Terça-feira, 19 de Maio de 2015

Lopetegui....Lotopegui.... Lopotegui...

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O que as escutas realmente ( não ) registaram.
LOPETEGUI
É brasonado daí a ofensa à troca do nome.
- Oh Pá ou tu aprendes a dizer o meu nome em vez de ires para as conferências de imprensa chamar-me Lopotegui ou Lotopegui ou dou-te um soco ( não disse onde) que em castelhano tem um som "engarçade"....
- Oh pá, ou Lopategui, então levas isso a mal, pá?
-Já te disse tornas a trocar-me o nome e parto-te ... a testa.
- Mas oh ,..oh meu, tens um nome do... caraças... Lotepegui ou lá o que é... que até faz lembrar aquela canção do ai se eu te pegui....
- Oh meu, não me enerves, ouve bem que eu não repito...Lopetegui, ok? Não voltes a chamar-me outra coisa
- Oh oh..olha lá mas olha lá ou Logopegui.. mas queres ver ai o... caraças!!
O pobre do Jorge Jesus que não achou "engraçado" a observação, passou-se e desatou a a esbracejar e a proferir impropérios com avanços de macho futebolístico de que lhe ía às.... trombas/ cara / testa.
O Lopetegui que não sei se é conde ou visconde, saiu-me cá um Duque....

escrito no papiro por ACCB às 16:46
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Sábado, 16 de Maio de 2015

Como o Sol A Pôr-se

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22 de Janeiro de 2012

Os homens sábios têm, antes de o ser, o rosto sereno, bem delineado, olhos frontais e vivos, sorrisos calmos e pensativos, mãos reflexivas e passos seguros.

-

Depois, com o tempo, tornam-se sábios e caem as sobrancelhas para cima do nariz, curvam-se os lábios sobre o sorriso e os olhos vivos e frontais tornam-se profundamente perscrutadores das almas...

-

Reparei que os cabelos também mudam de tom e ficam enluarados muito mais cedo.

-

Os homens sábios têm uma forma de entardecer que me ilumina e me deixa numa contemplação longa do tempo.... como se o sol esta tarde não passasse nunca mais a linha do horizonte e o momento em que o dia adormece se tornasse infinito...

-

...Multiplicam-me os segundos e aceleram-me o metabolismo...

-

Fico sempre à espera de sentir os meus olhos ( um dia ) como perscrutadores de almas...

espero enquanto as minhas sobrancelhas não caem para o nariz e as minhas mãos em reflexão contemplam o pôr do sol.....

 

ACCB 

escrito no papiro por ACCB às 15:10
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Domingo, 26 de Abril de 2015

Entrega-te ao medo e não Viverás

 

escrito no papiro por ACCB às 22:03
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Quando a Vida Humana dá à Costa

 

 

 

 

Quando eu era pequena, vinham dar à praia as conchas brancas das vieiras, das amêijoas e alguns pedaços de rocha que eu tratava como pedras preciosas...
Era de manhã que as encontrava em passos de pés pequenos pela areia que acordava para o Sol.
Nunca percebi porque íamos tão cedo para a praia mas devia ser porque só aquela hora os pedaços de rocha eram pedras preciosas.
Um dia já mais velha deram à costa uns cetáceos... chocou-me o facto de seres viventes no ambiente marítimo morrerem nele e percebi que era porque os seres terrestres tinham descuidado o transporte de um bem caro e precioso, o crude,... quase tão precioso como os pequenos pedaços de rocha que pela manhã eram pedras preciosas na minha infância .
Agora,... "dão à costa" seres humanos... vitimas da acção de outros seres humanos que dominam um pequeno planeta chamado Terra onde também habito e pertence à Humanidade.
Só que a Humanidade é uma espécie estranha e desigual,...há os que têm direito a circular livremente e tiveram a sorte de nascer num espaço de planeta onde são felizes e têm casa família, trabalho, ensino e um documento que os libera ... e há os outros... os sem terra, aqueles a quem roubam a paz, o espaço, a casa a família, o trabalho... os que não têm praia para apanharem os pedaços de rocha que pela manhã são pedras preciosas quando somos crianças...
E "dão à costa"... porque os seus iguais vivem numa praia pequena e têm um horizonte sem sonhos de igualdade, sem conchas brancas ou bens mais preciosos que o crude, como por exemplo a Vida Humana.....

escrito no papiro por ACCB às 21:56
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2015

Um Limão ao fim da tarde

 

 

"O terrorismo é assim uma espécie de bullying à bomba,... definitivo, sem sentimentos de recalcamento, sem perigo de levar a vitima ao suicídio mas com o intuito de neutralizar os restantes."

 

 

escrito no papiro por ACCB às 18:23
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CARTA A MEUS FILHOS

Jorge de Sena - Sobre os fuzilamentos de Goya

 

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós.

Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.


Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver.

Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.


Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»


Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.


Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido.

Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.


Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor.

Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.


Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.


Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.


Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão.

Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão?

Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?


Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».


E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

 

 

escrito no papiro por ACCB às 17:33
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

O Tempo é tão jovem e vive tão pouco...

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Quarta feira....é o dia de arrumar a casa e, surpreendentemente é o dia de recomeçar a arrumar a casa. Entrega-se o trabalho de uma semana recomeça o trabalho de uma semana... E pelo meio, os livros, os filhos, os escritos, os amigos, a mãe... a mãe e o tempo que foge nela... a falta de tempo.. o tempo... O Tempo é tão jovem e vive tão pouco...
E às vezes é tão antigo e cai dos nossos olhos...
E cai dos nossos joelhos e não temos como o segurar... Foge-nos e inquietantemente marca-nos...
O tempo é.... tão súbito e à quarta feira é mais súbito ainda.
Se eu tivesse um mecanismo qualquer onde o pudesse travar...suspender quando me desse jeito e olhá-lo nos olhos...perguntar-lhe pelo futuro, pelos livros que ainda não li e quero ler... pelo tempo que quero ter... e não tenho...
E falar-lhe do passado, torná-lo vivo... e tocar as mãos dos que já partiram... ouvir-lhes as vozes em 3 dimensões e não só na dimensão da memória...
O tempo é tão súbito à quarta feira e precipita-se a semana inteira..............

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 22:01
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015

Ainda trago todos os cheiros comigo

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MOTE:
Ruy Belo /ALGUMAS PROPOSIÇÕES COM CRIANÇAS
(....)
Se foste criança diz-me a cor do teu país 
Eu te digo que o meu era da cor do bibe 
e tinha o tamanho de um pau de giz 
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez 
Ainda hoje trago os cheiros no nariz 
(...)

Ruy Belo, in 'Homem de Palavra[s]'

____________________

 

O meu País era verde e vermelho e tinha um sol amarelo no meio. Quando era Verão o Sol era tão grande que me fazia franzir os olhos e olhar tudo por um fio de olhar com a mão em pala sobre as sobrancelhas.
Lembro-me bem do cheiro da areia de manhã cedo, porque era de manhã cedo que a areia embrulhada em mar tinha aquele cheiro que entrava pelo nariz dentro e criava espaço para combater as gripes depois, no Inverno.

 E o cheiro do mar chão... com a areia em ondinhas até lá dentro.. dentro, dentro, de tornozelos até ao fundo...

-Não te afastes que a maré está a encher não tarda! - dizia a mãe - vem cá que tens de pôr creme.
- E sinto o cheiro do creme,... ainda hoje não consigo usá-lo no Inverno porque me parece que todos olham e acham que cheguei da praia, que não faço mais nada que chegar da praia, que durmo lá e acordo lá, e os meus pés ganharam algas,... não tarda sonho que sou um peixe.
 

Ficava por ali naquele cheiro misturado à tarde com os pinheiros e as cigarras e esquecia os meses com a cor do meu bibe. O bibe que tinha de andar sempre limpo, sempre impecável, sempre como se ele fosse mais que eu, e eu dentre dele não me pudesse mexer não fosse estragar o vinco ou o laço.
 Esquecia o som do pau de giz que me entrava nos dentes até à alma e me arrepiava tanto que ficava capaz de gritar. E a Maria? A Maria quando ficava a  tomar conta da sala arranhava as unhas no quadro e transformava-se toda num pau de giz... Mas aí gritávamos muito e tapávamos os ouvidos. Às vezes batíamos  a rir com os pés no chão e a sala de aula parecia um enorme teatro em pateada.


Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez... as sapatilhas de ginástica tinham aquele cheiro característico e o palco da escola era escuro para o lado de fora nos dias das representações. Só tinha palmas no fim ou durante se alguém pensava que a hesitação  era o fim.
E o cheiro dos livros novos? Já não cheiram assim os livros da escola, nem os cadernos... Nem as tintas das caixas de guaches, nem os lápis de cor... mas ainda tenho o cheiro na memória e, às vezes passa um perfume com a minha professora da primária lá dentro.

E depois vinha de novo a escola... partia o sabor das sanduíches ao almoço na praia para não subir a ladeira até casa, até porque os amigos ficavam quase todos por lá. E se a mãe levava salada russa ( naquele tempo fazia-se )... não há mais nenhuma igual aquela com sabor a praia e a a maré cheia.
E a fruta comida ao calor a pouco e pouco aos pedaços, fresca da geleira que ía sempre leve para cima. As Bananas que vinham da Madeira e nunca mais trouxeram aquele sabor único, as uvas brancas com sabor a risadas e a projectos para a seguir ao almoço...
os pés a escaldar de corrida  com gargalhadas porque descalços era mais rápido até lá acima


 E até lá acima era tudo, era o ver o Mar daqui de onde se avistava um Mundo enorme  que continuava para além do infinito...

