Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

Dois Epigramas

 

O sábio das coisas simples
olhou em torno e disse:
não há profundidade
sem superfície.

É preciso dizer bom dia
quando o dia anoitece
ser exacto todo o dia
envelhece.

Luís Veiga Leitão

escrito no papiro por ACCB às 16:34
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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Partimos cada dia............

 

 

 

"Cada dia é mais evidente que partimos

Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste".

(Sophia de Mello Breyner Andresen, In Antologia-Círculo de Poesia-Moraes Editores-1975)

escrito no papiro por ACCB às 13:09
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Dia 11.11.2017

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Reader. (Dola Sun)

 

 

 


Hoje vesti vermelho mãe Não é um vermelho vivo mas é forte
Bordeaux como um vinho bom porque faço anos
E faço anos porque tu és minha mãe o que quer dizer que nasci
Não era justo que o luto eterno se estendesse ao aniversário do dia em que faz anos foste mãe pela primeira vez
É isso que celebro hoje contigo mãe
Isso e o fazer parte de ti como tu fazes de mim
Parabéns mãe porque vives em mim
Foi por isso que depois do que tu sabes, hoje voltei a vestir vermelho,... tenho a certeza de que gostas porque tu detestavas preto, luto e falta de Sol ... nisso e no amor pela poesia ( nas pitadas de mau feitio), saio a ti também.
Hoje é um dia só nosso, meu e teu.
Só quando não nos falta a mãe é que achamos que o dia foi feito só para nós.
E sabes, há Sol como deve haver no S. Martinho.

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 02:36
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

A rectidão das linhas

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Tiras 3 linhas rectas do aparo e preenches cada uma de tons azuis semelhantes,... assim a cair para o fim da tarde.... ou até pode ser para um amanhecer de Inverno, aquele Inverno em que os dias se põem sem o vermelho no sol.

Depois traça a escada,... não é por nada é só para que no canto ou no vértice fique o homem...sem poder pôr os pés na terra,... suspenso... Não sei se prefiro que ele fique no canto ou no vértice.... No vértice não se vai equilibrar, às tantas cai no azul ou corta-se nas linhas rectas...

Fica num canto, é melhor um homem num canto que num vértice, e coloca-o de costas para o Mundo, bem de costas e de chapéu para que não veja nada nem tenha reflexos do que se passa em redor.

Quanto mais alta estiver a escada (podes arranjar um prolongamento na parede), mais de costas ele estará para o mundo. É importante que esteja de costas para o Mundo...

Dá-lhe um toque de vencido nos ombros e deixa-o ficar ali, como fica o menino de castigo virado para a parede, ....preso no canto, abafado pelo chapéu..., como fica o empregado de escritório engolido pela secretária todo dia ou a comer à pressa no restaurante porque só tem uma hora de almoço,... como fica uma mulher a quem a vida deu inúmeras tarefas e ela vive dentro delas, abafada no seu canto, como ficamos todos maquinalmente voltados para dentro no cumprimento de horários e estatísticas.......

Afasta-te sem ruído,... não deixes que ele descubra que afinal o canto é um vértice e que o chapéu fugirá com o vento, a escada não irá equilibrar-se e ele poderá ver para além da convergência aparente dos tons ainda que a queda seja dolorosa, ....algo assim como o desmascarar de uma alegoria de um canto em 3 linhas rectas com preenchimento de espaços azuis vazios...uma caverna de enganos e mentiras...

Mas podes sempre traçar as linhas rectas na horizontal... terás uma linha de horizonte,... um infinito, um mar e o universo todo para olhar...um amanhecer de Inverno, aquele Inverno em que os dias se põem sem o vermelho no sol....

E o homem puxará o chapéu para o rosto ao anoitecer e, ao amanhecer, descobrirá que nem canto nem vértice....mas apenas infinito, e não precisará da escada porque a rectidão das linhas lhe tinha sido imposta e a escada apenas servira para o colocar num canto e de costas para o Mundo.

( Imagem - Joseph Beuys escultor desenhista professor de arte )

 

escrito no papiro por ACCB às 19:02
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Domingo, 24 de Setembro de 2017

Para ser Perfeito

 

 

 

 

Para ser perfeito tinha de ter qualquer coisa de filme francês mas falado em italiano.... Um toque assim de ruas íngremes e empedrado irregular, estreitas e a fechar o dia à frente num canal que desaguasse no mar.

 

 

Para ser perfeito tinha de não ter relógio ou aquela noção judaica de tempo como uma castração da vida, tinha de não ter hora, apenas dia com ou sem luz, e depois... dormir era perfeito só quando os olhos não pudessem mais suportar tudo o que querem aprender

 

Para ser perfeito tinha de ser mágico e isso significa nada para precisar, nem sequer comer... uma levitação da Vida pelos cantos e pelos pontos mais altos e depois mais à beira da risca da maré, da espuma do pôr do sol, salpicada de peixes que chegam à praia apenas para ver como é ser humano.... mas! voltam e mergulham nos sonhos.

 

Para ser perfeito mesmo, podia ter Sol de 24 horas e noites com todo o cansaço exorcizado em menos de um suspiro que a Vida é curta para perder a dormir.

 

 

Para ser perfeito tinha mesmo de ser falado em italiano e ter um toque de cinema francês, um genérico de Woody Allen,... e ser exibido todo o tempo... no início, durante e no fim, seria um genérico extraordinário....infinito.

E (no fim,..), naquela parte em que passam os nomes dos actores e das actrizes, tocaria até não haver mais nomes... ou seja, uma eternidade, num opening credit sem fim, envolvente, definitivo e definidor ..... só para ser perfeito.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:25
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Miró

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 África, a minha Gata 

escrito no papiro por ACCB às 11:41
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Caminhos

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14 de Julho de 2012 às 23:35 ·
Amanhã ainda não mas depois eu calço o sapato baixos e vejo se tenho as pilhas da máquina fotográfica carregadas.

Verifico o estojo e as duas memórias suplentes.

Os jeans e algo leve, um casaco se esfriar... ai a mochila! Aquela coisa que me dá cabo do ombro squerdo e só dou por isso ao fim do dia.

Caminhos arranjam-se,.... mar é o que mais há.. e Sol, é essencial que haja Sol.

Devia levar comigo um rolo para fotografia nocturna mas a máquina que tenho agora é digital e cheia daquelas peneiras da tecnologia.... Andante que se faz tarde... cada olhar um reflexo e cada reflexo uma foto.

