Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

Um texto que dá que pensar hoje.........

 

 

amanhã...quando quiserem. Bonito

 

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O Amor é um Acidente, uma Renúncia, um Hábito, uma Maldição

O amor é um acidente.

Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava.

Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal.

As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes.

Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.O amor é uma renúncia. Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor de outros.

Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas. Não me queixo!Não sou ingénua nem estúpida.

 

Quando digo que o amor é uma renúncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele.

Um homem feio, com poder, é quase bonito. Um homem bonito, com poder, é quase um Deus.

Apesar da minha educação cristã, ou por causa dela, sempre me recusei a viver sujeita à ameaça do pecado. As grandes indústrias vêm tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina - amor platónico.

Quanta estupidez.

Quem bebe café procura a exaltação da cafeína.

Quem pede uma cerveja numa tarde de sol quer refrescar o corpo, sim, mas também quer soltar o espírito.

Se é para pecar quero o pecado inteiro.

Bill teve o seu castigo. Tivemos os dois.

Foram dias difíceis, foram noites ainda mais difíceis, mas passaram. Uma manhã acordei e já não tinha lágrimas. Noutra manhã acordei e já não o odiava.

Finalmente acordei e estava de novo abraçada a ele.

O amor é um hábito. Como acham que cheguei até este dia?

Foi o amor que me trouxe. Maldito seja.

 

José Eduardo Agualusa, in 'A Educação Sentimental dos Pássaros '

escrito no papiro por ACCB às 20:18
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Para Fazer o Retrato de um Pássaro

 

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(JACQUES PRÉVERT*, trad. Eugénio de Andrade)

Pinta primeiro uma gaiola

com a porta aberta
pinta a seguir
qualquer coisa bonita
qualquer coisa simples
qualquer coisa bela
qualquer coisa útil
para o pássaro
agora encosta a tela a uma árvore
num jardim
num bosque
ou até numa floresta
esconde-te atrás da árvore
sem dizeres nada
sem te mexeres...
Às vezes o pássaro não demora
mas pode também levar anos
antes que se decida
Não deves desanimar
espera
espera anos se for preciso
a rapidez ou a lentidão da chegada
do pássaro não tem qualquer relação
com o acabamento do quadro.

 

Quando o pássaro chegar
se chegar
mergulha no mais fundo silêncio
espera que o pássaro entre na gaiola
e quando tiver entrado
fecha a porta devagarinho com o pincel
depois
apaga uma a uma todas as grades
com cuidado não vás tocar nalguma das penas

Faz a seguir o retrato da árvore
escolhendo o mais belo dos ramos
para o pássaro
pinta também o verde da folhagem a frescura do vento
a poeira do sole o ruído dos bichos entre as ervas no calor do verão
e agora espera que o pássaro se decida a cantar
se o pássaro não cantar
é mau sinal
é sinal que o quadro não presta
mas se cantar é bom sinal
sinal de que podes assinar

então arranca com muito cuidado
uma das penas do pássaro
e escreve o teu nome num canto do quadro.

* Jacques Prévert (França, 1900-1977)

escrito no papiro por ACCB às 20:13
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Poema pouco original do medo

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O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
-
Alexandre O'neill
-

escrito no papiro por ACCB às 19:39
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Poema de Jenny Londoño

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Vengo desde el ayer, desde el pasado oscuro y olvidado con las manos atadas por el tiempo, con la boca sellada desde épocas remotas.

Vengo cargada de dolores antiguos, recogidos por siglos, arrastrando cadenas largas e indestructibles.

Vengo desde la oscuridad del pozo del olvido, con el silencio a cuestas, con el miedo ancestral que ha corroído mi alma desde el principio de los tiempos.

Vengo de ser esclava por milenios, esclava de maneras diferentes, sometida al deseo de mi raptor en Persia, esclavizada en Grecia, bajo el poder romano.

Convertida en vestal, en las tierras de
Egipto, ofrecida a los dioses de ritos milenarios, vendida en el desierto o canjeada como una mercancía.

Vengo de ser apedreada por adúltera en las calles de Jerusalén, por una turba de hipócritas, pecadores de todas las especies, que clamaban al cielo mi castigo.

He sido mutilada en muchos pueblos para privar mi cuerpo de placeres y convertida en animal de carga, trabajadora y paridora de la especie.

Me han violado sin límite, en todos los rincones del planeta, sin que cuente mi edad madura o tierna o importe mi color o mi estatura.

Debí servir ayer a los señores, prestarme a sus deseos, entregarme, donarme, destruirme, olvidarme de ser una entre miles.
He sido barragana de un señor de Castilla, esposa de un Marqués y concubina de un comerciante griego, prostituta en Bombay y filipinas y siempre ha sido igual mi tratamiento.

De unos y de otros siempre esclava, de unos y de otros dependiente, menor de edad en todos los asuntos, invisible en la historia mas lejana, olvidada en la historia más reciente.

Yo no tuve la luz del alfabeto durante largos siglos. Aboné con mis lágrimas la tierra que debí cultivar desde mi infancia.

He recorrido el mundo en millares de vidas que me han sido entregadas una a una.

Y he conocido a todos los hombres del planeta: los grandes y pequeños, los bravos y cobardes, los viles, los honestos, los buenos, los terribles.

Mas casi todos llevan la marca de los tiempos.
Unos manejan vidas como amos y señores, asfixian, aprisionan, succionan y aniquilan.

Otros manejan almas: comercian con ideas, asustan o seducen, manipulan y oprimen.

Unos cuentan las horas con el filo del hambre, atravesado en medio de la angustia.

Otros viajan desnudos por su propio desierto y duermen con la muerte en la mitad del día.

Yo los conozco a todos.
Estuve cerca de unos y de otros, sirviendo cada día, recogiendo las migajas, bajando la cerviz a cada paso,
cumpliendo con mi karma.

He recorrido todos los caminos.
He arañado paredes y ensayado cilicios, tratando de cumplir con el mandato de ser como ellos quieren, mas no lo he conseguido.
Jamás se permitió que yo escogiera el rumbo de mi vida.

He caminado siempre en una disyuntiva, ser santa o prostituta.
He conocido el odio de los inquisidores que a nombre de "la santa madre iglesia" , condenaron mi cuerpo a su sevicia o a las infames llamas de la hoguera.

Me han llamado de múltiples maneras : bruja, loca, adivina, pervertida, aliada de Satán, esclava de la carne, seductora, ninfómana, culpable de los males de la tierra.

