... A meu favor tenho o teu olhar testemunhando por mim perante juízes terríveis: a morte, os amigos, os inimigos.
E aqueles que me assaltam à noite na solidão do quarto refugiam-se em fundos sítios dentro de mim quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.
Protege-me com ele, com o teu olhar, dos domónios da noite e das aflições do dia, fala em voz alta, não deixes que adormeça, afasta de mim o pecado da infelicidade.
MANUEL ANTÓNIO PINA, in ALGO PARECIDO COM ISTO, DA MESMA SUBSTÂNCIA (Afrontamento, 1992)
Desapareceu ontem de casa, no sítio da Estação de Loulé, o meu cão que dá pelo n...ome de “KIKO”. Trata-se de um podengo a tirar para o ruivo, magricelas, simpático e muito amigável. Faz muita falta à minha família. Pode andar perdido. Se por acaso o encontrar, muito agradeço que comunique para o 962648939.
Por favor, reenvie esta mensagem aos seus amigos e conhecidos. Quem tem e gosta de animais compreende a situação.
Os homens sábios têm, antes de o ser, o rosto sereno, bem delineado, olhos frontais e vivos, sorrisos calmos e pensativos, mãos reflexivas e passos seguros.
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Depois, com o tempo, tornam-se sábios e caem as sobrancelhas para cima do nariz, curvam-se os lábios sobre o sorriso e os olhos vivos e frontais tornam-se profundamente perscrutadores das almas...
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Reparei que os cabelos também mudam de tom e ficam enluarados muito mais cedo.
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Os homens sábios têm uma forma de entardecer que me ilumina e me deixa numa contemplação longa do tempo.... como se o sol esta tarde não passasse nunca mais a linha do horizonte e o momento em que o dia adormece se tornasse infinito...
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...Multiplicam-me os segundos e aceleram-me o metabolismo...
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Fico sempre à espera de sentir os meus olhos ( um dia ) como perscrutadores de almas...
espero enquanto as minhas sobrancelhas não caem para o nariz e as minhas mãos em reflexão contemplam o pôr do sol.....
Que tal começar a lançar gente aos leões? Também tem a ver com questão cultural....e manter culturas.
Estava a ver se me lembrava de mais uma questão cultural...
AH! Sim, por exemplo a mutilação genital feminina logo ali ...... na Guiiné. Não precisamos de ir mais longe.
Ah! E manter a iniciação sexual masculina com na antiga grécia. Pedofilia é crime? deixa de ser....
Sejamos tolerantes pois então...
Ah! E não sabia que a criação do garboso e fantástico cavalo Lusitano, implicava manter a tortura de um outro animal em praça pública para os homens aplaudirem... Tenho pena de não ser culta....
E que tal manter a cultura machista de que não há mulheres no Parlamento? E nem sequer com direito a voto?????????
Senhores jurados sou um poeta um multipétalo uivo um defeito e ando com uma camisa de vento ao contrário do esqueleto.
Sou um vestíbulo do impossível um lápis de armazenado espanto e por fim com a paciência dos versos espero viver dentro de mim.
Sou em código o azul de todos (curtido couro de cicatrizes) uma avaria cantante na maquineta dos felizes.
Senhores banqueiros sois a cidade o vosso enfarte serei não há cidade sem o parque do sono que vos roubei.
Senhores professores que pusestes a prémio minha rara edição de raptar-me em crianças que salvo do incêndio da vossa lição.
Senhores tiranos que do baralho de em pó volverdes sois os reis sou um poeta jogo-me aos dados ganho as paisagens que não vereis.
Senhores heróis até aos dentes puro exercício de ninguém minha cobardia é esperar-vos umas estrofes mais além.
Senhores três quatro cinco e sete que medo vos pôs por ordem? que pavor fechou o leque da vossa diferença enquanto homem?
Senhores juízes que não molhais a pena na tinta da natureza não apedrejeis meu pássaro sem que ele cante minha defesa.
Sou um instantâneo das coisas apanhadas em delito de perdão a raiz quadrada da flor que espalmais em apertos de mão. Sou uma impudência a mesa posta de um verso onde o possa escrever Ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer.