Naquele tempo o meu país era verde e vermelho e tinha um grande Sol amarelo no meio... e ainda hoje trago todos os cheiros comigo... mesmo o daquele perfume que às vezes passa com a minha professora da primária lá dentro.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:04
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2015

"As memórias e o pó"

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Hoje apetecia-me um texto, uma prosa ou um poema daqueles que trazem lembranças... Não precisava de ser de sorrisos, apenas de partilhas. Podia ser daquelas partilhas silenciosas em que quem confia fala, fala, fala e nós escutamos como se não estivéssemos ali, e nem bulimos para não travar a libertação de pensamentos e de mágoas...

Podia ser um poema, daqueles que escrevemos quando as tardes têm o aroma que nunca nenhuma tarde teve ou voltará a ter, em que a manhã sabe a sol na maré... e o sal é fresco como a água cristalina, em que as tardes cheiram a Verão e a marginal tem tudo menos carros, menos sinais vermelhos, só Sol e mar.

Um poema de amores, um texto de amizade,...o único sentimento que não cobra nada e em que te deitas porque nada se move e tudo é suporte, e tudo é silêncio se precisas ou uma orquestra de gargalhadas se também te faz falta.

Hoje, podia escrever memórias algumas daquelas que provocam tempestades e mudanças e amarram o barco ao cais...
"As memórias são como livros escondidos em pó"....mas ensinam que fica tudo o que ainda faz parte de nós...o mais é pó...um sopro que se desvanece ... fica só o livro escondido para lermos em dias de sol, de silêncios e de esperança.

Olha amiga, este texto é para ti. Não sei se o vais ver como sendo teu. Está escrito. Guarda como um livro escondido em pó. Quando precisares sopra o pó...e lê.
ACCB - 1.2.2015

escrito no papiro por ACCB às 00:35
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

JustiçA com A - JÁ leu?

***

 

( Clique e leia )

-

Justiça com A 16661169944804024_n.jpg

 

 

escrito no papiro por ACCB às 01:48
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nada se move a não ser o Rio e o Sol

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Rio Nilo - 2010

 
Era o som ou a falta dele?... Não, definitivamente era o som do deslizar do rio pelo casco do barco e o calor estranho com atmosfera limpa, sem poluição, sem cidades ao fundo, sem asfalto.

Aquele som que reflecte um movimento sereno de caminhar sobre as águas, e tropeça aqui e ali em sorrisos brancos ou em equilíbrios soltos, que lançam as redes ao rio da ponta da proa de uma Felluca sem vela.
Acenam às vezes, outras não porque estão nus.

- Chá, senhora? em bom inglês, como se Agatha Mary Clarissa Christie tivesse encarnado em mim.

Faço-lhe um aceno de que sim, e quente para matar a sede. Regresso os olhos ao rio e às margens que caminham com ele.
Nunca as imaginara tão longas e silenciosas. Aqui e ali vivem aldeias e mulheres lavam a roupa, os miúdos e os legumes no rio. Tudo se cria, dizia a minha avó.

Não queria sair dali nunca mais. Ficava eternamente naquele som de seda com o calor a pairar sem movimentos. Nada se move a não ser o rio no casco do navio e o Sol ao fundo como num desfile poderoso de quem abarca tudo.
Fica no fim da chávena o reflexo da tarde e no bule o chá quente. Voltava lá.
Como será caminhar descalça com as margens?

ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 02:46
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

... não escrevo um poema de Amor ...

MOTE: 

«Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.»

Miguel Torga


_______________

Correm-me as horas entre as mãos
E os dias pelos olhos e não vejo

São as pressas da idade
As horas curtas da Vida

Não há espaços abertos entre os dedos
Nem silêncios que dizem tudo
Não há aromas novos lá fora
Nem a chuva tem aquele cristal na queda

Já não amanhece a maré na praia
Nem o tom ouro do Sol se quebra na colina

Ao fim do dia não há calor

Há muito tempo que não leio
Não escuto
Nem escrevo poemas de Amor

ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 20:46
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

O poeta não sabe

 

 

O poeta não diz:- Eu sei escrever poesia
O poeta não sabe que sabe escrever poesias, nem sabe que o escreve é poesia.
Sabe isso quem lê o que ele escreve.
O poeta não diz: Eu sou poeta
Ele não sabe que é poeta.
É quem o lê que o faz poeta.
O poeta escreve porque sente E vai falando do que sente
O poeta não fala do que sabe
É muito mais aquilo de que fala. ...
O poeta não diz :- Eu sei escrever poesia.
O poeta só sabe que para sobreviver tem de escrever o que vai pensando e sentindo...
Desenganem-se os que acham que sabem escrever poesia. Não passam de aprendizes de feiticeiro.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:39
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Flores