Pero seguí viviendo, arando, cosechando, cosiendo, construyendo, cocinando, tejiendo, curando, protegiendo, pariendo, criando, amamantando, cuidando,
y sobre todo amando.

He poblado la tierra de amos y de esclavos, de ricos y mendigos, de genios y de idiotas, pero todos tuvieron el calor de mi vientre, mi sangre y mi aliento, y se llevaron un poco de mi vida.

Logré sobrevivir a la conquista brutal y despiadada de Castilla en las tierras de América, pero perdí mis dioses y mi tierra y mi vientre parió a gente mestiza, después de que el castellano me
tomara por la fuerza.

Y en este continente mancillado proseguí mi existencia, cargada de dolores cotidianos.

Negra y esclava en medio de la hacienda, me vi obligada a recibir al amo cuantas veces quisiera, sin poder
expresar ninguna queja.

Después fui costurera, campesina, sirvienta, labradora, madre de muchos hijos miserables, vendedora ambulante, curandera, cuidadora de niños y de ancianos, artesana de manos prodigiosas, tejedora, bordadora, obrera, maestra,
secretaria o enfermera.
Siempre sirviendo a todos, convertida en abeja o sementera, cumpliendo las tareas más ingratas, moldeada como cántaro por las manos ajenas.

Y un día me dolí de mis angustias.
Un día me cansé de mis trajines, abandoné el desierto y el océano, bajé de la montaña, atravesé las selvas y confines y convertí mi voz dulce y tranquila
enbocina del viento, en grito universal y enloquecido.

Y convoqué a la viuda, a la casada, a la mujer del pueblo, a la soltera, a la madre angustiada, a la fea, a la recién parida, a la violada, a la triste, a la callada, a la hermosa, a la pobre, a la
afligida, a la ignorante, a la fiel, a la engañada, a la prostituta.
Vinieron miles de mujeres, juntas, a escuchar mis arengas.

Se habló de los dolores milenarios, de las largas cadenas que los siglos nos cargaron a cuestas.

Y formamos con todas nuestras quejas un caudaloso río que empezó a recorrer el universo, ahogando la injusticia y el olvido.

El mundo se quedó paralizado. ¡los hombres sin mujeres no caminan!

Se pararon las máquinas, los tornos, los grandes edificios y las fábricas, ministerios y hoteles, talleres y oficinas, hospitales y tiendas, hogares y cocinas.

Las mujeres, por fin, lo descubrimos. ¡somos tan poderosas como ellos y somos muchas más sobre la tierra ! ¡ más que el silencio y más que el sufrimiento ! ¡ más que la infamia y más que la
miseria !

Que este canto resuene en las lejanas tierras de indochina, en las arenas cálidas del África, en Alaska o en America latina, llamando a la igualdad entre los géneros, a construir un mundo solidário -- distinto, horizontal, sin poderíos -- a conjugar ternura, paz y vida, a beber de la ciencia sin distingos.
A derrotar el odio y los prejuicios, el poder de unos pocos, las mezquinas fronteras.
A amasar con las manos de ambos sexos el pan de la existencia.

escrito no papiro por ACCB às 19:36
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Tons de escrita

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Tens de ver se os teus olhos têm reflexos verdes ou se por acaso será desse teu brilho na voz . Será que é porque parece que quando chove à tua volta, o chão fica daquele verde dourado que cobre os mantos das damas, de noite, pelos castelos? Ou saíste de um livro em que os contos de fadas têm personagens reais?
Olha deixa lá, não penses mais nisso, parece-me mesmo que é do reflexo verde do brilho do teu olhar.
Também podia ser dessa tonalidade azul que dás à voz ou do vermelho dos gestos que te caracteriza,.... Sinceramente não sei. Não sei, assim como não sei porque ponho reticências a seguir às virgulas quando penso o que escrever a seguir... porque, isto de escrever é só quando não se pensa, sai assim, de repente, como uma ideia que não se deve conter, como quando de noite temos ideias brilhantes e a seguir adormecemos. Não voltam,.... perderam-se nos sonhos.
Tudo tem uma razão, uma causa, uma sequência e a tua é a do reflexo. Às vezes apetece-me espreitar do outro lado, mas encontro sempre o mesmo verde, o mesmo azul e o mesmo vermelho, como uma bandeira que acenas e com a qual dizes que te recusas a seguir o mesmo trilho já trilhado...
Tens de ver se os teus olhos têm reflexos verdes....

 

21.11.2014

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 16:11
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016

Super Lua




 

Olha, está na hora de dormir dizem as regras... E eu que sempre tentei quebrá-las agora zelo pelo seu cumprimento. Dormir... que perda de tempo.
Até que tenho sono mas tenho mais vontade. Vontade de ficar à espera da trovoada de ontem que não passa mais hoje e que se passar já será outra. Vontade de escrever e atirar as palavras ao papel, à folha, ao teclado ao que quer que seja mas que me deixem quebrar as regras.
Passo a vida a zelar pelas regras e pelo seu cumprimento e pelo respeito que lhes é devido ... e entre este zelar estonteado e teimoso perco-me pelas palavras e encontro-me em rostos que não conheço...
Olha, sabes? dizem que está na hora de dormir...mas eu não quero. A noite é boa companheira. De noite notam-se os contornos das sombras que de dia se esbatem à luz do sol ou nas cortinas de chuva.
Na hora de dormir desperto ...é como se o apelo da escrita me libertasse e amanhã é segunda feira. Nunca gostei da segunda feira, ou gostei? Já não me lembro. Não gostar da segunda feira é uma regra e eu vivo rodeada de regras.
Está na hora de dormir dizem as regras....e o espírito das regras o que diz???

14.11.2015

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:30
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

No dia 11.11.2016

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"Que a boa sorte te persiga e que teu coração se preencha com tudo o que desejares.

Que vejas os filhos dos filhos dos filhos dos teus filhos.

Que não conheças nada além da felicidade, deste dia em diante."

– (Essa é uma Bênção Celta).

escrito no papiro por ACCB às 16:45
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

10.11.2016

 

escrito no papiro por ACCB às 15:54
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

"May be ...... the price I have to pay."

