Sábado, 30 de Junho de 2012

O olhar da amurada

 

 

 

Foi de relance que te apanhei o olhar. Perdia-se da amurada para o convés.
Por detrás a paisagem encantadora de uma noite de Verão que não sabia o que te faltava naquela viagem.
Mas sabia a objectiva que te captou o olhar... e que o fixou e o leu...
Podia ser lindo o mar, ou o rio, a margem ou a luz sobre a mesa do jantar... Até a ponte enquadrada na gravura e a mulher que ficava em frente apontando o anel num dedo falso...

Mas o teu olhar era triste...

Era tão triste e tão ausente...
Era tão triste e tão distante...

Do lado de cá da objectiva havia o sonho por realizar.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 03:03
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012

Subsídios 21-7-2012

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Lisboa

escrito no papiro por ACCB às 18:00
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Os filhos, os botões de punho

E O FAROL NA BEIRA DA BARRA

 

 

 

 

 

 Escultura de Bruno Catalano

 

 

Sai pela manhã com um risco de horizonte nos olhos.

.

Deixa em casa os filhos de mochila às costas e escola nas mãos.

A mulher atira-lhe o ultimo beijo que, se não voltar, será o ultimo.

.Não pode deixar de ir porque tem a mesa dos filhos para pôr e qualquer coisa para  comprar à Rosa . Qualquer coisa que ela achará valiosa só porque vinda dele, ela a tudo dá valor.

.

Na estação aguarda o comboio. Espera que ninguém se suicide hoje porque está cansado das bocas do chefe  quando chega tarde para a inauguração do dia que será duro.

Arregaça as mangas, não porque não esteja frio mas porque assim, o olhar se espraia no mar e pensa que o Verão virá breve.

.

À beira da Barra um farol apaga-se  pela madrugada todos os dias e volta a acender-se à noite, quando os miúdos já dormem, a Rosa fechou as pétalas e os pensamentos mergulham no Futuro.

Um Futuro que já não é seu mas que não sabe como deixará aos filhos.

.

O comboio chega, ninguém se suicidou. Dá um toque nas mangas da camisa que um arrepio puxa para baixo.

Ao longe o horizonte banha-se de manhã.

.A Rosa já saiu para trabalho há muito...Lembra-se dos botões que ela lhe comprou, com a letra do Nome dele. Manuel usa-os quando os amigos se lembram de festejar sentimentos na Igreja.

.

Depois do vidro da janela da carruagem há o mar,... há a liberdade do sonho. No fim da linha não há nada  a não ser mais um dia de trabalho para poder pôr a mesa aos miúdos e oferecer o Mundo à Rosa, ainda que esse Mundo seja apenas o seu peito aberto ao Futuro.

.

O mar corre ao lado, o dia fica para trás... O farol acende-se na noite e Manuel mergulha nos sonhos que dá aos filhos.

.

Os filhos que um dia o olharão já adultos e lhe perguntarão se ainda usa os botões de punho quando os amigos festejam os sentimentos na Igreja e se ainda sonha quando o farol se acende lá em baixo, no fio do Horizonte, mesmo à beira da Barra.

.

ACCB

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escrito no papiro por ACCB às 00:46
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012

Stº António de Lisboa

 

 

Saíra Santo António do convento
a dar o seu passeio costumado
e a decorar num tom rezado e lento
um cândido sermão sobre o pecado.

E andando andando sempre repetia o seu
o seu divino sermão piedoso e brando
e nem notou que a tarde escurecia
que vinha a noite plácida baixando

E andando andando achou-se num outeiro
com árvores e casas espalhadas
que ficava distante do mosteiro
uma légua das fartas, das puxadas.

Surpreendido por se ver tão longe
e fraco por haver andado tanto
sentou-se a descansar, o bom do monge
com a resignação de quem é santo.

O luar! um luar claríssimo nasceu
e num raio dessa linda claridade
o menino Jesus baixou do céu
e pôs-se a brincar com o capuz do frade

Perto, uma bica d'água sussurrante
juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Um rouxinol ouvia-se distante,
o luar mais alto iluminava mais.

De braço dado para a fonte
vinha um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha
Ele trazia o coração no peito.

Sem suspeitarem que alguém os visse
trocaram beijos ao luar tranquílo.
O menino porém ouviu e disse:
«Ó Frei António, o que foi aquilo?»

