Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

A Vida

 


 A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

escrito no papiro por ACCB às 16:28
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Interrogação ao Tempo

 

 

 

Passa-te o tempo
E passa-te a Vida
Passa o espanto pelo que ainda é novo
Depois passa o olhar
E passa tanta coisa
................
E abrem-se rugas na memória
que no entanto continua jovem
Passa-te o tempo ressequido
A VIda
............
O Olhar pela pela memória do Tempo
E ficam as rugas que a tristeza
e a revolta te deixam nas mãos abertas

ACCB

 ( Foto de José Luís Outono)

escrito no papiro por ACCB às 19:05
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Homenagem

 

 

 

 

 

 

Como tu dirias, não estarei, não tenho que estar, mas é como se estivesse.
E estarão muitos amigos teus, que te foram muito queridos e para quem serás sempre muito querido.
E de repente mesmo os conhecidos descobriram que eras um homem pela Cidadania, pelo Direito e pelo Ser, mais que pelo dever ser.
E descobriram todos que, da ponta da tua caneta, ou do teu rascunho a lápis, ou do teu teclado saía sempre o exercício da cidadania.
É por isso que nalgumas pessoas Jornalismo e Direito casam tão bem, porque ambos denunciam, apesar de só um censurar, as atrocidades que se cruzam connosco ou andam por aí.
E soubeste cumprir aquele mandamento em que dizias não acreditar :- Ama o Próximo como a ti mesmo.
E mais importante que tudo isso, deixaste o exemplo e a vontade de fazermos igual.
E é por isso que não estarei, não tenho que estar mas é como se estivesse...( ou talvez porque me vou habituando à tua forma de estar ausente que é agora a realidade).

Um Bom Dia. Se não for pedir muito que haja Sol quando disserem o teu nome.

( Faltou dizer que este pedacinho de imagem estava no Blog da Patricia 

escrito no papiro por ACCB às 16:40
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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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