Acabaste o dia
Escolhes o caminho mais fácil, o do mar.
Devagar que a velocidade tem limite e no teu caso o limite há-de ser perto dos 40.
O radio acompanha a velocidade e o estado de alma.
Olhas o mar, é sempre bem vindo e ali há sempre um infinito de sorrisos na maré.
Está cheia, tão cheia que não se move.
O som fica mais alto, tem lembranças envolvidas e sorris.
Cada pedaço é uma aguarela e aproveitas para guardar os flashes que se oferecem (também eles sorridentes), à passagem.
Logo ali, depois da baía onde a faina descansa no colorido dos barcos que se fazem ao mar, tens uma curva que se dilui como se Lisboa entrasse pelo rio e o nevoeiro se enovelasse nas copas das árvores.
O farol observa os farrapos brancos e líquidos a subirem a encosta , vindos do rio a pulso, ....espalham-se como cabelos longos ao vento.
O radio do carro repete uma canção antiga como se falasse de um castigo de alguém enquanto a voz vai dizendo..."May be ...... the price I have to pay."
Sorris. Há sempre um preço a pagar.
Há que desfazer a curva, olhas e repares que de repente tudo ficou com ar de Natal, mais uma vez tudo irá ficar com aquele ar de dia chuvoso e frio mas com luzes.
O radio continua em estase com a canção antiga e o nevoeiro solto pela Marginal.... May come to me from shadows of the past.....
Mas logo em frente há sol de novo e o fim da tarde ganha de repente um rosto normal.
É Outono, nada de novo... apenas um passeio pela tarde na Marginal.

 

escrito no papiro por ACCB às 01:39
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Não peças a quem pediu

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(Cesare Zocchi, O Soberbo, detalhe do monumento a Dante em Trento)

 

 

 

Não peças a quem pediu nem
sirvas a quem serviu
Um aviso a fazer e um cuidado a ter a todos os níveis
Cada vez me convenço mais de que é verdade
O tirano é um indivíduo que não foi livre
O tirano é um indivíduo frustrado
A sua tarefa o seu maior objectivo é dominar para não ser dominado
Retirar ao outro o seu espaço de liberdade para que não controle o seu espaço de tirania
Por quantos tiranos vamos ser orientados no Futuro?
Uns dão te ordens absolutamente contrárias às leis existentes
Outros vestem a pele do intelectual justo e líder quando o desejo é ser realmente o líder que não são
Encabeçam movimentações contra alguém que esteja a ser alvo de crítica ( é um exemplo), para serem populares e serem seguidos
O tirano é um ser que se diz recto para poder ser admirado, seguido, obedecido ...
E depois tudo se torna uma luta sem quartel porque o tirano
está atento, não descura a oportunidade de subir e alargar a sua fé, a sua teoria, o seu poder que só lhe vem dos outros enganados pelo voluntarismo que se firma no colectivo dos que tem fome e sede de sangue e a quem ele promete que serão saciados ....
E, porque não têm a calma observadora do tirano, e porque ir à frente é trabalhoso, tomam- no em ombros e nem reparam que o tirano não vai à frente, vai carregado por eles a quem há-de subjugar. Escudado nos ímpetos alheios entra em ombros e faz se não eleger mas obedecer.

Há que não servir a quem serviu
E não pedir a quem pediu

O homem justo é livre até de si mesmo

 

escrito no papiro por ACCB às 01:27
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

Noite....

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Não pareça a casa vazia,
caso não amanheça amanhã;
que tudo continue à beira
de acontecer, deixa os copos cheios,
não esqueças, como se o vinho fora
a última forma da esperança.
E deixa também o pão, partido,
na toalha,
para haver um cheiro de espigas altas
ou parecer ao menos que há coisas
que ainda se podem partilhar.
Deixa um livro aberto em qualquer sítio
como se fosses voltar muito em breve;
e que tudo pareça que ficou à tua espera.
Não note a morte ao chegar
que já não vive ninguém na casa.
Deixa aberta a janela para poder entrar
todo esse barulho estranho
e alheio da rua.
Não haja na tua morte
essa mesma intempérie
que sempre houve na tua vida.
Guarda num espelho
o teu olhar e um pouco dessa luz
que em teus olhos já não haverá
amanhã; e põe dentro dum caderno
a brasa viva do teu tacto. Deixa acesa
uma lâmpada, não vá a noite
durar demasiado.
Deixa tudo como se esta noite
não estivesse para ser a última.
Não te esqueças de deixar um livro
aberto em qualquer página.
E deixa bem aberta a janela
para a luz te conhecer amanhã,
mesmo que sejas apenas
um corpo partido, com frio e sem memória;
para que assim amanhã (caso amanheça)
entre de novo por ela – mesmo que tu não ouças –
todo esse barulho estranho
e alheio da vida.
(Trad. A.M.)
.Pedro A. González Moreno

escrito no papiro por ACCB às 11:07
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

....contemplação....

 





"Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas."


Tomas Tranströmer

escrito no papiro por ACCB às 13:22
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Como é um alentejano?

 



Como é um alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho...
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão:
-Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
-dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
-dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
-dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
-dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
-dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
-dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus: nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso!

Santana-Maia Leonardo

escrito no papiro por ACCB às 13:17
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Que se dane a regra e o preconceito

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Se quiser viver muito, viva.
Se quiser sorrir muito e muito alto, faça-o.
Se quiser cantar alto cante ainda que desafinado ou desafinada, "pois os desafinados também têm coração."

Se lhe apetecer abraçar abrace .......e andar descalça ande...
E apetece-lhe vinho do Porto em Lisboa, beba,... embriague-se de vontade de ser livre e feliz...
Que se dane a regra, a norma, o preconceito..
Tem vontade de gritar lá do fundo da alma alto e bom som mas é de noite e todos dormem?... Apague a luz, abra a janela e grite! Pode ser que o Sol se acenda.

E se lhe apetecer não dormir não durma...
E se morrer de sono morra o tempo necessário para acordar bem disposta ou bem disposto e querer viver muito.

Aí Viva!

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:08
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

Sílaba súbita

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Sílaba súbita?
Sim é súbita a sílaba, o gesto, o pedacinho da imagem que salta à vista e marca.
Ando com as sílabas todas desarrumadas e tenho de escrever para perceber o sitio delas.
Assim, de súbito, como se acabassem todas amanhã.

escrito no papiro por ACCB às 23:29
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É nos olhos....

 

 

É nos olhos, acho que é nos olhos ou no sorriso dos olhos. É aí que se mantém o tempo da infância e da juventude.
Tudo o mais é passagem.
Encontramos os amigos e eles estão dentro dos olhos deles connosco e com as recordações, as marcas da vida que deixámos por lá e as saudades que ficam de tudo o que vivemos juntos.
Os amigos não "envelhecem" eles vivem connosco dentro do sorriso dos olhos.

escrito no papiro por ACCB às 18:04
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Papéis velhos...