 

 

 

 

 

E de repente apercebes-te de que não és só. Há mais por aí. Gente determinada e disposta a tudo se os limites do aceitável são ultrapassados. E não há limites quando se passam os limites, não há medos quando o medo é a imposição, e não há desistências quando já se faz tarde.
E vejo mulheres que eram aparentemente flores vestirem-se de espinhos, mulheres doces e serenas tornarem-se feras, e vejo-as iniciarem uma cruzada contra a violência, contra a hipocrisia e contra os silêncios.
Há uma hora para tudo e esta é a hora de Ser inteira. Sente-se isso nos tempos...
Há uma forma de fazer as coisas no feminino que não é melhor, nem pior, é diferente.
Acautelem-se os que acham que somos flores.

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:19
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

A Vida

 


 A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;

a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;

a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"

escrito no papiro por ACCB às 16:28
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Interrogação ao Tempo

 

 

 

Passa-te o tempo
E passa-te a Vida
Passa o espanto pelo que ainda é novo
Depois passa o olhar
E passa tanta coisa
................
E abrem-se rugas na memória
que no entanto continua jovem
Passa-te o tempo ressequido
A VIda
............
O Olhar pela pela memória do Tempo
E ficam as rugas que a tristeza
e a revolta te deixam nas mãos abertas

ACCB

 ( Foto de José Luís Outono)

escrito no papiro por ACCB às 19:05
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Homenagem

 

 

 

 

 

 

Como tu dirias, não estarei, não tenho que estar, mas é como se estivesse.
E estarão muitos amigos teus, que te foram muito queridos e para quem serás sempre muito querido.
E de repente mesmo os conhecidos descobriram que eras um homem pela Cidadania, pelo Direito e pelo Ser, mais que pelo dever ser.
E descobriram todos que, da ponta da tua caneta, ou do teu rascunho a lápis, ou do teu teclado saía sempre o exercício da cidadania.
É por isso que nalgumas pessoas Jornalismo e Direito casam tão bem, porque ambos denunciam, apesar de só um censurar, as atrocidades que se cruzam connosco ou andam por aí.
E soubeste cumprir aquele mandamento em que dizias não acreditar :- Ama o Próximo como a ti mesmo.
E mais importante que tudo isso, deixaste o exemplo e a vontade de fazermos igual.
E é por isso que não estarei, não tenho que estar mas é como se estivesse...( ou talvez porque me vou habituando à tua forma de estar ausente que é agora a realidade).

Um Bom Dia. Se não for pedir muito que haja Sol quando disserem o teu nome.

( Faltou dizer que este pedacinho de imagem estava no Blog da Patricia 

escrito no papiro por ACCB às 16:40
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Apagar, riscar, apagar...


Apetecia-me entrar num museu,... assim,... de noite, sem som nos passos.

Descobrir as mentiras nos olhos fechados mas abertos por debaixo das pálpebras, as tramas nos lábios e, o assobio de respirar profundo ou em apneia em forma de calúnia sussurrada.
Talvez cortar-lhes o indicador até ao metatarso e, quem sabe, tirar-lhes todos os degraus das escadas em queda,... como se de noite todos os gatos nã
o fossem pardos e os candeeiros das ruas fossem apenas o reflexo de um farol apressado nas horas.
Entrar num museu e descobrir por detrás dos silêncios as estórias tristes de cada um. 
Descerrar-lhes as próprias lápides e acordá-los subitamente sob sons de mil cristais em queda aparatosa num chão de granito.
Como se faz acontecer um pesadelo em que se apaga alguém?

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:22
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Como deve ler-se poesia?

 

Como deve ler-se poesia?
Veste o casaco
Senta-te e fecha os olhos

Depois,...depois pega no livro.
Puxa as mangas do casaco. Para cima.
E abre o livro.
Não abras os olhos.
Abre o casaco.
Qual a abertura certa de um casaco.
Fecha o livro
Abre os olhos
Escreve...
Poesia


ACCB

 

escrito no papiro por ACCB às 01:18
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

A Europa contra nós?

 
 
A EUROPA CONTRA NÓS

É este o tema e desde logo me vêm à ideia as eleições europeias e a vitória da Direita em França.

Fico-me só por França. E não é por ser a Direita ou por ser a França, é pelas declarações de Le Pen, alguns dias antes das eleições europeias falando sobre a técnica para acabar com alguns cidadãos do Mundo – a utilização do ébola..
Depois, olho o meu País que tem um Governo que dizem de Direita e reparo que não é, nem de longe, nem de perto, semelhante à Direita de Le Pen ou da Frente Nacional que se arvorou o maior partido de França, sem sequer ligar à abstenção.