Das viagens as recordações melhores de trazer são os momentos e registados, para mais tarde reviver.
Já tenho saudades de andar sem relógio e de me sentar preguiçosa numa cadeira qualquer ou num muro qualquer ou pela maré de manhã cedo ou tarde já longa.


Preciso daquilo a que se chama vulgarmente férias e eu chamo fazer o que me apetece...
Ouvir silêncios, observar expressões,... contar sons e descobrir contrastes... como se não estivesse cá ou visse um filme numa sala de cinema vazia....
Preciso dessas pausas.... dessas lacunas....desses buracos negros onde deito tudo o que não perco .....
Agora...........vou dormir......ou ler....ou preguiçar.....

escrito no papiro por ACCB às 11:36
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

Paris , o pintor de rua e eu

 

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 Paris Fotografia de Amália Simão

 

Não foi por acaso que parei por ali.
Se eu tivesse dinheiro suficiente comprava-lhe os quadros todos só para olhar demoradamente as expressões que ía pintando. Como se estivessem vivas e tivesse de escrever um livro sobre cada uma delas.
Não sei o que fazia às tintas quando as tocava com os pincéis
e as colocava no sítio na tela... Como sabia o sítio de cada uma delas?
Como tinha aquele homem da tela aquele ar velho e triste, atento à leitura do jornal... e quase que lhe ouvia a leitura do mesmo, o respirar lento de quem já só gasta o tempo com o que lhe dá prazer e não lhe rouba nada.
Sentei-me ali, escondida num chapéu que não era meu, uma gabardina como se fosse Inverno... Mas não era,... até as luvas calçara para que não me vissem e deixassem imaginar os livros todos que podia escrever com cada um dos quadros a que ele ía dando vida....
A pintura é uma literatura com imagem a cores ... não é?...
ACCB

escrito no papiro por ACCB às 22:16
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Sábado, 24 de Junho de 2017

O temporal esta noite........Tormenta

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A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem nocturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o vou anelante da ilustro
efemera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.

 

Elvio Romero (Escritor Paraguaio)

escrito no papiro por ACCB às 01:55
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Para ti

 



“Para ti criarei um dia puro

Livre como o vento e repetido

Como... o florir das ondas ordenadas”


Sophia de Mello Breyner

escrito no papiro por ACCB às 01:49
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Engolir o Universo



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O que é isso do Universo? Já acho o Mundo tão grande que não consigo abarcar o que seja o Universo....é como ganhar o euro milhões,... um enorme euro milhões... nunca saberia contar tanto dinheiro.


E no entanto, por vezes, sinto-me cheia de cansaços, os todos que há no Mundo, cansaços passados, presentes e o peso dos futuros, como se o Universo se tivesse encostado todo à minha nuca e eu estivesse prestes a desitir da posição de o perceber, olhando atentamente para baixo quando afinal ele está todo por cima e à volta.


E se eu fosse mesmo feita de pedações de estrelas?... Juro-vos que acredito que sou. Que fraqueza.... apenas pedacinhos de estrelas, pedacinhos incompletos. E que fazer? Seguir sempre a estrada que o caminho faz-se caminhando, repetindo gestos, ideias, ideias felizes, súbitas mas por isso mesmo felizes... e depois voltar ao razoável, à rotina, ao que tem de ser para além do Universo e num espaço ínfimo nele.


E seu eu engolisse o Universo como Cronos , engolia os filhos? Cronos e o Tempo engolem o que geram...
Mas eu nem gerei o Universo,... só virando-me do avesso e abarcando-o todo como um espaço que aumenta ao virar o direito para dentro e o interior para fora....mas entretanto o tempo já me devorou.
Ao virar o Direito para dentro... e reparo quantos séculos de humanidade, quantas lutas e quantas perdas, quantas guerras e quantas mortes nesta palavra.

Quantos pedacinhos de estrela se estilhaçaram para que a palavra Direito que me levou a esta evasão de contemplar o Universo pudesse existir?


Direito não envolve autoridade ou será que envolve? Envolve luta, sangue suor e lágrimas e é por isso que todos querem lutar, ser livre ou morrer por ele. E é por isso que existem as convenções, as cartas de direitos, os diplomas legais....para que tudo não se repita....e repete.


Há anos que faço “isto”, há anos que visto a beca, há anos que empunho a espada... e que teria acontecido se eu não tivesse aceite a espada?
O Universo continuaria a existir, os movimentos de rotação e traslação da Terra continuariam a existir,... as estrelas planetas e cometas continuariam sobre a minha nuca todas as noites que tento proteger direitos e o Direito.... como é assim e agora e será sempre. Ámen.


Será que algum dia aceitei a Espada ou apenas a resgatei e empunhei?
Então, engulo o Universo e sigo em frente, como quem engole um sapo, como quem percebe que tudo continuará encostado à nuca, como quem sabe que entre a espada e a parede, escolherá sempre a Espada.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:42
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Segunda-feira, 12 de Junho de 2017

Para o raio que os partisse

( Quem souber ler que leia...)

 

 


Ai o sapatinho,... vá lá, de salto alto, não muito por causa das horas de espera, mas de ponta fina.
A mala,... a mala pode não ser da mesma cor mas tem de fazer pandan com a saia, a meia , o salto, o casaco... enfim... até os brincos, se levares.


Não te esqueças do sorriso, aquele de cerimónias oficiais que tem de ser bem colocado no meio da cara ainda que os olhos digam o contrário. Não entoes mal o "como vai?", principalmente não deixes transparecer que querias que fossem para o raio que os partisse.


É assim, oficialmente, nas cerimónias oficiais todos são amigos, todos são simpáticos , todos se dão bem e todos são cordeais.


Se podes dizer o que pensas realmente?
Podes mas, não estragues a cor do saia e casaco, nem a marca da mala que decidiste usar. Vê lá não pareça mal e não fiquem com outra imagem de ti.
De um momento para o outro podes transformar-te na bruxa da história, melhor, podes parecer a bruxa da história em vez de o seres realmente.


Mas se é para te irritares irrita-te e irrita-te na hora menos esperada, da forma menos esperada, com a fúria toda que possas utilizar e derrubar o que te irrita.
Afinal és a bruxa da história.