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Olha, estou assim, numa pasmaceira com o cotovelo fincado na secretária.
Tanto papel. Tenho uns muito velhos para ler.
Lembrei-me de que gosto de fotografias velhas, não é antigas, é mesmo velhas. Têm um aroma característico. Já reparaste? Não não é tom é mesmo aroma. Algumas cheiram aqueles bombons com recheio embrulhados em pratinha fina,... lembras-te? Deve ser da caixa.
E os álbuns de fotografias com a folhinha de papel vegetal a separar e os cantos transparentes que as seguram nas páginas?
Lembras-te?!
Estou assim, pasmada em cima da secretária, sentada nos pensamentos e com os olhos ao fundo, em fotografias com margens picotadinhas de branco.
E tenho ali uns papéis muito velhos para ler....

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 09:57
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Papel em branco.....

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Papel em branco...
Até parece o Jorge Palma a gastar cigarros e whisky velho. Deve ser do velho...para ter sempre inspiração...
Papel em Branco e Relógio implacável às voltas. Ainda me hão-de explicar como é que ele, o relógio, consegue puxar o Sol para baixo , como se fosse uma cortina chinesa só para deixar a Lua à vista.
O papel continua em branco.... agora até ía um cigarro nem que fosse só para lhe observar as espirais de fumo,...podia ser que a imaginação se enovelasse nelas...
Whisky não que não bebo.
Esferográfica?... Não... demasiado prática e plástica. Caneta, tem de ser a caneta ... com aparo elegante... comprido, nem muito grosso nem muito fino... daqueles macios que deixam a letra com ar de antiga e bonita,... que isto de escrever no teclado estraga a caligrafia.

Hum... queixo na mão, papel em branco... cortina corrida, chuva lá fora... Ainda se ao menos caísse uma trovoada.Papel em branco.....

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 09:52
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

. A escrever qualquer coisa .

 

Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa. É a chuva lá fora que me deixa assim nostálgica.

Depois de cumprir deveres cívicos de que não abdico, cai a noite e o rodado dos carros salpica a estrada que me faz lembrar que hoje ainda é domingo e as pausas são curtas.
São tão curtas as pausas... como são longas as reticências.
Já reparaste que as reticências são cheias de imaginação e silêncios? Como podem ambos ( imaginação e silêncio), conjugar-se em três pontinhos de nada?
Tenho coisas para reler... ...
Não me apetece nada... ...
Olha que me sentava aqui agora e escrevia-te qualquer coisa, só para arrumar os pensamentos e soltar as ideias,... sem as arrumar, sem as ordenar... Precisam de espaço as ideias.
É a chuva que me deixa assim nostálgica e nem é que eu saiba o que iria escrever...
Às vezes tenho a sensação de que vou pensando conforme escrevo e as ideias surgem conforme surgem as letras. Não há nada construído, tudo vai ganhando forma conforme as palavras se vão ordenando e colocando no texto... não havia nada antes...umas provocam as outras e as sensações...ou estas as palavras...
Olha que me sentava aqui agora ...e escrevia-te qualquer coisa... .



 Mas hoje não chove.............

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 16:51
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Linhas...

 

 

 

 

 

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Dar um passo estar ali, ali onde a terra se une ao mar e mistura com o céu
Usufruir do cheiro de ser livre e não ter um único minuto contado nem horas marcadas a não ser que eu as marque
Perceber os sorrisos que dizem coisas como que a brincar mas são apenas ironias de verdades recalcadas
Ficar com os homens e as mulheres que mastigam a Vida até ao fim
Ter o prazer de me fechar num livro e correr pela escrita, quem sabe escrever.
Empreender o que tem de ser feito, sem grandes vôos , pode ser logo ali e pronto....aquele fio de maré ou contraste de cor...
Libertar-me das grilhetas dos outros que não fiz nem quero fazer
Afinal cuidar pode ser doloroso....Cada um que lamba as suas feridas .... dizem...
O mandamento universal "ama o outro como a ti mesmo" foi substituído pela lógica do ama-te mesmo, e a ti que te ame o outro se isso não te for um estorvo.

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 10:32
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

Chuva de lua cheia

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Ainda há dias derramaram topázios no céu....Lembram-se? Até a lua ficou espantada de luz e a noite iluminou-se por dentro.
Ainda há dias era Verão e só o mar importava.
De repente voltou tudo ao sítio habitual e as horas voltaram a correr contra o tempo e a serem derrotadas por ele.
Dêem-me um relógio com mais meia noite.

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 12:29
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

Inércia

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21 de Julho de 2013 ·
Inércia não é a propriedade que têm os corpos de persistir no estado de repouso (ou de movimento) enquanto não intervém uma força que altere esse estado.
Inércia é uma sensação estranha de ver o relógio contar as horas e não haver nada que se produza e cause alterações.
É este diz que se fará e não fazer, um contar que se faça e ficar tudo para uma data que não existe.
É o palavrar empertigado de gravata ao pescoço que se empoleira nas ideias mas nem as olha nos olhos...
Inércia é a feira de vaidades que sai no jornal das oito...
Esta forma de estar passiva de quem perdeu a bússola e nunca estudou astronomia nem leu nada de astrofísica.
Inércia é um estado de letargia egoísta à deriva dos acontecimentos e do Futuro...
O que é que altera este estado?!

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:46
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Adeus Meu Amigo

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Respeitemos o Ciclo da Vida........................................... 

escrito no papiro por ACCB às 00:50
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Esta força que ninguém pode parar

Não me perguntem porquê.....
Não vos sei explicar mas sente-se a alma Lusitana e, em 3 tempos acabávamos com a crise, com a Guerra e com a fome, apagávamos todo mal do Mundo num passe de mágica e éramos .....os melhores.
Lembram-se do filme Invictus? Perceberam o que o futebol pode fazer por uma País, por uma política, pela união dos povos?
Não importa se não acenderam as nossas cores em Paris, porque nós acendemos as nossas cores em Paris e no resto do Mundo.
Não importa que tenham neutralizado o melhor Jogador do mundo porque, mesmo neutralizado tivemos o melhor guarda redes, a melhor equipa ainda que desnorteada pela alteração forçada de estratégia... e ele, o melhor jogador do Mundo,... é Português!
É isto que os Portugueses são, acreditam, fazem.
E se tudo estava ou não nas mãos de Deus, não sei mas sei que a alma Lusa é assim e acredita quando quer e a seguir realiza.
Fomos massacrados? Não. Provámos que merecíamos ganhar.
E num repente os golos de França não entravam e ainda que de massacre em massacre com um árbitro completamente incompetente, Portugal mostrou que é feito de traços genéticos que são de muitos povos, muitos e um só...
Não importa! Não importa nada porque a nossa bandeira espalhou-se ontem pelo Mundo, por vários cantos do Mundo....
Que temos a dizer desta força que ninguém pode parar?
Que vamos fazer com ela?