Não tem o meu País qualquer possibilidade de nivelamento nem de comparação, quer pelo Governo, quer pelas declarações dos líderes dos partimos que se sentam no Parlamento.

Não, não estou a fazer a apologia dos partidos políticos do meu País, estou a pensar que um Povo como o meu, pioneiro na abolição da Pena de Morte, nunca teria um líder de um País a solucionar imigração ou emigração com o vírus do ébola.

Ainda a propósito do tema lançado, lembro-me da decisão do Tribunal Constitucional, a última, e escuto as reacções. Acabar com o Tribunal Constitucional? Porque a Constituição é do tempo dos escudos e agora estamos no reino do euro?
Atrevo-me então a perguntar se valem mais os Direitos no tempo dos escudos, e menos no tempo do euro ou vice-versa.
Os Direitos avaliam-se conforme a moeda ou os Direitos Fundamentais têm o mesmo valor e o mesmo grau de exigência independentemente da moeda circulante?

Lembro-me ainda de algo que escrevi aqui na edição de Janeiro. Algo sobre respeito por Direitos Fundamentais que são Universais e não Internacionais.

E passo os olhos pelos jornais…

Fixam-se no título, que diz:- Austeridade na Europa lançou 800 mil crianças na pobreza. É o Futuro que está a ser lançado na pobreza.

Não me preocupam as migrações com “e” ou com “i”. Não me preocupa de que lado está a Europa, porque eu estou na Europa.

Preocupa-me o que a Europa faz consigo mesma num Mundo em que a primazia não é mais dos EUA contra a URSS. Em que à sua volta há um Mundo em mudança, que não se tornou global ainda que rios de tinta se escrevam sobre a globalização. A única coisa que sinto global é a recessão...

A Europa não está contra nós. Não fazemos nós parte dela?
No pouco que aprendi de geografia fazíamos. No pouco que aprendi de história, fazemos parte dela, e da África, e da América, e da Oceania.
Talvez seja essa a nossa força e a nossa diferença...somos cidadãos do Mundo, e isso dá-nos uma visão diferente do próprio Mundo e um acordar diferente para o Mundo.

O preconceito de que somos pequeninos, somos devedores, obedecemos a uma figura estranha, a que dão o nome de Troika, de que a Alemanha e a França dominam ou querem dominar, gera falta de direitos, gera falta de liberdade, é demonstrativo de falta de soberania e de desconhecimento no exercício da cidadania.

O preconceito de que a Europa está contra nós, demonstra falta de vontade, desnorte, fragilidade, e demonstra entrega aos que se julgam mais fortes, mais poderosos, mais sabedores.

Pensar assim é dar espaço aquilo que Hannah Arendt chamou “ A banalidade do Mal”. É vitimizar-se e demitir-se da função de soberano.

O Poder que se exerce pela sujeição do outro ou ao outro, não pode estar ao serviço da Soberania porque não está ao serviço do Direito.
Ninguém nos pede para deixar de pensar e exigir ou para apagar a parte do nosso cérebro que nos leva a ser animais políticos.

Foi esse comodismo que deixou (e deixa), os povos conduzirem outros e a si próprios ao extermínio. Na verdade como diria Pascal, filósofo e matemático francês - "Nada é mais difícil que pensar" e então, acomodemo-nos que já elegemos quem pense por nós.
Assim, pensemos, a Europa não está contra nós a não ser que nós o estejamos.

Como Mandela, nós somos os capitães das nossas almas.

 

Adelina Barradas de Oliveira
Juiza Desembargadora

 

IN - Incomunidade

escrito no papiro por ACCB às 17:26
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Domingo, 15 de Junho de 2014

Desculpem lá qualquer coisinha....................




1. Se é claro que o Estado De Direito não se resume ao Tribunal Constitucional, é absolutamente claro que a sua existência se impõe para que se garanta o check and balances entre os poderes instituídos.

Para além de ser um tribunal conforme a Constituição define os tribunais, o tribunal Constitucional (e sem grandes rodeios), tem uma intervenção política óbvia.
Perguntar-se-á onde fica então a separação de poderes. Provavelmente fica onde a realização da observação e interpretação da lei passa pelo crivo dos 3 poderes, sendo um deles o destinado a zelar pela constitucionalidade e observação de princípios constitucionais e também dos Direitos Fundamentais. 
2. Mas será que o Tribunal Constitucional é unicamente pertença do Poder Judicial ou, destaca-se dele?
É a este Tribunal que cabe a declaração de inconstitucionalidade de normas jurídicas, o que pode implicar a sua cessação de vigência para além das competências que lhe são atribuídas nos restantes artigos da sua Lei orgânica.
Na verdade o Tribunal Constitucional tem o dever de fiscalizar e declarar inconstitucionais as leis que infrinjam o disposto na Constituição ou os princípios nela consignados e, portanto, a violação de uma disposição fundamental.

