vamos continuar a história hoje que estamos em 2013. 18.5.2013
Ora bem, o João foi efetivamente adoptado e iniciou a vida normal de qualquer criança da idade dele.
A mãe nunca mais deu notícias e nunca tratou sequer da declaração do seu nascimento.
Quando foi entregue para adoção foram suspensas as diligências com vista a suprir a declaração e não chegou a ser feito o registo de abandonado.
Entretanto o pai adotivo do João conheceu alguém também especial e casaram. Vivem os três. O João tem quatro anos e para ele são ambos pais.
São as suas figuras de referência, são eles que cuidam diariamente do João, dando-lhe o afecto que o faz sentir-se seguro e feliz.
Teremos o direito de privar este menino de ter duas menções no Registo? Porque há-de ficar apenas filho de um pai, se vive efectivamente ao cuidado de um casal do mesmo sexo e não há mais nenhuma relação de filiação estabelecida?
Teremos o direito de decidir contra a felicidade do Outro?
Conseguiremos arrumar os nossos preconceitos? E as nossas ideias? E os nossos medos?.....
É muito tarde para despedidas Podemos inaugurar um silêncio tremendo como o que se sucedeu à feitura do mundo Dizer adeus requer que saibamos ser um sem o outro um sem a memória do outro e essa página de esquecimento não existe no livro da vida - lá onde nos conhecemos desde o osso e até ao osso desde a escuridão do pó onde se tece a matéria à clara voz do riso Inauguremos então o tremendo silêncio
Mas antes digo diariamente farei como sempre como no tempo da fala o caminho de sempre de lanterna acesa para alumiar o longo corredor estreito e abrirei ao fim os portões altos para escoar a noite nas asas das primeiras aves até aos limites da aurora
"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa."
Sabe que quando por lá passei há 28 anos, era eu Juiz por Trás os Montes, Vila Flor tinha um mini jardim zoológico? E sabe que na época das amendoeiras (sabe qual é a época das Amendoeiras Sr. Presidente? ),Vila Flor ficava coberta de neve em flor, perfumada, digna de qualquer princesa árabe ou portuguesa?
-
E o Vale da Vilariça senhor Presidente... já experimentou comer umas migas com peixe frito do rio? Uma delícia... e as alheiras de Mirandela... E a posta de Carviçais? Já viu a paisagem de Miranda do Douro, forte, agreste, resistente e a desfazer-se lá em baixo no rio... com Espanha mesmo de frente?
-
Há 28 anos que escuto essa canção do rumo para o Futuro... e vejo o meu País a fazer o rumo... e o rumo a ser desviado. Para quando Sr Presidente.... as cerejas....e as flores de neve perfumadas?
Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer.
Muitas vezes me lembrei que esse sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir até de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer.
É que o amor nem sempre é uma palavra de uso, aquela que permite a passagem à comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possivel neste mundo.
Então, é natural que voltes atrás e me peças:«Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas.
No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer uma ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar; que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
in «Poesia Reunida 1967-2000», prefácio deTeresa Almeida, Dom Quixote, Lisboa, 2000
Eres como la mar..., bueno de frente peligroso en día gris, duro y valiente... Llevas en la cabeza... brisas ligeras temporal que aún contiene, tu compañera. Eres como el cantar... de un campesino que al cantar va labrando, nuestro camino. Eres como un dolor... mal repartido, que se volvió canción, y no quejido... Eres como la voz... que expande el aire eres como un poema de Miguel Hernández. Y presumes de ser... puro paisano de haber sido y de ser, buen ciudadano. Compañero del sol... fiel compañero0 nunca te preocupó en nada, ser el primero. Eres como el sudor... callado y quieto y nunca abriste el cajón... de tu propio respeto. No quisiste jamás... salvarte solo porque no hay salvación, decías, si no es con todos... No sabes de venganzas... ni de desquites... gorrión que cantó siempre... ¡aún sin alpiste! Eres como la sangre.. eres el aire... la mar, la barca, el remo y el navegante. Timonel de mi alma... más que nadie... y aún... aún eres muchas cosas más, que me callo y me callan: Padre... Y aún... aún eres muchas cosas más que me callo y me callan... Padre!!!
ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento
Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?...
Rezar, é uma acção que se remete à concentração em alguém com o objectivo de algo. Uma libertação da alma para que todo o bem se agite e actue. Rezar assim como uma espécie de oferta, um apelar a energias fantásticas mas tão serenas que nos escutam e acolhem. Pode ser um acto de alegria misturado em lágrimas de emoção,... rezar pode ser pintar um pensamento ou escrever um poema, compor uma música , oferecer uma flor, um sorriso, um gesto...um som....uma dança...
Pediu que orassem por ele. O Papa hoje eleito e já alvo de comentários e tentativas de criticas. Tem um nome simples - Francisco - de um homem simples, um Jovem que amava todos os seres da forma mais simples e forte que é imaginável a um ser humano...
Jesuíta toma nome de Franciscano... Gosta dos clássicos , de futebol e de tango.... Nasceu em Buenos Aires....
Uma oração para o homem que foi hoje escolhido para falar ao Mundo a que ele chamou uma grande comunidade que , segundo as suas primeiras palavras deve estar sempre atento e virado ao outro.