 

 

 

 

escrito no papiro por ACCB às 16:43
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Portugal/França

Quem eram eles quem eram eles quem eram eles ?!!!???
Junot
Soult
Massena!

 

 

Que é que nos queremos?!?!
Ganhar-lhes mais uma vez!!!

 

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escrito no papiro por ACCB às 17:01
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Domingo, 13 de Março de 2016

Dois homens à beira rio

 

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-Tens espaço? Espaço, espaço, tempo, atenção....silêncio?
-Silêncio.....................
-Podes ou não podes ouvir?

-Eu sei lá se tenho espaço! Não estou para aqui calado? À espera que aconteça ou se faça dia? Diz ,... senta-te e diz ou diz de pé que também pode ser e sempre o espaço é menor.

-O que eu quero é que me respondas se tens espaço, se tenho tempo, se queres ouvir.

-Ora diz, tenho um cigarro para fumar que ainda não perdi o vício. Escuto enquanto fumo.

-Ora não pode ser. Ou escutas ou fumas que se fumas o espaço é do cigarro e da fumarada que fazes com ele.

-Queres ver que agora não posso fumar?!

-Bem eu só quero saber se tens espaço

Fez-lhe o gesto com a mão. A do cigarro que a outra estava descansada em cima dos joelhos dobrados até ao queixo. A noite estava fria e o som do rio ficara para trás na maré enquanto descia. Agora ficava lá ao fundo e ía jurar que os peixes tinham abalado todos em mar chão.

Sentou-se o amigo e com ele o silêncio enorme da noite que nem a maré cortava.

Continuou o cigarro, iria durar até que o espaço existisse . Percebeu que era só espaço para estar, que era só para escutar a presença, que nada ía sair dali.
Mas de repente a voz do amigo cortou a noite.

-Estou sem sono e acho que não vou dormir mais. Perde-se o tempo na almofada. Se estivesse muito frio ainda me deitava e adormecia enrolado.Mas assim,... com este ar de Primavera não me dá para dormir.Ando atrasado na vida. Tenho de viver já ou esqueço-me. Sabes? A gente cresce e envelhece-nos o corpo. depois começamos a confrontar-nos com aquilo com que os outros já se confrontam Um dia destes é a morte. Tu não tens medo de morrer? Não achas que perdes muito tempo a dormir?

Acendeu a ponta do cigarro sem o olhar e engoliu o mundo. Olha agora aquela hora de não pensar em nada vem falar-lhe da morte. Não lhe respondeu e aguardou mais uma saraivada de dúvidas.

-Ando cá a pensar que tenho muitos livros para ler ainda e umas tantas viagens para fazer. Não tenho tempo de dormir. Isto não dá com nada passar os dias a trabalhar que nem um inútil como se fosse resolver todos os males do Mundo. Vou mas é aprender o que ainda não aprendi e viver que se faz tarde. Comprar umas viagens com tudo incluído e fazer da noite dia. Não quero saber de mais nada que tenho o fim da Vida para dormir e já se faz tarde. Passei a vida a trabalhar para ser e não tenho nem sou. Não durmo mais. Tenho muita Vida para viver.

Enroulou-se no que ouvira. Fumou o cigarro até a beata ficar no topo. Viver,... não dormir,.. ir por aí como os peixes tinham ido com a maré vazia...pelo rio abaixo. lançou o resto do cigarro ainda acesso projectando-o com o polegar. O risco de fogo mergulhou no Tejo e então perguntou ao amigo olhando o infinito.
- Tens espaço?

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 17:28
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Sábado, 14 de Novembro de 2015

Paris En Colère

 

 

 

 


Que l'on touche à la liberté
et paris se met en colère
et paris commence à gronder
et le lendemain, c'est la guerre.
paris se réveille
et il ouvre ses prisons
paris a la fièvre :
il la soigne à sa façon.
il faut voir les pavés sauter
quand paris se met en colère
faut les voir, ces fusils rouillés
qui clignent de l'oeil aux fenêtres
sur les barricades
qui jaillissent dans les rues
chacun sa grenade
son couteau ou ses mains nues.

la vie, la mort ne comptent plus
on a gagné on a perdu
mais on pourra se présenter là-haut
une fleur au chapeau.
on veut être libres
a n'importe quel prix
on veut vivre, vivre, vivre
vivre libre à paris.

attention, ça va toujours loin
quand paris se met en colère
quand paris sonne le tocsin
Ça s'entend au bout de la terre
et le monde tremble
quand paris est en danger
et le monde chante
quand paris s'est libéré.
c'est la fête à la liberté
et paris n'est plus en colère
et paris peut aller danser
il a retrouvé la lumière.
après la tempête
après la peur et le froid
paris est en fête
et paris pleure de joie.

(Merci à Eric pour cettes paroles)

 

escrito no papiro por ACCB às 17:54
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Paris Je T'aime

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Não durmo
Estou a ver um documentário na RTP1 - SOS Terra.
Como é possível destruir ainda onde tudo já está destruído?
Só há crianças, velhos, mulheres assustadas, homens armados que armam os filhos para uma luta desigual...Fome, ...snipers...
Gritos,... Feridos... Mortos...
Onde é?
Na Síria ...Allepo
Uma mulher procura o filho nos escombros....não resta nada....
Nada está inteiro...nem as ruas, nem as casas...só escombros ....São os Insurgentes...
Aviões bombardeiam civis, desorganizados armados e sem estratégia ...
Não entendo...
Continuo a não entender
Talvez eu não queira entender.
.......