Por exemplo, chumbado ou declarado inconstitucional o decreto alvo da decisão, não poderá ser promulgado ou assinado sem que o órgão que o tiver aprovado expurgue a norma julgada inconstitucional ou, quando for caso disso, o confirme por maioria de dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções. 

Entendendo o Direito não só como as normas ou as regras, de que modo é que (nesta época de um direito que parece manifestar-se a muitos níveis para além do Estado), se pode salvaguardar o princípio da legitimação democrática do Direito?
3.
A questão central é a de saber a quem cabe decidir quais dessas normas que se observa vigorarem é que fazem parte do Direito.
Como nos diz o Professor António Hespanha, se resolvermos esta questão reconhecendo como normas jurídicas válidas todas as normas que vigoram na sociedade, deixa de ser possível relacionar o direito com um consenso inclusivo e estabilizador, pois muito do que se nos impõe como ordem provém de poderes sociais que escapam ao controlo democrático.
4. E mais. Que legitimidade existirá se entregarmos a fixação do direito a um grupo de especialistas? Frustraremos também o tal princípio de que o direito tem por base o consenso da comunidade e não apenas a autoridade de uma elite social, cultural ou política?
Em contrapartida, não reconhecer o pluralismo e recair num modelo de direito apenas legislativo é ignorar as insuficiências – mesmo do ponto de vista democrático – da regulação estatal; e, além disso, desconhecer a realidade normativa do Direito.
5.
E que dizer do perigo que representa para a democracia, a aceitação como Direito válido de tudo o que, de qualquer lado, se pretenda impor como tal?
Pensar que legitimidade se confunde com Direito / Norma é pôr em perigo a democracia, a sociedade e muitas vezes é ir contra os princípios e direitos fundamentais.
Provavelmente, é a dirimir este aparente conflito em potência, que é chamado um tribunal com as qualidades e as competências o Tribunal Constitucional.

Não servirá o Direito para instrumentalizar a política? Poderá a Política existir sem Direito? E, sendo assim então, um não poderá existir sem o outro obrigando-se a coexistir. Ou bastará o Direito dispensando-se a Politica?
Aristóteles dir-nos-ia com toda a simplicidade que o Homem é um animal político. E ainda que não façamos distinção de género, sendo assim, não haverá nada de novo quanto à necessidade e à realidade de o Tribunal Constitucional ser por isso mesmo um Tribunal com poder de decidir sobre a política.

É na escolha dos membros do Tribunal Constitucional que se garante a sua legitimidade democrática e, é nas competências que lhe são atribuídas, que se conclui pela sua legitimidade política.
6. Poderíamos perguntar-nos se haverá decisões vindas de um órgão constitucional, inconstitucionais assim como há normas constitucionais inconstitucionais como defende Otto Bachof. 
Há no tribunal Constitucional uma legitimidade democrática que emana da Constituição da República e uma legitimidade acrescida.
Se duvidas houvesse, bastar-nos-ia o artigo 210º, nº 1, quando se afirma que o Supremo Tribunal de Justiça é o órgão superior da hierarquia dos tribunais judiciais, bem como no artigo 212º, nº 1, se afirma igualmente que o Supremo Tribunal Administrativo é o órgão superior da hierarquia dos tribunais administrativos e fiscais, logo se acrescenta, em ambos os casos, que tal sucede “sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional”.
A Lei Fundamental confere uma posição autónoma ao Tribunal Constitucional, a seguir, no Título VI, onde aparece destacado, merecendo tratamento constitucional próprio, como um outro “poder do Estado”, ao mesmo nível do Presidente da República, da Assembleia da República ou do Governo, enquanto os restantes tribunais são tratados em conjunto, no Título V.

Na verdade é um órgão de garantia da própria ordem jurídico-constitucional e a Lei Fundamental preocupou-se igualmente em definir desde logo as principais competências do Tribunal Constitucional (artigos 221º e 223º), bem como a sua composição e organização (artigos 222º e 224º), o que não se verifica, pelo menos em igual medida, em relação a qualquer outra categoria de tribunais.

Tem competências extra judiciais incumbe-lhe administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional

É um garante da separação de Poderes que entre os 3 Poderes dirime conflitos no sentido de zelar pela constitucionalidade da actuação dos 3 Poderes instituídos. Pronuncia-se sobre decisões do Poder Judicial assim como posições do Poder executivo. Não há qualquer ingerência de um Poder no exercício do outro Poder.

É um Tribunal de unificação de jurisprudência, guardião da Lei Fundamental e garante da Observação e respeito de Direitos Fundamentais, legitimamente eleito, de acordo com a democracia instituída e independente.
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:05
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Terça-feira, 10 de Junho de 2014

10 JUNHO 2014

 

 

"Ser português é ser capaz de ser igual a com quem se  está.

