Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Casablanca

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escrito no papiro por ACCB às 21:47
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Guarda................

IMPORTAÇÃO - Maria do Rosário Pedreira

Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre ― a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
... camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono.


Guarda-o
serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.




E protege-o de todos os invernos ― dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde esconde
os mais escondidos medos e anseios.




Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez o que queria.




Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã ―  as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol.


E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.
 
________________________
escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Julgar Garzon ou a lei de 1977 ?

 

Crónica das mortes amnistiadas

 

"Assassinado pelo céu,
entre as formas que vão para a  serpente
e as formas que buscam o cristal,
deixarei crescer meus  cabelos. "

GARCIA LORCA

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/cronica-das-mortes-amnistiadas-julgar-garzon-ou-a-lei-de-1977=f701962#ixzz1ktrwfOJk

escrito no papiro por ACCB às 01:19
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

COMPLETAS



 
... A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos domónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

MANUEL ANTÓNIO PINA, in ALGO PARECIDO COM ISTO, DA MESMA SUBSTÂNCIA (Afrontamento, 1992)
 
escrito no papiro por ACCB às 00:17
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A um minuto

escrito no papiro por ACCB às 00:00
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

É Lisboa que amanhece ...........

escrito no papiro por ACCB às 07:52
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Bom companheiro desapareceu.

 
 
 
Desapareceu ontem de casa, no sítio da Estação de Loulé, o meu cão que dá pelo n...ome de “KIKO”. Trata-se de um podengo a tirar para o ruivo,  magricelas, simpático e muito amigável. Faz muita falta à minha família. Pode andar perdido. Se por acaso o encontrar, muito agradeço que comunique para o 962648939.

Por favor, reenvie esta mensagem aos seus amigos e conhecidos. Quem tem e gosta de animais compreende a situação.

Obrigado.

José MENDES BOTA
Partilhem, por favor
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escrito no papiro por ACCB às 20:06
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

As mãos em reflexão

 

 

 

 

Os homens sábios têm, antes de o ser, o rosto sereno, bem delineado, olhos frontais e vivos, sorrisos calmos e pensativos, mãos reflexivas e passos seguros.

-

Depois, com o tempo, tornam-se sábios e caem as sobrancelhas para cima do nariz, curvam-se os lábios sobre o sorriso e os olhos vivos e frontais tornam-se profundamente perscrutadores das almas...

-

Reparei que os cabelos também mudam de tom e ficam enluarados muito mais cedo.

-

Os homens sábios têm uma forma de entardecer que me ilumina e me deixa numa contemplação longa do tempo.... como se o sol esta tarde não passasse nunca mais a linha do horizonte e o momento em que o dia adormece se tornasse infinito...

-

...Multiplicam-me os segundos e aceleram-me o metabolismo...

-

Fico sempre à espera de sentir os meus olhos ( um dia ) como  perscrutadores de almas...

espero  enquanto as minhas sobrancelhas não caem para o nariz e as minhas mãos em reflexão contemplam o pôr do sol.....

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:57
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Senhora Ministra, tiro-lhe o chapéu.

       

"Depois de procelosa tempestade, Noturna sombra e  sibilante vento, Traz a manhã serena claridade, Esperança de porto e  salvamento"

Os Lusíadas, canto IV.

 

 

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/senhora-ministra-tiro-lhe-o-chapeu=f700809#ixzz1kHXUnxNW

 

__________________________________________

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Esta jovem

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Cultura

Questão cultural? Será, sem dúvida!!
Que tal começar a lançar gente aos leões? Também tem a ver com questão cultural....e manter culturas.
Estava a ver se me lembrava de mais uma questão cultural...
AH! Sim, por exemplo a mutilação genital feminina logo ali ...... na Guiiné. Não precisamos de ir mais longe.
Ah! E manter a iniciação sexual masculina com na antiga grécia. Pedofilia é crime? deixa de ser....
Sejamos tolerantes pois então...
Ah! E não sabia que a criação do garboso e fantástico cavalo Lusitano, implicava manter a tortura de um outro animal  em praça pública para os homens aplaudirem... Tenho pena de não ser culta....
 
E que tal manter a cultura machista de que não há mulheres no Parlamento? E nem sequer com direito a voto?????????

escrito no papiro por ACCB às 12:03
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

"A Defesa do Poeta"

 


Senhores jurados sou um poeta
um
multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do
esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado
espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de
mim.