 Dia 14.11.2015 - 4 da manhã

___________________________________
Não hei-de mencionar o nome deles
Reivindiquem o que quiserem
Eu não lhes darei visibilidade
Uma noite curta
Que o dia amanheça com luz
Que Deus, seja ele o que for, tenha tempo para este pedaço de Universo
Que se compadeça do yin e do yang e os equilibre
Que os seres humanos acordem (ou adormeçam), menos humanos e mais perto dos pedacinhos de estrelas de que dizem somos feitos
Onde está o nosso lado universal ? O de todos e de cada um?....
Quem somos ... O que somos?


 dia 13.11.2015 - Atentados em Paris 150 mortos 

 

escrito no papiro por ACCB às 22:56
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Sábado, 7 de Novembro de 2015

El embrujo de la guitarra española

escrito no papiro por ACCB às 01:23
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

A Hora de ser livre

Abandono
Abandono

noilton

Nunca a Vida lhe fora tão morosa, tão desinteressante, tão trabalhosa. Havia luz lá fora mas ele morava no esquecimento, na espera dos dias que lhe pareciam longos,nas noites que queria eternas.

Em menino tinham-lhe dito que o Futuro era grande e nele viviam todos os desejos que continha no seu peito, todos os sonhos do Mundo. Tinha levado a vida sempre na busca dessa realização que não era senão conhecer o Mundo que nem imaginava e ser chefe da sua aldeia, o mais velho e mais respeitado dos seus.

Mas não, a vida passara-lhe e acenara-lhe um adeus que tinha pressa e outros seres para iludir. Nem a mulher que fora sua já tinha consigo. Levara-a uma época de chuvas pelo rio abaixo quando tentava impedir que as cabras que criaram com tanto mimo morressem na corrente.

Nada lhe ficara. Nem os filhos que tinham partido para uma guerra que não era a deles, um engano de homens que eram, eles sim, chefes.

Entreabriu a janela feita com madeira e sem preciosismo de vidro. Havia sol ou uma luz qualquer que diminuía a da candeia que queimava todos os dias o tempo, lentamente...

Não sabia as horas, nem os dias, nem já os anos que tinha. O corpo ficara-lhe na cama onde uma colcha antiga permanecia com aparência de intacta mas tão inerte quanto ele. Era uma luz que não era do sol só o braço erguido tinha movimento e vida. Já não fechou a janela e sentiu o calor da espera levar-lhe o último fôlego.

Nascera, existira. Estava na hora de ser livre.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:16
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

O outro lado da rua

Tem gotinhas a correr na rua. Avizinham-se frias e apressadas. Não admira é de noite e a esta hora, mesmo com a mudança da hora e principalmente por causa dela, as meninas não andam na rua em passo de passeio.

 


Gosto quando chove porque me sinto protegida...É aqui que a prosa tolhe as mãos... e os dedos.. e os olhos no teclado.
Pela vidraça não há vivalma na rua mas há. O Mundo não é este espaço daqui ali ao outro lado da rua. Há ruas sem calçada e sem estrada, enlameadas, friorentas e tristes onde dorme gente que fugiu à guerra.


Daqui para ali, o outro lado da rua, há uma cortina de nevoeiro que os dedos da chuva não conseguem afastar. Encosto a cabeça ao vidro.... O Mundo é tão grande, tem tantos espaços vazios, tem tanta gente a morrer e a nascer a esta hora, tem tanta criança com fome e outras a dormir com frio... se é que se dorme à chuva e com medo.


O meu mundo é tão pequeno, tem gotinhas a correr na rua que não vencem a cortina de nevoeiro. Vou dormir porque o meu Mundo é tão pequeno que gosto de ouvir a chuva porque estou protegida.... e protejo-me das crianças que dormem com fome e com frio e com medo em ruas sem calçada e sem casa...


Merecerei eu ouvir a chuva?

 

ACCB

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escrito no papiro por ACCB às 00:31
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Domingo, 25 de Outubro de 2015

Tarkovsky

 

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Tarkovsky

 

p>Não gosto de dias escuros, são assim como fotos a preto e branco com retoques de sépia mas de imagens colhidas em locais frios e húmidos com gente triste dentro. Triste de fome, de falta de vida, triste de só, sem trabalho, sem dinheiro, sem comida,... sem vida,... como os livros de Emile Zola ou os Miseráveis de Victor Hugo.

Não gosto de dias escuros... fazem-me lembrar os quartos dos amantes onde de tristeza não se abriram as janelas... Não que se guarde dos olhos do dia o amor ou a paixão, antes se esconde o frio de uma cama vazia, já feita e que não se desfez e todo o sol preso do lado de fora que nem as frestas das janelas de tinta estalada deixam entrar.

São como uma foto de Tarkovsky... Têm tudo dentro e, no entanto, se olharmos cai-nos a tristeza em cima. Arrepia-nos a alma e deixa-nos pensativos a ver se percebemos porque não se deixa entrar o Sol. Esmaga-nos o peito... até os ombros dos homens não têm Sol...

Não gosto de dias escuros, chuvosos, lentos peganhentos, que se arrastam pelas paredes, pelos campos... como um cão que permanece ao pé do dono e não entende se ele já está morto se apenas desistiu de se mover.

Não gosto.... e gosto.... Olho o ar em volta como se houvesse uma história por contar em cada neblina, em cada som envolto em nevoeiro, em cada nuvem que teima em pendurar-se dentro de mim como um morcego sonolento...

Nos dias escuros há paredes bafientas e janelas de tinta estalada, há homens de ombros caídos e sinto-lhes no rosto aqueles que os fizeram infelizes... e vejo-lhes os olhos que só enxergam o chão e não olham de frente... quietos, sonâmbulos, ...como uma cama vazia, já feita e que não se desfez e todo o sol preso do lado de fora que nem as frestas das janelas de tinta estalada deixam entrar.


ACCB

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Tarkovsky

 

escrito no papiro por ACCB às 00:21
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

Bocage


Já Bocage não sou! . . . À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento . . .
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa! . . . Tivera algum merecimento,
Se um raio de razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

"Outro aretino fui . . . A santidade
Manchei . . . Oh!, se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na Eternidade!"