Nunca digas que isso pode acontecer, faz com que seja surpresa e simplesmente demolidor.
Se for preciso o tom pérola do tailleur mudar para vermelho rubro, deixa mudar, se o salto do teu sapato passar a ter mais 5 cm, deixa subir,... e se os teus olhos devidamente maquilhados para a ocasião decidirem deitar lume, transforma-te em dragão,... mas ganha a causa.


Se é para te irritares, arrisca tudo, vai a jogo, mas não percas.


ACCB

 

 

escrito no papiro por ACCB às 21:57
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Sábado, 3 de Junho de 2017

Eu sou a tempestade

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escrito no papiro por ACCB às 18:19
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fotos antigas a 3 de Junho de 2017

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Eu gosto das fotos antigas...

Tinham sempre as calças dos homens vincadas e as mãos das senhoras muito quietas no regaço. Os cabelos nunca tinham vento nem aragem e o baton cabia sempre dentro das linhas dos lábios.
Todos estavam compenetrados e mostravam de si o ar mais airoso e mais perfilado.


Lembro-me das fotos do meu avô com o bigode aparado e um braço descansado na mesa com toalha de renda. Um ar de Eça... era o que eu achava. Tinha uma bengala mas sabíamos que era só para a fotografia ficar com um cabo de prata.


As fotos antigas punham as crianças sentadas no chão, à volta, como se nunca fossem crescer ou se crescessem deixassem de poder usar as saias de folhinhos e rendinhas e os calções de suspensórios impecáveis com que iam à missa no dia de ver a Deus.


Gosto das fotos antigas e de mim nelas. Da família em redor com ar sério e numeroso, ... e gosto principalmente do gato... o gato que me tira a atenção da foto e com quem interajo insistentemente numa dessas fotografias, ... é só o que nela existe, eu e o gato.
Todos estão sérios, pertencem a um Mundo quieto e eficaz, todos estão engravatados e calçaram os melhores sapatos. As senhoras vestiram-se a rigor e foram ao cabeleireiro... para a foto de família...
Tinha eu logo de estragar a foto,... eu e o gato... eu e o vestido de ver a Deus, o gato a pedir festas e eu a dar-lhe todas as festas do Mundo.
A foto mexe-se e vive.... Tudo mais está estático.


E quando escolheram a foto,... a que iria ficar para a posteridade, a minha avó teria dito do seu ar de matriarca:
- Quero esta, tem gente a sério.

 


( PS: deve ser por isso que tenho o nome dela :-) )


ACCB

escrito no papiro por ACCB às 18:15
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

Depus a Máscara

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Depus a Máscara ( Álvaro de Campos )

 


Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

escrito no papiro por ACCB às 18:21
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

Fundamento

 

 

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Fundamentar a decisão é dá-la a perceber ao Outro. Aquele a quem é destinada e aos que em geral são visados pelas decisões dos tribunais.


A fundamentação da decisão é uma exigência constitucional e uma garantia do Estado de Direito. Significa isto que é obrigação do juiz explicar porque a sua decisão é uma e não outra, convencendo o visado da justeza da mesma e da lógica do resultado atingido.


Não se trata de mera exigência formal, já que a fundamentação cumpre uma dupla função: de carácter objectivo - pacificação social, legitimidade e autocontrole das decisões; e de carácter subjectivo - garantia do direito ao recurso e controlo da correcção material e formal das decisões pelos seus destinatários.


A fundamentação de uma decisão deve ser garantística, transparente, legitimadora da condenação ou absolvição decididas. Deve persuadir e não só punir.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 18:24
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Berlim

Em 

DOMINGO, 17 DE MAIO DE 2015

 

Eu escrevia assim..... E ainda não fui.

 Mas .... fica para uma próxima 


A PRÓXIMA VIAGEM :. Berlim .. Criativa, clássica e extravagante

 

escrito no papiro por ACCB às 15:07
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Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

A cadeira

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Ghost Chair by Studio Drift (o)

A CADEIRA FANTASMA PELO STUDIO DRIFT (o)

 

 

__________________

A minha cadeira adormeceu à secretária.
Completamente estonteada de sono,...o queixo caído para as costas
Agora sonha alto coitada.Imagina que flutua...diz que despachou os processos todos do dia e nem houve recurso esperançada que está de que amanhã não é dia de trabalho.
Não percebe nada do que se faz todos os dias quando suporta o peso das horas em que habito nela.

Com o cansaço tornou-se transparente... ainda bem que não ressona...

 

1 Maio de 2013
ACCB 

escrito no papiro por ACCB às 23:51
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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Empatias

 

 

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Poucos indivíduos há na Vida que nos façam parar para entender o sentido das palavras.
E não é porque o tempo se lhes desenhe no rosto ou porque a voz tem o compasso certo para nos prender os sentidos.
É porque vieram do fundo dos tempos como quem arranca o fundo ao mar ou o fogo ao centro da terra e puxa para baixo as estrelas
São uma alucinação
Nem eles sabem o poder que carregam
E estranho... nunca envelhecem...

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 13:31
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

ESPLANADA

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Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

 

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

 

O café agora é um banco, tu professora do liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

 

(Manuel Pina - "Um sítio onde pousar a cabeça)
(Foto Mz)

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Domingo, 19 de Março de 2017

Pai

 

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Sabes pai? Ainda não tenho rugas....tal e qual como tu quando eras da minha idade....
E sabes, também tenho boa memória, como tu..... É dia do pai e estás sempre comigo... sabemos que trocamos olhares em silêncio e que te falo em silêncio do que gosto de te falar....
É dia do Pai todos os dias em que preciso falar contigo e tu,...tu arranjas sempre uma forma de me responder, de me corrigir, de me elogiar... de me ouvir....
Andas por aqui no meu ADN, nos dias que são dia do Pai e nos outros porque eu sou a filha do Pai que é meu.
Os Pais nunca deixam os filhos ainda que se tornem invisíveis aos olhos físicos.... um dia alguns de nós descobrem isso e reparamos que é bom.

 

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 12:00
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Sábado, 11 de Março de 2017

Aquele traço de escrita

 

 

 

 

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Os poetas têm no gesto
aquele traço lento da escrita
Como se dançassem nas letras
Ou pendurassem os pensamentos no olhar das palavras

 

Não sabem o que vão escrever
Mas escrevem
As mãos pegam nas palavras e escrevem

 

Os olhos ficam em espera
Como se o pensamento nem ditasse a forma

 

Os poetas têm aquele gesto lento
De quem guarda um segredo que não sabe

 

O gesto lento de quem espera
Mesmo que a espera seja já ali
ou só na eternidade.