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de
cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores
banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o
parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da
vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois
os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não
vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de
ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais
além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por
ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto
homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da
natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha
defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de
perdão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.
Sou uma
impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
Ó subalimentados
do sonho!
a poesia é para comer.

Natália Correia

______________

escrito no papiro por ACCB às 18:29
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Creio Nos Anjos Que Andam Pelo Mundo

 

 

 

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de
diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De
harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,

Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral
mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que
enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação
do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro.

 

Ámen.

 

Natália Correia

escrito no papiro por ACCB às 07:36
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Sábado, 14 de Janeiro de 2012

É Sábado

escrito no papiro por ACCB às 12:27
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Lua cheia

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escrito no papiro por ACCB às 00:14
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

.... _....._....._....

escrito no papiro por ACCB às 07:55
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Manhã Lisboa 4º C

 

Nem a imagem que apanhei de súbito ao descer ao Camões me aliviou o azedo das sílabas....
Era uma loja de coisas antigas, todas misturadas como quando sonhamos e não percebemos a ideia...
Era um homem que vivera sempre ali, naquela loja e tinha já perto de 70 e muitos anos... Teria aberto a loja há meia hora ou pouco mais e já os pombos do costume ( sim , que pelo descaramento, eram os do costume), lhe saiam pela porta fora em saltos de asas lentas e desobedientes. 

Aquele gesto deve fazê-lo todas as manhãs...varre o interior da loja como quem sacode o frio da noite e os pombos que entraram, provavelmente à procura do sítio onde esconde o milho para os trazer ao calor da partilha, vão à frente da vassoura lenta que   nada tem para fazer sair para a rua.

Foi o gesto e os pombos, a sua brincadeira matinal cumplice com a vida daquele homem....
Em segundos tudo me passou pela ideia,... a reforma dele, a crise mundial,...o dinheiro para os medicamentos... a manhã em Lisboa e em frente o rio com os traços repetidos do cacilheiro de cá para lá....
 

E aquela cabeça toda branca, salpicada pela vida... em gestos repetidos de arrumação inútil... e a cumplicidade dos pombos.... e eu dentro do carro com 4º graus lá fora.

E nada................

 

escrito no papiro por ACCB às 01:01
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Lua Cheia

escrito no papiro por ACCB às 23:23
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Eu quero

 

 

 

Um dia olharei para trás e quero sentir que criei alguma coisa para dar...  assim como quem recebe.

Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/re-em-causa-propria=s24992#ixzz1ipb9LCee

escrito no papiro por ACCB às 02:38
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Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Rouba Corações Represas Gil Fred Astaire

escrito no papiro por ACCB às 23:28
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As Margens...

______________

 

 
 
 
 
Às vezes tu dizias:- Os teus olhos são lagos profundos onde só vejo as margens....
E eu fugia com o olhar porque não te queria ver a alma
há sempre o medo de ficar presa numa alma...
O medo de que essa alma desnude a nossa

... Não demos nada
nem água nem passado...
Nada é inútil,...nem as palvras estão gastas....
porque os meus olhos são lagos fundos onde só se descobrem as margens.......
 
ACCB
escrito no papiro por ACCB às 23:05
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Aqui muito sol

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Numa só palavra

 

 "É uma janela aberta numa manhã quente de verão com uma vista fabulosa para o rio tejo,

 

 daquelas manhãs que auguram um dia optimo.

 

 É um pedaço de céu que de quando em quando cai na terra para nos lembrar que as coisas boas também existem.

 

 É luz e sinal de mudanças positivas na vida de cada um de nós ...

 

 Lamento mas o poder de sintese nunca foi o meu forte."

 

  J C

escrito no papiro por ACCB às 20:07
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Pedro Osório - 5.1.2012

____________

escrito no papiro por ACCB às 14:06
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Olhar...

escrito no papiro por ACCB às 21:21
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

Sem Compromisso

 

 

Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com
isso
Não sou nenhum pai-joão
Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de outra
Prá não haver bate-boca dentro do salão
Quando toca um samba
E eu
lhe tiro pra dançar
Você me diz: não, eu agora tenho par
E sai dançando
com ele, alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis

escrito no papiro por ACCB às 19:16
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

Ai sou eu que pago... ai se eu te pego

escrito no papiro por ACCB às 23:32
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musica da semana

escrito no papiro por ACCB às 07:59
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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Ode à Paz

 

 

 

 

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
... Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"
escrito no papiro por ACCB às 17:32
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De Perfil

Sobre mim

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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