Se temos uma virtude e capacidade, é essa.

Temos uma costela de todas as  carcaças que há no mundo.

Se não formos isso, não somos  nada."

 

 

Miguel Esteves Cardoso

 

 

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/portugal-e-uma-epopeia=f813110#ixzz31QKuCzKC

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Domingo, 8 de Junho de 2014

Água

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Rei Juan Carlos Abdica

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Domingo, 1 de Junho de 2014

1 de Junho

escrito no papiro por ACCB às 23:59
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Amanhã Hoje é dia da Criança

"Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não. 
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.
Para Hoje e todos os outros dias!!"

-
Encontrado na parede de 1 dormitório de crianças do campo de extermínio nazi de Auschwitz

 

 

sinto-me: pensativa
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Barómetro




"... Não sei se para minha sorte ou para meu azar, o Programa de assistência no Malawi era um programa modelo sob todos os aspectos.

O Governo cooperava em tudo e trabalhava bem, a corrupção era comparativamente pouca e quando algo ia contra a preferência do regime estava implícito que nós tratávamos do assunto de forma a eles poderem fazer de conta que não viam, era um acordo tácito.

As ditaduras têm destas coisas, muitos africanos me disseram ao longo dos anos não ter a certeza se o modelo “democrático” se ajustará à realidade do continente africano, eu também não sei, mas trabalhava-se bem. Por exemplo, as testemunhas de Jeová eram proibidas no Malawi, os nacionais não podiam exercer esta devoção, no entanto nós tínhamos um enorme campo de refugiados com muitos milhares de moçambicanos praticantes que eram tratados como os demais, com a salvaguarda de não deverem “exercer” fora do campo em que residiam visto que parte do seu rito é “testemunharem” passando a palavra e angariando novos adeptos, …pragmatismo no seu melhor, apesar de tudo.

A meu ver o pragmatismo é crucial em quase todos os aspectos da vida e apesar de eu não poder defender qualquer tipo de ditadura, precisamente porque ela me assusta, dou-me por vezes conta de que o mundo civilizado poderá estar a chegar ao ponto em que esse tipo de regime ganhe apelo de novo, como todos sabemos a história repete-se e futuros ditadores jamais fizeram campanha como tal.

Pergunto-me por vezes quanto tempo levará o ocidente democrático a repensar a sua política social e a refinar a sua concepção de tolerância, …será uma condescendente via de sentido único, e como é que isso se traduz em termos de harmonia social, integração e aculturação? Se o país anfitrião se tornar fragmentado, subserviente ou dominado por factores externos, as características que desde logo lhe proporcionaram sucesso e o tornaram atraente não se diluirão ou cessarão de existir?

É lógico que quem já por lá passou eduque quem vem a seguir de forma a não reincidir nos mesmos erros e parece-me também uma expectativa razoável que quando eu vou a casa de alguém me submeta às suas regras, doutra forma ficaria onde estava, os direitos vêm com obrigações e como diz o ditado, a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro.
Há um balanço precário em tudo isto que seria bom estabelecer a benefício de todos, tanto dos nacionais (que parecem cada vez mais ressentir-se dos estrangeiros, até os escandinavos), como daqueles que procuram melhores condições de vida lá fora. Não estou certa de que a cultura anfitriã se deva erradicar pela raiz, uma coisa é a semântica que nos permite chamar algo por outro nome e pretender tê-la melhorado, outra é a cada vez mais preocupante realidade em que semântica é apenas outra palavra inútil para os mesmos problemas insidiosos borbulhando sob a superfície. Esta foi sempre a minha quezília com o ser politicamente correcto, muito frequentemente concentra-se sobre a forma e negligencia o conteúdo...

...Um terço do mundo pensa assim e dois terços pensam assado, não sei se haverá grande esperança de melhoras e tudo isto é muito perigoso, …até mesmo este raciocínio! ..."

 

TERESA CUNHA

escrito no papiro por ACCB às 19:19
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2014 Europa

 

 

" UM CHOQUE DO TAMANHO DO MUNDO"

Ségolène Royal

Não sei se há balanços...

Fazer balanços com que objectivo.

 Encarar os resultados das eleições e as tendências que se perfilam na Europa urge.
Já. Sem medos e observando condutas passadas, atentos às condutas presentes , observando e adivinhando o futuro.

Foram estas as primeiras eleições europeias ao abrigo das novas normas constitucionais.

Concluir pois que os resultados também são constitucionais, é uma realidade  que não pode ser ignorada.

Não há que comprometer a lógica eleitoral preestabelecida.

E agora? Quem será o presidente? Até pode ser alguém que não andou nestas lides pré eleições, ou pós eleições.