Uma oração como uma oferta...uma música como uma oração.
___________
Mi Buenos Aires querido, cuando yo te vuelva a ver, no habra mas penas ni olvido. El farolito de la calle en que naci fue el centinela de mis promesas de amor, bajo su inquieta lucecita yo la vi a mi pebeta luminosa como un sol. Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver, ciudad porteña de mi unico querer, y oigo la queja de un bandoneón, dentro del pecho pide rienda el corazón. Mi Buenos Aires tierra florida donde mi vida terminaré. Bajo tu amparo no hay desengaños, vuelan los años se olvida el dolor. En caravana los recuerdos pasan como una estela dulce de emoción, quiero que sepas que al evocarte se van las penas del corazon.
Las ventanitas de mis calles de arrabal, donde sonrie una muchachita en flor; quiero de nuevo yo volver a contemplar aquellos ojos que acarician al mirar. En la cortada mas maleva una canción, dice su ruego de coraje y de pasion; una promesa y un suspirar borro una lagrima de pena aquel cantar.
Mi Buenos Aires querido... cuando yo te vuelva a ver... no habra mas penas ni olvido...
"março. supunha que tinha nascido por ali. provavelmente logo no primeiro dia. 1 de Março é o primeiro dia da primavera.
estranho. não havia explicação plausível para o ostracismo devotado aos equinócios. uma questão de comodidade, diziam alguns. daí o fazer coincidir as estações do ano com inícios e fins de meses. a primavera a começar em 1 de março, o verão a 1 de junho, o outono a 1 de setembro e o inverno a 1 de dezembro.
depois lá aparecia pelo meio desta calendarística distribuição, o 24 de junho. e toda a tradição pagã saía à rua transportada pelas pessoas. cumprindo-se celebrações onde o fogo, os cantares, as danças, as coroas de flores nas mulheres de cabelos louros e olhos azuis. todos azuis. tantos azuis. como se todas fossem pintadas por Deus no mesmo dia.
perfeitas. lindas. lagos pequeninos nos olhos das faces brancas, ainda cobertas de neve. o dia onde a noite é tão curta que as árvores não adormecem e os sonhos não saem dos livros dos poetas. o alquimista das palavras acreditava que tinha nascido por ali. a 1 de março de um ano tão distante que não se via no deserto do tempo plantado na memória. por ali, a 1 de março, ou talvez a 29 de fevereiro de um ano bissexto qualquer.
e assim o deserto do tempo comia-lhe a contagem dos anos. só se lembrava de contar a idade de quatro em quatro anos. as palavras aperaltavam-se naquele dia. também elas acreditavam que ele tinha nascido no primeiro dia de primavera. falavam-lhe ao ouvido, as palavras, e deixavam mel a adocicar-lhe a memória. a solidão azedava-lhe a existência. e a pele, e as lágrimas que escorriam mais depressa naquele dia. lágrimas amargas que deixavam marcas de noite na camisa que vestia. não tinha a certeza se era um aniversário, mas as palavras em correrias tudo faziam para que ele acreditasse. mas ele queria Laura. queria tanto Laura.
e aquele querer era enorme, bastando fechar os olhos para a ver ali chegar. para a ver a afagar-lhe o cabelo. ouvir a sua voz ondulante, num corpo ondulante. um mar de mulher que lhe salgava a pele com gotículas de maré-cheia. fazia-lhe tanta falta. Laura. gostava de lhe beijar as mãos. sentir-lhe os dedos elegantes. percorrê-los com os seus. dedos dados em mãos dadas. e depois deixava que ela se sentasse no seu colo e contava-lhe histórias cheias de palavras que brincavam por todo o corpo de Laura. às vezes achava aquele amor impossível. como se pertencessem, cada um deles, a histórias diferentes. de escritores diferentes. estilos diferentes.
tempos diferentes. como se o seu encontro com Laura resultasse do desmancho de livros diferentes cujas páginas se intercalaram, como o destino intercala o futuro com o passado. ele, página 7 de um conto medieval. ela, página 77 de um romance moderno. ele velho, sem idade. ela frágil, com idade de princesa. ele, perdido. ela num processo de se encontrar. ele, sem vida para entreter. ela, com tudo para acontecer. ele com vontade de morrer. ela cheia de desejos de viver. que faziam ali os dois, num balançar de corpos, que só os olhos fechados dele faziam suceder?
e o amor era tão grande. e a dor era tão grande. e o desejo impossível de a ter crescia desmesuradamente, afundando os pequenos restos do barco a que ele chamou esperança. o alquimista das palavras abriu os olhos e Laura fugiu para dentro dele.
ocupou-lhe outra vez o coração. constava que era o seu aniversário, logo no primeiro dia da primavera e o que ele mais queria era Laura."
Belíssimo texto de Nuno Guimarães, in "Metropolis":
É a saudade que nos possui que nos massacra que nos engole Que nos acende os sentimentos Que só morre se morrer a ausência se o buraco que abre na alma se desvanecer...
Portugal ratificou a Convenção em 21 de Setembro de 1990.
Da mesma resulta entre outras coisas que o interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito. É com os olhos postos neste interesse que os juizes decidem.
Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.”
online