Creio nos anjos que andam pelo mundo, Creio na Deusa com olhos de diamantes, Creio em amores lunares com piano ao fundo, Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes, Creio num engenho que falta mais fecundo De harmonizar as partes dissonantes, Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes, Creio nos deuses de um astral mais puro, Na flor humilde que se encosta ao muro, Creio na carne que enfeitiça o além, Creio no incrível, nas coisas assombrosas, Na ocupação do mundo pelas rosas, Creio que o Amor tem asas de ouro.
Nem a imagem que apanhei de súbito ao descer ao Camões me aliviou o azedo das sílabas.... Era uma loja de coisas antigas, todas misturadas como quando sonhamos e não percebemos a ideia... Era um homem que vivera sempre ali, naquela loja e tinha já perto de 70 e muitos anos... Teria aberto a loja há meia hora ou pouco mais e já os pombos do costume ( sim , que pelo descaramento, eram os do costume), lhe saiam pela porta fora em saltos de asas lentas e desobedientes.
Aquele gesto deve fazê-lo todas as manhãs...varre o interior da loja como quem sacode o frio da noite e os pombos que entraram, provavelmente à procura do sítio onde esconde o milho para os trazer ao calor da partilha, vão à frente da vassoura lenta que nada tem para fazer sair para a rua.
Foi o gesto e os pombos, a sua brincadeira matinal cumplice com a vida daquele homem.... Em segundos tudo me passou pela ideia,... a reforma dele, a crise mundial,...o dinheiro para os medicamentos... a manhã em Lisboa e em frente o rio com os traços repetidos do cacilheiro de cá para lá....
E aquela cabeça toda branca, salpicada pela vida... em gestos repetidos de arrumação inútil... e a cumplicidade dos pombos.... e eu dentro do carro com 4º graus lá fora.
Às vezes tu dizias:- Os teus olhos são lagos profundos onde só vejo as margens.... E eu fugia com o olhar porque não te queria ver a alma há sempre o medo de ficar presa numa alma... O medo de que essa alma desnude a nossa
... Não demos nada nem água nem passado... Nada é inútil,...nem as palvras estão gastas.... porque os meus olhos são lagos fundos onde só se descobrem as margens.......
Você só dança com ele E diz que é sem compromisso É bom acabar com isso Não sou nenhum pai-joão Quem trouxe você fui eu Não faça papel de outra Prá não haver bate-boca dentro do salão Quando toca um samba E eu lhe tiro pra dançar Você me diz: não, eu agora tenho par E sai dançando com ele, alegre e feliz Quando pára o samba Bate palma e pede bis
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, Pelas aves que voam no olhar de uma criança, Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, ... Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, Pelos aromas maduros de suaves outonos, Pela futura manhã dos grandes transparentes, Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, Abre as portas da História, deixa passar a Vida!
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. ... E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Para te dizer tão-só que te queria Como se o tempo fosse um sentimento bastava o teu sorriso de um outro dia nesse instante em que fomos um momento. Dizer amor como se fosse proibido ... entre os meus braços enlaçar-te mais como um livro devorado e nunca lido. Será pecado, amor, amar-te demais? Esperar como se fosse (des) esperar-te, essa certeza de te ter antes de ter. Ensaiar sozinho a nossa arte de fazer amor antes de ser. Adivinhar nos olhos que não vejo a sede dessa boca que não canta e deitar-me ao teu lado como o Tejo aos pés dessa Lisboa que ele encanta. Sentir falta de ti por tu não estares talvez por não saber se tu existes (percorrendo em silêncio esses altares em sacrifícios pagãos de olhos tristes). Ausência, sim. Amor visto por dentro, certezas ao contrário, por estar só. Pesadelo no meu sonho noite adentro quando, ao meu lado, dorme o que não sou. E, afinal, depois o que ficou das noites perdidas à procura de um resto de virtude que passou por nós em co(r)pos de loucura? Apenas mais um corpo que marcou a esperança disfarçada de aventura... (Da estupidez dos dias já estou farto, das noites repetidas já cansado. Mas, afinal, meu Deus, quando é que parto para começar, enfim, este meu fado?) No fim deste caminho de pecados feito de desencontros e de encantos, de palavras e de corpos já usados onde ficamos sós, sempre, entre tantos... Que fique como um dedo a nossa marca e do que foi um beijo o nosso cheiro: Tesouro que não somos. Fique a arca que guarde o que vivemos por inteiro.
Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.”
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