas

Do vendedor de modinhas e da pedra do amolador

Que trazem a visão de mulheres macilentas dançando no espaço

Na moleza das espatifadas da carne.

 

Eu vou pouco a pouco adormecendo

Sentindo os gritos do violino que penetram em todas as frestas

 E ressecam os lábios entreabertos na respiração

Mas que dão a impressão da mediocridade feliz e boa.

 

Que importa que a imagem do Cristo pregada na parede seja a verdade...

Eu sinto que a verdade é a grande calma do sono

Que vem com o cantar longínquo dos galos

E que me esmaga nos cílios longos beijos luxuriosos...

Eu sinto a queda de tudo na lassidão...

Adormeço aos poucos na apatia dos ruídos da rua

E na constância nostálgica da tosse do vizinho tuberculoso

Que há um ano espera a morte que eu morro no sono do meio-dia.

 

 

Rio de Janeiro, 1933 Vinicius

escrito no papiro por ACCB às 17:03
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Confusão de números

 

 

Hum,... Estais Inspirado P'los vistos...

Andais  vós em circunferência

em busca da matemática

Coisa dinâmica não estática

 Qual Arquimedes  aos riscos cálculos e coriscos?

E numa área em que o circulo

Será todo em circunferência

Inventando a influencia

De uma simples letra grega

 E que dizem ser o   PI,

 Embora em números se escreva?

 

AccB

escrito no papiro por ACCB às 16:59
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Escrever

 

 

Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer.

Muitas vezes me lembrei que esse sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir até de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer.

 É que o amor nem sempre é uma palavra de uso, aquela que permite a passagem à comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possivel neste mundo.

Então, é natural que voltes atrás e me peças:«Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas.

No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer uma ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar; que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

in «Poesia Reunida 1967-2000», prefácio de Teresa Almeida, Dom Quixote, Lisboa, 2000

escrito no papiro por ACCB às 16:50
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Antero de Quental 18.4.1842

 

 

"O escritor quer o espírito livre de jugos, o pensamento livre de
preconceitos e respeitos inúteis,

o coração livre de vaidades,

incorruptível e intemerato.

Só assim serão grandes e fecundas as suas obras (...)" nas quais se
procura alcançar o "bem, o belo, o verdadeiro
"

 

(Quental,1931).

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

18 Junho de 2010 José Saramago

Uma Virgula na Vida de Saramago

 

Ré em causa própria - Uma  vírgula na vida de Saramago

 

 

 

Há homens cujas vidas não têm ponto final.

 

Homens que trazem nas mãos uma fonte que transborda em letras, palavras, ideias, que nascem na alma.

 

Homens livres e libertos, sós e sempre acompanhados pela inquietante certeza de que, nada é certo, e tudo tem de  mudar.

 

São homens que transportam mundos e os vão desenhando no papel,  e com eles fazem livros.

 

Há homens que existem há uma eternidade e viverão até à  eternidade.  Que sabem o sabor do vento ou o som do arco iris.

 

Há homens que não se dão, não se dobram, não se ajustam, simplesmente são.

 

Não têm lutas porque a sua vida é  toda uma luta de espantos e barreiras.

 

Fazem da caneta a arma ao ponto certo e, vão rasgando a vontade  em rumos individuais e incertos.

 

Há homens que escrevem sem vírgulas e sem pontos finais, não fazem parágrafos nem colocam travessões...escrevem...

 

 

Vivem e morrem como escrevem,...sem finais,...sem parágrafos,...sem travessões. 

 

 

ACCB

 

 ( Dia da morte de José Saramago - escritor Português- Prémio Nobel da Literatura)

 

  

  

 

_________________________________________________
No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010

F de Felicidade

 

 

Um dia as palavras revoltam-se contra o dicionário e rompendo as amarras do primeiro e segundo volume,

dançarão a rumba no plateau das capas cartonadas, até que lhe doam as sílabas e desfaleçam esgotadas mas felizes.


E o dicionário ficará permanentemente escancarado na letra F com a palavra FELICIDADE a pulsar.
Alguns reconhecerão um sinal,

outros uma crise de varizes.

 

 

 

 

MIGUEL MIRANDA

 

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escrito no papiro por ACCB às 18:00
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

António Lobo Antunes

Sofre muito ao escrever?

 

!Há instantes de intensa felicidade - às vezes sinto as lágrimas a caírem-me pela cara - e momentos de grande irritação porque num dia consigo fazer meia página e no noutro só três linhas. O material resiste, as palavras não chegam, o livro não sai. Normalmente as primeiras duas, três horas são perdidas, os mecanismos sensórios ainda estão muito vivos. Então, quando começo a estar cansado, as coisas começam a articular-se com mais facilidade. É como quando estamos a dormir e de repente temos a sensação de termos descoberto os segredos da vida e do mundo, mas sabemos que estamos a dormir. Lutamos para acordar e quando chegamos à superfície não temos nada, diluiu-se enquanto fomos subindo. Quando consigo um estado próximo dos sonhos é muito mais fácil trabalhar e só o tenho estando fatigado." - António LoboAntunes

 

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É como um estado de auto hipnotismo. O transporte para um Mundo subitamente criado que se vai criando subitamente.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 02:00
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Escrita

Escrever bem nos blogs.

 

Vulgarmente dou erros porque não releio o que escrevo depois de teclar. E com vocês como é ???

 

A partir de hoje estou a pensar deixar aqui alguns erros, não daqueles que todos cometemos, mas que se cometem

Querem sugerir alguns?

 

Bom jantar.....................  :-))

 

 

 

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escrito no papiro por ACCB às 19:44
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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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