ACCB

escrito no papiro por ACCB às 15:36
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Pássaros

 

 

 

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam
movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao
reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
 Ruy belo

escrito no papiro por ACCB às 23:48
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Amigo não é nada disso

a·mi·go
(latim amicus, -i)
adjectivo e substantivo masculino
Que ou quem sente amizade por ou está ligado por uma afeição recíproca a. = COMPANHEIRO ≠ INIMIGO
Que ou quem está em boas relações com outrem. ≠ INIMIGO
Que ou quem se interessa por algo ou é defensor de algosubstantivo masculino
Pessoa que segue um partido ou uma facção.
Forma de tratamento cordial
adjectivo
Que inspira simpatia, amizade ou confiança. = AMIGÁVEL, AMISTOSO, RECONFORTANTE, SIMPÁTICO
Que mantém relações diplomáticas amistosas (ex.: países amigos).
Que ajuda ou favorece. = FAVORÁVEL, PROPÍCIO ≠ CONTRÁRIO
"amigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/amigo [consultado em 16-02-2014].
_________________

 

 

Amigo não é nada disso


A gente só sabe o que significa amigo quando se abre um buraco dentro do peito porque alguém que conhecemos está mal, entre a vida e a morte.
Aquela sensação de nada, de vácuo que puxa para dentro e dá uma tontura súbita, que deixa a boca seca e sem espaço para palavras ou sons entre a lingua e o palato, como se toda a saliva subisse aos olhos e turvasse a visão.
Amigo é aquela sensação de medo de perder quem ainda tem caminho para fazer connosco.

Como se não se pudesse caminhar sem a certeza daquela presença ainda que distante ou lá longe , não interessa onde, mas presente.

É a sensação de não, não é a hora, ou de - essas coisas são o que têm de ser mas, esta não é a tua hora. A hora de tu ires sem dizer nada e nós ficarmos aqui sem ti. Deixa-te de merdas, que mania de dares nas vistas! Desiste desse sobressalto, não temos mais espaço para encolher o coração a ponto de não sabermos se rezamos, damos as mãos ou passamos umas horas abraçados como se fosse a ti que o fazemos.

Amigo é esta forma cristalina da Cristina , escrever e rever momentos de amigos; aquela palavrão forte e masculino que o Francisco Bruto da Costa soltou quando soube que te deste finalmente ao trabalho de visitar um hospital, assim pela calada e sem avisares; amigo é a mensagem urgente da Elsa , da Júlia , no meu telemóvel e a Irene lá longe a encontrar flores no deserto .
Amigo é a Ni que quer como eu escrever um livro contigo e de cuja edição para castigo hás-de encarrregar-te. Amigo é a Dulce João que pergunta por ti , porque pensa que já podes dizer-nos alguma coisa.

Amigo é isso, ... e eu sei lá que mais... mas principalmente aquele buraco no peito feito de vácuo, lacunas legislativas, sopro e medo.


Despacha-te. Estamos por aqui sem saber se rezamos, escrevemos, falamos uns com os outros ou aguardamos simplesmente que te rias de nós por sermos assim,... sem jeito e saudosos da tua presença amiga.
Amigo é esta falta de tempo para o tratamento por você e passas desde já a ser Tu.
ACCB ( Foi como foi há 3 anos - 16 de Fevereiro de 2014 )

escrito no papiro por ACCB às 15:02
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

Filhos.....

 

 

 

 

Filhos.... mas se não tê-los,... como sabê-los?
Senta te aí.
Como dizer te que não tem nada que ver com isso? A gente prolonga se através deles e se partem levam nos tudo,... com eles.
Não te sei dizer... é como quando nascem... não há palavras. É amor à primeira vista, uma paixão de alma de que não há cor para definir ... Não há adjectivo que superlativo ou comparativo defina o sentir.
Se partem...também é assim.
Confusão de sentir ... Um vazio... sem cor ...sem som...definitivo. Mortal.
Mas se não tê-los (sabes?), é como diz o poeta: "como sabê los"?!
Senta te aí é não digas nada. Pensa que o silêncio fala melhor nestas situações.
Pensa assim:
É como quando são adolescentes e barafustamos com regras barulhentas.... Eles não ouvem.
Como quando vão de viagem e te calas ao lado deles à espera do avião. Partias com eles... mas vão felizes sozinhos e esperas que regressem felizes. Essa é a tua felicidade, o reencontro e o brilho nos olhos deles.
Senta te aí....
Não há palavras, nem cor, nem adjectivo superlativo ou comparativo.
Cada partida é diferente. Umas têm regresso outras aguardam te num tempo sem tempo.
Senta te aí.

 

 

 ACCB

escrito no papiro por ACCB às 23:10
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

Obama

 

 

escrito no papiro por ACCB às 01:31
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

A propósito de Trump

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"Paisagem de muros e de cães a ladrarem pelo céu
- propriedade azul
de todos os desgraçados.
...
Árvores escondidas
que o vento desenha em perfumes
no silêncio do sol.
...
Sebes de silvas e piteiras
ainda com o ódio primitivo
de quando o mundo
era um planeta de florestas e de pássaros,
e o homem um intruso,
um ser ilógico
sem raízes nem asas.
...
Hoje esse homem sou eu,
sem terra para pisar,
sem sombras para dormir,
sem frutos para comer,
sem flores para cheirar,
sem fontes para beber
- perseguido por todos os muros do mundo
numa paisagem de lagartixas.
...
Hoje esse homem sou eu.
...
O céu, ao menos, não tem muros.
E as aves não riscam fronteiras
nem põem vidros partidos nas nuvens."

José Gomes Ferreira

escrito no papiro por ACCB às 12:08
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Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Choveu

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Choveu todo o santo dia. Choveu não copiosamente como quem chora ou como quem esquece o duche quente aberto.
Choveu teimosamente, insistentemente, de forma fina e constante, como uma agulha, sem vento, sempre em linha recta como um poema enorme e de leitura incansável.
Ainda chove, as luzinhas dos faróis salpicadas de gotas parecem pedrinhas preciosas, sonhos de Natal.
Mas é Janeiro e está frio. Não esteve muito frio durante o dia.... mas a noite promete arrefecer.
Reparei que já não há chapéus de chuva coloridos e daqueles que duram muito, que se levam ao Sr José da loja pequenina ao pé da Igreja ou se entregam num repente ao "amolador" que anuncia na rua que arranja tudo, chapes de chuva e respectivas varetas.
Isto de andar à chuva e sentir os pés quentes dentro das botas,as pernas quentes dentro das calças, as costas quentes dentro do impermeável, é uma aventura.... como quando se é criança e há lagos de água para saltar para dentro.
Choveu todo o dia. Devia haver uma forma de ver chover toda a noite.