Os Tratados, na sua versão de Lisboa, impõem que o Presidente da Comissão seja escolhido tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu,  o que significa que tem de reunir o apoio da maioria dos deputados eleitos.
Aguardemos a próxima luta, etape, refrega,.... desilusão?!

Mas não aguardemos muito. A Europa ou cai de vez.... Ou... Já não tenho "ou" pelo menos hoje.
Não sei depois amanhã ou

depois de amanhã.

Talvez... talvez a seguir.


ACCB

 

sinto-me: estranha
escrito no papiro por ACCB às 00:49
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

esboço


  

Deixar cair o traço do bico do lápis a carvão grafitado

Na procura da palavra certa

Que desenhe o sentir que disponha as letras

Que esclareça a mente...

que esboce a necessidade de escrever

só para lavar a alma confusa

na procura da noção De perda

 

ou na confusa sensação

resultado da falta de entendimento das coisas


Deixar cair o risco grafitado

Na ponta do lápis

Na ponta dos sentidos.

ACCB
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

A Hora de Noa




Quando o conheci foi com esta imagem.
Escrevia no Anónimo. Um blog provocador e desafiador como a foto em amostra.  
Naquela altura só quem era atrevido tinha blog e muitos de nós apareciamos com pseudónimos.
Alguns bem estranhos e disfarça...dos.
 
Tempos depois, eramos um grupo que soltava a escrita, encadeava as palavras , inventava cenários e desatava a escrever como se fosse um autêntico vício.  
Às vezes provocávamos politicamente um temporal. Sabiamos, como sabemos, que eramos lidos... mas a barreira do virtual parecia quebrar todos os medos.  
 
Conhecemo-nos ao vivo numa festa de aniversário... já lá vão uns valentes 10 anos.... Lembro-me que na primera impressão o achei MUITO!alto!!! Enorme.... e com um gesto curvado sobre a vida, ... um cigarro aceso sobre as ideias... sempre aceso... sempre presente.   Depois partilhamos tantas ideias, tantas criticas....tantas coisas engraçadas e tristes...  
 
Não deviamos conhecer tão bem os amigos. Levam-nos com eles quando partem.
 
Joaquim Manuel Coutinho Ribeiro Advogado Jornalista? Poeta nas horas vagas... Um amigo a tempo inteiro Meio século de existência


ACCB
escrito no papiro por ACCB às 15:00
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Terça-feira, 4 de Março de 2014

Um Espaço de um Salto

Um salto ao Cleopatra Moon

 

por J.M. Coutinho Ribeiro, em  13.07.09
Foto tirada em 2009 - S. Pedro do Estoril numa tarde de Sol com um grupo de Amigos à volta
ACCB-
--

Apesar de eu andar relapso - muito relapso, ó vida louca... -, nem por isso se esqueceu o Pedro Correia de me vir recordar que é a minha vez de indicar o blogue da semana. Opto pelo Cleopatra Moon.

 

É o blogue de uma querida amiga, que conheci precisamente na blogosfera, onde a discussão de assuntos sérios, com tendência para o Direito, se mistura com deliciosos apontamentos do dia-a-dia de quem vive a vida com prazer.

Umas vezes mordaz, outras vezes suave, mas sempre inteligente, a autora é uma magistrada dum tribunal superior que não teme dar opinião mesmo quando os temas fervem.


_______________________________

Dia 4 Março de 2014  -
Meu querido amigo, não te digo até já porque,

tal como tu, não tenho pressa.

escrito no papiro por ACCB às 18:00
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Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

Hoje é dia de Circunferências de Ouro

 

CLICAR NA IMAGEM para ler o texto

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escrito no papiro por ACCB às 13:00
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Domingo, 12 de Janeiro de 2014

Não diga não precisa

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escrito no papiro por ACCB às 23:54
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Tentação



Eu não resistirei à tentação, 
não quero que de mim possas perder-te, 
que só na fonte fria da razão 
renasça a minha sede de beber-te. 

Eu não resistirei à tentação 
de quanto adivinhei nesta amargura: 
um sim que só assalta quem diz não, 
um corpo que entrevi na selva escura. 

Resistirei a te chamar paixão, 
a te perder nos versos, nas palavras: 
mas não resistirei à tentação 
de te dizer que o céu é o que rasa 

a luz que nos teus olhos eu perdi 
e que na terra toda não mais vi. 

Luis Filipe Castro Mendes, in "Os Amantes Obscuros"

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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

Dia de Reis 6.1.2014

 

AQUI

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Sábado, 4 de Janeiro de 2014

TangoTãoesTranho

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Sábado, 30 de Novembro de 2013

30.11

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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

e os espelhos de onde.............

 

 

 

 

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

Alice Vieira | 'Dois corpos tombando na água'

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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Nunca é tarde nem cedo

escrito no papiro por ACCB às 23:30
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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

You wake up, suddenly ....

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De Perfil

Sobre mim

Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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