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escrito no papiro por ACCB às 23:30
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Saramago - 18.6

 

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Há um ano a LUSA escrevia assim:

Saramago: cinzas já foram depositadas junto à casa dos Bicos Cerca de 300 pessoas assistiram hoje à cerimónia de deposição das cinzas de José Saramago debaixo de uma oliveira transplantada da sua aldeia natal junto à Casa dos Bicos, futura sede da fundação com o nome do escritor.Exactamente um ano depois da sua morte, a 18 de Junho de 2010, e à mesma hora a que morreu, 11h30, iniciou-se a cerimónia de homenagem ao Nobel da Literatura português, no Campo das Cebolas, em Lisboa, ao som dos tambores da orquestra de percussão Tocá Rufar.Seguiu-se uma intervenção do professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho, que leu um texto de Saramago sobre a cidade de Lisboa, intitulado "Palavras para Uma Cidade".À esquerda do estrado, Pilar del Río, viúva do escritor e presidente da Fundação José Saramago, ouvia com ar enlevado e rosas brancas na mão, e a multidão escutava em silêncio, protegendo-se do sol do fim da manhã com os livros do autor de "Memorial do Convento" trazidos de casa."Basta que Lisboa seja o que deve ser: culta, moderna, limpa, organizada, sem perder nada da sua alma", leu Vaz de Carvalho.Lídia Jorge participou na homenagemA escritora Lídia Jorge tomou depois à vez a palavra para, em tom emocionado, partilhar com os presentes uma mensagem para Saramago, intitulada "Palavras para Ti"."Tu não serás as cinzas que Pilar vai depositar sob a oliveira (...), serás os milhares de páginas que escreveste (...) De resto, nós queremos que este momento seja alegre, que sejas seiva desta cidade", afirmou."Quanto a nós, enquanto formos vivos, recordar-te-emos sempre. Não temos outra eternidade para te dar", rematou.Em seguida, Pilar del Río colocou as cinzas junto às raízes da oliveira, escolhida pelo presidente da junta de freguesia da Azinhaga do Ribatejo por ser aquela onde ele imaginava que pudesse estar o lagarto verde que Saramago descreve no seu livro "As Pequenas Memórias".As cinzas foram cobertas por terra de Lanzarote, colocada pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa no canteiro onde se encontra plantada a árvore, junto a um banco de mármore e ladeada de duas placas de pedra embutidas no chão, lendo-se na primeira, do lado esquerdo, "José Saramago 1922-2010" e na outra a última frase do romance "Memorial do Convento": "Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia". Jornal Expresso - on line - 12:44 Sábado, 18 de Junho de 2011


_________________________


ADELINA BARRADAS DE OLIVEIRA - Análise do texto
Todo o enunciado verbal retira Saramago da inércia da nova condição de falecido, para elevá-lo à condição de sujeito histórico presente na ideia de cada um de nós e eternamente vivo nas nossas memórias e nas dos vindouros.

Num ritual fúnebre despido de religiosidade, há uma imagem quase espiritual que é criada através da descrição da cerimónia de deposição das cinzas no local onde o escritor acreditava haver um lagarto verde na sua cidade perto da Casa dos Bicos.

Desde as presenças - a mulher, os amigos, a escritora Lídia Jorge, - as estilizações - "que Lisboa seja o que deve ser (...) sem perder nada da sua alma",- as alusões - "por ser aquela onde ele imaginava que pudesse estar o lagarto verde que Saramago descreve no seu livro "As Pequenas Memórias, - todos os enunciados escolhidos, procuram o mesmo sentido e a mesma elevação que não deixa de ser atingida.

Existem ainda outros exemplos de como a narração escorre por entre as imagens, que não o são mas, conseguem ganhar forma ao chegar ao enunciatário e tanto mais, quanto mais sensibilidade e conhecimento tiver este do objecto do corpus.

A coerência manifesta-se na coesão textual conseguida através de determinados tempos verbais, favorecendo principalmente o pretérito perfeito e os advérbios de tempo.


"Tu não serás as cinzas que Pilar vai depositar sob a oliveira (...);
que este momento seja alegre;

Não temos outra eternidade para te dar", rematou.- metáforaEm seguida, Pilar del Río colocou as cinzas junto às raízes da oliveira
As cinzas foram cobertas por terra de Lanzarote -


"Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia" .

Quase temos vontade de dizer: - Ámen.

Os efeitos metonímicos como, " ao Nobel da Literatura português, "viúva do escritor" e hiperbólicos como, "serás os milhares de páginas que escreveste", funcionam como dois mecanismos discursivos que cativam o destinatário do discurso mediático, conseguindo para além de informativo ser criativo.

Apela para isso a enunciados presentes na cerimónia (um campo associativo que refere Foucault), que descreve mas, entrelaça de tal forma os enunciados que lhes arranca riqueza para emprestar à escrita.

E, quanto mais caminha para o final e mais metáforas acrescenta -" serás os milhares de páginas que escreveste" ou "não temos outra eternidade para te dar"- mais torna o texto poético e mais foge à linguagem seca dos média.

Rompendo com a lógica, espevita a sensibilidade e a imaginação.

Como analisa Gregolin, as redes de memória possibilitam o retorno de temas a figuras do passado, provocando a sua emergência na memória do presente e uma tentativa de o perpetuar no futuro.

É o que enunciador faz, recorrendo a metáforas como "Quanto a nós, enquanto formos vivos, recordar-te-emos sempre. Não temos outra eternidade para te dar".

Da estrutura do texto fica-nos o "ponto", de que a morte de Saramago foi lembrada 1 ano depois e, num ritual perfeitamente conciliador entre ele e o seu querer, as suas cinzas foram depositadas na cidade de Lisboa a quem escreveu uma verdadeira carta de amor na mensagem que também é referida no texto - "Palavras para Ti".

Há em todo o texto aquilo a que se chama topicalização e nos remete para o título.

Há uma polifonia que sendo característica fundamental na produção dos textos dos média, atinge o pretendido e que se contém quer na homenagem descrita através de um texto narrativo envolto a final em prosa poética, quer no recurso a outros enunciadores, colocando-os dentro do texto e tornando-os enunciados, conforme já referimos e explorámos supra.

Neste texto que se torna belo e acompanha a imagem da homenagem a um homem deste país que se distinguiu na escrita e na forma de estar, o autor move-se pela ilusão de ser o centro do discurso que vai criando com a ajuda quer de quem homenageia, quer de quem é homenageado.

A graça e a leveza das elipses, das metáforas e o marcador argumentativo "não", em volta do homenageado neste pedacinho de texto - "Tu não serás as cinzas que Pilar vai depositar sob a oliveira (...), serás os milhares de páginas que escreveste (...), que sejas seiva desta cidade", emprestam ao texto um efeito estilístico que o tornam cativante e preenchido de sugestões dialógicas.

A partir do terceiro parágrafo, através do uso de um discurso indirecto entrelaçado com o discurso directo contido em aspas, vai-se aproximando do leitor/enunciatário e, numa cultura como a nossa em que Saramago é amado ou odiado, este texto cumpre o papel que a imprensa deve ter - procurar a construção de um consenso em torno de uma figura marcante para a história, a cultura e a literatura do País que é de todos.