 

 21.1.2016


____________José Luís Outono


Ainda no outro dia, vi um amolador...e o som típico do instrumento publicitário, que os anunciava.
São estes momentos, que nos fazem recuar e indagar, como vivemos com tão pouco e sorrimos tanto no viver. Questiono amiúde se a tecnologia ou a energia da pressa para ontem, são motivos de desenvolvimento?
Hoje, vi chover, e os pingos contavam histórias tão alegres, apesar do incómodo da chuva. Quantas vezes, não brincávamos entre o mar invernoso e a calma outonal, com os pingos de um chafariz, para simular uma frescura caminhante de sonhos.
Lembro-me da primeira chamada de um telemóvel...e perguntei, como é que isto leva e traz a voz. E a resposta estava tão perto, na rotação da terra, no anoitecer e no amanhecer e no viver calmo...e tudo acontecia. Hoje, ainda não percebi bem, como vivemos amanhã, com o prognóstico de ontem, e dizemos está tudo no computador. Por este andar, um dia vou receber uma SMS, quem sabe via chip cutâneo como cartão de cidadão, a recomendar - acaba o livro hoje, porque amanhã está tudo encerrado para balanço. Sorrio, olho para o pavimento molhado, o reflexo faz-me uma fotografia, e o pensamento codifica-a, no envio cibernético para uma enciclopédia de barras codificadoras do planeta ao lado.
NOTA: Hoje apeteceu-me recuar aos tempos desafiadores da palavra.

__________________Jorge Casaca

Mas cai. De noite a chuva cai. É mais difícil de a ver pontilhada pelos candeeiros da avenida. Mas sabe bem vê-la refletir nos charcos os faróis dos carros parados nos semáforos. Ouve-se. Aquela voz fininha da chuva ouve-se de noite, o algeroz avariado do terceiro andar, o andar molhado dos gatos.

_________________
Adelina Barradas de Oliveira

O Algeroz avariado do terceiro andar, o andar molhado dos gatos, os sapatos de salto alto tardios pela calçada, frios de uma noite solitária e fina como a chuva.
E ficam as janelas salpicadas como sons de cristal.... Se o vento não sopra é tão bom dormir escutando os cabelos da chuva.
Ouve-se tudo,... até a rua que escorre até à ribeira que já foi rio mas está sempre seco de Verão.

____________Jorge Casaca

É como aquele pingar de frio nos óculos a estrelar as luzes. O peso da água nos ombros que se vão molhando. Aquele cheiro da terra levantada gota a gota. De fora as pessoas passam escondidas em capas de cogumelos, sombrias como se fugissem.

________________Adelina  Barradas de Oliveira

Hoje não chove e o frio parece pingentes de cristal a cortar os dedos das mãos
Não vou à rua ou vou?
O relógio da torre da igreja continua a dar horas, são 9... Não vou ou vou? Está sol, vai derreter o frio.

__________Jorge Casaca

O sol aquece os vendedores da feira junto à Ria. Foi anteontem, foi anteontem mas podia ter sido no século passado, que os écrans dos televisores embranqueciam com a neve. Aquela que já não caía desde há tanto tempo que as pessoas pensavam que nunca acontecera. Foi ainda ontem que as pessoas se cumprimentavam com um «está tanto frio».
__________________

Adelina Barradas de Oliveira

Subiu a temperatura, poucos graus é verdade,  os dedos doem ainda como se fossem gelo. Às vezes parece que os deito no Martini e os provo. Congela-se a palavra.
Fica lá fora aquela luz cristal de sol de Inverno e uma vontade enorme de correr para o Mar.
Não há na que se interponha a não ser o chamamento do trabalho ao fim de semana.
 Não é justo. Com este frio até os papéis deviam congelar.

_______________
José Luís Outono
Ontem às 11:24 ·
HÁ "BOCAS" INFERNAIS.
Fui à farmácia comprar um medicamento (normal). A farmacêutica, muito gentil disse-me - Anote por favor como vai medicar-se. Deu-me um papel, emprestou-me a esferográfica e ditou...
Uma jovem "cinquentona", sem mais demoras exclama - Vê-se mesmo que é um velho. Não tem um telemóvel? Clique, ou dite para ele...já viu...está a empatar toda a gente, com a demora da escrita.
Olhei para ela, e disse-lhe em diálogo de olhar azedo, TUDO ... enquanto a farmacêutica lhe recomendava calma.
No regresso a casa, fui "buscar o filme", como realizava emissões de rádio, com discos de vinil e gravadores/reprodutores de fitas magnéticas, e até era permitido fumar nos estúdios (que horror).
De repente, um comentário ( a cabeça ainda funciona) que fiz a um excelente texto de Adelina Lininhacbo Barradas de Oliveira, neste dia 21 de Janeiro, mas do ano passado, assaltou-me a cabeça .
"Ainda no outro dia, vi um amolador...e ouvi o som típico do instrumento publicitário, que os anunciava.
São estes momentos, que nos fazem recuar e indagar, como vivemos com tão pouco e sorrimos tanto no viver. Questiono amiúde se a tecnologia ou a energia da pressa para ontem, são motivos de desenvolvimento?
Hoje, vi chover, e os pingos contavam histórias tão alegres, apesar do incómodo da chuva. Quantas vezes, não brincávamos entre o mar invernoso e a calma outonal, com os pingos de um chafariz, para simular uma frescura caminhante de sonhos.
Lembro-me da primeira chamada de um telemóvel...e perguntei, como é que isto leva e traz a voz. E a resposta estava tão perto, na rotação da terra, no anoitecer e no amanhecer e no viver calmo...e tudo acontecia. Hoje, ainda não percebi bem, como vivemos amanhã, com o prognóstico de ontem, e dizemos está tudo no computador. Por este andar, um dia vou receber uma SMS, quem sabe via chip cutâneo como cartão de cidadão, a recomendar - acaba o livro hoje, porque amanhã está tudo encerrado para balanço. Sorrio, e olho para o pavimento molhado. O reflexo faz-me uma fotografia, e o pensamento codifica-a, no envio cibernético para uma enciclopédia de barras codificadoras do planeta ao lado."
NOTA: Hoje apeteceu-me recuar aos tempos desafiadores da palavra.
JLO

escrito no papiro por ACCB às 14:35
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

Desiderata

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Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio.
Sem seres subserviente, mantém-te tanto quanto possível, em boas relações com todos.


Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros mesmo que menos dotados e ignorantes; também eles têm a sua história.


Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito.


Se te comparas com os outros podes tornar-te presunçoso ou melancólico porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti.


Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos.


Põe todo o interesse na tua carreira ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo.


Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.


Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque, em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva.


Toma amavelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude.
Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita.


Mas não te atormentes com fantasias. Muitos receios surgem da fadiga e da solidão.


Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo.


Tu és filho do universo e, tal como as árvores e as estrelas, tens direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é – te disto revelador.


Portanto vive em paz com Deus seja qual for a ideia que d´Ele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma.


Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso.


Sê cauteloso. Luta para seres feliz.

Max Ehrmann,

escrito no papiro por ACCB às 00:18
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017

8 de janeiro 2014 9 Janeiro2017 Oh58m

 

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8 de janeiro de 2014 


Deixa-me que te escreva sem ser a sério... Quem sabe alguma coisa de jeito se há-de ler.
Eu sei que é apenas tentação de me perder entre palavras e portas entreabertas de pensamentos inacabados. Não há que resistir e, no entanto, tenho resistido tanto a este cair em frases e pensamentos, letras e aconchegos de ideias que ainda não existem, já existem,... mas não conheço...
Não que não tenha muito para escrever, tanto para questionar,... mas não é nada disso, nem daquilo que costumo escrever.

 

É um desvario de me perder no que nem sei onde pára,...onde começa ou onde existe.
Ideias loucas,...inquietação,... palavras soltas,... todas juntas num ficar-se longe para ficar tão perto.
Escrever por escrever...pode ser que se leia alguma coisa de jeito.
Inquietação,.. inquietação...
Ainda hoje,... ao lado do cinza bege do rio que corria pela margem logo ao virar do olhar, pensei quantas imagens trazia ele,...o rio...
Quantas histórias tinha para contar de tão veloz...para onde ía?...Como se a escrita fosse assim como uma maré...que não sabe onde é a foz mas vai... desvairada e tudo faz sentido ou não...Ou apenas começa a fazer sentido quando o caudal se olha ao longe e é só um... muitas margens e só um leito de água...
Não tinha barcos,... nem pontes o rio. O nevoeiro roubara a ponte como quem apaga o que acabámos de escrever...desassossego...
E o céu era da cor do caudal que abria o rumo de uma não sei que imaginada foz que nunca existiria... Inquietação...inquietação...

Não fora o nevoeiro roubar a ponte e eu sabia agora o que escrever.
Vou aquietar-me.... .

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 00:58
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

Um texto que dá que pensar hoje.........

 

 

amanhã...quando quiserem. Bonito

 

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O Amor é um Acidente, uma Renúncia, um Hábito, uma Maldição

O amor é um acidente.

Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava.

Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal.

As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes.

Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.O amor é uma renúncia. Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor de outros.

Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas. Não me queixo!Não sou ingénua nem estúpida.

 

Quando digo que o amor é uma renúncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele.

Um homem feio, com poder, é quase bonito. Um homem bonito, com poder, é quase um Deus.

Apesar da minha educação cristã, ou por causa dela, sempre me recusei a viver sujeita à ameaça do pecado. As grandes indústrias vêm tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina - amor platónico.

Quanta estupidez.

Quem bebe café procura a exaltação da cafeína.

Quem pede uma cerveja numa tarde de sol quer refrescar o corpo, sim, mas também quer soltar o espírito.

Se é para pecar quero o pecado inteiro.

Bill teve o seu castigo. Tivemos os dois.

Foram dias difíceis, foram noites ainda mais difíceis, mas passaram. Uma manhã acordei e já não tinha lágrimas. Noutra manhã acordei e já não o odiava.

Finalmente acordei e estava de novo abraçada a ele.

O amor é um hábito. Como acham que cheguei até este dia?

Foi o amor que me trouxe. Maldito seja.

 

José Eduardo Agualusa, in 'A Educação Sentimental dos Pássaros '

escrito no papiro por ACCB às 20:18
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Para Fazer o Retrato de um Pássaro

 

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(JACQUES PRÉVERT*, trad. Eugénio de Andrade)

Pinta primeiro uma gaiola

com a porta aberta
pinta a seguir
qualquer coisa bonita
qualquer coisa simples
qualquer coisa bela
qualquer coisa útil
para o pássaro
agora encosta a tela a uma árvore
num jardim
num bosque
ou até numa floresta
esconde-te atrás da árvore
sem dizeres nada
sem te mexeres...
Às vezes o pássaro não demora
mas pode também levar anos
antes que se decida
Não deves desanimar
espera
espera anos se for preciso
a rapidez ou a lentidão da chegada
do pássaro não tem qualquer relação
com o acabamento do quadro.

 

Quando o pássaro chegar
se chegar
mergulha no mais fundo silêncio
espera que o pássaro entre na gaiola
e quando tiver entrado
fecha a porta devagarinho com o pincel
depois
apaga uma a uma todas as grades
com cuidado não vás tocar nalguma das penas

Faz a seguir o retrato da árvore
escolhendo o mais belo dos ramos
para o pássaro
pinta também o verde da folhagem a frescura do vento
a poeira do sole o ruído dos bichos entre as ervas no calor do verão
e agora espera que o pássaro se decida a cantar
se o pássaro não cantar
é mau sinal
é sinal que o quadro não presta
mas se cantar é bom sinal
sinal de que podes assinar

então arranca com muito cuidado
uma das penas do pássaro
e escreve o teu nome num canto do quadro.

* Jacques Prévert (França, 1900-1977)

escrito no papiro por ACCB às 20:13
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Poema pouco original do medo

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O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes e angustiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
-
Alexandre O'neill
-

escrito no papiro por ACCB às 19:39
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Poema de Jenny Londoño

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Vengo desde el ayer, desde el pasado oscuro y olvidado con las manos atadas por el tiempo, con la boca sellada desde épocas remotas.

Vengo cargada de dolores antiguos, recogidos por siglos, arrastrando cadenas largas e indestructibles.