O Santo, erguendo a manga do burel
para tapar o noivo e a namorada
mentiu numa voz doce como o mel:
«Não sei que fosse, eu cá não ouvi nada.»

Uma risada límpida, sonora
vibrou em notas de oiro pelo caminho
«Ouviste, Frei António, ouviste agora?»
«Ouvi Senhor, ouvi... ah, eh ... é um passarinho!»

«Tu não estás com a cabeça boa.
Um passarinho! a cantar assim!»
E o pobre Santo António de Lisboa
calou-se embaraçado, mas por fim

corado como as vestes dos cardeais
achou esta saída redentora:
«Se o menino Jesus pergunta mais
faço queixa a sua Mãe, nossa Senhora.»

E voltando-lhe a carinha contra a luz
e contra aquele amor... sem casamento
pegou-lhe ao colo e acrescentou:
«Jesus, são horas... » e abalaram para o convento

 

tags:
 
Quando tinha 6 anos declamei este poema numa festa da minha escola primária - Nunca mais me esqueci dele.

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

Música da semana

escrito no papiro por ACCB às 00:38
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Domingo, 10 de Junho de 2012

Mimos que me dão........

escrito no papiro por ACCB às 19:21
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Sábado, 9 de Junho de 2012

EURO 2012

 

"Acima de tudo precisamos de uma união política,
o que quer dizer que  gradualmente temos que ceder competências à Europa e dar à Europa um maior  controlo".

Totalmente de acordo se a senhora Merkel não estiver a intitular-se a  Europa.




Ler mais: http://expresso.sapo.pt/euro-2012=f731913#ixzz1xJvLh5vb

 

escrito no papiro por ACCB às 18:59
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Nostalgias......

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Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

As fadas ditam as letras

 

 

- Que achas? - perguntou-me.
- O que eu acho? Acho lindo.... tão bonito que não sei dizê-lo. Acho que há seres que nos arrancam de nós e isso é raro.
  Acho que poucas têm a hipótese de viver esses flashes, esses momentos em que os duendes descem... e as fadas ditam as letras...
  Acho que tenho lágrimas nos olhos.

 

 

                      ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

6.Junho

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Terça-feira, 5 de Junho de 2012

;-)

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Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Vestida de Não.

 
ficas melhor assim vestida de não,
ficas mais quieta na minha memória.
a solidão é deste modo: a coragem
de escrever sozinho o final da nossa história.
adiciono pontos finais ao final da nossa história:
estás quieta na minha memória, os ges...tos
sem cor, um enorme não cerceando a tua boca.
estás também nua. aproximo-me de ti com o que de mais
humano consigo invocar: ensina-me o final
da nossa história! ficas mais quieta vestida de não,
completamente nua na minha memória.
onde se desenha a tua sombra recolho
estes versos: quando traí a nossa história?

 Rui Tinoco
escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Perder o TM em Lisboa ;-)

escrito no papiro por ACCB às 08:41
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YES!

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Domingo, 3 de Junho de 2012

;-) Música da semana

escrito no papiro por ACCB às 03:40
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Sábado, 2 de Junho de 2012

MOTE -

«De que país regressas?
De que mar ou regaço

onde o desejo respira devagar?
Fala, diz ainda a palavra

que faça do silêncio a casa
  ou erga a coroa do lume
  à altura do olhar.»
 
   Eugénio de Andrade
 
Mote dado pela Ni


 

 

 

Que palavra faria do Silêncio a casa?
Ainda sabes inventar palavras que desenrolam sonhos 
Que trazem ventos e desenlaçam asas?
Ainda sabes o roteiro da volta das marés
E usas o astrolábio para encontrar as estrelas nos meus olhos?
...
Sabes de cor o Norte do meu riso
E tens a bússula do meu segredo?
 
De que país regressas que trazes nos cabelos o cheiro da canela
Na pele o aroma da seda
E nos dedos o toque liso do marfim?

Vens das noites de tormentas
desfeitas em cabos e velas pandas de descobertas
trazes nos olhos os sonhos de marinheiros
que ficaram pelas vagas das insónias
perdidos na Ilha dos amores

Que palavra faria do silêncio da tua ausência 
a coroa do lume à altura do olhar
Que  estrelas se descobrem acima do horizonte
num astrolábio que se perdeu no mar....
Fala, diz ainda a palavra que faça do silêncio a casa
onde o desejo respira devagar.....

ACCB
escrito no papiro por ACCB às 00:10
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De Perfil

Sobre mim

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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