Como diz Foulcaut "um texto jornalístico que consiga um alto grau de heterogeneidade discursiva não se deve necessariamente ao número de sujeitos entrevistados. A quantidade torna-se relevante em relação à heterogeneidade dos pontos de vista apresentados."

E o autor deste texto consegue vários pontos de vista, ainda que convergentes, em torno do mesmo sujeito e consegue-o exactamente pelo estilo poético que atinge, usando uma norma diferente na normalidade do discurso mediático.

Através da legitimidade que é delegada ao jornalista pelos outros campos da sociedade, imbuído da sua característica principal que é a mediação, consegue espelhar um sentimento que, a não ser geral, é cultural no sentido de que faz parte da história deste País.

Fica-nos a vontade de ler e reler Saramago.

 

ACCB _- Extrato de trabalho do seminário DISCURSO DOS MÉDIA

 

_ Mestrado de Comunicação Média e Justiça _________


PS:_ A Imagem está precisamente assim para desassossego dos leitores.


__Saramago 18.

escrito no papiro por ACCB às 01:38
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Domingo, 14 de Junho de 2015

Se partires, então, escreve.

 

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Olha, não escrevas muito, sim? Tenho tanto para escrever que se me escoa o tempo para ler. Não escrevas muito porque depois deixo de ouvir a tua voz nas letras e perco os teus sorrisos pelo meio das vírgulas.
Escreve o essencial Aquele que diz tudo sem precisar de desmembrar a ideia. Pode ser uma metáfora, pode ter perfume de glicínia pelo meio, ou o lilás que elas vestem pelas tardes douradas de sol, ... mas não escrevas muito.
Ando tão perdida em escritas que fico sem olhos para te ler... Podias gravar as palavras, podias guardar as ideias não sei em que sistema informático e eu arquivava, e voltava à pasta numa noite sem escrita e sem obrigações.
Se partires e antes de partires, então, escreve-me e escreve tudo.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:37
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015

Lopetegui....Lotopegui.... Lopotegui...

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O que as escutas realmente ( não ) registaram.
LOPETEGUI
É brasonado daí a ofensa à troca do nome.
- Oh Pá ou tu aprendes a dizer o meu nome em vez de ires para as conferências de imprensa chamar-me Lopotegui ou Lotopegui ou dou-te um soco ( não disse onde) que em castelhano tem um som "engarçade"....
- Oh pá, ou Lopategui, então levas isso a mal, pá?
-Já te disse tornas a trocar-me o nome e parto-te ... a testa.
- Mas oh ,..oh meu, tens um nome do... caraças... Lotepegui ou lá o que é... que até faz lembrar aquela canção do ai se eu te pegui....
- Oh meu, não me enerves, ouve bem que eu não repito...Lopetegui, ok? Não voltes a chamar-me outra coisa
- Oh oh..olha lá mas olha lá ou Logopegui.. mas queres ver ai o... caraças!!
O pobre do Jorge Jesus que não achou "engraçado" a observação, passou-se e desatou a a esbracejar e a proferir impropérios com avanços de macho futebolístico de que lhe ía às.... trombas/ cara / testa.
O Lopetegui que não sei se é conde ou visconde, saiu-me cá um Duque....

escrito no papiro por ACCB às 16:46
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Sábado, 16 de Maio de 2015

Como o Sol A Pôr-se

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22 de Janeiro de 2012

Os homens sábios têm, antes de o ser, o rosto sereno, bem delineado, olhos frontais e vivos, sorrisos calmos e pensativos, mãos reflexivas e passos seguros.

-

Depois, com o tempo, tornam-se sábios e caem as sobrancelhas para cima do nariz, curvam-se os lábios sobre o sorriso e os olhos vivos e frontais tornam-se profundamente perscrutadores das almas...

-

Reparei que os cabelos também mudam de tom e ficam enluarados muito mais cedo.

-

Os homens sábios têm uma forma de entardecer que me ilumina e me deixa numa contemplação longa do tempo.... como se o sol esta tarde não passasse nunca mais a linha do horizonte e o momento em que o dia adormece se tornasse infinito...

-

...Multiplicam-me os segundos e aceleram-me o metabolismo...

-

Fico sempre à espera de sentir os meus olhos ( um dia ) como perscrutadores de almas...

espero enquanto as minhas sobrancelhas não caem para o nariz e as minhas mãos em reflexão contemplam o pôr do sol.....

 

ACCB 

escrito no papiro por ACCB às 15:10
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Domingo, 26 de Abril de 2015

Entrega-te ao medo e não Viverás

 

escrito no papiro por ACCB às 22:03
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Quando a Vida Humana dá à Costa

 

 

 

 

Quando eu era pequena, vinham dar à praia as conchas brancas das vieiras, das amêijoas e alguns pedaços de rocha que eu tratava como pedras preciosas...
Era de manhã que as encontrava em passos de pés pequenos pela areia que acordava para o Sol.
Nunca percebi porque íamos tão cedo para a praia mas devia ser porque só aquela hora os pedaços de rocha eram pedras preciosas.
Um dia já mais velha deram à costa uns cetáceos... chocou-me o facto de seres viventes no ambiente marítimo morrerem nele e percebi que era porque os seres terrestres tinham descuidado o transporte de um bem caro e precioso, o crude,... quase tão precioso como os pequenos pedaços de rocha que pela manhã eram pedras preciosas na minha infância .
Agora,... "dão à costa" seres humanos... vitimas da acção de outros seres humanos que dominam um pequeno planeta chamado Terra onde também habito e pertence à Humanidade.
Só que a Humanidade é uma espécie estranha e desigual,...há os que têm direito a circular livremente e tiveram a sorte de nascer num espaço de planeta onde são felizes e têm casa família, trabalho, ensino e um documento que os libera ... e há os outros... os sem terra, aqueles a quem roubam a paz, o espaço, a casa a família, o trabalho... os que não têm praia para apanharem os pedaços de rocha que pela manhã são pedras preciosas quando somos crianças...
E "dão à costa"... porque os seus iguais vivem numa praia pequena e têm um horizonte sem sonhos de igualdade, sem conchas brancas ou bens mais preciosos que o crude, como por exemplo a Vida Humana.....

escrito no papiro por ACCB às 21:56
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2015

Um Limão ao fim da tarde

 

 

"O terrorismo é assim uma espécie de bullying à bomba,... definitivo, sem sentimentos de recalcamento, sem perigo de levar a vitima ao suicídio mas com o intuito de neutralizar os restantes."

 

 

escrito no papiro por ACCB às 18:23
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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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