Vengo desde la oscuridad del pozo del olvido, con el silencio a cuestas, con el miedo ancestral que ha corroído mi alma desde el principio de los tiempos.

Vengo de ser esclava por milenios, esclava de maneras diferentes, sometida al deseo de mi raptor en Persia, esclavizada en Grecia, bajo el poder romano.

Convertida en vestal, en las tierras de
Egipto, ofrecida a los dioses de ritos milenarios, vendida en el desierto o canjeada como una mercancía.

Vengo de ser apedreada por adúltera en las calles de Jerusalén, por una turba de hipócritas, pecadores de todas las especies, que clamaban al cielo mi castigo.

He sido mutilada en muchos pueblos para privar mi cuerpo de placeres y convertida en animal de carga, trabajadora y paridora de la especie.

Me han violado sin límite, en todos los rincones del planeta, sin que cuente mi edad madura o tierna o importe mi color o mi estatura.

Debí servir ayer a los señores, prestarme a sus deseos, entregarme, donarme, destruirme, olvidarme de ser una entre miles.
He sido barragana de un señor de Castilla, esposa de un Marqués y concubina de un comerciante griego, prostituta en Bombay y filipinas y siempre ha sido igual mi tratamiento.

De unos y de otros siempre esclava, de unos y de otros dependiente, menor de edad en todos los asuntos, invisible en la historia mas lejana, olvidada en la historia más reciente.

Yo no tuve la luz del alfabeto durante largos siglos. Aboné con mis lágrimas la tierra que debí cultivar desde mi infancia.

He recorrido el mundo en millares de vidas que me han sido entregadas una a una.

Y he conocido a todos los hombres del planeta: los grandes y pequeños, los bravos y cobardes, los viles, los honestos, los buenos, los terribles.

Mas casi todos llevan la marca de los tiempos.
Unos manejan vidas como amos y señores, asfixian, aprisionan, succionan y aniquilan.

Otros manejan almas: comercian con ideas, asustan o seducen, manipulan y oprimen.

Unos cuentan las horas con el filo del hambre, atravesado en medio de la angustia.

Otros viajan desnudos por su propio desierto y duermen con la muerte en la mitad del día.

Yo los conozco a todos.
Estuve cerca de unos y de otros, sirviendo cada día, recogiendo las migajas, bajando la cerviz a cada paso,
cumpliendo con mi karma.

He recorrido todos los caminos.
He arañado paredes y ensayado cilicios, tratando de cumplir con el mandato de ser como ellos quieren, mas no lo he conseguido.
Jamás se permitió que yo escogiera el rumbo de mi vida.

He caminado siempre en una disyuntiva, ser santa o prostituta.
He conocido el odio de los inquisidores que a nombre de "la santa madre iglesia" , condenaron mi cuerpo a su sevicia o a las infames llamas de la hoguera.

Me han llamado de múltiples maneras : bruja, loca, adivina, pervertida, aliada de Satán, esclava de la carne, seductora, ninfómana, culpable de los males de la tierra.

Pero seguí viviendo, arando, cosechando, cosiendo, construyendo, cocinando, tejiendo, curando, protegiendo, pariendo, criando, amamantando, cuidando,
y sobre todo amando.

He poblado la tierra de amos y de esclavos, de ricos y mendigos, de genios y de idiotas, pero todos tuvieron el calor de mi vientre, mi sangre y mi aliento, y se llevaron un poco de mi vida.

Logré sobrevivir a la conquista brutal y despiadada de Castilla en las tierras de América, pero perdí mis dioses y mi tierra y mi vientre parió a gente mestiza, después de que el castellano me
tomara por la fuerza.

Y en este continente mancillado proseguí mi existencia, cargada de dolores cotidianos.

Negra y esclava en medio de la hacienda, me vi obligada a recibir al amo cuantas veces quisiera, sin poder
expresar ninguna queja.

Después fui costurera, campesina, sirvienta, labradora, madre de muchos hijos miserables, vendedora ambulante, curandera, cuidadora de niños y de ancianos, artesana de manos prodigiosas, tejedora, bordadora, obrera, maestra,
secretaria o enfermera.
Siempre sirviendo a todos, convertida en abeja o sementera, cumpliendo las tareas más ingratas, moldeada como cántaro por las manos ajenas.

Y un día me dolí de mis angustias.
Un día me cansé de mis trajines, abandoné el desierto y el océano, bajé de la montaña, atravesé las selvas y confines y convertí mi voz dulce y tranquila
enbocina del viento, en grito universal y enloquecido.

Y convoqué a la viuda, a la casada, a la mujer del pueblo, a la soltera, a la madre angustiada, a la fea, a la recién parida, a la violada, a la triste, a la callada, a la hermosa, a la pobre, a la
afligida, a la ignorante, a la fiel, a la engañada, a la prostituta.
Vinieron miles de mujeres, juntas, a escuchar mis arengas.

Se habló de los dolores milenarios, de las largas cadenas que los siglos nos cargaron a cuestas.

Y formamos con todas nuestras quejas un caudaloso río que empezó a recorrer el universo, ahogando la injusticia y el olvido.

El mundo se quedó paralizado. ¡los hombres sin mujeres no caminan!

Se pararon las máquinas, los tornos, los grandes edificios y las fábricas, ministerios y hoteles, talleres y oficinas, hospitales y tiendas, hogares y cocinas.

Las mujeres, por fin, lo descubrimos. ¡somos tan poderosas como ellos y somos muchas más sobre la tierra ! ¡ más que el silencio y más que el sufrimiento ! ¡ más que la infamia y más que la
miseria !

Que este canto resuene en las lejanas tierras de indochina, en las arenas cálidas del África, en Alaska o en America latina, llamando a la igualdad entre los géneros, a construir un mundo solidário -- distinto, horizontal, sin poderíos -- a conjugar ternura, paz y vida, a beber de la ciencia sin distingos.
A derrotar el odio y los prejuicios, el poder de unos pocos, las mezquinas fronteras.
A amasar con las manos de ambos sexos el pan de la existencia.

escrito no papiro por ACCB às 19:36
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Tons de escrita

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Tens de ver se os teus olhos têm reflexos verdes ou se por acaso será desse teu brilho na voz . Será que é porque parece que quando chove à tua volta, o chão fica daquele verde dourado que cobre os mantos das damas, de noite, pelos castelos? Ou saíste de um livro em que os contos de fadas têm personagens reais?
Olha deixa lá, não penses mais nisso, parece-me mesmo que é do reflexo verde do brilho do teu olhar.
Também podia ser dessa tonalidade azul que dás à voz ou do vermelho dos gestos que te caracteriza,.... Sinceramente não sei. Não sei, assim como não sei porque ponho reticências a seguir às virgulas quando penso o que escrever a seguir... porque, isto de escrever é só quando não se pensa, sai assim, de repente, como uma ideia que não se deve conter, como quando de noite temos ideias brilhantes e a seguir adormecemos. Não voltam,.... perderam-se nos sonhos.
Tudo tem uma razão, uma causa, uma sequência e a tua é a do reflexo. Às vezes apetece-me espreitar do outro lado, mas encontro sempre o mesmo verde, o mesmo azul e o mesmo vermelho, como uma bandeira que acenas e com a qual dizes que te recusas a seguir o mesmo trilho já trilhado...
Tens de ver se os teus olhos têm reflexos verdes....

 

21.11.2014

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 16:11
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016

Super Lua




 

Olha, está na hora de dormir dizem as regras... E eu que sempre tentei quebrá-las agora zelo pelo seu cumprimento. Dormir... que perda de tempo.
Até que tenho sono mas tenho mais vontade. Vontade de ficar à espera da trovoada de ontem que não passa mais hoje e que se passar já será outra. Vontade de escrever e atirar as palavras ao papel, à folha, ao teclado ao que quer que seja mas que me deixem quebrar as regras.
Passo a vida a zelar pelas regras e pelo seu cumprimento e pelo respeito que lhes é devido ... e entre este zelar estonteado e teimoso perco-me pelas palavras e encontro-me em rostos que não conheço...
Olha, sabes? dizem que está na hora de dormir...mas eu não quero. A noite é boa companheira. De noite notam-se os contornos das sombras que de dia se esbatem à luz do sol ou nas cortinas de chuva.
Na hora de dormir desperto ...é como se o apelo da escrita me libertasse e amanhã é segunda feira. Nunca gostei da segunda feira, ou gostei? Já não me lembro. Não gostar da segunda feira é uma regra e eu vivo rodeada de regras.
Está na hora de dormir dizem as regras....e o espírito das regras o que diz???

14.11.2015

ACCB

escrito no papiro por ACCB às 01:30
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

No dia 11.11.2016 - 58 anos

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"Que a boa sorte te persiga e que teu coração se preencha com tudo o que desejares.

Que vejas os filhos dos filhos dos filhos dos teus filhos.

Que não conheças nada além da felicidade, deste dia em diante."

– (Essa é uma Bênção Celta).

escrito no papiro por ACCB às 16:45
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

10.11.2016

 

escrito no papiro por ACCB às 15:54
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

"May be ...... the price I have to pay."

Acabaste o dia
Escolhes o caminho mais fácil, o do mar.
Devagar que a velocidade tem limite e no teu caso o limite há-de ser perto dos 40.
O radio acompanha a velocidade e o estado de alma.
Olhas o mar, é sempre bem vindo e ali há sempre um infinito de sorrisos na maré.
Está cheia, tão cheia que não se move.
O som fica mais alto, tem lembranças envolvidas e sorris.
Cada pedaço é uma aguarela e aproveitas para guardar os flashes que se oferecem (também eles sorridentes), à passagem.
Logo ali, depois da baía onde a faina descansa no colorido dos barcos que se fazem ao mar, tens uma curva que se dilui como se Lisboa entrasse pelo rio e o nevoeiro se enovelasse nas copas das árvores.
O farol observa os farrapos brancos e líquidos a subirem a encosta , vindos do rio a pulso, ....espalham-se como cabelos longos ao vento.
O radio do carro repete uma canção antiga como se falasse de um castigo de alguém enquanto a voz vai dizendo..."May be ...... the price I have to pay."
Sorris. Há sempre um preço a pagar.
Há que desfazer a curva, olhas e repares que de repente tudo ficou com ar de Natal, mais uma vez tudo irá ficar com aquele ar de dia chuvoso e frio mas com luzes.
O radio continua em extase com a canção antiga e o nevoeiro solto pela Marginal.... May come to me from shadows of the past.....
Mas logo em frente há sol de novo e o fim da tarde ganha de repente um rosto normal.
É Outono, nada de novo... apenas um passeio pela tarde na Marginal.

 

escrito no papiro por ACCB às 01:39
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

Não peças a quem pediu

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(Cesare Zocchi, O Soberbo, detalhe do monumento a Dante em Trento)

 

 

 

Não peças a quem pediu nem
sirvas a quem serviu
Um aviso a fazer e um cuidado a ter a todos os níveis
Cada vez me convenço mais de que é verdade
O tirano é um indivíduo que não foi livre
O tirano é um indivíduo frustrado
A sua tarefa o seu maior objectivo é dominar para não ser dominado
Retirar ao outro o seu espaço de liberdade para que não controle o seu espaço de tirania
Por quantos tiranos vamos ser orientados no Futuro?
Uns dão te ordens absolutamente contrárias às leis existentes
Outros vestem a pele do intelectual justo e líder quando o desejo é ser realmente o líder que não são
Encabeçam movimentações contra alguém que esteja a ser alvo de crítica ( é um exemplo), para serem populares e serem seguidos
O tirano é um ser que se diz recto para poder ser admirado, seguido, obedecido ...
E depois tudo se torna uma luta sem quartel porque o tirano
está atento, não descura a oportunidade de subir e alargar a sua fé, a sua teoria, o seu poder que só lhe vem dos outros enganados pelo voluntarismo que se firma no colectivo dos que tem fome e sede de sangue e a quem ele promete que serão saciados ....
E, porque não têm a calma observadora do tirano, e porque ir à frente é trabalhoso, tomam- no em ombros e nem reparam que o tirano não vai à frente, vai carregado por eles a quem há-de subjugar. Escudado nos ímpetos alheios entra em ombros e faz se não eleger mas obedecer.

Há que não servir a quem serviu
E não pedir a quem pediu

O homem justo é livre até de si mesmo

 

escrito no papiro por ACCB às 01:27
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Sou alguém que escreve por gostar de escrever. Quem escreve não pode censurar o que cria e não pode pensar que alguém o fará. Mesmo que o pense não pode deixar que esse limite o condicione. Senão: Nada feito. Como dizia Alves Redol “ A diferença entre um escritor e um aprendiz, ou um medíocre, é que naquele nunca a paixão se faz retórica.” online

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